sexta-feira, 22 de junho de 2012

OS TALISMÃS - MEDALHA CABALÍSTICA


O Sr. M... havia comprado em segunda mão uma medalha que lhe pareceu notável por sua singularidade. Era do tamanho de um escudo de seis libras; tinha o aspecto da prata, embora um pouco acinzentada. Sobre ambas as faces estão gravadas, em baixo-relevo, uma porção de sinais, entre os quais se nota planetas, círculos entrelaçados, um triângulo, palavras ininteligíveis e iniciais em caracteres vulgares; depois, outros em caracteres bizarros, lembrando o árabe, tudo disposto de modo cabalístico, conforme o gênero utilizado pelos mágicos.

Tendo o Sr. M... interrogado a senhorita J..., médium sonâmbula, a respeito dessa medalha, foi-lhe respondido que era composta de sete metais, havia pertencido a Cazotte e tinha o poder especial de atrair os Espíritos e facilitar as evocações. O Sr. De Caudemberg, autor de uma série de comunicações que, como médium, dizia ter recebido da Virgem Maria, disse-lhe que era uma coisa maléfica, destinada a atrair os demônios. A senhorita Guldenstubé, médium, irmã do barão de Guldenstubé, autor de uma obra sobre pneumatografia, ou escrita direta, garantiu que a medalha possuía uma virtude magnética e poderia provocar o sonambulismo.

Pouco satisfeito com essas respostas contraditórias, o Sr. M... apresentou-nos a medalha, pedindo nossa opinião pessoal a respeito e, ao mesmo tempo, solicitando interrogássemos um Espírito superior a propósito de seu real valor, do ponto de vista da influência que pudesse ter. Eis a nossa resposta:

Os Espíritos são atraídos ou repelidos pelo pensamento, e não pelos objetos materiais, que nenhum poder exercem sobre eles. EM TODOS OS TEMPOS OS ESPÍRITOS SUPERIORES TEM CONDENADO O EMPREGO DE SINAIS E DE FORMAS CABALÍSTICAS, DE MODO QUE TODO ESPÍRITO QUE LHES ATRIBUIR UMA VIRTUDE QUALQUER, OU QUE PRETENDER OFERECER TALISMÃS COMO OBJETO DE MAGIA, POR ISSO MESMO REVELARÁ A SUA INFERIORIDADE, QUER QUANDO AGE DE BOA-FÉ E POR IGNORÂNCIA, EM CONSEQUÊNCIA DE ANTIGOS PRECONCEITOS TERRESTES DE QUE AINDA SEACHA IMBUÍDO, QUER QUANDO, COMO ESPÍRITO ZOMBETEIRO, SE DIVERTE CONSCIENTEMENTE COM A CREDULIDADE ALHEIA. Quando não traduzem pura fantasia, os sinais cabalísticos são símbolos que lembram crenças supersticiosas na virtude de certas coisas, como os números, os planetas e sua concordância com os metais, crenças que foram geradas nos tempos da ignorância e que repousam sobre erros manifestos, aos quais a Ciência fez justiça, ao revelar o que existe sobre os pretensos sete planetas, os sete metais, etc. A forma mística e ininteligível desses emblemas tinha por objetivo a sua imposição ao vulgo, sempre inclinado a considerar maravilhoso tudo aquilo que é incapaz de compreender. Quem quer que tenha estudado racionalmente a natureza dos Espíritos não poderá admitir que, sobre eles, se exerça a influência de formas convencionais, nem de substâncias misturadas em certas proporções; seria renovar as práticas do caldeirão das feiticeiras, dos gatos negros, das galinhas pretas e de outros sortilégios. Não podemos dizer a mesma coisa de um objeto magnetizado que, como se sabe, tem o poder de provocar o sonambulismo ou certos fenômenos nervosos sobre o organismo.

Nesse caso, porém, a virtude do objeto reside unicamente no fluido de que se acha momentaneamente impregnado e que assim se transmite, por via mediata, e não em sua forma, em sua cor e nem, sobretudo, nos sinais de que possa estar sobrecarregado.

Um Espírito pode dizer: “Traçai tal sinal e, à vista dele, reconhecerei que me chamais, e virei”; nesse caso, todavia, o sinal traçado é apenas a expressão do pensamento; é uma evocação traduzida de modo material. Ora, os Espíritos, seja qual for a sua natureza, não necessitam de semelhantes artifícios para se comunicarem; os Espíritos superiores jamais os empregam; os inferiores podem fazê-lo visando fascinar a imaginação das pessoas crédulas que querem manter sob dependência. Regra geral: para os Espíritos superiores a forma nada é; o pensamento é tudo. Todo Espírito que liga mais importância à forma do que ao fundo, é inferior e não merece nenhuma confiança, mesmo quando, vez por outra, diga algumas coisas boas, porquanto essas boas coisas freqüentemente são um meio de sedução.

Tal era, de maneira geral, nosso pensamento a respeito dos talismãs, como meio de entrar em relação com os Espíritos.

Evidentemente que se aplica também àqueles que a superstição emprega como preservativos de moléstias ou acidentes.

Entretanto, para edificação do proprietário da medalha, e para um melhor aprofundamento da questão, na sessão de 17 de julho de 1858 pedimos a São Luís, que conosco se comunica de bom grado sempre que se trata de nossa instrução, que nos desse sua opinião a respeito. Interrogado sobre o valor da medalha, eis qual foi sua resposta:

“Fazeis bem em não admitir que objetos materiais possam exercer qualquer influência sobre as manifestações, quer para as provocar, quer para as impedir. Temos dito com bastante freqüência que as manifestações são espontâneas e que, além disso, jamais nos recusamos a atender ao vosso apelo. Por que pensais que sejamos obrigados a obedecer a uma coisa fabricada pelos seres humanos?

P. – Com que finalidade foi feita essa medalha?

Resp. – Foi fabricada com o objetivo de chamar a atenção das pessoas que nela gostariam de crer; porém, apenas por magnetizadores poderá ter sido feita, com a intenção de magnetizar e adormecer um sensitivo. Os signos nada mais são que fantasia.

P. – Dizem que pertenceu a Cazotte; poderíamos evoca-lo, a fim de obtermos alguns ensinamentos a esse respeito?

Resp. – “Não é necessário; ocupai-vos preferentemente de coisas mais sérias.”.


REVISTAESPÍRITA – SETEMBRO DE 1858

quinta-feira, 21 de junho de 2012

DEVE-SE PUBLICAR TUDO QUANTO DIZEM OS ESPÍRITOS?


Esta questão nos foi dirigida por um de nossos correspondentes e a ela respondemos por meio de outra pergunta:

Seria bom publicar tudo quanto dizem e pensam os homens?

Quem quer que possua uma noção do Espiritismo, por mais superficial que seja, sabe que o mundo invisível é composto de todos os que deixaram na Terra o envoltório visível. Entretanto, pelo fato de se haverem despojado do homem carnal, nem por isso os Espíritos se revestiram da túnica dos anjos. Encontramo-los de todos os graus de conhecimento e de ignorância, de moralidade e de imoralidade; eis o que não devemos perder de vista. Não esqueçamos que entre os Espíritos, assim como na Terra, há seres levianos, estouvados e zombeteiros; pseudo-sábios, vãos e orgulhosos, de um saber incompleto; hipócritas, malvados e, o que nos pareceria inexplicável, se de algum modo não conhecêssemos a fisiologia desse mundo, existem os sensuais, os ignóbeis e os devassos, que se arrastam na lama. Ao lado disto, tal como ocorre na Terra, temos seres bons, humanos, benevolentes, esclarecidos, de sublimes virtudes; como, porém, nosso mundo não se encontra nem na primeira, nem na última posição, embora mais vizinho da última que da primeira, resulta que o mundo dos Espíritos compreende seres mais avançados intelectual e moralmente que os nossos homens mais esclarecidos, e outros que ainda estão abaixo dos homens mais inferiores.

Desde que esses seres têm um meio patente de comunicar-se com os homens, de exprimir os pensamentos por sinais inteligíveis, suas comunicações devem ser o reflexo de seus sentimentos, de suas qualidades ou de seus vícios. Serão levianas, triviais, grosseiras, mesmo obscenas, sábias, sensatas e sublimes, conforme seu caráter e sua elevação. Revelam-se por sua própria linguagem; daí a necessidade de não se aceitar cegamente tudo quanto vem do mundo oculto, e submetê-lo a um controle severo.

Com as comunicações de certos Espíritos, do mesmo modo que com os discursos de certos homens, poderíamos fazer uma coletânea muito pouco edificante. Temos sob os olhos uma pequena obra inglesa, publicada na América, que é a prova disto, e cuja leitura, podemos dizer, uma mãe não recomendaria à filha. Eis a razão por que não a recomendamos aos nossos leitores. Há pessoas que acham isso engraçado e divertido. Que se deliciem na intimidade, mas que o guardem para si mesmas. O que é ainda menos concebível é se vangloriarem de obter comunicações indecorosas; é sempre indício de simpatias que não podem ser motivo de vaidade, sobretudo quando essas comunicações são espontâneas e persistentes, como acontece a certas pessoas. Sem dúvida isto nada prejulga em relação à sua moralidade atual, porquanto encontramos criaturas atormentadas por esse gênero de obsessão, ao qual de modo algum se pode prestar o seu caráter.

Entretanto, este efeito deve ter uma causa, como todos os efeitos; se não a encontramos na existência presente, devemos buscá-la numa vida anterior. Se não estiver em nós, estará fora de nós, mas sempre nos achamos nessa situação por algum motivo, ainda que seja pela fraqueza de caráter. Conhecida a causa, depende de nós fazê-la cessar.

Ao lado dessas comunicações francamente más, e que  chocam qualquer ouvido delicado, outras há que são simplesmente triviais ou ridículas. Haverá inconvenientes em publicá-las? Se forem dadas pelo que valem, serão apenas impróprias; se o forem como estudo do gênero, com as devidas precauções, os comentários e os corretivos necessários, poderão mesmo ser instrutivas, naquilo que contribuírem para tornar conhecido o mundo espiritual em todos os seus aspectos. Com prudência e habilidade tudo pode ser dito; o mal é dar como sérias coisas que chocam o bom-senso, a razão e as conveniências. Neste caso, o perigo é maior do que se pensa. Em primeiro lugar, essas publicações têm o inconveniente de induzir em erro as pessoas que não estão em condições de aprofundá-las nem de discernir o verdadeiro do falso, especialmente numa questão tão nova como o Espiritismo. Em segundo lugar, são armas fornecidas aos adversários, que não perdem tempo em tirar desse fato argumentos contra a alta moralidade do ensino espírita; porque, insistimos, o mal está em considerar como sérias coisas que constituem notórios absurdos. Alguns mesmos podem ver uma profanação no papel ridículo que emprestamos a certas personagens justamente veneradas, e às quais atribuímos uma linguagem indigna delas.

Aqueles que estudaram a fundo a ciência espírita sabem como se portar a esse respeito. Sabem que os Espíritos galhofeiros não têm o menor escrúpulo de se adornarem de nomes respeitáveis; mas sabem também que esses Espíritos não abusam senão daqueles que gostam de se deixar abusar, e que não sabem ou não querem desmascarar as suas astúcias pelos meios de controle que conhecemos. O público, que ignora isso, vê apenas um absurdo oferecido seriamente à sua admiração, o que faz com que diga: Se todos os espíritas são assim, merecem o epíteto com que foram agraciados. Sem sombra de dúvida, esse julgamento não pode ser levado em consideração; vós os acusais com justa razão de leviandade. Dizei a eles: Estudai o assunto e não examineis apenas uma face da moeda. Entretanto, há tantas pessoas que julgam a priori, sem se darem ao trabalho de virar a folha, sobretudo quando falta boa vontade, que é necessário evitar tudo quanto possa dar motivos a decisões precipitadas, porquanto, se à má vontade vier juntar-se a malevolência, o que é muito comum, ficarão encantadas de encontrar o que criticar.

Mais tarde, quando o Espiritismo estiver mais vulgarizado, mais conhecido e compreendido pelas massas essas publicações não terão maior influência do que hoje teria um livro que encerasse heresias científicas. Até lá, nunca seria demasiada a circunspeção, visto haver comunicações que podem prejudicar essencialmente a causa que querem defender, em intensidade superior aos ataques grosseiros e às injúrias de certos adversários; se algumas fossem feitas com tal objetivo, não alcançariam melhor êxito. O erro de certos autores é escrever sobre um assunto antes de tê-lo aprofundando suficientemente, dando lugar, desse modo, a uma crítica fundamentada. Queixam-se do julgamento temerário de seus antagonistas, sem se darem conta de que muitas vezes são eles mesmos que exibem uma falha na couraça. Aliás, malgrado todas as precauções, seria presunção julgarem-se ao abrigo de toda crítica: primeiro, porque é impossível contentar a todo o mundo; em segundo lugar, porque há pessoas que riem de tudo, mesmo das coisas mais sérias, uns por seu estado, outros por seu caráter. Riem muito da religião, de sorte que não é de admirar que riam dos Espíritos, que não conhecem. Se pelo menos suas brincadeiras fossem espirituosas, haveria compensação. Infelizmente, em geral não brilham nem pela finura, nem pelo bom gosto, nem pela urbanidade e muito menos pela lógica. Façamos, então, o que de melhor estiver ao nosso alcance. Pondo de nosso lado a razão e as conveniências, poremos de lado também os trocistas.

Essas considerações serão facilmente compreendidas por todos. Há, porém, uma não menos importante, que diz respeito à própria natureza das comunicações espíritas, e que não devemos omitir: Os Espíritos vão aonde acham simpatia e onde sabem que serão ouvidos. As comunicações grosseiras e inconvenientes, ou simplesmente falsas, absurdas e ridículas, não podem emanar senão de Espíritos inferiores: o simples bom-senso o indica. Esses Espíritos fazem o que fazem os homens que são ouvidos complacentemente: ligam-se àqueles que admiram as suas tolices e, freqüentemente, se apoderam deles e os dominam a ponto de os fascinar e subjugar. A importância que, pela publicidade, é concedida às suas comunicações, os atrai, excita e encoraja. O único e verdadeiro meio de os afastar é provar-lhes que não nos deixamos enganar, rejeitando impiedosamente, como apócrifo e suspeito, tudo que não for racional, tudo que desmentir a superioridade que se atribui ao Espírito que se manifesta e de cujo nome ele se reveste. Quando, então, vê que perde seu tempo, afasta-se.

Acreditamos ter respondido suficientemente à pergunta do nosso correspondente sobre a conveniência e a oportunidade de certas publicações espíritas. Publicar sem exame, ou sem correção, tudo quanto vem dessa fonte seria, em nossa opinião, dar prova de pouco discernimento. Tal é, pelo menos, a nossa opinião pessoal, que submetemos à apreciação daqueles que, estando desinteressados pela questão, podem julgar com imparcialidade, pondo de lado qualquer consideração individual. Como todo mundo, temos o direito de externar a nossa maneira de pensar sobre a ciência que constitui o objeto de nossos estudos, e de tratá-la à nossa maneira, sem pretender impor nossas idéias a quem quer que seja, nem apresentá-las como leis. Os que partilham a nossa maneira de ver é porque crêem, como nós, estar com a verdade. O futuro mostrará quem está errado ou quem tem razão.



Allan Kardec

Revista Espírita Novembro 1859

quarta-feira, 20 de junho de 2012

ADVERSIDADES


São muitos os inimigos e adversários que temos de enfrentar em nossas vidas. Tanto no ser eterno quanto no corpo denso, arrostamos inimigos que se instalam em forma de enfermidades físicas e morais. Aquelas acometem o corpo somático; estas infestam a alma imortal.

As primeiras decorrem de causas diversificadas tais como a degeneração dos próprios órgãos e tecidos pela ação do tempo; o mal uso a que submetemos nosso corpo, sujeitando-o a vícios e abusos variados como o do fumo, do álcool, o dos entorpecentes, o dos desregramentos sexuais, a demasiada alimentação e o insuficiente repouso, a inadequada atividade ou a excessiva inação, além de muitos outros hábitos perniciosos.

Dentre os vícios que mais danos acarretam destacam-se o tabagismo, o alcoolismo e o consumo de várias drogas.

A submissão ao fumo leva a pessoa a expor a função pulmonar a risco muitas vezes fatal como o do enfisema, que além de reduzir a capacidade respiratória torna-a penosa e dolorosa, acarretando conseqüências danosas a outros órgãos com sacrifício do metabolismo humano. Por sua vez, a viciação em bebidas alcoólicas trará, forçosamente, o entorpecimento do fígado, facilitando o advento da cirrose e várias outras moléstias, afetando, inclusive, o sistema nervoso. Conduz, pois, inexoravelmente, a criatura à degradação.

Quanto às drogas, ninguém mais pode ter dúvidas da degeneração que impõem ao indivíduo, tanto ao que a elas está subjugado quanto àquele que as mercadeja. São as criaturas incursas nas penalidades decorrentes das graves violações das leis naturais e humanas.

Sabemos que na Terra as doenças são numerosas e têm sido preocupação constante do homem. A Ciência mostra que se não fossem as defesas naturais do corpo humano, as descobertas dos microorganismos com o advento do microscópio, as vacinas, as assepsias já alcançadas e outras conquistas, o panorama das enfermidades seria ainda mais apavorante.

Dentre aquelas defesas mencionadas, os pesquisadores apontam o envolvimento do corpo humano pela pele, derma e epiderme, como uma barreira à penetração de microorganismos e até com capacidade para exterminar muitos que ali se depositam. As mucosas nasal, pulmonar, intestinal, etc. são outros tantos obstáculos de que a Natureza dispõe para defender o organismo humano contra a incursão externa perigosa e indesejável. Mas, internamente, dispõe o corpo humano de organização a serviço de sua defesa. São mecanismos de autodefesa automaticamente acionados e que entram imediatamente em atividade sempre que ocorre uma lesão, um risco, uma invasão microbiana, etc.

Os medicamentos, as diversas terapias, os hábitos saudáveis e higiênicos e outros fatores são outros tantos recursos de defesa do organismo humano. Mas, além desses meios que fazem parte da matéria densa, há outros pouco ou menos conhecidos, mas também relacionados com a nossa integridade física e que constituem seus poderosos defensores os quais, entretanto, não estão catalogados pela ciência do mundo. No futuro, quando a luz se fizer nos horizontes dos observadores atentos, eles irão constatar a efetiva existência de outras proteções. Exemplo típico é o da aura humana. A vibração das nossas células faz com que emitam radiações que formam um halo energético em torno de nós semelhante a uma túnica eletromagnética. É o que constitui a aura e dentre as suas funções podemos citar que representa defesa do corpo contra várias espécies de microorganismos. Saliente-se, contudo, que ainda não foi devidamente considerada pela ciência oficial.

Mas não é só. As energias cósmicas, a luz solar, os fluidos ainda não pesquisados constituem poderosos elementos a serviço da saúde humana, atuantes permanentemente, a despeito e à revelia da nossa ignorância e da insensibilidade em face da sua ação e eficácia.

Em síntese, estão mencionados alguns dos inimigos do corpo humano e dos modos de defendê-lo. Assim, esses infortúnios fundamentam a nossa constante preocupação em virtude da perspectiva que representam de dores e sofrimentos ou até a da própria morte.

Mas há outros males que se instalam em nosso interior e parecem ter vida simbiótica em nossa alma, em processos doentios demorados, de difícil erradicação. O egoísmo, o orgulho, a vaidade, o desânimo, a inveja, o ciúme, o ódio e tantos outros que infestam a alma tornando-a enfermiça e terminam por impor ao próprio corpo físico conseqüências mórbidas dolorosas.

Todas as desditas humanas decorrem da inobservância e da infringência das leis divinas, resultam das nossas imperfeições, as quais ditam nossos procedimentos malévolos com os semelhantes, advindo daí os efeitos desastrosos a despontarem em nosso caminho.

O renascimento em mundos como a Terra já revela a presença de imperfeições e os quadros dolorosos de nossas vidas também constituem, muitas vezes, seguros indicadores de que, de alguma maneira, deixamos de observar a obrigação de fazer o bem ao semelhante ou, mais grave ainda, demonstram outras vezes claramente, que nossas feridas são resultantes de outras tantas chagas abertas, outrora, por nós em irmãos do caminho.

Há nas leis naturais escala verdadeira de valores, a qual, quando devidamente observada e adotada, impulsiona o progresso da criatura, aperfeiçoando-lhe a alma imortal.

Sabemos que a situação social das pessoas é tão variada como o são suas atividades. Seu comportamento também é diversificado de conformidade com seu adiantamento moral.

Portanto, os valores são escalonados sob os aspectos moral, econômico e intelectual. Perante as leis naturais nada impede que essas três condições coexistam na criatura, em elevado grau, ou cada qual isoladamente. Todavia, somente o aperfeiçoamento moral caracteriza o verdadeiro progresso perante as normas divinas.

Muitas pessoas que ocupam posições sociais elevadas e até mesmo no exercício de funções e atividades religiosas relevantes, diante das disposições divinas, são havidas como deficientes em termos de bondade, compreensão, fraternidade, em razão de seus comportamentos no trato com os semelhantes. Não é raro observar-se a desatenção com que tratam as pessoas. Entendem que as altas funções que exercem no seio da sociedade são mais importantes do que as próprias criaturas. Sempre ocupadas e apressadas não podem dispensar um instante sequer a um irmão, a um amigo do caminho. Alegam que não dispõem de tempo. Seus próprios filhos são tratados como se fossem estranhos. Não têm tempo para amá-los, para educá-los na faculdade de amar. Esquecem-se tais criaturas que o tempo é algoz dos que erram e abençoado bálsamo dos injustiçados. Que o importante é a pessoa é o próximo, o nosso semelhante. O que conta no fim da trilha que leva ao túmulo é o amor que se dedica e este é a chave que abre a porta para a senda de luz e felicidade depois do sepulcro.

O menosprezo dessa verdade enseja muitas adversidades no futuro.

Portanto, não basta abstermo-nos de praticar o mal. Os princípios universais que regulam a evolução impõem-nos o dever de promover sempre o bem do próximo.

Todos nós na Terra enfrentamos dificuldades inumeráveis, as quais fazem parte do processo evolutivo. Mas as dores e vicissitudes, antes de tudo, devem sempre servir de alerta de que jamais devemos impô-las aos semelhantes.

Permanentemente temos de lembrar-nos de que vivemos cercados pela Infinita Misericórdia a começar pelo dom da vida, pelas possibilidades de amar e de ser amados, de servir e pagar dívidas, de trabalhar e evoluir, de recolher a cada manhã como raios de luz a renascente esperança de felicidade e a certeza de que a morte não existe.



Reformador Ago.97

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A VOCÊ QUE ESTA CHEGANDO

Hoje a palavra é para você, companheiro de muitas procuras, que chega à Casa Espírita em busca do bálsamo que alivie uma grande dor, da palavra que ajude a superar um momento de crise ou que preencha algum “não sei quê?” esquisito que lhe deixa enorme vazio cá dentro do peito.

Talvez esta seja a derradeira porta, após tantas tentativas de encontrar o equilíbrio, a paz, enfim, o sentido da vida. E o seu coração se divide agora entre esperanças e temores. Afinal, foram tantas as frustrações... Mas, como diz a canção da Zizi Possi...

“Vá, e entre por aquela porta ali, não tem caminho fácil não, é só dar um tempo que o amor chega até você”...

Pois é, amigo, grupos espíritas não são igrejas. São espaços fraternos de vivência do Evangelho de Jesus, à luz da Doutrina Espírita, uma espécie de oficinas do bem, onde se busca, em conjunto, aprender e exercitar esse tão decantado amor ao próximo.

Então, por favor, não nos idealize. Não espere uma bondade e elevação que ainda não possuímos.

O espírita professa uma fé racional que, facilitando a compreensão dos porquês da existência, aumenta também a responsabilidade de uma mudança de atitude para melhor diante dos desafios cotidianos da vida.

Porém, não nos enganamos, nem queremos lhe enganar a respeito de quem somos. Somos exatamente como você. Sentimos as mesmas dificuldades afetivas, emocionais, sexuais, espirituais e tantas outras, inerentes à nossa condição humana de seres em evolução. Estamos todos no mesmo barco, amigo, mas remar juntos para chegarmos em segurança à outra margem da vida – que é o nosso destino e lugar de origem – certamente fará toda a diferença. E isto nós queremos e podemos fazer.

Não temos rituais ou chefes religiosos. Trabalhamos em regime de cooperação fraterna e voluntária, conforme as aptidões e disponibilidades de cada um, em benefício de todos os que aqui chegam. Por isto, querido amigo, ao entrar por aquela porta, não espere encontrar sacerdotes investidos de superioridade ou poder.

Não espere encontrar um grupo seleto de iniciados em “mistérios do Além” ou indivíduos infalíveis que lhe digam, a todo tempo, o que fazer, pois encontrará apenas pessoas comuns, com muitas certezas e convicções sim, mas também com crises e inseguranças, tais como as suas.

Aqui você vai encontrar aprendizes na arte de servir. Gente que se sente feliz em contribuir para a felicidade alheia, pessoas sempre prontas a acolher, ouvir e amparar. Não suponha, porém, que estejamos isentos de provas e problemas. Assim como você, lutamos e sofremos. Apenas optamos pela ação no bem como forma de trabalhar em nós mesmos o próprio aperfeiçoamento, contribuindo para a construção de uma sociedade melhor, ao mesmo tempo em que buscamos, no estudo e no trabalho, as respostas e a coragem necessárias para enfrentar as nossas próprias batalhas na arena da vida.

Entre nós, encontrará também companheiros esforçados na tarefa de consolar e esclarecer.

Não nos tenha, porém, como sábios inquestionáveis ou seres santificados.

Assim como você, não vivemos alheios às dificuldades do mundo. Creia, amigo, o nosso maior desafio é exemplificar, na prática, as verdades espirituais que conhecemos e pregamos. No dia a dia, sobretudo lá fora, esforçamo-nos por ser pessoas mais pacificadoras, generosas, fraternais, e, sinceramente, nem sempre o conseguimos...

Mas, se é grande ainda a nossa imperfeição, maior é a alegria de vê-lo chegar. E assim como Pedro, o apóstolo rude e sincero de Jesus, apesar do reconhecimento da nossa pequenez humana e espiritual, é muito bom poder aconchegá-lo com carinho e lhe dizer do fundo do coração:

“Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho vos dou”. (Atos, 3:6.)

Caminhemos juntos!



Reformador Dez.2009

quarta-feira, 30 de maio de 2012

MINHA HOMENAGEM AOS 581 ANOS DA DESENCARNAÇÃO DE JOANA D'ARC ( 30.05.1431)


 O motivo que nos leva a escrever sobre a Donzela de Orleans, não é o de pormenorizar a sua vida, cheia de heroísmo e estoicidade, porque se acha descrita de modo magnífico na obra monumental de Léon Denis, que se intitula "Joana D'Arc Médium".  Essa obra é toda apoiada em documentos insofismáveis, da qual respigamos alguns dados para a elaboração desta despretensiosa monografia.
Foi com vistas ao período agudo por que passa a humanidade, pejada de sofrimentos e apreensões, que achamos de bom alvitre lembrar, aqui, a figura da grande guerreira que foi Joana D'Arc.
Os seus feitos nobilíssimos na expulsão dos ingleses da França, no século XV, foram decisivos para a independência e liberdade desta grande e portentosa nação, graças ao feliz desempenho da sua mediunidade.
O que torna mais admirável esta jovem extraordinária é a evidência das faculdades mediúnicas de que era possuidora, quais sejam: as da visão, audição e premonição, às quais obedecia sem discrepância.
Sem tais faculdades, de per si ela nada teria realizado, tendo-se em vista a sua pouca idade e a sua nenhuma cultura.
Joana D'Arc nasceu em Domremy (França) em 1412. Era filha de pobres lavradores. Quando não fiava a lã junto de sua mãe, apascentava o rebanho às margens do Vale do Mosa, tendo, muitas vezes, ladeado seu pai no manejo da charrua.
Joana era morena, alta, forte e bela; a sua voz era suave, a expressão graciosa, o todo modesto.
Em uma moça como quase todas de sua idade, sonhadora. Comprazia-se em contemplar o céu, à noite, quando pontilhado de estrelas; apreciava vaguear pelas frescas campinas, pelas manhãs e, à tarde, sentar-se sob o carvalho anoso, fronteiriço à sua casa, onde ouvia, embevecida, o tanger dos sinos da igreja de sua aldeia.
Joana frequentava assiduamente essa igreja, onde orava com devoção.
Próximo à sua casa havia um jardim, bem cuidado, onde igualmente costumava orar.
A sua primeira visão, segundo Léon Denis, teve-a ela nesse local, quando se achava em prece.
Nessa visão, aparece-lhe um espírito de grande formosura, cujo esplendor deslumbra-a. Em seguida, é S. Miguel que lhe surge com urna corte de espíritos puros, que lhe fala da situação angustiosa de seu país e lhe revela a missão que lhe estava destinada de salvá-la.
A princípio, Joana reluta, confessando sua incapacidade para tão alto desígnio, sendo encorajada com a promessa de ajuda dos bons espíritos que a guiariam nesse arrojado empreendimento.
As entidades que mais frequentemente se comunicavam com ela, eram os espíritos boníssimos de Santa Catarina, Santa Margarida e S. Miguel, assim designados por ela, em virtude dos ensinamentos católicos, adquiridos naquela época em que o Catolicismo Romano imperava quase absoluto.
É de se notar que Joana jamais saiu de sua aldeia. Adorava seus pais, aos quais ajudava dedicadamente nos seus misteres e nunca ia deitar-se sem antes depositar-lhes na fronte seu ósculo filial.

JOANA ACEITA A MISSÃO
Um dia, na sua visão, reaparece-lhe S. Miguel que lhe diz: "Filha de Deus, tu conduzirás o Delfim a Reims, a fim de que receba aí sua digna sagração". A essas palavras Joana junta-lhes ação. Assim, antes do romper da aurora, em plena estação hibernal, Joana se levanta da cama e, pé ante pé, sem fazer ruído para não trair o sono de seus pais que a impediriam, por certo, de realizar seu intento divino, faz uma mala de roupas, salta a janela de seu quarto e vai para onde mandam suas vozes.
Quando sua fuga se deu, para cumprimento dessa missão, contava Joana a idade de 17 anos.
Só, ignorante, contando unicamente com o auxílio de seus espíritos, nos quais depositava toda a fé, ela deixa a aldeia que muito amava e onde nascera, e que não veria mais. Deixa ainda, o seu rebanho do qual nunca se tinha apartado e, conforme suas vozes, segue em direção a Paris, passando, antes, por Vaoucoleres, onde põe seu tio ao par do que lhe cumpria fazer por determinação do Alto.
Até então, sua vida havia transcorrido entre o trabalho, que muito amava, e o repouso.

JOANA É CONDUZIDA AO SUPLICIO
O dia 30 de Maio de 1431 assinala o término da sua gloriosa missão na Terra. Nesse dia, os sinos bimbalham o dobre fúnebre desde á 8 horas da manhã. É que anunciam a morte de uma inocente criatura, cujo único crime fora ter amado e servido fielmente à sua Pátria.
Diante de tanta injustiça, de tantos sofrimentos, que iriam, dentro em breve, culminar numa fogueira, Joana chora amargamente. Preferiria, ela própria o diz ser decapitada sete vezes, a morrer queimada.
Os monstros conduzem-na numa carreta. Oitocentos soldados ingleses escoltam-na até ao local do suplício. Grande multidão se comprime na praça onde Joana deveria receber o gênero de morte destinado aos piores assassinos.
Na Praça Vieux-Marché, em Rouen, são erguidos três palanques, para serem ocupados pelos altos dignitários. Entre eles achavam-se presentes o Cardeal de Wenchester, o Bispo de Beauvais e o de Bolonha, e todos os juízes e capitães ingleses.
Entre os palanques ergue-se um monte de lenha, de grande altura, dominando toda a praça. A intenção dos verdugos era aumentar o sofrimento de Joana, espetacularizando-Ihe a morte, a fim de que ela renegasse, pela dor, à sacrossanta missão e às suas vozes.
Nessa ocasião, é lido um libelo acusatório, composto de 70 artigos, no qual transparece todo o ódio, toda a calúnia dos seus inimigos.
Joana ora com fervor, em voz alta, e pede, nessa prece, Q Deus, que lhe dê a coragem precisa para suportar a prova final, sem queixumes, sem tergiversar.
Em seguida, implora o perdão divino aos seus algozes, tal como fizera Jesus quando pregado ao madeiro.
Em dado momento, suas palavras comovem aquela gente, em número superior a 10 mil pessoas, que soluçam ante os horrores daqueles momentos. Os próprios juízes, sentindo o remorso morder-lhes a consciência, choram diante dessa cena.
A um aceno do cardeal, Joana é amarrada ao poste fatídico, com fios de ferro.
A vítima dirige-se, então, a uma pessoa que se achava perto e pede-lhe que vá buscar uma cruz na igreja mais próxima. Ao ter o símbolo da dor entre as mãos, cobre-o de beijos e lágrimas. É que nesse momento trágico, ela queria ter diante de seus olhos a imagem do Crucificado, para inspirar-lhe a coragem de que carecia.
Naquele momento, Joana reviveu todo o seu passado de glórias, cheio de gratas recordações, que só pode acudir à mente das criaturas verdadeiramente puras, como ela, que ia, daí a instantes, sacrificar sua vida pela verdade.

QUEIMADA VIVA
Eis que o momento azado chega. Ao monte de lenha que se ergue da praça, os carrascos lançam fogo. As labaredas começam a subir atingindo a vitima. Já lambem suas carnes. O Bispo de Beanvais aproxima-se da fogueira e grita: "Joana! Abjura!" ao que lhe responde: "Bispo, morro por vossa causa, apelo de vosso julgamento para Deus!"
Quando o fogo começa a chamuscar seu corpo, Joana, estorcendo-se nos ferros onde se achava presa, grita à multidão: "Sim, minhas vozes vinham do Alto! Minhas vozes não me enganaram. Minhas revelações eram de Deus. Tudo que fiz, fi-Io por ordem de Deus!"
Seu corpo arde-se todo. Eis q:ue novo grito abafado pelo crepitar da fogueira, ecoa de dentro dela; era seu apelo ao mártir do GóIgota: "JESUS".
Seu corpo fora carbonizado nessa fogueira e reduzido a cinzas, as quais, depois foram lançadas ao Sena.
Desta forma, negaram-lhe seus inimigos uma sepultura onde pudessem seus admiradores ir pranteá-la!
Os ingleses pensavam terem vencido com a morte de Joana, Mas, enganavam-se. Carlos VII consegue reorganizar rapidamente suas tropas e ganhar as batalhas de Formigni e Castillon, findando-se, assim, a guerra com o triunfo dos franceses.
Seus inimigos mataram-na tal como queriam, isto é, lentamente, com requintes de crueldade.
 Joana morreu para os ingleses, para a Terra; porém, viveu para o céu. É a recompensa divina.

CANONIZAÇÃO DE JOANA
Alguns anos mais tarde, Joana é canonizada pela Igreja Romana, a mesma que a tinha acusado de herética. A sua santificação foi mais por conveniência política, que por outro motivo qualquer, porquanto Joana sempre inspirou à Igreja sentimento de repulsão em virtude da sua mediunidade; e por isso, era tida, pelo clero, como "feiticeira", por não querer obedecer-lhe negando a origem extraterrena da sua missão.
O processo de reabilitação de Joana, levado a efeito no século XV, marca a queda da Inquisição na França. Eis o que os franceses devem, ainda, a Joana D'Arc.
A vida de Joana D'Arc, verdadeiro martirológio, continuará sendo sempre a fonte inexaurível de supremos consolos a todos os que sofrem neste vale de dor.
Mártir da mediunidade, a sua fé em Deus, o seu amor a Jesus, cujo nome fora a sua derradeira palavra, reavivará a fé nos corações atribulados que a ela Se voltarem.
Formosa flor de Lorena! Donzela santa! Alma Lirial! Destas plagas sombrias e expiatórias, eu, humilde rabiscador destas linhas, saúdo-te ó pastora  de Domremy, heroína de Orleans, mártir de Rouen!

CONCLUSÃO
Por que, dirão, Joana teria sofrido tanto? A verdade é que, ninguém sofre se não pecou. Esta é uma das leis divinas que cabia ao Espiritismo revelar aos homens, mostrando-lhes que Deus não é um experimentador de almas, concedendo, a uns privilégios, e a outros martírios.
A reencarnação, ensinada pelo Cristo e sancionada pelo Espiritismo, veio patentear aos homens a misericórdia Divina. Assim é que se numa existência o homem vem a falir, desarmonizando-se com as leis naturais estabelecidas por Deus, outra lhe é facultada, para que ele possa resgatar (mais duramente em virtude da sua reincidência no mal) o passado delituoso, e ascender, assim, a outros mundos mais felizes, que Deus destinou a todas as suas criaturas. Deus não criou estes mundos que gravitam no espaço imensurável, inutilmente. E o Cristo dissera que "nenhuma ovelha do seu rebanho se perderá,", o que equivale dizer: não existe o tão lendário inferno com a eternidade de suas penas.
O que existe, e isto é muito justo, porque se concilia perfeitamente com a justiça de Deus, é a reparação de erros; em seguida, provação, para ficar evidenciado se o pecador incorrerá ou não no mesmo erro; após o que - redenção, uma vez triunfante da prova.

UMA REENCARNAÇÃO PASSADA DE JOANA, SEGUNDO UM ESPÍRITO.
H. de Campos, chamado com justeza o repórter do Além, lançou um pouco de luz sobre a vida da grande personagem de quem acima tratamos.
Das páginas de um de seus livros post-mortem, depreende-se que Joana fora a reencarnação do espírito de Judas Iscariotes.
Não deve causar estranheza aos espíritas, a diferença de sexos dessas duas existências, porquanto, o sexo, conforme nos ensina a Doutrina dos Espíritos, não é mais que um acidente na vida humana, necessário à execução dos desígnios divinos.
O ter sido, Joana D'Arc, a reencarnação do espírito de Judas Iscariotes, conforme revelação do espírito citado deve ser motivo de júbilo, principalmente para os espíritas, porque isso vem demonstrar que o perdão de Jesus concedido a Judas, que o traiu, não foi em vão.
Consoante a concepção católica, Judas é um espírito errante, sem probabilidades de remissão, cuja eterna existência ele arrastará penando.
Assim sendo, perguntamos, de que valeu, então, ter Jesus perdoado a Judas? Felizmente assim não é. O perdão de Jesus não foi inútil. Judas penitenciou-se, pedindo a Deus uma nova existência, cheia de renúncia e de sofrimentos dolorosos, que se epilogou numa fogueira, na pessoa de Joana D'arc.
Que o espírito de Judas Iscariotes, emancipado aos olhos de Deus pelo seu martírio de Rouen, se compadeça dessas infelizes criaturas que, desconhecedoras da lei reencarnacionista, e da misericórdia do Pai ainda queimam - "o Judas de pano" - como desagravo à sua alta traição, ocorrida no passado remoto.


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terça-feira, 29 de maio de 2012

EVENTOS EM CENTRO ESPÍRITA

Bem, leitor, é nesse pé, infelizmente, que as coisas estão. Porém há eventos ainda mais acachapantes.

Durante conferências públicas, certa instituição espírita do Rio não perde tempo e vende sem pestanejar (e sem vergonha) tômbolas e rifas para os presentes. Além de ilegal e repetitiva do que fazem os católicos, a prática é perturbadora do clima espiritual dessas horas e, ainda, constrangedora tanto para o público quanto para o orador. Mas pior é ler artigos de quem se julga com autoridade para orientar, inclusive com livros, o movimento espírita, defendendo a prática do jogo do bingo nas instituições, a fim de angariar  recursos. É lastimável tamanha irresponsabilidade ética e religiosa. E por que não roleta, bacará, vinte-e-um, campista? Todos geram cornucópias de cruzeiros e dólares.

Triste, tristíssimo atalho moral e espiritual.

Continuemos. Certa fraternidade espírita se comprometia a abrir possibilidades para as pessoas vencerem na vida através do diagnóstico mediúnico do olhar. Consulta paga, é obvio... No local do antigo Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, em Vila Isabel, foi montada, em 1973, a Feira da Primavera.

Conhecida instituição, genuinamente kardecista, armou a sua barraca. Logo na frente, alinhou uma série de garrafas cujas doses eram vendidas em benefício da instituição. Conteúdo: pinga, cachaça. Olhe o leitor que eu disse tratar-se de instituição genuinamente kardecista... Desculpa apresentada quando um verdadeiro espírita estranhou aquele comércio: as garrafas foram doadas...

Se fosse para vender livro, vá lá; mas pastel, banana, torta, linguiça... ah, essa não me desce na garganta. Talvez seja fastio. Fastio principalmente desse alimento putrescente que é o miasma de todos os atalhos. O Reformador de dezembro de 1966, p. 266, publicou valiosa nota condenando os bailes públicos em prol do espiritismo. Vale a pena também reler o artigo estampado na mesma revista de junho de 1948, p. 142, sobre festividades, músicas e bailes nas associações espíritas. Avalio, porém, como a melhor advertência, aquela que se contém na mensagem de Djalma Montenegro de Farias, psicografada por Divaldo Pereira Franco e inserida no Reformador de junho de 1960, pp. 135-136, sob o título "Templo Espírita". Copio dois parágrafos:

Lentamente, vai-se generalizando nos centros espíritas uma prática que é, positivamente, afrontosa ao lema que ostentamos em memória do Codificador do espiritismo: "Fora da Caridade não há Salvação".

         Desejamos referir-nos aos chamados movimentos financeiros, tais como: apelos de dinheiro, venda de rifas, brincadeiras cômicas para aquisição de moedas, concomitante ao serviço de difusão doutrinária, em casas de pregação e assistência.

Nesse sentido recordemos a linguagem vibrante de Jesus aos vendilhões do Templo, em Jerusalém, que transformavam o recinto de oração em balcões de comércio.

Conduta Espírita, André Luiz recomenda, no capítulo 14: "Sustentar a dignidade espírita diante das assembleias, abstendo-se de historietas impróprias ou anedotas reprováveis."

Mas existe outro tipo de promoção, já bem ampla nas hostes espíritas, que extrapola qualquer diretriz do bom senso. É a instituição de dias comemorativos, a exemplo do que faz a Igreja Católica com a distribuição dos santos pelo calendário, a fim de serem efusivamente festejados. Não estou me referindo às datas de fundação das entidades, nem as rememorativas de algum acontecimento inquestionavelmente importante, do ponto de vista histórico, como a reencarnação de Allan Kardec, o lançamento de O Livro dos Espíritos, a descida de Jesus à Terra, etc. Isso é outra coisa. Refiro-me às extravagâncias que não passam de meras bajulações ou marcos estapafúrdios. Por exemplo: entidades, consideradas de bom conhecimento doutrinário, já propuseram, e algumas comemoram, religiosamente, o Dia da Mocidade Espírita (14 de

maio), o Dia da Saudade (5 de outubro, para reverenciar a memória dos médiuns), Dia da Doutrina Espírita (31 de março, transformado em lei estadual), Dia do Médium (30 de maio, este para homenagear os que ainda estão encarnados, e cujo documento foi-me presenteado pelo Divaldo Pereira Franco, então horrorizado com a ideia; e há também o Mês do Médium, que é em agosto, com 30 dias de puxa-saquismo), Dia do Espírita (3 de outubro; e eu que pensei que o espírita fosse espírita todos os dias ... ) e, para encerrar esse folclórico calendário, o Dia da Caridade (19 de julho, transformado na lei federal nº 5036, de 4.7.1966). Este último é hilariante e muito digno das religiões que instituíram cronologia para a salvação, mas, sem dúvida, há de ser repudiado pelos espíritas sérios. Caridade com dia marcado? Onde já se viu isso? Caridade é para ser pensada e praticada em qualquer dia, a qualquer hora, sempre que for possível e desejável. E se se tratar apenas de data evocativa, também de nada vale, pois a evocação desse dever é permanente, como o é a do próprio bem. Já pensaram na hipótese de se criar o Dia do Bem, para que nos lembremos de sermos bons? Por favor, freiem a imaginação e poupem-me o riso (ou o pranto!).

No remate, a advertência de ouro feita por quem tinha verdadeira autoridade - Léon Denis:

O Espiritismo propagou-se, invadiu o mundo. Desprezado, repelido ao começo, acabou por atrair a atenção e despertar interesse. Todos quantos se não imobilizavam na esfera do preconceito e da rotina e o abordaram desassombradamente, foram por ele conquistados. Agora penetra por toda a parte, instala-se em todas as mesas, tem ingresso em todos os lares. À sua voz, as velhas fortalezas seculares - a Ciência e a própria Igreja, até aqui hermeticamente aferrolhadas - arrasam suas muralhas e entreabrem suas portas. Dentro em pouco se imporá como soberano.

Que traz ele consigo? Será sempre e por toda a parte a verdade, a luz e a esperança? Ao lado das consolações que caem na alma como o orvalho sobre a flor, de par com o jorro de luz que dissipa as angústias do investigador e ilumina a rota, não haverá também uma parte de erros e decepções?

O Espiritismo será o que o fizerem os homens. Similia similibus! Ao contato da humanidade as mais altas verdades às vezes se desnaturam e obscurecem. Podem constituir-se uma fonte de abusos. A gota de chuva, conforme o lugar onde cai, continua sendo pérola ou se transforma em lodo.



Fonte: Item 28 de ‘O Atalho - Análise Crítica do Movimento Espírita’ por Luciano dos Anjos

quinta-feira, 17 de maio de 2012

EXISTE ESPÍRITA CATÓLICO?

Na verdade há o ESPÍRITA, o CATÓLICO-ESPÍRITA e o ESPÍRITA-CATÓLICO.

O ESPÍRITA não faz uso de amuletos, patuás, imagens, escapulários, promessas, defumações, não reza repetidas vezes preces prontas, não faz novenas, não acende velas, não manda rezar missas de 7º dia, não batiza, não se casa no templo religioso, não faz uso de bebidas alcoólicas ou qualquer outra droga, é freqüentador e trabalhador da casa espírita e instituições de caridade, ele não fica ocioso porque acredita que “a fé sem obras (úteis) é morta”. Enfim, ele não fica dividido entre duas religiões e se esforça para ser melhor e útil hoje mais do que foi ontem e tentará ser amanhã mais do que foi hoje.

 O CATÓLICO-ESPÍRITA é o católico simpatizante da doutrina espírita. Frequenta o catolicismo, mas de vez em quando aparece na casa espírita para, por exemplo: tomar “passe”, buscar curas espirituais, cartas consoladoras, etc. Geralmente, quando alcança (ou não) seu objetivo, não aparece mais.

 O ESPÍRITA-CATÓLICO é freqüentador e trabalhador da casa espírita, mas casa-se na igreja, batiza o filho, usa amuletos, é supersticioso, manda rezar missa de 7º dia quando um ente querido desencarna, faz uso de bebidas alcoólicas, etc. Geralmente, são estes que querem implantar modismos de outras religiões na Casa Espírita. O espírita-católico diz não ser fácil se desvincular dos dogmas e rituais já que freqüentou muito tempo outra religião. Mas, quando se desvinculará? Que testemunho o espírita-católico dá de sua fé na doutrina para outras religiões? Será que não está dizendo, indiretamente, que freqüenta a casa espírita, mas o casamento de verdade, a melhor prece aos desencarnados, etc., é o da outra religião? Por que os protestantes, que se intitulam evangélicos, geralmente cortam o laço com a religião que freqüentavam com mais facilidade que o espírita-católico? É para se pensar já que o espírita lê e estuda mais, segundo estatísticas. Será que o espírita está lendo e não está entendendo ou não está se esforçando para entender? Sem escolher se é espírita ou católico, a doutrina nunca terá "espíritas" de verdade, terá apenas simpatizantes do Espiritismo. Precisamos de adeptos convictos para ajudar a divulgar a doutrina.

 Como diz Therezinha Oliveira, “o Espiritismo precisa de espíritas que ajudem na renovação das ideias religiosas e não conseguirá isso, se não buscar o que desconhece, se ocultar sempre o que já conhece e ceder sempre aos costumes religiosos tradicionais.”

 Se continuarmos com um pé cá e outro lá o Espiritismo nunca terá "espíritas" de verdade, mas apenas simpatizantes do Espiritismo. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

REENCARNAÇÃO


“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” - (João, 3:3)

“E passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” - (João, 9:1-2)

“Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem. Então entenderam os discípulos que Jesus lhes falara de João Batista.” - (Mateus, 17: 11.12)

 Estas três passagens dos Evangelhos comprovam que o princípio da reencarnação era ponto pacífico entre os discípulos de Jesus, sendo também apregoado pelo próprio Mestre. No colóquio com Nicodemos, ficou bem positivado:

“Quem não renascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” — quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Na passagem do cego de nascença deduz-se com clareza que, se os apóstolos não partilhassem da crença da reencarnação, não fariam uma pergunta daquela forma: “Quem pecou para que o homem nascesse cego, ele ou seus pais?”. É óbvio que o pecado somente poderia ter sido cometido em vida anterior. Na passagem sobre João Batista, o Mestre deixou bem definido que “o Espírito de Elias estava reencarnado em João Batista”.

Apesar de ter havido, nos primórdios do Cristianismo, muitos doutores da Igreja que esposavam a lei da reencarnação, o apego ao formalismo fez com que esse postulado fosse abandonado, passando a prevalecer o dogma da unicidade da existência do Espírito. Deste modo cumpriu-se a advertência de Jesus: “os edificadores rejeitaram a pedra que deveria servir de esquina”. Na construção do majestoso edifício do Cristianismo, desprezaram a pedra angular: a lei das vidas sucessivas do Espírito.

A crença nas vidas sucessivas é compartilhada por mais da metade da população do mundo, embora para algumas igrejas ela constitua autêntica heresia.

Em épocas imemoriais, os Vedas, no transcurso da iniciação, apregoavam as leis que presidem os chamados mistérios da imortalidade da alma, da pluralidade das existências e dos mundos, e das comunicações dos chamados mortos. O Bramanismo também tinha e tem como base a crença nessa lei. Krishna renovou as doutrinas védicas, ensinando que “o corpo é o envoltório da alma que aí faz a sua morada, sendo uma coisa finita, porém a alma que o habita é invisível, imponderável e eterna”, “quando o corpo entra em dissolução, se a pureza é que predomina, a alma voa para as regiões onde habitam esses seres puros, que têm o conhecimento do Altíssimo. Mas se é dominada pela paixão, a alma vem de novo habitar entre aqueles que estão presos às coisas da Terra”, “todo o renascimento, feliz ou desgraçado, é uma conseqüência das obras praticadas em vidas anteriores”. Krishna afirmou ainda aos seus discípulos: “Tanto eu como vós temos tido vários nascimentos. Os meus, só de mim são conhecidos, porém vós nem mesmo os vossos conhecereis”, “como a gente tira do corpo as roupas usadas e as substitui por novas e melhores, assim também o habitante do corpo (o Espírito), tendo abandonado a velha morada mortal, entra em nova e recém-preparada para ele”.

Buda foi ainda mais incisivo, afirmando: “o que é que julgais, ó discípulos, seja maior: a água do vasto oceano, ou as lágrimas que vertestes quando, na longa jornada, errastes ao acaso, de renascimento em renascimento, unidos àquilo que odiastes separados daquilo que amastes? Uma vida curta, uma vida longa, um estado mórbido, uma boa saúde, o poder, a fraqueza, a fortuna, a pobreza, a ciência, a ignorância, tudo isso depende de atos cometidos em anteriores existências”.

No Egito, aos neófitos, o hierofante falava assim: “Oh! alma cega arma-te com o facho dos mistérios e, na noite terrestre, descobrirás teu dúplice luminoso, tua alma celeste. Segue esse gênio divino e que ele seja teu guia, porque tem a chave das tuas existências passadas”.

A. Dastie, em seu livro “La Vie et la Mort”, afirma que “no Egito a doutrina das transmigrações era representada por imagens surpreendentes. Cada ser tinha o seu duplo. Ao nascer, o egípcio era representado por duas figuras. Durante a vigília as duas individualidades confundem-se numa só; mas durante o sono, ao passo que uma descansa e restaura suas energias, a outra lança-se no país dos sonhos. Não é, entretanto, completa essa separação; só o será pela morte ou, antes, a separação completa é que será a morte. Mais tarde este duplo poderá reencarnar num outro corpo e terá assim uma nova existência”

Na Grécia, a doutrina das vidas sucessivas é encontrada nos poemas órficos.

Orfeu e Homero exprimiram-na, a princípio, com o adjutório dessas duas harmonias celestes tomadas humanas: a música e a poesia. Orfeu, para inspirar seus cânticos, evocava constantemente o Espírito de Eurídice.

Plutarco, sacerdote no tempo de Apolo Pitico, afirmou que “aqueles que têm vivido várias existências virtuosas estão em condições de se elevarem ao estado de Espíritos puros e vêem-se visitados por outros Espíritos que os sustentam nas provações, uma vez que eles são geralmente perseguidos entre os homens”.

Sócrates e Platão, conforme se depara em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, eram apologistas da lei da reencarnação. Os gauleses também tinham a certeza de reviver em corpo e alma nos mundos que turbilhonam pelo infinito. A este respeito nutriam tão grande fé que uns aos outros emprestavam dinheiro para ser pago noutra esfera. A morte, para eles, era uma simples imigração.

Goddeu, em “Barddas”, afirma que o cântico do bardo Taliesino, célebre em toda a Gália, dizia: “Existindo, desde toda a antigüidade, no meio dos vastos oceanos, não nasci de um pai e de uma mãe, mas das formas elementares da Natureza, dos ramos da betula, do fruto das florestas, das flores das montanhas. Brinquei à noite; dormi pela aurora; fui víbora no lago, água nas nuvens, lince nas selvas. Depois, eleito por Gwyon (Espírito divino), Sábio dos sábios, adquiri a imortalidade. Bastante tempo decorrido fui pastor. Vaguei longamente sobre a Terra, antes de me tomar hábil na ciência. Enfim, brilhei entre os seres superiores. Revestido dos hábitos sagrados, empunhei a taça dos sacrifícios. Vivi em cem mundos; agitei-me em cem círculos”.

Entre os hebreus, os Essênios admitiam a preexistência e as vidas sucessivas da alma no corpo.

Na história do Cristianismo também encontramos vários testemunhos: Clemente de Alexandria e Gregório de Nice exprimem-se no mesmo sentido.

Este último expõe que “a alma imortal deve ser melhorada e purificada; se ela não fez isso na existência terrena, o aperfeiçoamento se operará nas vidas futuras e subseqüentes” (Grand Discours Catéchétique — III).

Orígenes, um dos mais eruditos doutores da Igreja, em “De Principii”, sustenta que as almas se purificam nas séries de existências, antes de merecerem admissão nos céus.

O Espiritismo, com base nos ensinamentos dos Espíritos e nos Evangelhos, tem a lei da reencarnação como um dos seus postulados fundamentais. A luz das vidas sucessivas a justiça divina se toma mais equitativa e mais justa, Deus nos é apresentado como Pai de justiça e de amor, e, como conseqüência, passa a ter lógica a recomendação de Jesus: “Sede perfeitos como perfeito é o Pai Celestial”, perfeição essa que somente é admissível quando se leva em conta a plural idade das existências do Espírito.



Paulo Alves Godoy

Livro: Os Padrões Evangélicos