ESTA FALTANDO SOLIDARIEDADE

Meus caros irmãos,
Quando Jesus citou a parábola do bom samaritano, dizia Ele que o samaritano vinha de Jerusalém para Jericó e encontrou um homem ferido na estrada. Antes de esse bom samaritano passar, havia passado o sacerdote vindo de Jerusalém, palco marcante de religião, centro de todas as orações, berço, realmente, do judaísmo. Esse sacerdote, passando pelo homem, nada fez. O levita, vindo, também, de Jerusalém, com todo o status social, com toda a sua importância, ele nada fez.
Mas, veio um samaritano, viu aquele homem, ferido, sozinho, colocou-o em seu cavalo, pagou as suas despesas e foi em direção ao seu destino, que era Jericó. Todos tinham saído de uma cidade grande, todos tinham contato com a religião, com o poder público. Menos o bom samaritano, que era, de todos eles, quem menos se sobressaía, quem, pelo parecer de todos que conheciam o sacerdote levita, devia ter menos bênçãos de Deus sobre a sua cabeça. No entanto, foi a única pessoa que demonstrou estar com Deus, através das suas ações, através da sua caridade, da sua bondade, de perceber a dor do outro e minorá-la.
Não adianta nos arvorarmos em grandes conhecedores do evangelho se nós não exemplificarmos esses conhecimentos que caem soltos dos lábios. Claro que vocês não vão recolher pelas estradas criaturas que, na verdade, vocês nem sabem se estão feridos ou se estão armando situações difíceis, mas pedirão socorro, naturalmente. Ou, se viram acontecer algo, naquele instante, claro que todos irão socorrer.
Mas existem essas dores que não estão tão à mostra, que não são acidentes de percurso, mas que são, lamentavelmente, dores que passam pelo nosso caminho, pedindo apoio, solidariedade, amor, um sorriso, compreensão e que não vão nos expor, pelo contrário, são pessoas que necessitam extremamente de um coração amigo e que podem, em segurança, caminhar a partir do instante em que tiverem confiança em alguém.
Falta, atualmente, no mundo, essa confiança mútua. Podemos confiar em quem sorri para nós? Podemos confiar naqueles que convivem conosco? Podemos confiar naqueles que caminham na estrada? Naqueles que nos escrevem? Naqueles que nos falam? Existe, em todo o orbe, uma permanente desconfiança de irmão para irmão, porque, cada vez mais, as criaturas se distanciam da sinceridade, da bondade, da solidariedade. Esse processo vai crescendo à medida em que os problemas de transição da sociedade também crescem, numa seleção natural e necessária.
Se tudo aquilo que Jesus disse se cumpriu, a seleção do joio e do trigo também será cumprida. Se ele disse que veio para se cumprisse o que estava escrito, muito mais vai se cumprir aquilo que Ele escreveu, com seus atos, com a sua reforma de época, porque Jesus realmente marcou, de forma incontestável, os destinos da humanidade.
Nós devemos, nesse caminhar, porque ninguém para, sermos mais solidários. Porque, se o plano espiritual superior, regido por Jesus, não cessa o seu auxílio, nós temos que estar onde Ele está, se quisermos fazer jus à proteção, à misericórdia. Porque não é se afastando do mestre que se consegue obter dos seus ensinamentos a bênção da luz que redime.
Que o Mestre nos ampare

Christopher Smith
Mensagem recebida por psicofonia, pela médium Shyrlene Soares Campos

A chegada do Consolador ao mundo, anunciado por Jesus e enviado muitos séculos após, por razões que hoje podemos compreender, inaugura o início de uma Nova Era para a Humanidade.
Reafirmando todos os ensinos e exemplos deixados pelo Cristo, que não puderam ser entendidos quando o Mestre Incomparável esteve na Terra, pela incapacidade dos homens de então, agora vivemos um novo tempo, com considerável avanço dos conhecimentos humanos, reunindo e reafirmando verdades antigas, ao lado de revelações novas trazidas pela Espiritualidade superior.
Mas a presença do Consolador entre os homens é também o marco de um novo tempo, em que o atual planeta de “expiações e provas” se transformará em um mundo regenerado, conforme as previsões que nos vêm como desígnios do Alto.
A regeneração de um mundo habitado por bilhões de Espíritos imperfeitos, como o nosso, embora pareça impossível para muitos pensadores e religiosos, é perfeitamente admissível de acordo com as leis divinas, entre as quais a lei do progresso.
Todas as leis de Deus, todos os ensinos do Cristo, todos os esclarecimentos e novos conhecimentos trazidos pela Doutrina Espírita, além das conquistas das ciências e das realizações do bem, têm um sentido perfeitamente definido, que é a evolução em toda a criação divina.
O tempo necessário para o desenvolvimento progressivo, seja de um Espírito, seja de um mundo, é que é variável e de difícil entendimento por nós, em virtude de nossas limitações.
A Nova Era prevista para o nosso mundo não é de fácil compreensão, quando deparamos, na atualidade, com tantas incompreensões, guerras entre nações, violências, maldades e ignorância no seio das sociedades humanas, com a tendência para o mal em grande número de criaturas.
Entretanto, na população da Terra, tanto de encarnados quanto de desencarnados, vivendo em diferentes esferas espirituais deste planeta, encontram-se também, em proporção considerável, aqueles que já compreenderam e aceitaram as lições de Jesus, como caminho que conduz ao conhecimento da verdade e da vida.
São os que já sentem a necessidade da vivência do Bem e do Amor, reconhecendo a reencarnação, enquanto necessária, como meio e impulsora da evolução e do progresso, individual e coletivo.
A quantidade dessas criaturas cresce sempre, tornando-se reconhecidas a Deus e ao Cristo, o Governador espiritual deste orbe.
A chegada do Consolador ao mundo, anunciado por Jesus e enviado muitos séculos após, por razões que hoje podemos compreender, inaugura o início de uma Nova Era para a Humanidade.
Reafirmando todos os ensinos e exemplos deixados pelo Cristo, que não puderam ser entendidos quando o Mestre Incomparável esteve na Terra, pela incapacidade dos homens de então, agora vivemos um novo tempo, com considerável avanço dos conhecimentos humanos, reunindo e reafirmando verdades antigas, ao lado de revelações novas trazidas pela Espiritualidade superior.
Mas a presença do Consolador entre os homens é também o marco de um novo tempo, em que o atual planeta de “expiações e provas” se transformará em um mundo regenerado, conforme as previsões que nos vêm como desígnios do Alto.
A regeneração de um mundo habitado por bilhões de Espíritos imperfeitos, como o nosso, embora pareça impossível para muitos pensadores e religiosos, é perfeitamente admissível de acordo com as leis divinas, entre as quais a lei do progresso.
Todas as leis de Deus, todos os ensinos do Cristo, todos os esclarecimentos e novos conhecimentos trazidos pela Doutrina Espírita, além das conquistas das ciências e das realizações do bem, têm um sentido perfeitamente definido, que é a evolução em toda a criação divina.
O tempo necessário para o desenvolvimento progressivo, seja de um Espírito, seja de um mundo, é que é variável e de difícil entendimento por nós, em virtude de nossas limitações.
A Nova Era prevista para o nosso mundo não é de fácil compreensão, quando deparamos, na atualidade, com tantas incompreensões, guerras entre nações, violências, maldades e ignorância no seio das sociedades humanas, com a tendência para o mal em grande número de criaturas.
Entretanto, na população da Terra, tanto de encarnados quanto de desencarnados, vivendo em diferentes esferas espirituais deste planeta, encontram-se também, em proporção considerável, aqueles que já compreenderam e aceitaram as lições de Jesus, como caminho que conduz ao conhecimento da verdade e da vida.
São os que já sentem a necessidade da vivência do Bem e do Amor, reconhecendo a reencarnação, enquanto necessária, como meio e impulsora da evolução e do progresso, individual e coletivo.
A quantidade dessas criaturas cresce sempre, tornando-se reconhecidas a Deus e ao Cristo, o Governador espiritual deste orbe.
Dentro dessas realidades decorrentes das leis divinas, não se torna difícil compreender que, tanto os indivíduos quanto o mundo em que vivem, não permanecem estáticos, mas evoluem sempre, embora não haja um prazo ou tempo preestabelecido para ser alcançada a nova condição evolutiva, já que as causas determinantes do progresso são variáveis.
Quais os objetivos do Espiritismo na Terra, identificado como o Consolador Prometido?
Seria somente o de revelar aos homens o mundo invisível dos Espíritos?
Ou o de tornar patente a comunicação entre “mortos” e “vivos”?
Ou o de trazer o conhecimento das leis naturais estabelecidas por Deus, diante das quais o homem toma conhecimento de sua verdadeira natureza, da vida eterna e das consequências dessas realidades?
Sem dúvida que a Doutrina Consoladora responde afirmativamente a todas essas indagações, mas vai muito além, propondo-se a indicar aos homens o caminho de sua redenção, roteiro que passa pelos ensinos do Cristo de Deus e por sua Doutrina de Amor. Assim, o Espiritismo visa também a transformação da Humanidade, gradual e paulatinamente, através do progresso moral e intelectual dos indivíduos.
Para tanto, não basta a crença na existência dos Espíritos e a sua comunicação com os homens, mas torna-se necessária uma vasta programação intelecto-moral e educacional, a ser desenvolvida através de séculos.
Os desígnios da Providência Divina, visando o bem de todos, não têm prazo predeterminado para sua efetivação. Todos sabemos das dificuldades para se transformar os indivíduos rebeldes em criaturas fraternas.
A moral evangélica, ou seja, os ensinos do Cristo sem os desvios interpretativos das instituições humanas, é o ponto essencial para o encontro de todos que desejam um mundo melhor, onde o bem seja a preocupação permanente.
Assim, o Espiritismo cristão e humanitário, na expressão de Kardec, constitui-se como o sinal e a âncora para uma nova era da Humanidade.
Com essas diretrizes aqui resumidas, todo o mal será combatido de forma constante, restando aos seres rebeldes ao chamamento amoroso a transferência para outro mundo compatível com seus sentimentos.
O Evangelho de Jesus, entendido à luz do Consolador por Ele enviado para complementar seus ensinos, contém as verdades já conhecidas e também previsões para o futuro.
O mundo contemporâneo é muito diferente daquele que os séculos e milênios deixaram para trás, com seus usos e costumes e com suas limitações pela falta de conhecimentos de que dispomos.
Torna-se instintivo e de fácil entendimento que o mundo futuro será também diverso do atual, pelo progresso que se impõe como lei natural, embora possa haver estagnações passageiras.
Tudo obedece às leis imutáveis do Criador, entre as quais a da evolução, nada havendo de milagroso ou de sobrenatural.
Apenas não podemos calcular um tempo certo para as transformações futuras, uma vez que elas dependem de fatores diversos que não nos é possível prever.
Por isso é lógica e natural a informação da Espiritualidade de que a Terra, que é atualmente um mundo de expiações e provas, onde imperam o orgulho, o egoísmo, os preconceitos e suas consequências diversas, inclusive o fanatismo religioso, que é uma contradição evidente, se transformará um dia em um mundo ditoso, de regeneração, no qual o mal, que prevalece em grande parte da população, será substituído pelo reinado do bem, como finalidade e preocupação permanente de seus habitantes. Para que ocorra essa transformação prevista e esperada para a Terra, torna-se necessário que os Espíritos que a povoem, encarnados e desencarnados, aspirem e vivenciem o bem.
Nesse caso, os rebeldes, inclinados ao mal, serão removidos para outros mundos compatíveis com suas condições morais.
Essa é também uma decorrência lógica que se coaduna perfeitamente com a referida transformação.
Todas essas previsões ocorrerão de forma natural, sem nenhum cataclismo que perturbe a ordem natural das coisas.
Para isso, serão utilizadas as reencarnações, tanto com a vinda de Espíritos regenerados para a Terra, como pela remoção dos inclinados ao mal para outros mundos.
A época atual é de transição, iniciada com a chegada do Consolador, com as novas revelações e reafirmação das lições do Cristo.
Tudo se fará gradualmente, de conformidade com as leis divinas, que Jesus interpretou e esclareceu de forma perfeita, mas nem sempre entendidas pelos homens nas suas reais significações.Criados para a eternidade, os Espíritos ainda imperfeitos, como o são os que habitam este planeta, inclinam-se a julgar que suas ideias, conhecimentos e crenças, de uma determinada época, ofereçam solução a todos os problemas, mesmo àqueles acima e além de seus domínios, até que surja uma retificação superior.
Exemplo dessa pretensão é a evolução das crenças religiosas. Houve época em que praticamente toda a Humanidade desconhecia a verdade da existência de um Deus único, dedicando-se ao politeísmo como convicção generalizada.
Com o decorrer do tempo, todos os povos desprezaram o culto aos múltiplos deuses e reconheceram a unicidade do Criador, trazida pelos hebreus e confirmada pelo Cristo.
A Era Nova já se iniciou, embora não percebida pela grande maioria da população terráquea, na qual predominam as religiões impregnadas de desvios e enganos interpretativos das antigas revelações, o materialismo expresso nas organizações sociais e nas ciências e o prazer cultuado a qualquer preço pelas gerações novas.
Mas o conhecimento da verdade e da vida, indicado pelo Cristo há cerca de dois mil anos, complementado pelos novos esclarecimentos do Consolador, que Ele prometeu e enviou, estão no mundo.
Compete aos próprios homens despertarem para o sentimento inato do bem, baseado nas verdades reveladas pelo Cristo e pelo outro Consolador, o Espiritismo.
A mudança das mentalidades, com a aquisição dos conhecimentos novos, em substituição aos antigos, não é tarefa fácil, demandando tempo indeterminado, trabalho constante e divulgação dos novos valores, tudo auxiliado pelas novas gerações que chegam com as reencarnações sucessivas.
Convencer Espíritos atrasados, que negam a existência de Deus e de qualquer poder superior ao que podem perceber, opor-se às propensões instintivas para as paixões inferiores e aos sentimentos antifraternos de ódio, de orgulho, de egoísmo, de cupidez, demanda o cultivo da fé, da coragem e da paciência, com confiança no poder de Deus e nos ensinos e exemplos do Mestre Jesus.
Essa é a tarefa de todos que já têm a consciência de que o Consolador, o Espiritismo, é a senda, o caminho que conduz à esperada renovação, quaisquer que sejam os obstáculos a remover.
A Era Nova entre os homens pode demorar, mas é uma certeza.

Juvanir Borges de Souza
Reformador Fev.2010

CONSEQUÊNCIAS DO PASSADO

1-Como podemos compreender os resultados de nossas existências anteriores?
-Para compreender os resultados das existências anteriores, baste que o homem observe as próprias tendências, oportunidades, lutas e provas.

2-Como entender, na essência, as dívidas ou vantagens que trazemos de existências passadas?
-Estudos que efetuamos corretamente, ainda que terminados há longo tempo, asseguram-nos títulos profissionais respeitáveis. Faltas praticadas deixam azeda sucata de dores na consciência, pedindo reparação. Se plantarmos preciosa árvore, desde muito, é natural venhamos a surpreende-la, carregada de utilidades e frutos para os outros e para nós. Se nos empenhamos num débito, é justo suportemos a preocupação de pagar.

3-Qual a lição que as horas nos ensinam?
-Meditemos a simples lição das horas. Comumente, durante a noite, o homem repousa e dorme; em sobrevindo a manhã, desperta e levanta-se com os bens ou com os males que haja procurado para si mesmo, no transcurso da véspera.
-Assim, a vida e a morte, na lei da reencarnação que rege o destino.

4-Qual a situação moral da alma no túmulo e no berço?
-No túmulo, a alma, ainda vinculada ao crescimento evolutivo, entra na posse das alegrias e das dores que amontoou sobre a própria cabeça; no berço, acorda e retoma o arado da experiência, nos créditos que lhe cabe desenvolver e nos débitos que está compelida a resgatar.

5-Em síntese, onde permanece, espiritualmente, a criatura reencarnada?
-Cada criatura reencarnada permanece nas derivantes de tudo o que fez consigo e com o próximo.

6-Qual a explicação lógica das enfermidades congênitas?
-Os grandes delitos operam na alma; estados indefiníveis de angústia e choque, daí nascendo a explicação lógica das enfermidades congênitas, às vezes inabordáveis a qualquer tratamento.

7-O que ocorre aos suicidas nas vidas ulteriores?
-Suicidas que estouraram o crânio ou que se entregaram a enforcamento, depois de prolongados suplícios, nas regiões purgatórias, freqüentemente, após diversos tentames frustrados de renascimento, readquirem o corpo de carne, mas, transportam nele as deficiências do corpo espiritual, cuja harmonia desajustaram. Nessa fase, exibem cérebros retardados ou moléstias nervosas obscuras.

8-E os protagonistas de tragédias passionais?
-Protagonistas de tragédias passionais, violentas e obscuras, criminosos de guerra, aproveitadores de lutas civis, que manejam a desordem para acobertar interesses escusos; exploradores do sofrimento humano, caluniadores, empreiteiros do aborto e da devassidão e malfeitores outros, que a justiça do mundo não conseguiu cadastrar, voltam à reencarnação em tribulações compatíveis com os débitos que assumiram e, muitas vezes, junto das próprias vítimas, sob o mesmo teto, marcados por idênticos laços consangüíneos, tolerando-se mutuamente, até a solução dos enigmas que criaram contra si mesmos, atento ao reequilíbrio de que se vêem necessitados, ou sofrem a pena do resgate preciso em desastres dolorosos, integrando os quadros inquietantes dos acidentes em que se desdobra o resgate do Espírito reencarnado, seja nos transes individuais ou nas provações coletivas.

9-E aos cúmplices de erros e enganos?
-As grandes dificuldades não caem exclusivamente sob os suicidas e homicidas comuns. Quantos se fizeram instrumentos diretos ou indiretos das resoluções infelizes que adotaram são impelidos a recebe-los nos próprios braços, ofertando-lhes o recinto doméstico por oficina de regeneração.

10-O que ocorre àqueles que provocaram o suicídio de alguém?
-Se levianamente provocamos o suicídio de alguém, é possível que tenhamos esse mesmo alguém, muito em breve, na condição de um filho-problema ou de um familiar padecente; requisitando-nos auxílio, na medida das responsabilidades que assumimos na falência a que se arrojou.

11-Que acontece aos que impelem o próximo à falência moral?
-Se instilamos viciação e criminalidade em companheiros do caminho, asfixiando-lhes as melhores esperanças na desencarnação prematura, é certo que se corporificarão, de novo, na Terra, ao nosso lado, a fim de que lhes prestamos concurso imprescindível à reeducação, na pauta dos compromissos a que nos enredamos, ao precipita-los nos enganos terríveis de que buscam desvencilhar-se, abatidos e desditosos.
-Nas mesmas circunstâncias carreamos em nós, enraizadas nas forças profundas da mente, os bens ou os males que cultivamos.

12-E o que ocorre aos desencarnados que malbarataram os tesouros da emoção e da idéia?
-Quando desencarnados, não fugimos à lei de causa e efeito.
-Se malbaratamos os tesouros das emoções e dos pensamentos na Terra, deambulamos nas esferas espirituais por doentes da alma, que a perturbação ensandece, fadados a reaparecer no plano carnal com as enfermidades conseqüentes, a se entranharem nos tecidos orgânicos, que nos compõem a vestimenta física.

13-E àqueles que se entregam aos desequilíbrios do sexo?
-Nessas condições, o porvir esboça-se, nebuloso, apontando-nos graves lições de refazimento e resgate.
-Se abraçamos desequilíbrios de sexo, agravados com padecimentos alheios por nossa conta, agüentamos inibições genésicas, muitas vezes, com o cansaço precoce e a distrofia muscular, a epilepsia ou o câncer de permeio.

14-E àqueles que perpetram crimes?
-Se perpetramos crimes na pessoa dos nossos semelhantes, eis-nos à frente de mutilações dolorosas.

15-E àqueles que se entregam às extravagâncias da mesa?
-Se nos entregamos à extravagância da mesa, arcamos com ulcerações e gastralgias que persistem tanto tempo quanto se nos perdurem as alterações do veículo espiritual.

16-E àqueles que se afeiçoam ao alcoolismo?
-Se nos afeiçoamos ao alcoolismo ou ao abuso de entorpecentes, somos induzidos à loucura ou à idiotia seja onde for.

17-E àqueles que se empenham em delitos de maledicência e calúnia?
-Se nos empenhamos em delitos de maledicência e calúnia, atravessamos vastos períodos de surdez ou mudez, precedidas ou seguidas por distonias correlatas.

18-As conseqüências de nossos erros se verificam apenas na forma de doenças comuns?
-Não. Além disso, é preciso contar com as probabilidades da obsessão, porquanto, cada vez que ofendemos aos que nos partilham a marcha, atraímos, em prejuízo próprio, as vibrações de revolta ou desespero daqueles que se categorizam por vítimas de nossas ações impensadas.

19-Qual deve ser a nossa atitude perante as provas da vida?
-Diante das provas inquietantes que se demoram conosco, aprendamos a refletir, para auxiliar, melhorar, amparar e servir aqueles que nos cercam.

20-Quais as relações entre o presente, o passado e o futuro?
-Todos estamos no presente, com o ensejo de construir o futuro, mas envolvidos nas conseqüências do passado que nos é próprio. Isso porque tudo aquilo que a criatura semeie, isso mesmo colherá.

Da Obra “Leis Do Amor” - Espírito: Emmanuel –
Psicografias: De Francisco Cândido Xavier Dos Capítulos Pares  E Waldo Vieira, Dos Capítulos Ímpares.

COISA IGUAL NÃO TE ACONTEÇA

Por um momento esperei
Não tivesse acontecido,
Ou não tivesse passado
Naquele beco alongado
Como o sonho mais comprido...

Por um momento não quis
Acreditar isso fosse,
Quer dizer, não fosse sono,
Mas o confuso abandono
Que simples queda me trouxe...

Nada vi, não senti nada,
Naquele vácuo-segundo,
Em que fui, deixei de ser,
Não podia mais me ter
E nada tinha do mundo!

Deslizava como sombra,
Uma sombra ébria, soturna:
Vultos estranhos dançavam,
Como folhas que esvoaçavam
Naquela visão noturna!

Mais tarde, sem despertar,
Antevendo simplesmente,
Entendi que Dona Morte
Com a foice em rápido corte
Me interrompeu bruscamente!

Valoriza mais teus dias!
Coisa igual não te aconteça
Em meio da vida, amigo,
Como aconteceu comigo,
Tonto de alma e de cabeça!

Ruy Apocalypse
Livro Mais Vida - Chico Xavier

A TRISTE FESTA


Fevereiro é o mês do carnaval, que se constitui em uma série de folguedos populares, promovidos habitualmente nos três dias que antecedem o início da quaresma.
Em torno do mesmo centro de interesse - o disfarce, a dança, o canto e o gozo de certas liberdades de comunicação humana, inexistentes ou muito refreadas durante o resto do ano - a folia carnavalesca se apresenta com características distintas nos diferentes lugares em que se popularizou, vindo da Itália, especialmente de Roma, o modelo mais famoso.
De origem obscura, o mais provável é que se assente em raízes de festividades primitivas, de caráter religioso, em honra à volta da primavera. Mais concretamente, é possível se localizem suas origens em celebrações da Antigüidade, de caráter orgíaco, a exemplo das "bacanalia" da Grécia, festa em honra ao deus Dionísio.
Contudo, antes disso, os trácios se entregavam aos prazeres coletivos, como quase todos os povos antigos. E, em Roma, vamos encontrar estas festas como "saturnalia", quando se imolava uma vítima humana. Era uma festa de infeliz caráter pagão.
No Antigo Testamento, encontramos referências no Livro de Ester, especialmente no capítulo IX, que descreve como, graças à intervenção da rainha Ester junto ao rei Assuero os judeus acabam por massacrar os seus inimigos, atividade que durou dois dias inteiros, 13 e 14 do mês de Adar, cessando no dia quinze. Por essa razão, se estabeleceu que se solenizasse a data com banquetes e regozijos, conforme se lê no versículo 19: "Os Judeus, porém, que habitavam nas cidades sem muros e nas aldeias, destinaram o dia catorze do mês de Adar para banquetes e regozijos, de modo que neste dia fazem grandes divertimentos, e mandam uns aos outros alguma coisa dos seus banquetes e iguarias."
A data ficou assinalada como dias de Furim, isto é, das sortes, referindo-se ao Fur, a sorte que fora lançada e da qual eles, os Judeus, haviam saído vitoriosos.
Na Idade Média , já era aceito o Carnaval com naturalidade, configurando o enlouquecimento lícito uma vez por ano. As relações dos carnavalescos com a Igreja não foram cordiais, tendo se pronunciado doutores e Papas contra os tantos desregramentos da festividade. Contudo, o que prevaleceu foi uma atitude geral de tolerância, ficando inclusive por conta da Igreja a fixação da data do período momesco. O carnaval antecede a Quaresma, finalizando-se num dia de penitência, com a tristeza das cinzas.
A festa tem vestígios bárbaros e do primitivismo reinantes ainda na terra. No Brasil colonial e monárquico a forma mais generalizada de brincar o carnaval era o entrudo português.
Consistia em atirar contra as pessoas, não apenas água, mas provisões de pós ou cal. Mais tarde, água perfumada com limões, vinagre, groselha ou vinho. O objetivo sempre era sujar o passante desprevenido. Como se vê, uma brincadeira perigosa e grosseira.
A morte definitiva do entrudo se deu com o aparecimento do confete, a serpentina e o lança-perfume.
O que se observa nestes três dias de loucura, em que a carne nada vale, é o afloramento das paixões.
Observam-se foliões que se afadigam por longos meses na confecção das fantasias. Tudo para viver a psicosfera da ilusão. Perseguem vitórias vazias que esperam alcançar nestes dias. Diversos se mostram exaustos, física e emocionalmente. Alguns recorrem a fortes estimulantes para o instante definitivo do desfile. Consomem tempo e dinheiro, que poderiam ser aplicados na manutenção da vida e salvação de muitas vidas.
Mergulham em um fantástico mundo de sonhos. Anseiam por dar autenticidade a cada gesto, a toda atitude. Usando vestimentas de reis e rainhas, nobres e conquistadores, personagens de contos, artistas, fariam inveja a todos a quem copiam. Isso se as vestes e as coroas, os cetros, os mantos e as posturas não fossem todos falsos, exatamente como falsas são as expressões e vitórias que ostentam.
Diversos desses foliões nem se dão conta que poderão estar a representar a própria personalidade de vidas passadas.
Uma grande perda de tempo, pois de um modo geral conquistadores, reis, rainhas e generais que foram, se ainda permanecem na terra, é porque naquelas vidas faliram. E faliram feio.
Em toda essa festa de loucura, que deixa marcas profundas, pergunta-se se será mesmo manifestação de alegria, de descontração.
Que alegria é esta que exige fantasias, embriaguez e toda sorte de desregramentos para se manifestar?
Por isso, face às graves conseqüências do carnaval e suas origens de orgia e loucura, reflexionemos na exortação do espírito Thereza de Brito: "Numa sociedade em que a vida familiar tem sido tão difícil, tão escassa, por que não aproveitar os dias carnavalescos para conviverem bem mais juntos, seja no lar, num sítio arborizado, nas paisagens refazentes do mar ou da montanha, estreitando os vínculos do carinho, prestando atenção a tantos lances importantes da vida dos nossos queridos, antes inobservados?
Não se permitam poluir, pais terrestres, e lutem por preservar os seus filhos dessa ilusão passageira.
O imediatismo de Momo, os gozos das folias, as alegrias do carnaval tudo isso se desvanecerá, como todo fogo fátuo, e deixará os que neles se locupletaram nas valas da frustração e do arrependimento, mais cedo ou mais tarde.
Vocês, pai e mãe, atentos à nobre tarefa de educar seus rebentos, envolvam-nos com seu amor e sua assistência para que eles amadureçam assim, e a harmonia atinja mais rapidamente os arraiais do mundo, transformando as paixões inferiores em prazer renovador e são."

Fontes:
1. Nas fronteiras da loucura - Divaldo P. Franco/Manoel P. de Miranda - cap. 6 e 15.
2. Vereda familiar - J. Raul Teixeira/Thereza de Brito - cap. 14.
3. Enciclopédia Mirador Internacional, volume 5 - verbete: Carnaval

DIFERENÇAS ESPIRITUAIS

Os espíritos dos seres materializados pelo domínio das paixões nefastas, sem diafaneidade, não podem invadir os Orbes superiores, destinados aos libertos de todos os erros e rebeldias; de igual modo que os habitantes de um continente não conseguem transportar-se a outro, sem elementos apropriados, sob o impulso exclusivo da vontade, em uma frágil galera, pois seria arriscada a trajetória, sujeitando-a a naufrágio iminente. Na humanidade, selecionada por diversas raças e distintos caracteres inconfundíveis, estas raças raramente se aliam e ainda patenteiam os defeitos ou as nobres qualidades de cada agrupamento. Os habitantes do Norte não têm os característicos físicos dos da região meridional. Cada agrupamento fica em sua esfera, e somente com a evolução espiritual de todos os seres humanos haverá igualdade de condições individuais ou coletivas, de meios de subsistência e de ações voluntárias. Ora, os espíritos de todas essas criaturas podem renascer onde houver carência, conforme o mérito ou o demérito de cada ente humano, que, quanto mais evoluído for, menos egoísta se manifesta, sem amor excessivo a determinada região terrena, à qual se sente aprisionado apenas pelas recordações da família, dos seres amados, e, portanto, idolatrando sua Pátria, não menospreza a de outro companheiro de romagens planetárias. É uma prova de crueldade querer alguém trucidar um irmão, porque este nasceu além ou aquém de uma serra, de um rio, ou de um mar, quando o supremo Fator do Universo nos concede o excelso exemplo de coesão de todo o planeta, acendendo a mesma lâmpada, uma para o dia, o Sol, que todas as nações ilumina, e outra à noite, igualmente formosa, a Lua.

Tudo demonstra que a Humanidade, embora selecionada por diversidades raciais e culturais, marcha para um único objetivo: a fraternidade; mas, para tal conquistar cabalmente, os milênios escoarão... Por quê? Porque o progresso individual deve ser atingido penosamente, através de lutas e esforços ingentes! Não é possível, por enquanto, igualar, por exemplo, a cultura de um indivíduo da raça grega com a de um hotentote inculto, nem nivelar Platão a um selvagem das mais afastadas regiões do planeta terráqueo, pois o tirocínio espiritual e intelectual de uns não pode ser posto em promiscuidade ou confronto com o de outros. Assim acontece aos espíritos: celerados, antropófagos ou corruptos não podem fruir a mesma regalia, no plano espiritual, de Jesus. A diferença é sensível e inconfundível. O lastro dos crimes retém os desencarnados nas trevas planetárias, enquanto que a prática das virtudes e da benemerência, aliada à cultura psíquica e à abnegação, aprimora os seres humanos, outorgando-lhes culminâncias e primazias espirituais que os tornam detentores dos galardões divinos.

Assim como há diversidades raciais, apresentando à análise científica tipos tão dessemelhantes, na conformação óssea, coloração da epiderme, dos olhos, dos cabelos, também existem quase que infinitas gradações espirituais, desde o ser animalizado embrutecido, com impulsos tigrinos e instintos sanguinários, até o mais puro, alvinitente, fúlgido, com aparência astral. Os espíritos imperfeitos, os que têm graves delitos a remir, não merecem ampla liberdade, da qual poderiam fazer uso lamentável, e não têm permissão para ascender ao Espaço ilimitado, exclusivamente sulcado pelas caravelas celestes ou astrais, o qual só deve ser transposto pelas Águias siderais. Poderá um galináceo cindir a amplidão etérea, qual águia real? Não! Há uma linha divisória para o surto das almas libertas da matéria, e, só em casos excepcionais poderá ser transposta. Eis a verdade.

(Espírito de Victor Hugo - Zilda Gama).

A CONVERSÃO DO GENTIO

Dura foi a luta pela conversão do gentio. Tão dura que nunca chegou à conclusão desejada. Nóbrega, Anchieta e seus companheiros de catequese tiveram de enfrentar uma guerra sem tréguas. Nossos índios eram os mais selvagens da América. Sua civilização primitiva não oferecia pontos de contato com a civilização elevada que os jesuítas traziam da Europa. Nóbrega relata, em seu livro Diálogo da Conversão do Gentio, as dificuldades insuperáveis com que se defrontavam os padres catequistas. Esse livro marca o início da nossa literatura, no século XVI, e anuncia de maneira simbólica o prosseguimento da catequese de Nóbrega no futuro, através do livro psicografado.
Paulo exerceu o apostolado dos gentios para o Cristianismo. Nóbrega foi o Apóstolo dos Gentios no Brasil nascente, preparando o terreno para o seu apostolado espírita do futuro.
Paulo encarna a transição histórica do Judaísmo para o Cristianismo. E com a sua teoria do corpo espiritual, a que chama de corpo da ressurreição, na I Epístola aos Coríntios, profetiza o advento do Espiritismo. Nóbrega marca a transição do Cristianismo medieval para o Cristianismo Redivivo da III Revelação, sob a égide do Espírito da Verdade.
“Tudo se encadeia no Universo”, ensina O Livro dos Espíritos. E a relação espiritual e histórica entre Paulo e Nóbrega, revelada pela mensagem de Cneius Lucius, dá-nos o exemplo vivo desse encadeamento no campo religioso. Por isso a cidade de São Paulo, fundada por Nóbrega, tem o nome do apóstolo cristão. As malhas da evolução espiritual, tecidas no tempo, mostram o desenvolvimento do Cristianismo em suas três fases culturais e históricas, sem solução de continuidade.
A mensagem de Cneius Lucius foi recebida por Chico Xavier, em Pedro Leopoldo, a 3 de agosto de 1949. Transcrevemo-la hoje por sua oportunidade, nas comemorações de mais um aniversário da Fundação de São Paulo*. Mensagem circunstancial, dada a um pequeno grupo de estudiosos, reduzimo-la aos pontos essenciais que revelam as ligações históricas. As dificuldades insuperáveis da conversão do gentio confirmam-se em nossos dias com a eclosão das formas de sincretismo religioso afro-brasileiro, em que as crenças indígenas e africanas sobrevivem ao nosso redor.
A conversão do gentio prossegue em pleno século XX. As crenças indígenas e africanas misturaram-se às práticas do Cristianismo. A ignorância popular, geralmente secundada pela ignorância-ilustrada, confunde Espiritismo com Umbanda e Candomblé. Publicam-se livros e realizam-se cursos sobre religiões mediúnicas, misturando a Revelação do Espírito da Verdade com danças selvagens, despachos e defumações. Mas Nóbrega prossegue infatigável na catequese evangélica, agora através da psicografia, preparando o triunfo da verdade cristã em beneficio de todos.

*O autor refere-se ao 420. º aniversário da Capital Paulista, a 25 de janeiro (Nota da Editora)

Irmão Saulo

SER E FAZER

Tudo na vida está por fazer. O que já fizemos é apenas o início da nossa tarefa. Ser e fazer são duas faces da mesma moeda. Quem é, faz. Quem não faz, não é. Podemos lembrar a doutrina de potência e ato em Aristóteles. Somos em nós mesmos a potência de quanto temos que fazer. Mas só fazendo nos atualizamos, nos convertemos na realidade viva do nosso destino, no ato de viver. Os filósofos existenciais consideram hoje que, para o homem, a vida é potência que se realiza no ato de existir. Assim, existir é viver conscientemente, lutando sem cessar na busca da transcendência.
A mensagem de André Luiz toca num ponto essencial da Filosofia Espírita – o seu aspecto existencialista. Ao contrário do que geralmente se pensa, o Existencialismo não é uma corrente superficial do pensamento moderno. É um esforço para a compreensão do Ser através da Existência, uma busca do homem através do seu fazer. No Espiritismo essa busca se amplia e se aprofunda com a doutrina das existências sucessivas. O homem se faz a si mesmo fazendo o que lhe compete em cada existência. Se ele se considerar feito ou incapaz de fazer, não transforma a vida em ato, não existe.
As plantas e os animais vivem. A vida se atualiza nos reinos vegetal e animal através do simples ato de viver. Mas no homem existe a consciência, que supera o simples viver, exigindo o fazer espiritual. O homem não pode vegetar nem viver segundo os instintos animais. A consciência contém os seus próprios instintos que em O Livro dos Espíritos são designados como instintos espirituais. Estes exigem do homem a definição do seu viver no rumo das suas aspirações. Só assim ele se torna um existente, que no Espiritismo se define como interexistente, um ser que existe entre dois mundos.
É por isso que o homem precisa aceitar-se tal qual é, tomando consciência das suas deficiências, dos seus defeitos, para fazer o melhor de si mesmo, para superar-se. As Filosofias da Existência, que caracterizam o pensamento filosófico do nosso tempo, confirmam a Filosofia Espírita e nos fornecem novos elementos para melhor compreendê-la.
Se o leitor desejar aprofundar este assunto, deve ler o nosso livro “O Ser e a Serenidade”, da Coleção Filosófica Edicel. Não podemos indicar outro, simplesmente por não existir.

Irmão Saulo

VOLTANDO

Precioso é o sofrimento, na floresta humana, para rasgar alguma clareza amiga por onde a luz possa penetrar nas furnas da sombra; contudo, ainda não me refiz totalmente dos choques trazidos daí, depois de minha consagração à mediunidade, por alguns anos.
Tive a felicidade de transmitir aos meus contemporâneos as notícias de vários pensadores e literatos redivivos, incorporando-as ao Espiritismo luso-brasileiro, qual o telegrafista postado à ponta do fio estendido entre os dois mundos; entretanto, guardo ainda bem vivas as marcas do sarcasmo e da perseguição que o serviço me valeu, por parte de muitas personalidades importantes, já agora recambiadas para cá, onde não mais se dispõem ao mau gosto de escarnecer a verdade.
Não é fácil entregar certas mensagns a destinatários que se voltam contra elas.
Por mais que se identifique o portador, através de palavras e atitudes a lhe positivarem a idoneidade moral, há sempre recursos multiplicados para evasivas.
Se a tarefa mediúnica representasse um manancial de ouro e de prazeres imediatos no currículo da carne, acredito que o povo se congregaria em massa, ao ruído de foguetes e ao som festivo de filarmônicas para recebê-la. O emissário da realidade, porém, não dispõe senão de palavras e de emoções para distribuir, apelando para realizações e louros, que quase toda a gente considera remotos ou inaceitáveis.
Raríssimas pessoas admitem a medicina preventiva. A maioria espera que a doença lhe desordene os nervos ou lhe apodreça a carne para se resolver, pondo a boca no mundo, a procurar clínicos ou cirurgiões.
Muito poucos, na atividade usual da Terra, se inclinam ao socorro da medicação religiosa. Detidos temporariamente nas ilusões do império celular, que se desmorona no sepulcro, passam por aí distraídos, no que tange aos interesses do espírito eterno.
Na morte, sim. Exasperam-se e choram até à prostração, lastimando-se, contudo, algo tarde. Não porque alguma vez lhes faltasse – como a ninguém falta – a Compaixão Divina: a paciência do Pai é inexaurível. É que se postergam, nas circunstâncias da luta terrena e nos quadros da parentela consangüínea, as valiosas oportunidades de mais amplo serviço.
O ensejo de aprender, corrigir, restaurar e auxiliar é indefinidamente adiado.
Indispensável se torna aguardar outra época, outros meios e reajustes.
O chamado “homem prático” ainda se assemelha, em diversas tendências, aos seres rudimentares do mundo, vivamente apaixonados pelas bactérias do solo e indiferentes à claridade solar.
Por esta razão, o serviço da mediunidade, por agora, ainda não é apetecível tentame para mim.
Compreendo que é preciso amargurar-se alguém para que outrem se alegre. Curte o cascalho a provação da fealdade, mas vive na alegria de fornecer o ouro precioso. Para nutrir-se, a célula física ainda exige no mundo a existência do matadouro. O que, no entanto, me estarrece não é o sacrifício de um homem pela melhoria dos semelhante: é a indiferença das criaturas pensantes e responsáveis, diante da ternura e da renunciação dos amigos de além-mundo.
O enrijecimento e a impermeabilidade das inteligências encarnadas, com reduzidas exceções, só os podem corrigir a dedicação e o carinho dos Espíritos Superiores.
Muitas vezes aí observei a deplorável paga do bem pela ingratidão, a revolta e a vaidade a troco da humildade e da ternura.
Que sempre houve muita gente preocupada em ouvir os desencarnados não padece dúvida; mas pessoas realmente interessadas na verdade jamais encontrei, exceção feita de alguns raros amigos, considerados bonzos e loucos, quanto eu mesmo o fui.
As entidades comunicantes por meu intermédio eram admiradas, ou suportadas, sempre que lisonjeassem, confortassem ou distraíssem; mas quando tangiam as cordas da realidade no mágico instrumento da palavra, convertiam-se em demônios de mistificação ou de inconveniência.
Entre máscaras e almas, vivi perplexo e atenazado por interrogações e decepções contundentes.
Daí, talvez, a exaustão que me colheu, de súbito, em plena luta.
Meu cérebro era uma trincheira sob contínuas investidas.
De obstáculo em obstáculo, caí sobre as pedras do meu caminho, minado por intraduzível esgotamento.
Alguns companheiros verificaram, em meu drama doloroso na casa de saúde, a falência de minhas faculdades, acreditando-me desprezado pelos amigos espirituais. Na verdade, porém, os mensageiros da luz não me haviam abandonado. Quando se inutiliza o filamento frágil de uma lâmpada, assim fazendo o aposento às escuras, isso não quer dizer que a usina geradora de força houvesse deixado de existir. Os vexilários da causa de Jesus eram excessivamente bondosos para não desculparem a insignificância e a pobreza do amigo que lhes acompanhava as pegadas na romagem difícil.
Ainda que me fosse dado cumprir todos os deveres que a mediunidade me indicava ou impunha, sentir-me-ia efetivamente pequenino e derrotado perante a magnitude da idéia que me cabia servir.
Creia, porém, que a minha desencarnação, em dificuldades prementes, depois de haver conquistado vasta corte de amizades e relações em Portugal e no Brasil, traz-me à lembrança curiosa narrativa de um amigo, a propósito de esquecido adivinho do povo de Israel.
Ao tempo dos Juízes, apareceu um homem inteligente e prestativo nas cercanias de Jerusalém, que era procurado por centenas de pessoas todas as semanas. Sacerdotes e instrutores, políticos e negociantes, cavalheiros e damas de prol vinham ouvir-lhe a palavra inspirada e reveladora.
Tamanha era a movimentação popular, ao redor dele, que de maneira nenhuma lhe era permitido cuidar do seu interesse e sustento. Mal conseguia repousar, apenas algumas horas escassas, quando a noite adormentava os inquietos consulentes de toda parte.
E os grandes homens da raça, porque se sentissem na presença de missionários incomum, começaram a encher-lhe o nome de títulos imponentes e a enfeitar-lhe o peito com medalhas diversas. Era considerado o mensageiro de Jeová, o sucessor de Moisés, o profeta dos profetas, o emissário da verdade, o revelador do oculto, o médico infalível e o sábio protetor do povo.
Rara a semana em que solene comissão não lhe procurasse o lar, trazendo-lhe novas comendas e homenagens, papiros comovedores e honrosas felicitações.
O mago maravilhoso e incompreendido, sorridente e valoroso, definhava, incapaz de uma reação, parecendo cada vez mais pálido e abatido, até que, um dia, foi encontrado morto em seu singelo montão de palha.
Ante os clamores públicos, um médico foi chamado à pressa, a fim de verificar o acontecimento, certificando, com facilidade, que o glorioso filho de Israel morrera de fome.
Reuniu-se o conselho do Povo Escolhido, com veneráveis solenidades, e, depois de acalorados debates, concluíram os conspícuos maiorais de Jerusalém que o famoso adivinho falecera em tão deploráveis circunstâncias, em virtude de provação determinadas pelo Divino Poder.
E todos esqueceram a singular personagem, guardando a consciência tranqüila, tanto quanto lhes era possível.
Não desejo com a presente história constituir-me advogado em causa própria. Cada qual principia a tarefa que lhe cabe entre os homens e termina os serviços que lhe compete, de conformidade com os seus merecimentos.
O problema do médium, no entanto, é questão fundamental no Cristianismo renascente.
Em quase toda parte há uma tendência positiva para a fiscalização ou para tomar conta da criatura que as circunstâncias apresentam por veículo de comunicação entre os dois planos. Raros medianeiros, por isso, terminaram o ministério com a galhardia e a segurança que deles se deveria esperar. Logo depois de encetada a marcha, retornam aos pontos de origem ou se perdem nos vastos espinheiros da desilusão, após tentarem a fuga do caminho reto, atendendo às sugestões das zonas inferiores.
Mas, se é justo dar onde exigimos, se é imperioso auxiliar onde somos auxiliados, se protegemos o canteiro de legumes para que estes nos não faltem à mesa, se providenciamos a devida instrução para o moço de recados que desejamos converter em colaborador do escritório, por que motivo negar a piedade e o estímulo ao companheiro que se transforma em cooperador de nossa alegria e elevação na senda do espírito?
Até que o avanço moral do Planeta possibilite equações definitivas da ciência, no terreno da sobrevivência e da intervenção das almas desencarnadas no círculo terrestre, o médium será a “cabeça de ponte” do mundo espiritual entre os homens, solicitando compreensão, solidariedade e incentivo para funcionar com a eficiência precisa.
A questão é, pois, das mais delicadas. Como será resolvida, não sei.
É assunto, porém, de imediato interesse para o ideal que esposamos e para a coletividade a que servirmos, achando-se naturalmente sob a responsabilidade dos homens encarnados, que para ele necessitam voltar olhos amigos.
Deus dá a semente e o clima, a água e o solo; quem dirige, porém, o arado e sustenta a lavoura, esse é o próprio homem, herdeiro e usufrutuário dos benefícios da Terra.
Que o Céu nos ajude a vencer as dificuldades, a fim de que a evolução permaneça baseado nas palavras do Senhor; “misericórdia quero e não sacrifício”.

Fernando de Lacerda
Texto extraído do livro "Falando à Terra" Francisco Cândido Xavier

SELO

SELO COMEMORATIVO DO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO FRANCISCO CANDIDO XAVIER, LANÇADO PELOS CORREIOS