sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A ALEGRIA DE SER ESPÍRITA


“Querem escravos para os sistemas falaciosos que mentalizam, quando Jesus deseja te faças livre para a conquista da própria felicidade.” Emmanuel1



“Mãe estou aqui!” A psicografia, assinada por uma garota que desencarnara aos 14 anos e voltava para amparar a inconsolável mãezinha, é o retrato da era que começa a se delinear na Terra.

O próprio Allan Kardec fez a evocação e registrou a conversa na edição de lançamento da Revista Espírita,2 em janeiro de 1858.

Ante as provas contundentes da identidade de Júlia, o Codificador indagou aos leitores: “[...] quem ousaria falar do vazio do túmulo, quando a vida futura se nos revela assim tão palpável?”.

O Espiritismo é o sol de nossas vidas. Alegremo-nos em saber que não estamos sós, pois a morte foi desmistificada e todos os dias – na bendita seara espírita – temos provas da justiça e da perfeição absoluta das leis divinas. Cansados do vazio secular que nos invadia a alma em turvação, entre erros crassos, viciações e crimes, ora desperdiçando encarnações, ora malbaratando o tempo na erraticidade, fomos chamados à iluminação de nós mesmos. Eis a fonte de alegria perene dos nossos dias...

Retirados dos escombros morais, resgatados por almas afins ou mentores espirituais, percorremos longos caminhos e estudos para estarmos aqui hoje, irmanados no grande ideal tão bem expressado nas obras básicas da Codificação. O Evangelho hoje renasce das cinzas a que foi relegado pela nossa própria ignorância, em tempos não tão longínquos...

Incitam-nos Emmanuel e Bezerra de Menezes, entre outros benfeitores, a aplicarmos as lições de Jesus a nós, primeiramente, depois ao lar, por fim ao mundo...

Quanta alegria em saber que até os espinhos colaboram em nossa ascensão, ainda quando provenientes dos que mais amamos!

A mentora do médium Divaldo Pereira Franco, Joanna de Ângelis, na obra Alegria de Viver, 3 nos faz um apelo sublime, mas não pela alegria estúrdia dos que riem sem saber o porquê. A referida obra concita-nos à alegria existencial, inspirada nas bem-aventuranças que o Cristo proclamou. A alegria do dever cumprido, da quitação, de conviver em sociedade, de saber obedecer a Deus.

A bandeira de luz que levamos adiante é rota segura. Ainda nos momentos de dor suprema, termo inspirado em obra homônima do Espírito Victor Hugo,4 a misericórdia do Pai estende-se aos filhos sequiosos do pão da vida. Não há existência sem motivo, não há um homem sequer criado para a inutilidade, nada que nos alcance sem objetivo providencial e útil, quando vemos o mundo pela ótica espírita. As aflições são justas, ensina-nos O Evangelho segundo o Espiritismo, mas não cultuemos a dor e a expiação.

Que falar da justiça? O escritor Vinícius (Pedro de Camargo) escreveu que a lei mosaica era “prelúdio de justiça”,5 limitando a vingança a ato equivalente ao mal sofrido. Ou seja, visava impedir reações desproporcionais. “Nosso orbe [...] não chegou sequer a integrar-se no vetusto e rude dispositivo da legislação hebraica”, diz. Quanta alegria em conhecermos a justiça mais branda, inspirada na lição inesquecível do Mestre de nossas vidas, de fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem!

Que estejamos sendo veículos do prelúdio dessa outra justiça, mais espiritualizada, a do Cristo!

Amando e reconstruindo vidas, em vez de apenas cumprir leis e regras para cercear e punir. Cultuando pensamentos, palavras e atos voltados ao bem, ainda que por ora sejamos meros vasos de barro, na acepção evangélica. Façamo-nos a pergunta: servimos a quem, sob a luz retumbante que rasgou os dogmas e o academicismo, iluminando-nos como ao peixinho vermelho, citado por Emmanuel em Libertação?6

Quanta gratidão à Doutrina de nossas vidas, que nos elucidou, após séculos de procuras infrutíferas, o verdadeiro sentido da caridade que salva! A definição surge em O Livro dos Espíritos, questão 886: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”.7 Aprendemos que a caridade não se faz apenas com a moeda que sobra nos bolsos e aplicações financeiras, mas também no sorriso generoso, que se torna verdadeiro cartão de visita do espírita e dos ideais que professa.

Quantas benesses e quanto refrigério em saber que nossa elevação não depende de indulgências e favores, mas apenas de nós mesmos!

Quanta justiça! Não se compra um céu de fantasias nem se herda um inferno injusto, mas se conquista a evolução, dia a dia, com a renovação moral. Que importam, então, as pequenas diferenças?

Aprendamos a servir amando, unidos, como uma família disciplinada ante o “dirigente” maior, Jesus.

Quantas bênçãos temos colhido tão-só com o Evangelho no lar, evitando desastres!...

Tenhamos em mente o desfavor das queixas. Quanto deixamos de sofrer com isso! Há uma justiça subliminar que a tudo permeia, em tudo conspirando a nosso favor... Kardec abriu a trincheira pela qual tantos bandeirantes da nossa Doutrina, abusando do codinome aplicado ao precursor paulista Cairbar Schutel, semearam ou estão semeando um futuro melhor para a humanidade terrena. Hoje, como nos tempos de Jesus, tudo parece desvirtuado, incorrigível. Mas o exército do bem nos sustentará, firmemente.

Os benfeitores estão por todos os lados, amparando-nos. Nunca estivemos sós. Quanta consolação nessa verdade! Quanto a isso, a plêiade do Espírito de Verdade não deixa dúvidas, em O Evangelho segundo o Espiritismo: Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos.8

Os que não alcançaram o oásis do Evangelho são os cegos, como já fomos um dia. Irmãos estorcegam aniquilados, outros zombam da realidade espiritual, mas no íntimo amargam o vazio existencial, sinal dos tempos que varrerão o egoísmo e o orgulho do planeta-escola.

Espíritas, herdeiros dos mártires à excelsa Codificação, amparemos o próximo! Felizes pelo despertar gradual, mas compungidos ante a dor alheia, recordemos a menina Júlia e Kardec, há 152 anos, testemunhando:

Jesus! Estou aqui!



Reformador Junho 2010


1XAVIER, Francisco C. Palavras de vida eterna. Pelo Espírito Emmanuel. 34. ed. Uberaba, MG: Comunhão Espírita Cristã, 2007. p. 134.
2KARDEC, Allan. Evocações Particulares – Mãe, estou aqui! In: Revista espírita: jornal de estudos psicológicos, ano 1, p. 42-45, jan. 1858. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009.
3FRANCO, Divaldo P. Alegria de viver. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: LEAL.
4GAMA, Zilda. Dor suprema. Pelo Espírito Victor Hugo. Rio de Janeiro: FEB, 2007.
5VINÍCIUS (Pedro de Camargo). Na escola do mestre. 7. ed. São Paulo: FEESP. Cap. 3, p. 27-35.
6XAVIER, Francisco C. Libertação. Pelo Espírito André Luiz. 31. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Ante as portas livres.
7KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010.
8Idem. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 129. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Prefácio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário