sábado, 4 de abril de 2009

COMBATER A IGNORÂNCIA EM SI MESMO

A Felicidade, que é um estado-de-ser do espírito, que deve e pode ser natural na intimidade da alma, é erroneamente procurada pelo homem de todos tempos – encarnado ou fora da carne –, em bens materiais. É preciso que se entenda que a felicidade não é uma euforia ou contentamento que surge em nosso mundo superficial e logo, mais ou menos com a mesma espontaneidade com que chegou, desapareça. Ela não é uma alegria repentina, não é também um êxito que se alcance numa atividade qualquer, ou a conquista de um afeto que dure até o momento da primeira decepção, e também nunca está na posse de uma fortuna material que se possa perder em determinado instante.
A felicidade é um estado de ventura do espírito, em plano definitivo sempre crescente e de forma alguma retroativo. Não é aquela do texto bíblico, em Jó: "Como nuvem passou a minha felicidade" (Jó, XXX, v. 15).Nunca nos lembramos de que haja Jesus em momento algum falado em felicidade. Mas referiu-se ao reino dos céus inúmeras vezes, dando a entender não ser ele deste mundo, talvez querendo explicar que o reino prometido não é um estado material, inconsistente, mas definitivo no espírito de quem o tenha alcançado, como o percebemos nesta passagem de João (XVIII, v. 36 - in fine): "Mas agora o meu reino não é daqui."
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O apóstolo Paulo, em sua epístola aos efésios, capítulo IV, vv. 17 a 19, faz a seguinte advertência, que pode ser válida também para nós: "E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam os outros gentios, na vaidade do seu sentido, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do coração; os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza."
Ora, companheiro complacente que nos lê, nenhum espírita que estude e se aprofunde no conhecimento da codificação do espiritismo, na qual repousa toda a ciência da novel doutrina, tem direito à justificativa de ignorância, porque até onde nos é permitida a capacidade de aprender e raciocinar, tudo está esclarecido, e em condição de conduzir o espírita que se tenha feito caracterizar como homem de bem à sua preparação para a felicidade verdadeira e definitiva.
Não obstante, têm existido desde o tempo de Kardec companheiros que cometem enganos muito graves, a todo momento. E conseguem muitas vezes formar adeptos – o que lhes agrava ainda mais a situação – tornando-os responsáveis pela queda de outros... Pois bem, a esses companheiros está entregue, aqui ou ali, por invigilância de alguns, a direção de casas espíritas de funções valiosas no movimento do Consolador Prometido. Dentre esses há espíritas – pasme, leitor! – que apregoam até a REENCARNAÇÃO DE JESUS!...
Encarnação do governador do planeta não nos causa espanto. Allan Kardec, nisso, quase se equivocou, o que consideramos muito natural, no sentido em que o fato ocorreu! Por que Maria (talvez houvesse pensado ele assim) não podia dar a José um filho – Jesus? Maria seria a sua mulher, afinal de contas... Mas reencarnação?!... É ignorância demais! E o codificador do espiritismo nunca o afirmaria. Porque é também desconhecimento do Evangelho (João, XVII, vv. 5 e 24). E demonstra, sobretudo, ignorar ciência espírita.
Outra lastimável ignorância é a perseguição cerrada e desarrazoada à obra dos espíritos superiores através da mediunidade ímpar da senhora Emilie Collignon, que o dr. J.-B. Roustaing ordenou e, pela fé consciente e raciocinada, fez publicar às suas expensas! Lastimável ignorância, sim, porque Allan Kardec declarou tratar-se de obra "que tem para os Espíritas, o mérito de não estar em ponto algum em contradição com a doutrina ensinada pelo Livro dos Espíritos e pelo Livro dos Médiuns", e mesmo as partes tratadas por ele, Kardec, em O Evangelho segundo o Espiritismo o estão em sentido análogo. E o Codificador disse mais, em seu artigo publicado na Revue Spirite n° 6, de junho de 1866: "É uma obra que será consultada com fruto pelos Espíritas sérios."
Que querem mais esses nossos irmãos adversários do dr. Roustaing? Fazem questão de ser inimigos dele, pois sejam... Mas deixem em paz, por favor, a grandiosa mensagem dos Espíritos do Senhor, que tanto esclarecimento trouxe aos espíritas sérios!Temos em nosso poder os originais dos doze números da Revue Spirite – Journal D'Études Psychologiques, do ano 1866, encadernados pela tipografia de Rouge Frères, Dunon et Fresné, de Paris. Desse modo, para que não haja dúvida sobre nossas palavras, transcreveremos, abaixo, os textos originais, em francês, do pensamento do Codificador.
Isto posto, com sabedoria e honestidade, à parte as digressões acima, e em nada separados de Deus pela ignorância, como nos adverte o apóstolo das gentes, sejamos efetivos trabalhadores da Vinha do Mestre, sem que nunca venhamos a nos constituir em qualquer dano à obra do Pai, conforme nos fala ao coração o Espírito de Verdade, na última mensagem sua no capítulo XX de O Evangelho segundo o Espiritismo...
"C'est un travail considérable, et qui a, pour les Spirites, le mérite de n'être sur aucun point en contradiction avec la doctrine enseignée par le Livre des Esprits et celui des médiums. Les parties correspondantes à celles que nous avons traitées dans 1'Evangile selon le Spiritisme le sont dans un sens analogue."

"Ces observations, subordonées à la sanction de l'avenir, ne diminuent en rien l'importance de cet ouvrage qui, à côté de choses doutesses à notre point de vue, en renferme d'incontestablement bonnes et vraies et sera consulté avec fruit par les Spirites sérieux."

(Texto retirado do livro O Futuro da Humanidade, III Parte, "Acertos do homem para a Felicidade", de autoria de Inaldo Lacerda Lima.)
ria ou contentamento que surge em nosso mundo superficial e logo, mais ou menos com a mesma espontaneidade com que chegou, desapareça. Ela não é uma alegria repentina, não é também um êxito que se alcance numa atividade qualquer, ou a conquista de um afeto que dure até o momento da primeira decepção, e também nunca está na posse de uma fortuna material que se possa perder em determinado instante.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ACIDENTADOS DA ALMA


COMO AGIR NESTES CASOS
Antes das nossas tarefas, o assunto geral dos companheiros era a dificuldade de se levar a idéia espírita aos irmãos que nos procuram as casas de ideal e de fé, trabalhados por idéias que lhes dificultam o entendimento claro de nossa doutrina renovadora.
Ouvem as preleções de nossos encontros espirituais e as mensagens de nossos benfeitores, mas parecem distantes. Estão detidos nos problemas e lutas deles e experimentam muitos obstáculos para entender as lições de nossas escolas de ação e trabalho.
Como agir nesses casos?
Com essa pergunta fomos ao início da reunião.
O Livro dos Espíritos nos deu a pergunta-resposta 876. depois das explanações tivemos a página de nosso caro Emmanuel.

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Nos quadros de aflição da Terra, comove-nos, a cada passo, diante dos acidentados do corpo, a requisitarem hospitalização imediata.
A fim de atende-los, fundam-se instituições diversas, através das quais corações nobremente formados se dispõem a auxiliar.
Entretanto, é forçoso reconhecer que aos nossos núcleos de ação espiritual acorrem, dia-a-dia, verdadeiras multidões de acidentados da alma no trânsito da vida.
Amavam e foram preteridos, observando-se espancados nos sentimentos mais íntimos.
Dedicavam-se a empresas nobilitantes que explodiram em falência e, de momento para outro, se identificam sob os estilhaços da própria obra em destruição.
Criaram empreendimentos de trabalho digno que foram massacrados por desafetos gratuitos.
Consagravam-se a tesouros afetivos nos quais se viram repentinamente lesados nos mais altos valores da confiança.
Entraram em realizações de brilhante fachada e descobriram-se, no íntimo delas, qual se fossem encarcerados em armadilhas de sofrimento.
Estabeleceram tarefas construtivas que lhes escaparam das mãos.
Cultivaram planos de felicidade que a morte de um ente querido pulverizou em montes de cinzas sob chuvas de pranto.
Perante os nossos irmãos acidentados do espírito, compadece-te e auxilia sempre.
Faze uma pausa na marcha acelerada das próprias cogitações, e oferece a eles o donativo da atenção.
Aspiravam a reerguer-se para a vida, e tentaram abrir uma janela em si próprios para se comunicar com o dia novo.
Sonhavam paz e renovação.
Buscam ansiosamente mãos amigas que lhes descerrem a estrada da tranqüilidade e da reconstrução pela qual se trocam com todas as forças da própria alma.
Ante os companheiros aflitos pelo retorno à própria segurança, aprendamos a ouvi-los e a auxilia-los.
Para isso, não é preciso manejares o martelo da crítica, nem é necessário inflames o fogo da discussão.
Os nossos amigos acidentados da alma se reconhecem desorientados na sombra da prova e, por isso mesmo, te pedem unicamente para que lhes acenda no caminho leve réstia de luz.

Emmanuel
Livro: Caminhos de Volta - Psicografia: Francisco C. Xavier - Espíritos diversos

quinta-feira, 2 de abril de 2009

EM HOMENAGEM AO NASCIMENTO DE CHICO XAVIER


FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
TRAÇOS BIOGRÁFICOS - NASCIMENTO - SUA INICIAÇÃO ESPÍRITA:
O maior e mais prolífico médium psicógrafo do mundo em todas as épocas nasceu em Pedro Leopoldo, modesta cidade de Minas Gerais, Brasil, em 2 de abril de 1910. Vive, desde 1959, em Uberaba, no mesmo Estado. Completou o curso primário, apenas. Pais: João Cândido Xavier e Maria João de Deus, desencarnados em 1960 e 1915, respectivamente. Infância difícil; foi caixeiro de armazém e modesto funcionário público, aposentado desde 1958. Em 7 de maio de 1927 participa de sua primeira reunião espírita. Até 1931 recebe muitas poesias e mensagens, várias das quais saíram a público, estampadas à revelia do médium em jornais e revistas, como de autoria de F. Xavier. Nesse mesmo ano, vê, pela primeira vez, o Espírito Emmanuel, seu inseparável mentor espiritual até hoje.
O MENINO CHICO
Desde os 4 anos de idade o menino Chico teve a sua vida assinalada por singulares manifestações. Seu pai chegou, inclusive, a crer que o seu verdadeiro filho havia sido trocado por outro... Aquele seu filho era estranho!... De formação católica, o garoto orava com extrema devoção, conforme lhe ensinara D. Maria João de Deus, a querida mãezinha, que o deixaria órfão aos 5 anos. Dentro de grandes conflitos e extremas dificuldades, o menino ia crescendo, sempre puro e sempre bom, incapaz de uma palavra obscena, de um gesto de desobediência. As "sombras" amigas, porém, não o deixavam... Conversava com a mãezinha desencarnada, ouvia vozes confortadoras. Na escola, sentia a presença delas, auxiliando-o nas tarefas habituais. O certo é que os seus primeiros anos o marcaram profundamente; ele nunca os esqueceu... A necessidade de trabalhar desde cedo para auxiliar nas despesas domésticas foi em sua vida, conforme ele mesmo o diz, uma bênção indefinível.
Sim, a doença também viera precocemente fazer-lhe companhia. Primeiro os pulmões, quando trabalhava na tecelagem; depois os olhos; agora é a angina.
COMEÇO DO SEU MEDIUNATO :
Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) iniciou, publicamente, seu mandato mediúnico em 8 de julho de 1927, em Pedro Leopoldo. Contando 17 anos de idade, recebeu as primeiras páginas mediúnicas. Em noite memorável, os Espíritos deram início a um dos trabalhos mais belos de toda a história da humanidade. Dezessete folhas de papel foram preenchidas, celeremente, versando sobre os deveres do espírita-cristão.Depoimento de Chico Xavier: (...) "Era uma noite quase gelada e os companheiros que se acomodavam junto à mesa me seguiram os movimentos do braço, curiosos e comovidos. A sala não era grande, mas, no começo da primeira transmissão de um comunicado do mais Além, por meu intermédio, senti-me fora de meu próprio corpo físico, embora junto dele. No entanto, ao passo que o mensageiro escrevia as dezessete páginas que nos dedicou, minha visão habitual experimentou significativa alteração. As paredes que nos limitavam o espaço desapareceram. O telhado como que se desfez e, fixando o olhar no alto, podia ver estrelas que tremeluziam no escuro da noite. Entretanto, relanceando o olhar no ambiente, notei que toda uma assembléia de entidades amigas me fitavam com simpatia e bondade, em cuja expressão adivinhava, por telepatia espontânea, que me encorajavam em silêncio para o trabalho a ser realizado, sobretudo, animando-me para que nada receasse quanto ao caminho a percorrer."
EMMANUEL E DUAS ORIENTAÇÕES PARA O RESTO DA VIDA :
Emmanuel, nos primórdios da mediunidade de Chico Xavier, deu-lhe duas orientações básicas para o trabalho que deveria desempenhar. Fora de qualquer uma delas, tudo seria malogrado. Eis a primeira.
- "Está você realmente disposto a trabalhar na mediunidade com Jesus?"
- Sim, se os bons espíritos não me abandonarem... -respondeu o médium.
- Não será você desamparado - disse-lhe Emmanuel - mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e se esforce no bem.
- E o senhor acha que eu estou em condições de aceitar o compromisso? - tornou o Chico.
- Perfeitamente, desde que você procure respeitar os três pontos básicos para o Serviço... Porque o protetor se calasse o rapaz perguntou:
- Qual é o primeiro? A resposta veio firme:
- Disciplina.
- E o segundo?
- Disciplina.
- E o terceiro?
- Disciplina.
" A segunda mais importante orientação de Emmanuel para o médium é assim relembrada: - "Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e, disse mais, que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo.
Em 1932 publica a FEB seu primeiro livro, o famoso "Parnaso de Além-Túmulo"; hoje as obras que psicografou vão a mais de 400. Várias delas estão traduzidas e publicadas em castelhano, esperanto, francês, inglês, japonês, grego, etc.De moral ilibada, realmente humilde e simples, Chico Xavier jamais auferiu vantagens, de qualquer espécie, da mediunidade. Sua vida privada e pública tem sido objeto de toda especulação possível, na informação falada, escrita e televisionada. Ápodos e críticas ferinas, têm-no colhido de miúdo, sabendo suportá-los com verdadeiro espírito cristão.Viajou com o médium Waldo Vieira aos Estados Unidos e à Europa, onde visitaram a Inglaterra, a França, a Itália, a Espanha e Portugal, sempre a serviço da Doutrina Espírita.Chico Xavier é hoje uma figura de projeção nacional e internacional, suas entrevistas despertam a atenção de milhares de pessoas, mesmo alheias ao Espiritismo; tem aparecido em programas de TV, respondendo a perguntas as mais diversas, orientando as respostas pelos postulados espíritas.Já recebeu o título de Cidadão Honorário de várias cidades: Rio Preto, São Bernardo do Campo, Franca, Campinas, Santos, Catanduva, em São Paulo; Uberlândia, Araguari e Belo Horizonte, em Minas Gerais; Campos, no Estado do Rio de Janeiro, etc., etc.Dos livros que psicografou já se venderam mais de 12 milhões de exemplares, só dos editados pela FEB, em número de 88. "Parnaso de Além-Túmulo", a primeira obra publicada em 1932, provocou (e comprovou) a questão da identificação das produções mediúnicas, pelo pronunciamento espontâneo dos críticos, tais como Humberto de Campos, ainda vivo na época, Agripino Grieco, severo crítico literário, de renome nacional, Zeferino Brasil, poeta gaúcho, Edmundo Lys, cronista, Garcia Júnior, etc. Prefaciando "Parnaso de Além-Túmulo", escreveu Manuel Quintão: "Romantismo, Condoreirismo, Parnasianismo, Simbolismo, aí se ostentam em louçanias de sons e de cores, para afirmar não mais subjetiva, mas objetivamente, a sobrevivência de seus intérpretes.É ler Casimiro e reviver 'Primaveras'; é recitar Castro Alves e sentir 'Espumas Flutuantes'; é declamar Junqueiro e lembrar a 'Morte de D. João'; é frasear Augusto dos Anjos e evocar 'Eu'." Romances históricos formam a série Romana, de Emmanuel, composta de: "Há 2000 Anos...", "50 Anos Depois", "Ave, Cristo!", "Paulo e Estevão", provocando a elaboração do "Vocabulário Histórico-Geográfico dos Romances de Emmanuel", de Roberto Macedo, estudo elucidativo dos eventos históricos citados nas obras. "Há 2000 Anos..." é o relato da encarnação de Emmanuel à época de Jesus. De Humberto de Campos (Espírito), aparece, em 1938, o profético e discutido "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", uma história de nossa pátria e dos fatos e ela ligados, em dimensão espiritual. A série André Luiz é reveladora, doutrinária e científica; com obras notáveis e a maioria completa, no tocante à vida depois da desencarnação, obras anteriores, de Swedenborg, A. Jackson Davis, Cahagnet, G. Vale Owen e outros.
Pertencem a essa série: "Nosso Lar", "Os Mensageiros", "Missionários da Luz", "Obreiros da Vida Eterna", "No Mundo Maior", "Agenda Cristã", "Libertação", "Entre a Terra e o Céu", "Nos Domínios da Mediunidade", "Ação e Reação", "Evolução em dois Mundos", "Mecanismos da Mediunidade", "Conduta Espírita", "Sexo e Destino", "Desobsessão", "E a Vida Continua...". De parceria com o médium Waldo Vieira, Chico Xavier psicografou 17 obras.
A extraordinária capacidade mediúnica de Chico Xavier está comprovada pela grande quantidade de autores espirituais, da mais elevada categoria, que por seu intermédio se manifestam. Vários de seus livros foram adaptados para encenação no palco e sob a forma de radionovelas e telenovelas. O dom mediúnico mais conhecido de Francisco Xavier é o psicográfico. Não é, todavia, o único. Tem ele, e as exercita constantemente, outras mediunidades, tais como: psicofonia, vidência, audiência, receitista, e outras.
Sua vida, verdadeiramente apostolar, dedicou-a, o médium, aos sofredores e necessitados, provindos de longínquos lugares, e também aos afazeres medianeiros, pelos quais não aceita, em absoluto, qualquer espécie de paga. Os direitos autorais ele os tem cedido graciosamente a várias Editoras e Casas Espíritas, desde o primeiro livro. Sua vida e sua obra têm sido objeto de numerosas entrevistas radiofônicas e televisadas, e de comentários em jornais e revistas, espíritas ou não, e em livros dos quais podemos citar: o opúsculo intitulado "Pinga-Fogo, Entrevistas", obra publicada pelo Instituto de Difusão Espírita, de Araras; "Trinta Anos com Chico Xavier", de Clóvis Tavares; "No Mundo de Chico Xavier", de Elias Barbosa; "Lindos Casos de Chico Xavier", de Ramiro Gama; "40 Anos no Mundo da Mediunidade", de Roque Jacinto; "A Psicografia ante os Tribunais", de Miguel Timponi; "Amor e Sabedoria de Emmanuel", de Clóvis Tavares; "Presença de Chico Xavier", de Elias Barbosa; "Chico Xavier Pede Licença", de Irmão Saulo, pseudônimo de Herculano Pires; "Nosso Amigo Xavier", de Luciano Napoleão; "Chico Xavier, o Santo dos Nossos Dias" e "O Prisioneiro de Cristo", de R. A. Ranieri; “Chico Xavier - Mandato de Amor”, da U.E.M.; “As Vidas de Chico Xavier”, de Marcel Souto Maior, etc.
O CASO HUMBERTO DE CAMPOS :
Desencarnado em 1934 o festejado escritor brasileiro Humberto de Campos, o Espírito deste iniciou, em 1937, pela mediunidade de Chico Xavier, a transmissão de várias obras de crônicas e reportagens, todas editadas pela Federação Espírita Brasileira, entre as quais sobressai “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”. Eis senão quando, em 1944, a viúva de Humberto de Campos ingressa em juízo, movendo um processo, que se torna célebre, contra a Federação Espírita Brasileira e Francisco Cândido Xavier, no sentido de obter uma declaração, por sentença, de que essa obra mediúnica “é ou não do ‘Espírito’ de Humberto de Campos”, e que em caso afirmativo, se apliquem as sanções previstas em Lei. O assunto causou muita polêmica e, durante um bom tempo, ocupou espaço nos principais periódicos do País. Para que tenhamos uma idéia do que representou o referido processo na divulgação dos postulados espíritas, resumimos aqui alguns dos principais depoimentos da época extraídos da obra do Dr. Miguel Timponi, o principal advogado que trabalhou na defesa do médium e da FEB. Antes, porém, sintamos a beleza das palavras a seguir, enfeixadas no livro A Psicografia ante os Tribunais: "Entretanto, lá do Nordeste, desse Nordeste de encantamentos e de mistérios, a voz cheia de ternura e de emoção, de uma velhinha santificada pela dor e pelo sofrimento, D. Ana de Campos Veras, extremosa mãe do querido e popular escritor, rompeu o silêncio para ofertar ao médium de Pedro Leopoldo a fotografia do seu próprio filho, com esta expressiva dedicatória: 'Ao Prezado Sr. Francisco Xavier, dedicado intérprete espiritual do meu saudoso Humberto, ofereço com muito afeto esta fotografia, como prova de amizade e gratidão. Da crª. atª. Ana de Campos Veras Parnaíba, 21-5-38.’ Conforme se vê da edição de 'O Globo' de 19 de julho de 1944, essa exma. senhora confirma que o estilo é do seu filho e assegura ao redator de 'O Povo' e 'Press Parga': "- Realmente - disse dona Ana Campos - li emocionada as Crônicas de Além-Túmulo, e verifiquei que o estilo é o mesmo de meu filho. Não tenho dúvidas em afirmar isso e não conheço nenhuma explicação científica para esclarecer esse mistério, principalmente se considerarmos que Francisco Xavier é um cidadão de conhecimentos medíocres. Onde a fraude? Na hipótese de o Tribunal reconhecer aquela obra como realmente da autoria de Humberto, é claro que, por justiça, os direitos autorais venham a pertencer à família. No caso, porém, de os juízes decidirem em contrário, acho que os intelectuais patriotas fariam ato de justiça aceitando Francisco Cândido Xavier na Academia Brasileira de Letras... Só um homem muito inteligente, muito culto, e de fino talento literário, poderia ter escrito essa produção, tão identificada com a de meu filho." Na noite de 15 de julho de 1944, quando o processo atingia o clímax, o Espírito Humberto de Campos retorna pelo lápis do médium Chico Xavier, tecendo, no seu estilo inconfundível, uma belíssima e emocionante página sobre o triste problema levantado pela incompreensão humana, página que pode ser devidamente apreciada no livro "A Psicografia ante os Tribunais". Daí por diante, ele passou a assinar-se, simplesmente, Irmão X, versão evangelizada do Conselheiro XX, como era conhecido nos meios literários quando encarnado. A Autora, D. Catarina Vergolino de Campos, foi julgada carecedora da ação proposta, por sentença de 23 de agosto de 1944, do Dr. João Frederico Mourão Russell, juiz de Direito em exercício na 8ª Vara Cível do antigo Distrito Federal. Tendo ela recorrido dessa sentença, o Tribunal de Apelação do antigo DF manteve-a por seus jurídicos fundamentos, tendo sido relator o saudoso ministro Álvaro Moutinho Ribeiro da Costa.
O AMOR DE CHICO XAVIER POR JESUS :
Depoimento de Chico Xavier: "(...) Deus nos permita a satisfação de continuar sempre trabalhando na Grande Causa d'Ele, Nosso Senhor e Mestre. Desde criança, a figura do Cristo me impressiona. Ao perder minha mãe, aos cinco janeiros de idade, conforme os próprios ensinamentos dela, acreditei n'Ele, na certeza de que Ele me sustentaria. Conduzido a uma casa estranha, na qual conheceria muitas dificuldades para continuar vivendo, lembrava-me d'Ele, na convicção de que Ele era um amigo poderoso e compassivo que me enviaria recursos de resistência e ao ver minha mãe desencarnada pela primeira vez, com o cérebro infantil sem qualquer conhecimento dos conflitos religiosos que dividem a Humanidade, pedi a ela me abençoasse segundo o nosso hábito em família e lembro-me perfeitamente de que perguntei a ela: - Mamãe, foi Jesus que mandou a senhora nos buscar? Ela sorriu e respondeu: - Foi sim, mas Jesus deseja que vocês, os meus filhos espalhados, ainda fiquem me esperando... Aceitei o que ela dizia, embora chorasse, porque a referência a Jesus me tranqüilizava. Quando meu pai se casou pela segunda vez e a minha segunda mãe mandou me buscar para junto dela, notando-lhe a bondade natural, indaguei: - Foi Jesus quem enviou a senhora para nos reunir? Ela me disse: - Chico, isso não sei... Mas minha fé era tamanha que respondi: - Foi Ele sim... Minha mãe, quando me aparece, sempre me fala que Ele mandaria alguém nos buscar para a nossa casa. E Jesus sempre esteve e está em minhas lembranças como um Protetor Poderoso e Bom, não desaparecido, não longe mas sempre perto, não indiferente aos nossos obstáculos humanos, e sim cada vez mais atuante e mais vivo." Não se pode negar o sentimento de veneração que envolve a nobre figura de Ismael, guia espiritual do Brasil. A responsabilidade que detém, na condição de mentor da Federação Espírita Brasileira suscita, da parte da comunidade espírita nacional, um profundo respeito, aliado a um imenso carinho e uma suave ternura. Certa vez, indagaram a Chico Xavier: - Como se processam os encontros, nas esferas resplandecentes da Espiritualidade, de Emmanuel com Ismael? Qual a postura do admirável Espírito do ex-senador romano, diante da também luminosa entidade a quem confiou Jesus os destinos do Brasil? Resposta do médium, curta, serena e firme: - De joelhos!
BREVES DEPOIMENTOS SOBRE O MÉDIUM CHICO XAVIER :
A bibliografia mediúnica, que foi acrescida à literatura espírita, nestes últimos cinqüenta anos, nascida do lápis de Chico Xavier - e o espaço não nos permite, sequer, considerações ligeiras sobre suas páginas -, é vultosa, considerável. É qualitativamente admirável. Poderíamos, sem dificuldade, num exame sereno e com absoluta isenção, dividir a obra mediúnica, orientada por Emmanuel, igualmente em fases perfeitamente delineadas, dentro de duas grandes divisões: a primeira, provando a sobrevivência e a imortalidade do espírito - 'Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho' - seguida de uma panorâmica da História universal - 'A Caminho da Luz' e de alguns manuais do maior valor: 'Emmanuel, Dissertações Mediúnicas', 'O Consolador', 'Roteiro', etc. Enfim, muitos estudos interessantes e instrutivos virão, a seu tempo. E a obra de Francisco Cândido Xavier, criteriosamente traduzida, estará, tempestivamente, à disposição dos leitores do mundo inteiro, juntamente com a de Allan Kardec e da dos autores que cuidaram dos escritos subsidiários e complementares da Codificação. Mas, enquanto isso, e para que tudo ocorra com a tranqüilidade que se almeja na difusão conscienciosa e responsável da Doutrina dos Espíritos, seria de bom alvitre não perder de vista o fato de que Chico Xavier jamais teria obtido êxito, como instrumento do Alto, se não tivesse seguido a rígida disciplina que lhe foi sugerida por Emmanuel, testemunhando e permanecendo na exemplificação do amor ao próximo e do amor a Deus, vivendo o Evangelho.
Francisco Thiesen Presidente da Federação Espírita Brasileira" (Fonte: "Revista Internacional de Espiritismo", número 6, Ano LII, julho de 1977.) "
"..Não me considero à altura para escrever algo sobre o Chico. Dele, dão testemunho (e que testemunho!) as belas obras que semeou e semeia por esse Brasil afora, com reflexos benéficos em diversas nações do mundo. E quando digo 'obras', refiro-me não só à palavra escrita e falada, como também aos seus exemplos de caridade, de perdão, de fé, de humildade, aos seus diálogos fraternos e frutíferos, enfim, à sua multiforme vivência evangélica junto a pobres e ricos, num trabalho diário de edificação e levantamento de espíritos." "Conheço o Chico há bastante tempo. Nos seus livros mediúnicos encontrei forças, luz e paz, e através de suas cartas pude senti-lo e amá-lo bem no fundo do seu ser. Por várias vezes chorei com suas preocupações e sua dor, vivendo-lhe as graves responsabilidades e lamentando a incompreensão dos homens. Mas sempre orei pedindo ao Senhor que não lhe tirasse o pesado fardo dos ombros e, sim, que o ajudasse a carregá-lo. Graças a Deus, o nosso caro Chico tem vencido todas as dificuldades e todos os óbices do caminho, numa maratona hercúlea que realmente o dignifica aos olhos dos homens e aos olhos do Pai."
(Trechos da carta do Sr. Zêus Wantuil, 3° secretário da Federação Espírita Brasileira, à presidente da União Espírita Mineira) (Fonte: "O Espírita Mineiro", número 172, maio/julho de 1977.)
A PALAVRA DE CHICO XAVIER AO COMPLETAR QUARENTA ANOS DE MEDIUNIDADE :
"Estes quarenta anos de mediunidade passaram para o meu coração como se fossem um sonho bom. Foram quarenta anos de muita alegria, em cujos caminhos, feitos de minutos e de horas, de dias, só encontrei benefícios, felicidades, esperanças, otimismo, encorajamento da parte de todos aqueles que o Senhor me concedeu, dos familiares, irmãos, amigos e companheiros. Quarenta anos de felicidade que agradeço a Deus em vossos corações, porque sinto que Deus me concedeu nos vossos corações, que representam outros muitos corações que estão ausentes de nós. Agora, sinto que Deus me concedeu por vosso intermédio uma vida tocada de alegrias e bênçãos, como eu não poderia receber em nenhum outro setor de trabalho na Humanidade. Beijo-vos, assim, as mãos, os corações. Quanto ao livro, devo dizer que, certa feita, há muitos anos, procurando o contato com o Espírito de nosso benfeitor Emmanuel, ao pé de uma velha represa, na terra que me deu berço na presente encarnação, muitas vezes chegava ao sítio, pela manhã, antes do amanhecer. E quando o dia vinha de novo, fosse com sol, fosse com chuva, lá estava, não muito longe de mim, um pequeno charco. Esse charco, pouco a pouco se encheu de flores, pela misericórdia de Deus, naturalmente. E muitas almas boas, corações queridos, que passavam pelo mesmo caminho em que nós orávamos, colhiam essas flores, e as levavam consigo com transporte de alegria e encantamento. Enquanto que o charco era sempre o mesmo charco. Naturalmente, esperando também pela misericórdia de Deus, para se transformar em terra proveitosa e mais útil. Creio que nesses momentos, em que ouço as palavras desses corações maravilhosos, que usaram o verbo para comentar o aparecimento desses cem livros, agora cento e dois livros, lembro este quadro que nunca me saiu da memória, para declarar-vos que me sinto na condição do charco que, pela misericórdia de Deus, um dia recebeu essas flores que são os livros, e que pertencem muito mais a vós outros do que a mim. Rogo, assim, a todos os companheiros, que me ajudem através da oração, para que a luta natural da vida possa drenar a terra pantanosa que ainda sou, na intimidade do meu coração, para que eu possa um dia servir a Deus, de conformidade com os deveres que a Sua infinita misericórdia me traçou. E peço, então, permissão, em sinal de agradecimento, já que não tenho palavras para exprimir a minha gratidão. Peço-vos, a todos, licença para encerrar a minha palavra despretensiosa, com a oração que Nosso Senhor Jesus Cristo nos legou.
(Fonte: "O Espírita Mineiro", número 137, abril/maio/junho de 1970.)
NA TAREFA MEDIÚNICA :
"Pergunta - Em seu primeiro encontro com Emmanuel, ele enfatizou muito a disciplina. Teria falado algo mais?
Resposta - Depois de haver salientado a disciplina como elemento indispensável a uma boa tarefa mediúnica, ele me disse: 'Temos algo a realizar.' Repliquei de minha parte qual seria esse algo e o benfeitor esclareceu: 'Trinta livros pra começar!' Considerei, então: como avaliar esta informação se somos uma família sem maiores recursos, além do nosso próprio trabalho diário, e a publicação de um livro demanda tanto dinheiro!... Já que meu pai lidava com bilhetes de loteria, eu acrescentei: será que meu pai vai tirar a sorte grande? Emmanuel respondeu: 'Nada, nada disso. A maior sorte grande é a do trabalho com a fé viva na Providência de Deus. Os livros chegarão através de caminhos inesperados!' Algum tempo depois, enviando as poesias de 'Parnaso de Além- Túmulo' para um dos diretores da Federação Espírita Brasileira, tive a grata surpresa de ver o livro aceito e publicado, em 1932. A este livro seguiram-se outros e, em 1947, atingimos a marca dos 30 livros. Ficamos muito contentes e perguntei ao amigo espiritual se a tarefa estava terminada. Ele, então, considerou, sorrindo: 'Agora, começaremos uma nova série de trinta volumes!' Em 1958, indaguei-lhe novamente se o trabalho finalizara. Os 60 livros estavam publicados e eu me encontrava quase de mudança para a cidade de Uberaba, onde cheguei a 5 de janeiro de 1959. O grande benfeitor explicou-me, com paciência: 'Você perguntou, em Pedro Leopoldo, se a nossa tarefa estava completa e quero informar a você que os mentores da Vida Maior, perante os quais devo também estar disciplinado, me advertiram que nos cabe chegar ao limite de cem livros.' Fiquei muito admirado e as tarefas prosseguiram. Quando alcançamos o número de 100 volumes publicados, voltei a consultá-lo sobre o termo de nossos compromissos. Ele esclareceu, com bondade: 'Você não deve pensar em agir e trabalhar com tanta pressa. Agora, estou na obrigação de dizer a você que os mentores da Vida Superior, que nos orientam, expediram certa instrução que determina seja a sua atual reencarnação desapropriada, em benefício da divulgação dos princípios espíritas-cristãos, permanecendo a sua existência, do ponto de vista físico, à disposição das entidades espirituais que possam colaborar na execução das mensagens e livros, enquanto o seu corpo se mostre apto para as nossas atividades.' Muito desapontado, perguntei: então devo trabalhar na recepção de mensagens e livros do mundo espiritual até o fim da minha vida atual? Emmanuel acentuou: 'Sim, não temos outra alternativa!' Naturalmente, impressionado com o que ele dizia, voltei a interrogar: e se eu não quiser, já que a Doutrina Espírita ensina que somos portadores do livre arbítrio para decidir sobre os nossos próprios caminhos? Emmanuel, então, deu um sorriso de benevolência paternal e me cientificou: 'A instrução a que me refiro é semelhante a um decreto de desapropriação, quando lançado por autoridade na Terra. Se você recusar o serviço a que me reporto, segundo creio, os orientadores dessa obra de nos dedicarmos ao Cristianismo Redivivo, de certo que eles terão autoridade bastante para retirar você de seu atual corpo físico!' Quando eu ouvi sua declaração, silenciei para pensar na gravidade do assunto, e continuo trabalhando, sem a menor expectativa de interromper ou dificultar o que passei a chamar de 'Desígnios de Cima."
(Fonte: "O Espírita Mineiro", número 205, abril/junho de 1988.)
CONSIDERAÇÕES FINAIS :
Em 1997, Chico Xavier completou 70 anos de incessante atividade mediúnica, da maior significação espiritual, em prol da Humanidade, abrangendo seus mais diversos segmentos. Até a presente data, outubro de 1997, Francisco Cândido Xavier psicografou mais de 400 (quatrocentas) obras mediúnicas, de centenas de autores espirituais, abarcando os mais diversos e diferentes assuntos, entre poesias, romances, contos, crônicas, história geral e do Brasil, ciência, religião, filosofia, literatura infantil, etc.
Dias e noites têm sido por ele ofertados aos seus semelhantes, com sacrifício da própria saúde. Problemas orgânicos acompanharam-lhe a mocidade e a madureza. Hoje, nos abençoados 87 anos de sua vida corporal, as dificuldades físicas continuam trazendo-lhe problemas. Releva observar que as doenças oculares a as intervenções cirúrgicas jamais o impediram de cumprir, fiel e dignamente, sua missão de amparo aos necessitados. Sua postura é uma só, obedece a uma só diretriz: amor ao próximo, desinteresse ante os bens materiais, preocupação exclusiva e constante com a felicidade do próximo. Ricos e pobres, velhos e crianças, homens e mulheres de todos os níveis sociais têm encontrado, no homem e no médium Chico Xavier, tudo quanto necessitam para o reajuste interior, para o crescimento, em função do conhecimento e da bondade. Francisco Cândido Xavier é um presente do Alto ao século XX, enriquecendo-lhe os valores com a sua vida de exemplar cidadão, com milhares de mensagens psicografias que, em catadupas de paz e luz, amor e esclarecimento, vêm fertilizando o solo planetário, sob a luminar supervisão do Espírito Emmanuel.

EM HOMENAGEM AO NASCIMENTO DE CHICO XAVIER


FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
TRAÇOS BIOGRÁFICOS - NASCIMENTO - SUA INICIAÇÃO ESPÍRITA:
O maior e mais prolífico médium psicógrafo do mundo em todas as épocas nasceu em Pedro Leopoldo, modesta cidade de Minas Gerais, Brasil, em 2 de abril de 1910. Vive, desde 1959, em Uberaba, no mesmo Estado. Completou o curso primário, apenas. Pais: João Cândido Xavier e Maria João de Deus, desencarnados em 1960 e 1915, respectivamente. Infância difícil; foi caixeiro de armazém e modesto funcionário público, aposentado desde 1958. Em 7 de maio de 1927 participa de sua primeira reunião espírita. Até 1931 recebe muitas poesias e mensagens, várias das quais saíram a público, estampadas à revelia do médium em jornais e revistas, como de autoria de F. Xavier. Nesse mesmo ano, vê, pela primeira vez, o Espírito Emmanuel, seu inseparável mentor espiritual até hoje.
O MENINO CHICO
Desde os 4 anos de idade o menino Chico teve a sua vida assinalada por singulares manifestações. Seu pai chegou, inclusive, a crer que o seu verdadeiro filho havia sido trocado por outro... Aquele seu filho era estranho!... De formação católica, o garoto orava com extrema devoção, conforme lhe ensinara D. Maria João de Deus, a querida mãezinha, que o deixaria órfão aos 5 anos. Dentro de grandes conflitos e extremas dificuldades, o menino ia crescendo, sempre puro e sempre bom, incapaz de uma palavra obscena, de um gesto de desobediência. As "sombras" amigas, porém, não o deixavam... Conversava com a mãezinha desencarnada, ouvia vozes confortadoras. Na escola, sentia a presença delas, auxiliando-o nas tarefas habituais. O certo é que os seus primeiros anos o marcaram profundamente; ele nunca os esqueceu... A necessidade de trabalhar desde cedo para auxiliar nas despesas domésticas foi em sua vida, conforme ele mesmo o diz, uma bênção indefinível.
Sim, a doença também viera precocemente fazer-lhe companhia. Primeiro os pulmões, quando trabalhava na tecelagem; depois os olhos; agora é a angina.
COMEÇO DO SEU MEDIUNATO :
Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) iniciou, publicamente, seu mandato mediúnico em 8 de julho de 1927, em Pedro Leopoldo. Contando 17 anos de idade, recebeu as primeiras páginas mediúnicas. Em noite memorável, os Espíritos deram início a um dos trabalhos mais belos de toda a história da humanidade. Dezessete folhas de papel foram preenchidas, celeremente, versando sobre os deveres do espírita-cristão.Depoimento de Chico Xavier: (...) "Era uma noite quase gelada e os companheiros que se acomodavam junto à mesa me seguiram os movimentos do braço, curiosos e comovidos. A sala não era grande, mas, no começo da primeira transmissão de um comunicado do mais Além, por meu intermédio, senti-me fora de meu próprio corpo físico, embora junto dele. No entanto, ao passo que o mensageiro escrevia as dezessete páginas que nos dedicou, minha visão habitual experimentou significativa alteração. As paredes que nos limitavam o espaço desapareceram. O telhado como que se desfez e, fixando o olhar no alto, podia ver estrelas que tremeluziam no escuro da noite. Entretanto, relanceando o olhar no ambiente, notei que toda uma assembléia de entidades amigas me fitavam com simpatia e bondade, em cuja expressão adivinhava, por telepatia espontânea, que me encorajavam em silêncio para o trabalho a ser realizado, sobretudo, animando-me para que nada receasse quanto ao caminho a percorrer."
EMMANUEL E DUAS ORIENTAÇÕES PARA O RESTO DA VIDA :
Emmanuel, nos primórdios da mediunidade de Chico Xavier, deu-lhe duas orientações básicas para o trabalho que deveria desempenhar. Fora de qualquer uma delas, tudo seria malogrado. Eis a primeira.
- "Está você realmente disposto a trabalhar na mediunidade com Jesus?"
- Sim, se os bons espíritos não me abandonarem... -respondeu o médium.
- Não será você desamparado - disse-lhe Emmanuel - mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e se esforce no bem.
- E o senhor acha que eu estou em condições de aceitar o compromisso? - tornou o Chico.
- Perfeitamente, desde que você procure respeitar os três pontos básicos para o Serviço... Porque o protetor se calasse o rapaz perguntou:
- Qual é o primeiro? A resposta veio firme:
- Disciplina.
- E o segundo?
- Disciplina.
- E o terceiro?
- Disciplina.
" A segunda mais importante orientação de Emmanuel para o médium é assim relembrada: - "Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e, disse mais, que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo.
Em 1932 publica a FEB seu primeiro livro, o famoso "Parnaso de Além-Túmulo"; hoje as obras que psicografou vão a mais de 400. Várias delas estão traduzidas e publicadas em castelhano, esperanto, francês, inglês, japonês, grego, etc.De moral ilibada, realmente humilde e simples, Chico Xavier jamais auferiu vantagens, de qualquer espécie, da mediunidade. Sua vida privada e pública tem sido objeto de toda especulação possível, na informação falada, escrita e televisionada. Ápodos e críticas ferinas, têm-no colhido de miúdo, sabendo suportá-los com verdadeiro espírito cristão.Viajou com o médium Waldo Vieira aos Estados Unidos e à Europa, onde visitaram a Inglaterra, a França, a Itália, a Espanha e Portugal, sempre a serviço da Doutrina Espírita.Chico Xavier é hoje uma figura de projeção nacional e internacional, suas entrevistas despertam a atenção de milhares de pessoas, mesmo alheias ao Espiritismo; tem aparecido em programas de TV, respondendo a perguntas as mais diversas, orientando as respostas pelos postulados espíritas.Já recebeu o título de Cidadão Honorário de várias cidades: Rio Preto, São Bernardo do Campo, Franca, Campinas, Santos, Catanduva, em São Paulo; Uberlândia, Araguari e Belo Horizonte, em Minas Gerais; Campos, no Estado do Rio de Janeiro, etc., etc.Dos livros que psicografou já se venderam mais de 12 milhões de exemplares, só dos editados pela FEB, em número de 88. "Parnaso de Além-Túmulo", a primeira obra publicada em 1932, provocou (e comprovou) a questão da identificação das produções mediúnicas, pelo pronunciamento espontâneo dos críticos, tais como Humberto de Campos, ainda vivo na época, Agripino Grieco, severo crítico literário, de renome nacional, Zeferino Brasil, poeta gaúcho, Edmundo Lys, cronista, Garcia Júnior, etc. Prefaciando "Parnaso de Além-Túmulo", escreveu Manuel Quintão: "Romantismo, Condoreirismo, Parnasianismo, Simbolismo, aí se ostentam em louçanias de sons e de cores, para afirmar não mais subjetiva, mas objetivamente, a sobrevivência de seus intérpretes.É ler Casimiro e reviver 'Primaveras'; é recitar Castro Alves e sentir 'Espumas Flutuantes'; é declamar Junqueiro e lembrar a 'Morte de D. João'; é frasear Augusto dos Anjos e evocar 'Eu'." Romances históricos formam a série Romana, de Emmanuel, composta de: "Há 2000 Anos...", "50 Anos Depois", "Ave, Cristo!", "Paulo e Estevão", provocando a elaboração do "Vocabulário Histórico-Geográfico dos Romances de Emmanuel", de Roberto Macedo, estudo elucidativo dos eventos históricos citados nas obras. "Há 2000 Anos..." é o relato da encarnação de Emmanuel à época de Jesus. De Humberto de Campos (Espírito), aparece, em 1938, o profético e discutido "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", uma história de nossa pátria e dos fatos e ela ligados, em dimensão espiritual. A série André Luiz é reveladora, doutrinária e científica; com obras notáveis e a maioria completa, no tocante à vida depois da desencarnação, obras anteriores, de Swedenborg, A. Jackson Davis, Cahagnet, G. Vale Owen e outros.
Pertencem a essa série: "Nosso Lar", "Os Mensageiros", "Missionários da Luz", "Obreiros da Vida Eterna", "No Mundo Maior", "Agenda Cristã", "Libertação", "Entre a Terra e o Céu", "Nos Domínios da Mediunidade", "Ação e Reação", "Evolução em dois Mundos", "Mecanismos da Mediunidade", "Conduta Espírita", "Sexo e Destino", "Desobsessão", "E a Vida Continua...". De parceria com o médium Waldo Vieira, Chico Xavier psicografou 17 obras.
A extraordinária capacidade mediúnica de Chico Xavier está comprovada pela grande quantidade de autores espirituais, da mais elevada categoria, que por seu intermédio se manifestam. Vários de seus livros foram adaptados para encenação no palco e sob a forma de radionovelas e telenovelas. O dom mediúnico mais conhecido de Francisco Xavier é o psicográfico. Não é, todavia, o único. Tem ele, e as exercita constantemente, outras mediunidades, tais como: psicofonia, vidência, audiência, receitista, e outras.
Sua vida, verdadeiramente apostolar, dedicou-a, o médium, aos sofredores e necessitados, provindos de longínquos lugares, e também aos afazeres medianeiros, pelos quais não aceita, em absoluto, qualquer espécie de paga. Os direitos autorais ele os tem cedido graciosamente a várias Editoras e Casas Espíritas, desde o primeiro livro. Sua vida e sua obra têm sido objeto de numerosas entrevistas radiofônicas e televisadas, e de comentários em jornais e revistas, espíritas ou não, e em livros dos quais podemos citar: o opúsculo intitulado "Pinga-Fogo, Entrevistas", obra publicada pelo Instituto de Difusão Espírita, de Araras; "Trinta Anos com Chico Xavier", de Clóvis Tavares; "No Mundo de Chico Xavier", de Elias Barbosa; "Lindos Casos de Chico Xavier", de Ramiro Gama; "40 Anos no Mundo da Mediunidade", de Roque Jacinto; "A Psicografia ante os Tribunais", de Miguel Timponi; "Amor e Sabedoria de Emmanuel", de Clóvis Tavares; "Presença de Chico Xavier", de Elias Barbosa; "Chico Xavier Pede Licença", de Irmão Saulo, pseudônimo de Herculano Pires; "Nosso Amigo Xavier", de Luciano Napoleão; "Chico Xavier, o Santo dos Nossos Dias" e "O Prisioneiro de Cristo", de R. A. Ranieri; “Chico Xavier - Mandato de Amor”, da U.E.M.; “As Vidas de Chico Xavier”, de Marcel Souto Maior, etc.
O CASO HUMBERTO DE CAMPOS :
Desencarnado em 1934 o festejado escritor brasileiro Humberto de Campos, o Espírito deste iniciou, em 1937, pela mediunidade de Chico Xavier, a transmissão de várias obras de crônicas e reportagens, todas editadas pela Federação Espírita Brasileira, entre as quais sobressai “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”. Eis senão quando, em 1944, a viúva de Humberto de Campos ingressa em juízo, movendo um processo, que se torna célebre, contra a Federação Espírita Brasileira e Francisco Cândido Xavier, no sentido de obter uma declaração, por sentença, de que essa obra mediúnica “é ou não do ‘Espírito’ de Humberto de Campos”, e que em caso afirmativo, se apliquem as sanções previstas em Lei. O assunto causou muita polêmica e, durante um bom tempo, ocupou espaço nos principais periódicos do País. Para que tenhamos uma idéia do que representou o referido processo na divulgação dos postulados espíritas, resumimos aqui alguns dos principais depoimentos da época extraídos da obra do Dr. Miguel Timponi, o principal advogado que trabalhou na defesa do médium e da FEB. Antes, porém, sintamos a beleza das palavras a seguir, enfeixadas no livro A Psicografia ante os Tribunais: "Entretanto, lá do Nordeste, desse Nordeste de encantamentos e de mistérios, a voz cheia de ternura e de emoção, de uma velhinha santificada pela dor e pelo sofrimento, D. Ana de Campos Veras, extremosa mãe do querido e popular escritor, rompeu o silêncio para ofertar ao médium de Pedro Leopoldo a fotografia do seu próprio filho, com esta expressiva dedicatória: 'Ao Prezado Sr. Francisco Xavier, dedicado intérprete espiritual do meu saudoso Humberto, ofereço com muito afeto esta fotografia, como prova de amizade e gratidão. Da crª. atª. Ana de Campos Veras Parnaíba, 21-5-38.’ Conforme se vê da edição de 'O Globo' de 19 de julho de 1944, essa exma. senhora confirma que o estilo é do seu filho e assegura ao redator de 'O Povo' e 'Press Parga': "- Realmente - disse dona Ana Campos - li emocionada as Crônicas de Além-Túmulo, e verifiquei que o estilo é o mesmo de meu filho. Não tenho dúvidas em afirmar isso e não conheço nenhuma explicação científica para esclarecer esse mistério, principalmente se considerarmos que Francisco Xavier é um cidadão de conhecimentos medíocres. Onde a fraude? Na hipótese de o Tribunal reconhecer aquela obra como realmente da autoria de Humberto, é claro que, por justiça, os direitos autorais venham a pertencer à família. No caso, porém, de os juízes decidirem em contrário, acho que os intelectuais patriotas fariam ato de justiça aceitando Francisco Cândido Xavier na Academia Brasileira de Letras... Só um homem muito inteligente, muito culto, e de fino talento literário, poderia ter escrito essa produção, tão identificada com a de meu filho." Na noite de 15 de julho de 1944, quando o processo atingia o clímax, o Espírito Humberto de Campos retorna pelo lápis do médium Chico Xavier, tecendo, no seu estilo inconfundível, uma belíssima e emocionante página sobre o triste problema levantado pela incompreensão humana, página que pode ser devidamente apreciada no livro "A Psicografia ante os Tribunais". Daí por diante, ele passou a assinar-se, simplesmente, Irmão X, versão evangelizada do Conselheiro XX, como era conhecido nos meios literários quando encarnado. A Autora, D. Catarina Vergolino de Campos, foi julgada carecedora da ação proposta, por sentença de 23 de agosto de 1944, do Dr. João Frederico Mourão Russell, juiz de Direito em exercício na 8ª Vara Cível do antigo Distrito Federal. Tendo ela recorrido dessa sentença, o Tribunal de Apelação do antigo DF manteve-a por seus jurídicos fundamentos, tendo sido relator o saudoso ministro Álvaro Moutinho Ribeiro da Costa.
O AMOR DE CHICO XAVIER POR JESUS :
Depoimento de Chico Xavier: "(...) Deus nos permita a satisfação de continuar sempre trabalhando na Grande Causa d'Ele, Nosso Senhor e Mestre. Desde criança, a figura do Cristo me impressiona. Ao perder minha mãe, aos cinco janeiros de idade, conforme os próprios ensinamentos dela, acreditei n'Ele, na certeza de que Ele me sustentaria. Conduzido a uma casa estranha, na qual conheceria muitas dificuldades para continuar vivendo, lembrava-me d'Ele, na convicção de que Ele era um amigo poderoso e compassivo que me enviaria recursos de resistência e ao ver minha mãe desencarnada pela primeira vez, com o cérebro infantil sem qualquer conhecimento dos conflitos religiosos que dividem a Humanidade, pedi a ela me abençoasse segundo o nosso hábito em família e lembro-me perfeitamente de que perguntei a ela: - Mamãe, foi Jesus que mandou a senhora nos buscar? Ela sorriu e respondeu: - Foi sim, mas Jesus deseja que vocês, os meus filhos espalhados, ainda fiquem me esperando... Aceitei o que ela dizia, embora chorasse, porque a referência a Jesus me tranqüilizava. Quando meu pai se casou pela segunda vez e a minha segunda mãe mandou me buscar para junto dela, notando-lhe a bondade natural, indaguei: - Foi Jesus quem enviou a senhora para nos reunir? Ela me disse: - Chico, isso não sei... Mas minha fé era tamanha que respondi: - Foi Ele sim... Minha mãe, quando me aparece, sempre me fala que Ele mandaria alguém nos buscar para a nossa casa. E Jesus sempre esteve e está em minhas lembranças como um Protetor Poderoso e Bom, não desaparecido, não longe mas sempre perto, não indiferente aos nossos obstáculos humanos, e sim cada vez mais atuante e mais vivo." Não se pode negar o sentimento de veneração que envolve a nobre figura de Ismael, guia espiritual do Brasil. A responsabilidade que detém, na condição de mentor da Federação Espírita Brasileira suscita, da parte da comunidade espírita nacional, um profundo respeito, aliado a um imenso carinho e uma suave ternura. Certa vez, indagaram a Chico Xavier: - Como se processam os encontros, nas esferas resplandecentes da Espiritualidade, de Emmanuel com Ismael? Qual a postura do admirável Espírito do ex-senador romano, diante da também luminosa entidade a quem confiou Jesus os destinos do Brasil? Resposta do médium, curta, serena e firme: - De joelhos!
BREVES DEPOIMENTOS SOBRE O MÉDIUM CHICO XAVIER :
A bibliografia mediúnica, que foi acrescida à literatura espírita, nestes últimos cinqüenta anos, nascida do lápis de Chico Xavier - e o espaço não nos permite, sequer, considerações ligeiras sobre suas páginas -, é vultosa, considerável. É qualitativamente admirável. Poderíamos, sem dificuldade, num exame sereno e com absoluta isenção, dividir a obra mediúnica, orientada por Emmanuel, igualmente em fases perfeitamente delineadas, dentro de duas grandes divisões: a primeira, provando a sobrevivência e a imortalidade do espírito - 'Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho' - seguida de uma panorâmica da História universal - 'A Caminho da Luz' e de alguns manuais do maior valor: 'Emmanuel, Dissertações Mediúnicas', 'O Consolador', 'Roteiro', etc. Enfim, muitos estudos interessantes e instrutivos virão, a seu tempo. E a obra de Francisco Cândido Xavier, criteriosamente traduzida, estará, tempestivamente, à disposição dos leitores do mundo inteiro, juntamente com a de Allan Kardec e da dos autores que cuidaram dos escritos subsidiários e complementares da Codificação. Mas, enquanto isso, e para que tudo ocorra com a tranqüilidade que se almeja na difusão conscienciosa e responsável da Doutrina dos Espíritos, seria de bom alvitre não perder de vista o fato de que Chico Xavier jamais teria obtido êxito, como instrumento do Alto, se não tivesse seguido a rígida disciplina que lhe foi sugerida por Emmanuel, testemunhando e permanecendo na exemplificação do amor ao próximo e do amor a Deus, vivendo o Evangelho.
Francisco Thiesen Presidente da Federação Espírita Brasileira" (Fonte: "Revista Internacional de Espiritismo", número 6, Ano LII, julho de 1977.) "
"..Não me considero à altura para escrever algo sobre o Chico. Dele, dão testemunho (e que testemunho!) as belas obras que semeou e semeia por esse Brasil afora, com reflexos benéficos em diversas nações do mundo. E quando digo 'obras', refiro-me não só à palavra escrita e falada, como também aos seus exemplos de caridade, de perdão, de fé, de humildade, aos seus diálogos fraternos e frutíferos, enfim, à sua multiforme vivência evangélica junto a pobres e ricos, num trabalho diário de edificação e levantamento de espíritos." "Conheço o Chico há bastante tempo. Nos seus livros mediúnicos encontrei forças, luz e paz, e através de suas cartas pude senti-lo e amá-lo bem no fundo do seu ser. Por várias vezes chorei com suas preocupações e sua dor, vivendo-lhe as graves responsabilidades e lamentando a incompreensão dos homens. Mas sempre orei pedindo ao Senhor que não lhe tirasse o pesado fardo dos ombros e, sim, que o ajudasse a carregá-lo. Graças a Deus, o nosso caro Chico tem vencido todas as dificuldades e todos os óbices do caminho, numa maratona hercúlea que realmente o dignifica aos olhos dos homens e aos olhos do Pai."
(Trechos da carta do Sr. Zêus Wantuil, 3° secretário da Federação Espírita Brasileira, à presidente da União Espírita Mineira) (Fonte: "O Espírita Mineiro", número 172, maio/julho de 1977.)
A PALAVRA DE CHICO XAVIER AO COMPLETAR QUARENTA ANOS DE MEDIUNIDADE :
"Estes quarenta anos de mediunidade passaram para o meu coração como se fossem um sonho bom. Foram quarenta anos de muita alegria, em cujos caminhos, feitos de minutos e de horas, de dias, só encontrei benefícios, felicidades, esperanças, otimismo, encorajamento da parte de todos aqueles que o Senhor me concedeu, dos familiares, irmãos, amigos e companheiros. Quarenta anos de felicidade que agradeço a Deus em vossos corações, porque sinto que Deus me concedeu nos vossos corações, que representam outros muitos corações que estão ausentes de nós. Agora, sinto que Deus me concedeu por vosso intermédio uma vida tocada de alegrias e bênçãos, como eu não poderia receber em nenhum outro setor de trabalho na Humanidade. Beijo-vos, assim, as mãos, os corações. Quanto ao livro, devo dizer que, certa feita, há muitos anos, procurando o contato com o Espírito de nosso benfeitor Emmanuel, ao pé de uma velha represa, na terra que me deu berço na presente encarnação, muitas vezes chegava ao sítio, pela manhã, antes do amanhecer. E quando o dia vinha de novo, fosse com sol, fosse com chuva, lá estava, não muito longe de mim, um pequeno charco. Esse charco, pouco a pouco se encheu de flores, pela misericórdia de Deus, naturalmente. E muitas almas boas, corações queridos, que passavam pelo mesmo caminho em que nós orávamos, colhiam essas flores, e as levavam consigo com transporte de alegria e encantamento. Enquanto que o charco era sempre o mesmo charco. Naturalmente, esperando também pela misericórdia de Deus, para se transformar em terra proveitosa e mais útil. Creio que nesses momentos, em que ouço as palavras desses corações maravilhosos, que usaram o verbo para comentar o aparecimento desses cem livros, agora cento e dois livros, lembro este quadro que nunca me saiu da memória, para declarar-vos que me sinto na condição do charco que, pela misericórdia de Deus, um dia recebeu essas flores que são os livros, e que pertencem muito mais a vós outros do que a mim. Rogo, assim, a todos os companheiros, que me ajudem através da oração, para que a luta natural da vida possa drenar a terra pantanosa que ainda sou, na intimidade do meu coração, para que eu possa um dia servir a Deus, de conformidade com os deveres que a Sua infinita misericórdia me traçou. E peço, então, permissão, em sinal de agradecimento, já que não tenho palavras para exprimir a minha gratidão. Peço-vos, a todos, licença para encerrar a minha palavra despretensiosa, com a oração que Nosso Senhor Jesus Cristo nos legou.
(Fonte: "O Espírita Mineiro", número 137, abril/maio/junho de 1970.)
NA TAREFA MEDIÚNICA :
"Pergunta - Em seu primeiro encontro com Emmanuel, ele enfatizou muito a disciplina. Teria falado algo mais?
Resposta - Depois de haver salientado a disciplina como elemento indispensável a uma boa tarefa mediúnica, ele me disse: 'Temos algo a realizar.' Repliquei de minha parte qual seria esse algo e o benfeitor esclareceu: 'Trinta livros pra começar!' Considerei, então: como avaliar esta informação se somos uma família sem maiores recursos, além do nosso próprio trabalho diário, e a publicação de um livro demanda tanto dinheiro!... Já que meu pai lidava com bilhetes de loteria, eu acrescentei: será que meu pai vai tirar a sorte grande? Emmanuel respondeu: 'Nada, nada disso. A maior sorte grande é a do trabalho com a fé viva na Providência de Deus. Os livros chegarão através de caminhos inesperados!' Algum tempo depois, enviando as poesias de 'Parnaso de Além- Túmulo' para um dos diretores da Federação Espírita Brasileira, tive a grata surpresa de ver o livro aceito e publicado, em 1932. A este livro seguiram-se outros e, em 1947, atingimos a marca dos 30 livros. Ficamos muito contentes e perguntei ao amigo espiritual se a tarefa estava terminada. Ele, então, considerou, sorrindo: 'Agora, começaremos uma nova série de trinta volumes!' Em 1958, indaguei-lhe novamente se o trabalho finalizara. Os 60 livros estavam publicados e eu me encontrava quase de mudança para a cidade de Uberaba, onde cheguei a 5 de janeiro de 1959. O grande benfeitor explicou-me, com paciência: 'Você perguntou, em Pedro Leopoldo, se a nossa tarefa estava completa e quero informar a você que os mentores da Vida Maior, perante os quais devo também estar disciplinado, me advertiram que nos cabe chegar ao limite de cem livros.' Fiquei muito admirado e as tarefas prosseguiram. Quando alcançamos o número de 100 volumes publicados, voltei a consultá-lo sobre o termo de nossos compromissos. Ele esclareceu, com bondade: 'Você não deve pensar em agir e trabalhar com tanta pressa. Agora, estou na obrigação de dizer a você que os mentores da Vida Superior, que nos orientam, expediram certa instrução que determina seja a sua atual reencarnação desapropriada, em benefício da divulgação dos princípios espíritas-cristãos, permanecendo a sua existência, do ponto de vista físico, à disposição das entidades espirituais que possam colaborar na execução das mensagens e livros, enquanto o seu corpo se mostre apto para as nossas atividades.' Muito desapontado, perguntei: então devo trabalhar na recepção de mensagens e livros do mundo espiritual até o fim da minha vida atual? Emmanuel acentuou: 'Sim, não temos outra alternativa!' Naturalmente, impressionado com o que ele dizia, voltei a interrogar: e se eu não quiser, já que a Doutrina Espírita ensina que somos portadores do livre arbítrio para decidir sobre os nossos próprios caminhos? Emmanuel, então, deu um sorriso de benevolência paternal e me cientificou: 'A instrução a que me refiro é semelhante a um decreto de desapropriação, quando lançado por autoridade na Terra. Se você recusar o serviço a que me reporto, segundo creio, os orientadores dessa obra de nos dedicarmos ao Cristianismo Redivivo, de certo que eles terão autoridade bastante para retirar você de seu atual corpo físico!' Quando eu ouvi sua declaração, silenciei para pensar na gravidade do assunto, e continuo trabalhando, sem a menor expectativa de interromper ou dificultar o que passei a chamar de 'Desígnios de Cima."
(Fonte: "O Espírita Mineiro", número 205, abril/junho de 1988.)
CONSIDERAÇÕES FINAIS :
Em 1997, Chico Xavier completou 70 anos de incessante atividade mediúnica, da maior significação espiritual, em prol da Humanidade, abrangendo seus mais diversos segmentos. Até a presente data, outubro de 1997, Francisco Cândido Xavier psicografou mais de 400 (quatrocentas) obras mediúnicas, de centenas de autores espirituais, abarcando os mais diversos e diferentes assuntos, entre poesias, romances, contos, crônicas, história geral e do Brasil, ciência, religião, filosofia, literatura infantil, etc.
Dias e noites têm sido por ele ofertados aos seus semelhantes, com sacrifício da própria saúde. Problemas orgânicos acompanharam-lhe a mocidade e a madureza. Hoje, nos abençoados 87 anos de sua vida corporal, as dificuldades físicas continuam trazendo-lhe problemas. Releva observar que as doenças oculares a as intervenções cirúrgicas jamais o impediram de cumprir, fiel e dignamente, sua missão de amparo aos necessitados. Sua postura é uma só, obedece a uma só diretriz: amor ao próximo, desinteresse ante os bens materiais, preocupação exclusiva e constante com a felicidade do próximo. Ricos e pobres, velhos e crianças, homens e mulheres de todos os níveis sociais têm encontrado, no homem e no médium Chico Xavier, tudo quanto necessitam para o reajuste interior, para o crescimento, em função do conhecimento e da bondade. Francisco Cândido Xavier é um presente do Alto ao século XX, enriquecendo-lhe os valores com a sua vida de exemplar cidadão, com milhares de mensagens psicografias que, em catadupas de paz e luz, amor e esclarecimento, vêm fertilizando o solo planetário, sob a luminar supervisão do Espírito Emmanuel.

terça-feira, 31 de março de 2009

ANTONIO LUIZ SAYÃO

Nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 12 de abril de 1829 e retornou à Espiritualidade no dia 31 de março de 1903, próximo a completar 74 anos de idade
Pioneiríssimo trabalhador do Espiritismo no Rio de Janeiro, quiçá do Brasil, foi um dos fundadores do Grupo dos Humildes, depois Grupo Ismael da Federação Espírita Brasileira, do qual foi diretor. Sayão tornou-se espírita no ano de 1878 e como autêntico trabalhador e colaborador de Jesus e Ismael, começou de imediato nas atividades, destacando-se entre os grandes pioneiros do Espiritismo. Foi o Grupo Ismael, verdadeira fortaleza moral, que levantou o ânimo dos trabalhadores da FEB e conseguiu fazê-la a Casa Máter do Espiritismo no Brasil, arregimentando homens da envergadura moral de Bittencourt Sampaio, Bezerra de Menezes, Ewerton Quadros, Dias da Cruz e tantos outros baluartes da Boa Nova. A vida de Sayão foi um exemplo de amor e trabalho. Escritor, Jornalista, Pregador, dedicado à assistência aos necessitados e itimorato propagador da Doutrina.

31.03.1869 - DESENCARNE DE ALLAN KARDEC



Monsieur Allan Kardec est mort, on l'enterre vendredi(Senhor Allan Kardec morreu, será enterrado Sexta-feira)Paris, 31 de Março de 1869.
Ele morreu esta manhã, entre onze e doze horas, subitamente, ao entregar um número da "Revue" a um caxeiro de livraria que acabava de comprá-lo; curvou-sesobre si mesmo, sem proferir uma única palavra. Estava morto, sózinho em sua casa (rua de Sant'Anna), Kardec punha em ordem livros e papéispara a mudança que se vinha processando e que deveria terminar amanhã. Seu empregado, aos gritos da criada e do caxeiro, correu ao local, ergueu-o... nada,nada mais. Delanne acudiu com toda a presteza, friccionou-o, magnetizou-o, masem vão. Tudo estava acabado...
Precisamente ao meio dia de 2 de abril de 1869, modesto coche funerário, seguidopelos confrades mais íntimos, por todos os membros e médiuns da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, e por uma multidão de amigo e simpatizantes, aotodo, mil a mil e duzentas pessoas punham-se em marcha, rumo ao Cemitério Montmartre, o mais antigo de Paris, onde nova massa popular já se encontravaconcentrada.
[Trechos da Carta enviada pelo Senhor E. Muller, grande amigo de Kardec eAmelie].

domingo, 29 de março de 2009

O DOM DE SERVIR

O dom de servir, no ser humano, é uma das maiores mediunidades da Terra. É uma faculdade, entre os homens, de expressão divina. No fundo, quem serve por amor torna-se um médium dos espíritos mais iluminados, por fazer o ambiente de luz em volta dos seus próprios passos.
A caridade ainda é a âncora de salvação em toda a parte. É o vínculo que prende, por sintonia, todas as almas de escol. A beneficência faz com que o coração se enriqueça da velha alegria, como induz a inteligência a compreender os sentimentos. Todas as religiões nos propõem caminhos semelhantes, a respeito da caridade, sabendo, por inspiração, que somente ela salva as criaturas. O homem compassivo apóia sua paz na tranquilidade da consciência, que verte luz em todas as direções do mundo interior.“Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus.” II Coríntios 9:12
O versículo ao lado transcrito está em perfeita ordem com a lei.
Expõe ao apóstolo que o serviço de assistência não só supre as necessidades dos santos, isto é, que os espíritos elevados se alimentam na prática do bem, sentem felicidade em trabalhar para a coletividade, suprem suas necessidades da falta do ambiente divino. Reencarnados, usam da caridade para lembrar o Céu, mesmo estando na Terra. E prossegue o comentário: mas também redunda em muitas graças a Deus, porquanto o bem que eles fazem aos sofredores, de variados modos, conforta corações, cura chagas e aumenta esperanças, visto que dão muitas graças a Deus pelo bem que recebem das mãos destes missionários. Eis aí: tanto uns quanto outros são agraciados pela luz da caridade em ação entre os homens. Os discípulos do Mestre sentiam essa felicidade de dar, por sentirem a ação do bem que recebiam da parte dos Céus.
A filantropia comunga com o amor, dando nascimento à verdade que libera o espírito da ignorância. O afeto, nas proporções da dignidade, supera os mesquinhos problemas das incompreensões e, na hora certa, esse afeto representa a maior das beneficências de coração para coração, trazendo consigo outras tantas harmonias para a luz do espírito, alvorecendo a esperança como se fosse um verdadeiro sol a iluminar os mundos.
Com muito acerto, já se disse que a caridade é um gênio de mil mãos. Pois ela é muito mais. É um santo de mil pés, é um místico de mil corações, é um matemático de mil cabeças, um cientista de mil raciocínios. A caridade é Deus entre os espíritos, a nos ensinar o dom de servir para chegar até Ele, a sentir as claridades do verdadeiro amor.
O Evangelho do Cristo é a caridade no mundo, porque tem coerência com as leis de Deus. Se assim não fora, não teria conexão com os anjos. Ele nos adverte para o dom excelente de servir com amor, sem exigências, sem maldizer, sem julgar e sem cobiça, traçando roteiros e indicando normas para verdadeira felicidade. Sabes por quê? Lê o que se segue:
“Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus.”
De Lucilações Para a Vida, de João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez.

sábado, 28 de março de 2009

É HOJE


O Prefeito Eduardo Paes participou na manhã desta quarta-feira, dia 28, do lançamento no Brasil da Hora do Planeta, um movimento mundial de combate ao aquecimento global, e anunciou a adesão da Cidade do Rio de Janeiro no evento, promovido pelo World Wildlife Foundation (WWF-Brasil). A solenidade foi realizada no Palácio da Cidade, em Botafogo, e teve a presença de autoridades municipais e federais, representantes do WWF-Brasil, além de artistas e convidados.

O Rio de Janeiro será a primeira cidade brasileira a se engajar nesse ato simbólico que, no dia 28 de março, das 20h30 às 21h30, apagará as luzes de monumentos cariocas como o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, o Parque do Flamengo, o Jockey Club Brasileiro e a orla de Copacabana, que terá a segurança reforçada pela Guarda Municipal e Polícia Militar. A iniciativa contará ainda com a participação da comunidade do Morro Dona Marta, em Botafogo.

Para o Prefeito, o Rio de Janeiro tem um papel fundamental na discussão do tema ambiental e esse ato é o primeiro de uma série de movimentos que a cidade do Rio de Janeiro vai passar a desenvolver, no sentido de recuperar o protagonismo na discussão dessa agenda ambiental urbana.
- A Prefeitura e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estão discutindo o Programa Favela Bairro III, para que sejam feitas mudanças ambientais. Além disso, vamos trabalhar toda a parte de proteção dos Maciços da Pedra Branca e da Tijuca, que são peculiaridades do Rio de Janeiro, para recuperar esse papel de maior floresta urbana do mundo – afirmou.
A Hora do Planeta, que conta com a adesão de empresas, organizações não-governamentais, associações de bairro e pessoas em todo o mundo, tem o objetivo de conscientizar toda a população sobre a importância da adoção de novos hábitos, além de mobilizar a sociedade em torno da luta contra o aquecimento global e as mudanças climáticas. Este ano, a ação espera atingir mais de um bilhão de pessoas, em mil cidades ao redor do mundo.
- No Brasil, resolvemos lançar a campanha pela cidade do Rio de Janeiro, que é o ícone do país. O ato simbólico de apagar as luzes, ao contrário do que muitos podem pensar, não é uma iniciativa para poupar energia, mas uma forma de manifestação para conscientização e adesão a esse programa – explicou Álvaro de Souza, presidente do Conselho Diretor do WWF-Brasil.
O movimento Hora do Planeta, conhecido internacionalmente como Earth Hour, começou em 2007, em Sydney, na Austrália, quando 2,2 milhões de habitações e empresas desligaram as luzes por uma hora. Em 2008, cerca de 100 milhões de pessoas abrangendo 35 países participaram da iniciativa, que incluiu o desligamento das luzes de marcos históricos mundiais como o Coliseu de Roma; a Ponte Golden Gate, em São Francisco; e Opera House de Sydney, entre outros.

sexta-feira, 27 de março de 2009


O ESFORÇO QUE COMPENSA

O esforço constitui uma realidade sempre presente na vida humana.
Sempre que se trata de realizar alguma conquista, ele se faz necessário.
Qualquer que seja a área da atividade, realizações não surgem do nada.
Os atletas que encantam por suas habilidades têm um histórico de treinos exaustivos.
O sucesso no vestibular pressupõe intensa preparação.
Na faculdade, a obtenção do sonhado diploma exige dedicação e renúncias.
A conquista de uma boa situação profissional também requer muito esforço e persistência.
Quem deseja adquirir bens de valor, e não dispõe da quantia necessária, igualmente se dispõe a ingentes sacrifícios.
Muitos multiplicam horas extras, trabalham nos finais de semana ou mantêm dois ou três empregos para melhorar a própria situação financeira.
Mas ninguém considera tais sobrecargas como um mal ou um castigo.As lutas e renúncias envolvidas na conquista do que se almeja são encaradas de forma positiva, por mais desgastantes que se apresentem.
Entende-se que conquistas relevantes pressupõem algum esforço.
É preciso sair da zona de conforto e fazer algumas renúncias para ver os próprios projetos realizados.
Trata-se da tranquila aceitação de um aspecto da lei do mérito que rege o Universo.
Apenas convém ampliar o alcance dessa aceitação.
Urge compreender que o esforço também constitui combustível imprescindível em termos de evolução espiritual.
Sem esforço, o ser permanece como sempre foi.
Para seguir adiante, é preciso empenho.

As conquistas materiais são respeitáveis e correspondem a aspectos importantes da vida humana.
Na luta por títulos acadêmicos, boa situação profissional ou mesmo por bens, a inteligência e a vontade se desenvolvem.
Contudo, por importante que seja o que se logrou obter em termos humanos e materiais, isso inevitavelmente ficará para trás.
Tudo o que é material é passageiro e precário.
Ninguém logrará levar seus títulos e posses no retorno à Pátria espiritual.
Mas os tesouros espirituais, esses jamais se perdem.
Bondade, pureza, amor ao trabalho, honestidade, humildade, paciência e capacidade de perdoar são conquistas imperecíveis.
Quem conseguir incorporá-las em seu ser jamais deixará de possuí-las.
O homem virtuoso leva em seu íntimo um tesouro de paz para onde quer que vá.
Por certo é necessário esforçar-se para ser digno e bondoso, notadamente em um mundo ainda marcado pela corrupção.
Entretanto, esse esforço realmente compensa.
Afinal, ele viabiliza deixar para trás as experiências dolorosas inerentes aos estágios mais primários da evolução.
Pense nisso!

quinta-feira, 26 de março de 2009

O ESPIRITISMO CRISTÃO NA OBRA DA CONFRATERNIZAÇÃO


Queridos Irmãos: nós vos saudamos gostosamente, por esta oportunidade de estreitar mais intimamente os nossos laços afetivos...
E isto devemos a este Congresso.
Plagiando um poeta, nós diríamos:
— Quanto de amor este Congresso encerra?
— Não sei, mas digo o mesmo que outra voz... é um pouquinho do céu por sobre a terra.
E’ um pouquinho de luz por sobre nós.
Bem. Não vamos chorar por isso e pela música dos versos.
Este Congresso nós classificamos profanamente, como o congresso do “bota fogo” do entusiasmo nos “cantos” do Estado “do Rio” de Janeiro!
Sei que o Leopoldo, grande amigo do futebol, discorda e diz conselheiral:
— Congresso do “bota fogo” não, congresso de “fluminenses”... Vá lá que seja... Eu porém não sou daqui, nem de Niterói!
I - Definições fundamentais
Antes do mais, daremos aos termos da tese que nos foi distribuída, uma interpretação básica.
A — Que é espiritismo?
Não cabe aqui provar que o Espiritismo é uma religião — ou a religião, no seu íntegro significado, etimológico ou teologal, cúpula das filosofias, como estas são a cúpula das ciências menores.
Como resultado de nossos estudos sobre ele, chegamos a esta conclusão: o Espiritismo é a religião monoteísta baseada no espírito dos Evangelhos de Jesus Cristo.
Sendo uma religião, monoteísta, o Espiritismo admite um criador do Universo, —inteligência suprema que governa os destinos de sua criação com sabedoria, bondade, justiça e arte.
E por ser religião orientada por uma inteligência criadora de todas as coisas ele não pode apartar-se da filosofia e das ciências por ela supervisionadas.
O espiritismo procura conhecer a criação divina quando a estudo objetivamente pelas ciências; explica o porque da criação quando a interpreta “per altíssimas causas” com a filosofia; sublima a criação quando prega a prática das leis morais que conduzem o homem para a harmonia universal.
B — Que é o espiritismo cristão?
Essa expressão é quase pleonástica. Não entendemos espiritismo que não seja cristão.
Se quisermos porém dar a essa expressão o sentido religioso do espiritismo, achamos que vale como convenção. E sentimos que foi esse o significado atribuído pelo distribuidor das teses.
Sabem os espíritas que por esse sectarismo próprio do homem, há Centros, há Federações e há Pátrias, que secionam um galho da religião e o plantam; e o alimentam, e aguardam que ele cresça como o tronco. Acontece, então, por analogia com a botânica, esse fenômeno: ou o terreno é bom e o galho produzirá os frutos da árvore original; ou o terreno é árido e ele definha e morre.
Daí o dizermos: a França plantou o ramo da Filosofia espírita, a Inglaterra plantou o ramo da Ciência espírita e o Brasil o da Religião espírita.
O tronco original porém é indivisível — é o Espiritismo. Seus frutos deverão ter sempre o mesmo sabor: quando alimentam a ciência, quando impulsionam a filosofia, quando acalentam a religião.
C — Que é confraternização?
Confraternizar quer dizer para nós, aproximar irmãos.
— Que é irmão e quais são os nossos irmãos?
Irmão é o que está ligado a nós como filhos do mesmo Pai. E assim sendo deve compartilhar das nossas alegrias. Deve dividir conosco o seu pão material e espiritual. Deve procurar diminuir as nossas mágoas e as nossas dores. Deve amparar-nos nos nossos erros e reeducar-nos para o bem.
Confraternizar é, pois, sentir que somos todos irmãos; é agir no sentido de tornar a fraternidade universal!
II — O Espiritismo pode fazer a confraternização?
Sentimos que só uma religião que não interpuser barreiras entre as criaturas humanas, poderá tornar real a confraternização. Sejam essas barreiras sociais ou culturais; geográficas ou históricas; econômicas ou espirituais; concretas ou convencionais. E afirmamos:
—O Espiritismo, pode fazer a confraternização, porque:
Primeiro:
— O espiritismo uniu a fé à razão.
As religiões todas do passado e as do presente, viveram agarradas ao princípio de que a fé não pode enfrentar a razão face a face. A fé raciocinada deixaria de ser fé.
Esse principio é, ainda nos tempos atuais, uma das causas maiores do afastamento do homem do seio da religião.
E os que permanecem dentro das religiões evitando que sua fé seja iluminada pela razão, quase sempre o fazem: por temor de um Deus implacável — e é o primitivismo; por ignorância consciente — e é a indolência mental, por displicência — e é uma forma de materialismo; por respeito ao mundo, e é a hipocrisia.
Daí a onda justa dos que vêm na religião o ópio do povo. Daí a maré montante da revolta contra um Criador que cria castas e privilégios. Daí o desprezo pela religião que separa cada vez mais os homens.
Jesus Cristo explicou: Deus falou de sua existência, justiça, bondade, verdade e arte. Ele mesmo se fez a escada para que os homens pudessem ir por ele até o Pai, adquirindo os conhecimentos indispensáveis. Esse Criador nos deu a razão para que a exercitássemos no seu conhecimento. E nenhum caminho mais certo para conhecer um Criador do que conhecendo os frutos de sua criação.
Esse Criador, longe de ser o ditador que usa e abusa de seu poder, manda-nos falar que chegaremos até ele porque somos deuses também.
Dá-nos a liberdade sem peias e convenções, mas a liberdade no seu significado verdadeiro. Liberdade de escolhermos a nossa profissão; a nossa esposa; a atividade material ou espiritual; a pátria; o bem ou o mal.
Sua constituição é eterna sem a mutabilidade convencional dos homens. E’ um código perfeito de leis físicas e leis morais.
As leis físicas são tão perfeitas que Isaac Newton e outros gênios calcularam sobre elas, prevendo fenômenos astronômicos para daqui a milênios, na confiança de sua imutabilidade. Tão perfeitas que o conhecimento parcial do seu minúsculo átomo faz tremer gênios e nações.
As leis morais conduzem os próprios ateístas, que se fazem cobaias da ciência pelo gozo íntimo dessas leis universais do amor. Negam a existência do Criador, mas ambicionam o gozo paradisíaco que as leis morais lhes concedem.
E é assim raciocinando que o Espiritismo aproxima a fé da razão. Ilumina-a com as luzes da razão.
E aproximando e interdependendo Religião e Ciência, ele faz a soldagem dos elos que foram rompidos há milênios, pelos que não puderam ou não quiseram chegar a DEUS através da razão.
Segundo:
—O Espiritismo aproxima todas as religiões.
Por haver decepado um ramo da religião, a humanidade tem vivido a atirá-lo contra os outros ramos. Usou-o sempre como arma branca de destruição e não como origem da árvore do caminho que dá frutos a quem queira colhê-los.
Daí o desvirtuamento do verdadeiro significado da religião.
E elas tem sido a causa maior das lutas e das separações
Para a religião A os que estão fora dela são condenados; para B são bárbaros; para C são demônios... E todos os meios tem sido para saciar a sede de luta, de egoísmo, de interesses do homem, acobertado pela capa do serviço divino.
O Espiritismo vem reformar essa concepção, revivendo claras e luminosas as próprias palavras de Jesus.
Mas se não é dado ao verdadeiro religioso, combater pela violência os que não pensam como ele, não é isto conselho para a inércia ou para a temeridade que leva ao holocausto místico.
Há urna atividade aparentemente defensiva contra a qual esboroam-se todos os ataques.
E’ o “Fora da caridade não há salvação”.
O Espiritismo não é a religião dos que se dizem espíritas, mas sim dos que fazem a caridade, quer com o seu rótulo próprio, quer sob o dístico de justiça social.
Repartir as nossas posses materiais e espirituais com os que tem menos é o lema do Espiritismo, para compensar os erros da humanidade.
E afirma que não cabe a salvação aos seus adeptos, mas àqueles que já sentem no coração o amor fraternal.
O Espiritismo não poderá repetir os crimes do passado, porque vê em todas as criaturas o mesmo irmão cuja religiosidade ou irreligiosidade, nada diz do seu valor moral. E afirma: o homem vale pela pureza de seus atos de amor.
Terceiro:
—O Espiritismo prepara a união do poder temporal ao espiritual.
Outro grave erro de todas as religiões foi o querer impor a idéia de Deus assenhoreando-se do poder temporal.
O espiritismo vê o erro político mas não o estimula nem lança os mais errados contra os menos errados . Mostra com a ação, como se pode dar todo bem estar verdadeiro ao povo.
A felicidade foi sempre o sonho de todos os homens. Mas a felicidade conquistada sob o aspecto sectarista levou o homem à pior das infelicidades que é o enfado da posse de uma falsa felicidade.
Para o sensual a felicidade e a conquista da carne; para o glutão é a mesa farta: para o artista é o êxtase do belo.
A humanidade não quis compreender ainda, que há dois planos distintos que se completam e se subordinam: o material e o espiritual. E para melhor satisfação de apetites viciosos os tem separado de tal modo que um permanece “alto de mais em cima”, e o outro, “baixo de mais em baixo”.
Se há dois campos de atividades para o composto humano — alma e corpo — cumpre compreender seus misteres.
Cabe à política o dever de bem governar os interesses materiais dos vivos e estimular as suas tendências artísticas e intelectuais.
Cabe à religião apoiar as medidas acertadas dos políticos e compensar de todos os modos os seus erros.
O Espiritismo, sabendo que o poder temporal confundir-se-á com o espiritual um dia —pois seremos um só rebanho com um só pastor — completa a tarefa da política: educa os homens para as conquistas espirituais; cuida da matéria amparando com suas obras sociais aqueles que são os esquecidos do poder temporal.
—E porque o Espiritismo não precipita essa união dos poderes temporal e espiritual?
—Porquê sabe que não se constroem patrias felizes com povos maus e incultos. Não há um órgão perfeito quando suas células são doentias — é o chavão clássico
Que os políticos lutem pelo poder temporal. Encontrarão sempre no Espiritismo um complemento de seu trabalho.
O Espiritismo continuará sempre a amparar os velhos; a dar morada às viúvas; a alimentar as crianças; a curar os enfermos.
Continuará sempre a educar os criminosos; a iluminar os jovens; a alfabetizar as crianças e também a pedir bênçãos e forças morais para os governantes.
A política pois, quando arte ou ciência de bem governar os povos, ou não, terá no Espiritismo um complemento amigo e fraterno para suas atividades.
Quarto:
— O Espiritismo envolve no mesmo amplexo todas as raças, povos, culturas, sexos e idades.
Seria alongar com argumentos uma premissa desta tese cujos fatos confirmam com mais força.
A humanidade periodicamente, luta por ideais que pairam acima das inteligências e corações, como um velocino de ouro.
Foi na revolução francesa o lema — igualdade, liberdade e fraternidade.
Foi na guerra última o sonho das quatro liberdades.
Não entraremos em análises das cinzas desses ideais. Relembraremos frases sínteses como esta: “Liberdade, liberdade, quantos crimes se cometem à sombra do teu nome”.
Morreu Roosevelt e com ele a força moral das quatro liberdades.
Entretanto, sem grandes revoluções e sem grandes guerras, mas em pequenos Centros e em pequenas e humildes criaturas, o Espiritismo vai executando os programas símbolos que outros furtam parcialmente aos Evangelhos de Jesus Cristo.
O Espiritismo não tem orientação internacional, nem municipal. . . Os Centros vivem no gozo de absoluta liberdade. E não é só: os seus adeptos interpretam os Evangelhos de Jesus do seu modo, à sua maneira: quando sinceros recebem iluminação; quando hipócritas, passam como o fogo fátuo. E no gozo de tanta liberdade, a ponto de lutarem em campo limpo federações contra ligas, semanas espíritas contra congressos espíritas; Centros contra tendas, adeptos contra adeptos, eles, no fundo, sentem de comum, as bases fundamentais dos Evangelhos de Jesus.
Mas se a liberdade nossa é já uma conquista que em outra qualquer organização seria o escândalo e a guerra até, a igualdade é ação contínua entre nós.
Nas nossas noites de estudo lá estão em cadeiras estofadas ou em bancos rústicos, letrados e analfabetos, pretos e brancos, velhos e crianças, homens e mulheres, almas corruptas e almas ingênuas...
Para qualquer estranho, as nossas palavras seriam figuras de retórica. Que venham, vejam e acreditarão.
RESUMINDO:
O Espiritismo pode fazer a confraternização universal porque já uniu praticamente uma parcela da humanidade, como reuniu sob um mesmo símbolo todas as idéias e concepções, firmado nos evangelhos de Jesus.

III — SE O ESPIRITISMO E’ PORTANTO A DOUTRINA CAPAZ DE REALIZAR A CONFRATERNIZAÇÃO, QUAIS OS DEVERES DOS ESPÍRITAS?
O Espiritismo enlaçando a fé e a razão; unindo pela caridade, religiosos e irreligiosos; ligando pela finalidade social os poderes temporal e espiritual; reunindo como irmãos todos os seres divinos, ele é, no momento, o campo de atividade da confraternização verdadeira.
E o plano de ação que concluímos, está assim delineado:
1.0 — Abrir escolas nos Centros e fora deles, para, difundindo a instrução, permitir à criança o uso consciente das leis divinas e, difundindo as lições de moral, permitir à criança caminhar sabiamente para a verdadeira felicidade.
2.0 — Fundar Juventudes Espíritas para que o entusiasmo dos jovens, seja guiado no caminho útil do esforço em comum e as suas dúvidas sejam esclarecidas sem o sectarismo que apaixona e logo desilude.
3.0 — Fundar orfanatos — verdadeiros lares de Jesus — onde a criança sem apoio material e moral, receba pão para o corpo e para oespírito. E à luz do Espiritismo compreenda o porque da sua situação. Só assim eliminaremos, com a educação desde o berço, os viciados e revoltados das sociedades futuras.
4.0 - Pregar com mais intensidade e vigor — dos Centros aos cárceres — conduzindo no coração os Evangelhos de Jesus, ao lado, os livros de ciência, os raciocínios das filosofias e os atos das outras religiões, para poder tirar conclusões com segurança e poder penetrar nas almas pelo cérebro e pelo coração.
5.0 — Fortalecer os nossos lares, fazendo realmente deles um lar espírita. Serão assim a fonte de retaguarda das nossas energias físicas e morais. Pois é com as forças neles auridas que as nossas conquistas espirituais confirmar-se-ão.
6.0 — Evitar cristãmente que as nossas rivalidades personalistas atrasem o progresso da doutrina. O escândalo que sai de nossos lábios é que faz o grande mal. Que o silêncio seja o refúgio nosso, quando tivermos a paz de consciência ou quando formos moralmente covardes para solucionarmos nossas incompatibilidades pessoais, com a sinceridade fraterna pregada por Jesus.
Criticar sempre, mas a sós e construtivamente, como aconselha o Cristo.
7.0 — Zelar, segundo a segundo, pelos nossos pensamentos, palavras e atos em todos os ambientes, pois a pregação pelo exemplo é a única real e capaz de fazer conversões.
E para finalizar, queridíssimos irmãos, nós sintetizamos assim, a nossa colaboração:
A pregação pelo exemplo é a base primeira da obra de confraternização do Espiritismo de Jesus!
Nova Iguaçu, 4 de Agosto de 1946. - Prof. Newton Gonçalves de Barros.
Fonte: A Voz dos Espíritos – setembro e outubro, 1946

quarta-feira, 25 de março de 2009

NOS SERVIÇOS DE SALVAÇÃO


NOS SERVIÇOS DE SALVAÇÃO

Bezerra de Menezes

Não peça auxílio exclusivo para as suas necessidades.
Trabalhe a benefício de todos.
Não busque compensação julgando-se favorito da divindade Valorize o serviço de seus irmãos.
Não perca o seu tempo em lamentações infindáveis. Você pode despender as horas com grande utilidade para os outros e para você mesmo.
Não se detenha na glorificação dos próprios atos. Há muita gente praticando o bem nos caminhos da vida, sem oportunidade de propaganda.
Não fixe as cicatrizes do próximo, destacando as bênçãos que lhe cercam a estrada. A experiência humana modifica-se de minuto a minuto.
Não se demore na excessiva indicação do caminho certo aos pés alheios. Lembre-se de que você será também obrigado a marchar para os testemunhos.
Não espere pela cooperação estranha no trabalho salvacionista. A expectativa inoperante no bem avizinha-se da preguiça.
Não intoxique o seu corpo com as aplicações indiscriminadas de substância medicamentosa. Equilibre seu espírito para que a causa iluminada produza efeito felizes.
Não revele os defeitos alheios para acobertar as próprias faltas. A Eterna Justiça conhece-nos a todos de perto.
Não gaste impensadamente os seus dias na pregação desesperada de princípios renovadores, que você mesmo tem dificuldade de abraçar. Corrijamos em nós o que nos aborrece nos outros e Jesus fará o resto pela felicidade do mundo inteiro.
Bezerra de Menezes
Extraído do livro "Cartas do Coração" - Francisco C. Xavier

domingo, 22 de março de 2009

A VERDADEIRA FACE DO ABORTO NO MUNDO


Tema, sem dúvida, delicado, o aborto deve ganhar este ano mais evidência na pauta de debates, sobretudo por conta do fim da restrição, pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, às verbas para incentivo a essa prática em nível mundial. A decisão do novo presidente, aliás, causou espanto, e tristeza, nos grupos pró-vida.
“Quando acordamos todas as manhãs diante de uma crise financeira que se aprofunda, é um insulto ao povo norte-americano resgatar a indústria do aborto” – disse Charmaine Yoest, que preside a entidade Americanos Unidos pela Vida.
Não é de hoje que o aborto preocupa os defensores da vida em solo norte-americano.
Num país que gasta, por ano, mais de 400 milhões de dólares com a chamada “assistência ao planejamento familiar no exterior”, fazem refletir as estatísticas sobre interrupção da gravidez no próprio solo.
Desde que o aborto até o nono mês de gestação foi legalizado no país, em 1973, seus números cresceram assustadoramente. Só naquele ano foram provocados 600 mil abortos e, em 1989, se alcançava a espantosa marca de cerca de um milhão e 400 mil abortos. Atualmente, acontecem de 800 a 900 mil abortos nos Estados Unidos, números ainda elevados se comparados com os 200 mil contabilizados em 1970, quando foi permitida a prática até o quinto mês de gestação, em Nova York, sendo também liberada em outras partes do país, até o terceiro mês de gravidez (fonte: www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/ss5103a1.htm#fig1).
Apesar disso, os grupos pró-aborto continuam ganhando espaço em todos os países à custa de discursos e estatísticas questionáveis, estatísticas essas não raro apresentadas por grupos afins. Em Portugal, em 2007, por ocasião de um plebiscito para saber a opinião do povo sobre o tema, campanhas chegaram a afirmar que “não haveria qualquer relação entre o aumento no número de abortos e sua legalização e que na maior parte dos países que despenalizaram a sua prática o número de abortos havia diminuído”. Por artifícios como este, o aborto acabou legalizado no país naquele mesmo ano. Em pouco mais de um ano, porém, a verdade se fez sentir.
“Estamos a matar a geração do futuro. São 18 mil bebês, projetos de vida que foram cortados à nascença e que fazem falta hoje” – denunciou Luís Botelho Ribeiro, um dos promotores de uma petição com 4.500 assinaturas entregue em janeiro ao presidente da Assembleia da República e à presidente da Comissão Parlamentar de Saúde de Portugal, pedindo a revogação da Lei do Aborto, que já está custando aos cofres públicos 25 milhões de euros ao ano. Ribeiro também chama a atenção para o envelhecimento populacional no país, onde “se começa a viver um inverno demográfico, com menos de 230 mil alunos no ensino secundário público e menos de 4.056 escolas em apenas dez anos”.
Recente levantamento do grupo Situação da Defesa da Vida (sdv@pesquisadedocumentos.com), mostra que a maior taxa de abortos se encontra nos países da ex-União Soviética, que, na década de 20, num ato inédito, legalizou a prática. A estimativa é de que cada mulher naquela parte do mundo pratique em média seis abortos ao longo da vida, tendo, inclusive, se tornado este o principal método de controle da natalidade e planejamento familiar da Europa Oriental durante os últimos 50 anos (fonte: www.cimac.org.mx/noticias/01sep/01091007.html). Só para se ter uma ideia, na Rússia, país que lidera o ranking de interrupções voluntárias da gravidez, no ano de 2005, a quantidade de abortos – 1 milhão e 800 mil – superou a de nascimentos – 1 milhão e 500mil. “Se isso continuar, a sobrevivência da nação estará ameaçada” – advertiu o presidente russo, Vladmir Putin, no seu primeiro pronunciamento à nação.
Na Espanha, estudo do Conselho Superior de Investigações Científicas apontou um aumento progressivo de abortos nos últimos 20 anos. “Mais de um terço de todas as gestações de jovens espanholas termina com estas práticas” – revelou a autora do estudo, Margarita Delgado (www. vidahumana.org/news/espana_julio98.html). Acredita-se que em 2006 na Espanha houve quase 100 mil abortos.
E o crescimento vertiginoso no número de abortos se verifica igualmente nos demais países em que sua prática foi legalizada, como Nova Zelândia, Inglaterra e Austrália.
Na América Latina, que engloba 21 países do continente americano, a questão também preocupa. Em Cuba, onde a interrupção voluntária da gravidez é legal desde a revolução comunista de 1959, a cada cem mulheres grávidas, com idades de 12 a 49 anos, 37 abortaram. Se isso continuar, a bela ilha de Cuba enfrentará um sério problema, pois em 2025 um em cada quatro dos seus habitantes terá mais de 60 anos, agravando a falta de mão-de-obra e os custos da assistência social e médica, que lá é gratuita.
No Brasil, a pressão pela legalização está se intensificando, embora 76% da população tenha revelado, numa enquete de 2008 da Agência Câmara, ser contrária à prática. Ainda assim, continuam as investidas de grupos que usam como principal argumento o direito da mulher sobre o próprio corpo, como se o ser em formação não tivesse também direitos. E a pressão desses grupos tem sido tanta que até mesmo dois deputados contrários ao aborto estão sob ameaça de expulsão do partido a que são filiados.
Outro impulsionador do aborto em escala mundial, o que já não é mais segredo para ninguém, é a questão monetária. Hoje há redes inteiras de clínicas e até o comércio de fetos para fins científicos e estéticos, como denunciaram os jornalistas ingleses Michel Litchfiel e Susan Kentish em seu livro “Babies for Burning” (“Bebês para queimar”, editado pela Serpentine Press, de Londres). Essa obra, que expõe o comércio de fetos, contém chocantes narrativas de desumanidade e foi comentada por Carlos Heitor Cony no jornal “Folha de S.Paulo”, de 11 de abril de 2008, no artigo “Uma história repugnante”, depois reproduzido pela Academia Brasileira de Letras (www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=7208&sid=606).
Todos esses fatos servem de alerta à sociedade em geral, para que fique atenta, se informe e participe mais dos debates sobre o aborto. E também às instituições espíritas, para que voltem seus esforços um tanto mais, sobretudo neste ano, à questão do aborto, a fim de que não se corra o risco de acontecer no Brasil o que, infelizmente, se observa hoje em outras partes do mundo.
Fonte SEI2136

sábado, 21 de março de 2009

INFERNO ANTES


Reportar-se muita gente ao inferno, além do sepulcro, no entanto, é imperioso lembrar o inferno que nós mesmos criamos antes do berço.
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Em verdade, se somos individualmente examinados depois do túmulo, não será lícito esquecer que a Justiça Divina nos observa igualmente em nossa expressão grupal.
Dessa forma, nas linhas da experiência doméstica, no campo da luta humana, quase sempre enxameiam, junto aos espíritos encarnados, aquelas almas desprevenidas que com eles se acumpliciaram na delinqüência e que, em lhes precedendo os passos na viagem da morte, não se fizeram ausentes.
E o tempo, o juiz que premia méritos e retifica defeitos, reúne nas telas da vida espiritual antigos companheiros de viciação e de ignorância, investindo cada um na parcela de sofrimento, indispensável à precisa reparação.
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Renteando com a morada terrena, dolorosos processos de purgação e acrisolamento aglutinam os seres imprevidentes que, tomados de aflição e loucura, suplicam a bênção da volta à carne, para o trabalho do recomeço.
Diante disso, o mesmo tempo, em nome de Deus, confere de novo aos desertores do bem a suspirada ocasião para o reajuste, orientando-lhes o retorno através de reaproximações gradativas.
Desse modo, pais e filhos, cônjuges e parentes, superiores e subalternos, irmãos e amigos renascem, uns ao lado dos outros, na hora justa, cada qual suportando o quinhão de dor regenerativa que lhes é adjudicado.
E enfermidades e provas, separações e amarguras, mutilações e desastres, aleijões e infortúnios surgem, portas adentro das instituições e dos lares, tanto quanto nos elos da consangüidade e nos laços afetivos.
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Fruto do passado delituoso a expiação pede a todos serenidade e renúncia para que o horizonte se aclare na recomposição do destino.
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Saibamos render culto constante ao amor fraterno, auxiliando sem paga, porque somente construindo alegria dos outros é que edificaremos o caminho ditoso que nos liberte, enfim, das algemas da sombra para a bênção da luz.
Emmanuel
Livro: “Vida em Vida” Psicografia: “Francisco Cândido Xavier” Espíritos Diversos