sexta-feira, 19 de março de 2010

CREMAÇÃO DE CADÁVERES



O Espiritismo não proíbe a cremação de cadáveres, mesmo porque nada é proibitivo no Espiritismo, pois é uma Doutrina de liberdade mas, antes de tudo, uma Doutrina da conscientização. Recomenda, todavia, muita cautela para aqueles que venham adotar o procedimento da cremação de cadáveres, em substituição a inumação (sepultamento), pelos motivos que vamos expor.

O Perispírito

Nosso corpo material, que é energia densificada, se liga ao Espírito, Ser Inteligente de essência sublimada, através do perispírito elemento mediador entre os dois corpos de naturezas extremamente diferentes. O perispírito é um envoltório semi-material do Espírito, constituído de substância etérea e sutil, mais fluídica do que material, sendo que esta parte material é muito menos densa do que a matéria do corpo de carne.

Para dar vida ao corpo carnal, o perispírito se liga a ele, célula a célula, elemento a elemento, como se existissem feixes de fios fluídicos, estabelecendo a conexão celular material com o Espírito. É assim que tudo o que se passa no corpo material, o Espírito toma conhecimento através da ligação existente e, no sentido inverso, todas as decisões, ordens, desejos, vontades e até mesmo todos os sentimentos do Espírito chegam à estrutura celular ou nela se refletem, através do mesmo canal fluídico.

Quando, por exemplo, cortamos acidentalmente um dedo, as células danificadas, desestruturadas, comunicam ao Espírito o traumatismo ocorrido e o Espírito sente, como conseqüência, a dor, pois não é a matéria que sente dor e sim o Espírito. Inversamente, quando o Espírito delibera, por exemplo, erguer o braço direito do corpo material, este obedece a ordem e se levanta, porque as instruções emitidas pelo Espírito(esta é a sua vontade), são repassadas às células nervosas do cérebro material que simplesmente obedecem, transmitindo o desejo do Espírito de levantar o braço direito, neste caso. O cérebro funciona aqui como mero receptor da ordem do Espírito e aciona a rede nervosa que atinge o órgão envolvido que é o braço direito.

Igualmente, pelo mesmo conduto fluídico o Espírito extravasa, também, para o corpo carnal, todos os seus sentimentos, bons ou maus: sentimentos de alegria ou tristeza, serenidade ou angústia, amor ou ódio e muitos outros, que irão revitalizar as células materiais ou produzir nelas distúrbios que podem se complicar, causando mal-estar e até doenças.

A Morte

O fenômeno da morte nada mais é do que o desligamento de todos os fios fluídicos do perispírito, liberando o Espírito do cárcere material. Uma vez ocorrido tal desligamento no processo da morte, o Espírito não mais pode voltar a animar aquele que foi o seu veículo de carne.

A Força do Pensamento

Se com a morte, como vimos, o Espírito está totalmente desconectado do corpo material, poderíamos concluir, de imediato, que tudo o que fosse feito com o cadáver, não deveria atingir o Espírito, por falta de ligações reais. Assim, poderíamos cremar o cadáver ou esquartejá-lo, retalhá-lo, fornecê-lo às feras famintas que o Espírito não teria condições de sentir dor alguma. Mas as coisas podem não ser bem assim, porque o Espírito, mesmo liberto da matéria, continua a pensar e a ter desejos e sentimentos.

No Evangelho de Mateus(Capítulo VI Versículo 21), disse-nos Jesus que Onde Estiver o Nosso Tesouro Aí Estará Também o Nosso Coração.

Podemos dizer, neste caso, que o nosso corpo carnal seria o nosso tesouro e o coração, o nosso pensamento, o nosso sentimento. Para as criaturas ainda não totalmente espiritualizadas, que viveram na Terra muito apegadas aos bens materiais, inclusive ao próprio corpo carnal, a morte não impede que o pensamento do Espírito esteja concentrado no seu cadáver, até mesmo por uma espécie de saudade, devido o recente acontecimento do decesso e por se reconhecer, daquele momento em diante, impedido de usufruir de um instrumento carnal para fazer as coisas que estava acostumado a fazer. Se isto acontecer, e acontece com freqüência, o Espírito fica como que algemado à carne que vestiu na Terra, presenciando, de forma angustiante, as labaredas a queimar as suas vísceras, durante a cremação, porque, como sabiamente disse Jesus, o seu tesouro está ali, no corpo carnal, sendo destruído pelo fogo, em poucos minutos, bruscamente.

Como sabemos, Espíritos muito adiantados, altamente espiritualizados, existem reencarnados na Terra, mas são raros. Aqui se encontram executando missões específicas, para ajudar a Humanidade a acelerar o seu progresso evolutivo, em diferentes áreas do conhecimento. Com a morte, os corpos materiais desses Espíritos, podem ser cremados, porque em nada afetará a sua sensibilidade, visto que vivem mais ligados à Espiritualidade do que à própria matéria. Não é o que se passa com a esmagadora maioria, da qual fazemos parte, pois somos Espíritos em processo evolutivo, mas muito fragilizados pelo acúmulo de imperfeições e, nestas condições, o campo material ainda nos impressiona fortemente, sensibilizando-nos de forma muito acentuada, mesmo para os que são espíritas ou se dizem espíritas. Há sempre alguma circunstância maior ou menor, que nos prende à matéria. Nestes casos, as labaredas da cremação podem chamuscar os Espíritos que se ressentirão do evento, para eles dramático.

Algo semelhante acontece quando nas sessões mediúnicas recebemos um Espírito sofredor como, por exemplo, um Espírito que desencarnou através do assassinato, com um tiro no coração. Ele se aproxima do médium sentindo ainda as dores no coração provocadas pelo tiro que o vitimou e repassa para o médium, de forma amenizada, aquelas dores. Como ele já desencarnou, não mais possui coração e, portanto, não deveria estar sentindo dor alguma. Mas o quadro da sua desencarnação foi muito traumatizante, fazendo com que o Espírito conserve, por muito tempo, o seu pensamento fixo, concentrado, naquele acontecimento, e é por isso que ele sofre.

Nos casos em que o cadáver não é cremado e sim sepultado, o Espírito, por estar muito apegado à matéria, pode ficar no cemitério, próximo à sua sepultura, assistindo também, desesperado, a decomposição gradativa do seu corpo, sentindo mesmo os vermes corroerem a sua carne e com isso sofrendo muito. Há, porém, uma diferença capital entre a cremação e a inumação. Na cremação tudo se processa rapidamente, em poucos minutos e no sepultamento a decomposição do cadáver é lenta, oferecendo oportunidade para que o Espírito possa ser devidamente socorrido, orientado e esclarecido, no sentido de desviar, aos poucos, o seu pensamento para outras coisas importantes.

O Irmão X nos adverte de que a atitude crematória é um tanto precipitada, podendo vir a ter conseqüências desagradáveis para o Espírito desencarnante: ... morrer não é libertar-se facilmente. Para quem varou a existência na Terra entre abstinências e sacrifícios, a arte de dizer adeus é alguma coisa da felicidade ansiosamente saboreada pelo Espírito, mas para o comum dos mortais, afeitos aos comes e bebes de cada dia, para os senhores da posse física, para os campeões do conforto material e para os exemplares felizes do prazer humano, na mocidade ou na madureza, a cadaverização não é serviço de algumas horas. Demanda tempo, esforço, auxílio e boa vontade. Eis porque, se pudéssemos, pediríamos tempo para os mortos. Se a lei divina fornece um prazo de nove meses para que a alma possa nascer ou renascer no mundo com a dignidade necessária, e se a legislação humana já favorece os empregados com o benefício do aviso prévio, por que razão o morto deve ser reduzido a cinza com a carne ainda quente?

Leon Denis na obra O Problema do Ser, do Destino e da Dor, comenta que, ao consultar os Espíritos sobre a cremação de corpos, concluiu que em tese geral, a cremação provoca desprendimento mais rápido, mas brusco e violento, doloroso mesmo para a alma apegada à Terra por seus hábitos, gostos e paixões. É necessário certo arrebatamento psíquico, certo desapego antecipado dos laços materiais, para sofrer sem dilaceração a operação crematória. É o que se dá com a maior parte dos orientais, entre os quais está em uso a cremação. Em nossos países do Ocidente, em que o homem psíquico está pouco desenvolvido, pouco preparado para a morte, a inumação deve ser preferida, posto que por vezes dê origem a erros deploráveis, por exemplo, o enterramento de pessoas em estado de letargia. Deve ser preferida, porque permite aos indivíduos apegados à matéria que o Espírito lhes saia lenta e gradualmente do corpo; mas, precisa ser rodeada de grandes precauções. As inumações são, entre nós, feitas com muita precipitação.

Emmanuel, em O Consolador, questão 151, opina: Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o tônus vital, nas primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material.

Fonte: Site O Mensageiro em 01/11/2005 - www.omensageiro.com.br

quinta-feira, 18 de março de 2010

JORNADA PERQUIRIDORA

Com a alma repleta de angústias e desolações, anseios frustrados e expectativas ansiosas, caminha o homem há milênios pela metrópole da fantasia, atravessando ruas decadentes e praças desertas. Seus passos são céleres, embora tenha os ombros curvados ao peso de enormes ambições.

Desloca-se sem descanso de um minuto sequer, no sonho de ser feliz sem amor e, na marcha infatigável, um dia cruza o beco escuro do túmulo, que transpõe para se surpreender perdido na misteriosa cidade do Além, onde continua correndo atrás de algo que não encontrará fora de si mesmo, até ser trazido de volta à esfera material, por via da reencarnação, a fim de dar começo a uma nova jornada perquiridora ...

Eis o drama da existência humana, no palco dos séculos que rolam na esteira movediça do tempo, como gotas d'água escorrendo por uma folha verde de esperança, presa à árvore da eternidade.

Bertrand Russell, filósofo respeitado como ardoroso humanista mas também ateu consumado, em sua obra A Conquista da Felicidade (Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1996), depois de desenhar o retrato do homem ditoso, conclui o capítulo final com as seguintes palavras:

"Tal homem se sente cidadão do universo, desfrutando do espetáculo que o mundo oferece e das alegrias que este proporciona, indiferente à idéia da morte, pois que não se sente, realmente, separado daqueles que virão dele. É nessa união profunda e instintiva com o fluxo da vida que se encontra a maior alegria. "

Quanta ingenuidade!

É justamente essa fuga à idéia da morte, determinante do desejo único de usufruir dos prazeres deste mundo, que torna o homem desventurado.

Enquanto ele não descobrir sua sobrevivência ao fim do corpo fisico, colocando conseqüentemente a maior satisfação nos valores espirituais, permanecerá peregrinando por províncias ilusórias pavimentadas de dor, sempre apressado e nunca chegando, em definitivo, a lugar nenhum.

O problema da felicidade, que aflige o ser humano desde as eras mais remotas, tem inumeráveis equações formuladas por pensadores materialistas modernos, de Russell à Sartre, mas todas elas são impotentes para enxugar uma só lágrima de quem acompanha o enterro de um ente querido ...

Apenas a crença em Deus, na imortalidade da alma e na supremacia do Bem sobre o Mal, pilastras sustentadoras da teoria socrática, platônica, cristã e Kardecista, livrará o homem do infortúnio. E enquanto ele não absorver esta verdade profundamente, em todas as fibras da sua inteligência e do seu coração, através de uma fé raciocinada, estará sem preparo para compreender, sentir e pôr em prática a autêntica moralidade espiritista.

Por enquanto temos de nos contentar com o falso entendimento dos princípios éticos da nossa doutrina, porém isso não significa que não devemos contribuir para uma nova compreensão da moral espírita. Devemos, sim, até porque, se não formos úteis aos místicos e intelectualistas, pelo menos prestigiaremos os legítimos irmãos de crença.

Quem são eles?

Podemos identificá-los, conferindo-lhes o título de verdadeiros espíritas, utilizando a imagem de que se valeu Francis Bacon, em sua magistral obra Novum Organum, onde, no aforismo XCV sobre a interpretação da natureza e o reino do homem, são mencionadas as formigas, as aranhas e as abelhas para representar as três categorias de seguidores de qualquer filosofia.

Em nosso movimento as formigas são os companheiros entregues ao misticismo, que trabalham muito com fervor e disciplina, acumulando provisões de fé das quais se nutrem alheios às conquistas da inteligência.

As aranhas são os confrades adeptos do intelectualismo, que pensam muito e quase nada fazem, armazenando vastos conhecimentos nos quais se comprazem indiferentes à melhoria do coração.

As abelhas são os que trabalham e pensam equilibrada e proveitosamente (para si e para os outros).

Os místicos - não sejamos radicais - têm o seu mérito, porém cometem o erro de se satisfazer com as migalhas bíblicas que carregam para debaixo da terra de seus devaneios, não se preocupando com mais nada e com mais ninguém.

Os intelectualistas também possuem o seu mérito, porque estudam, mas subindo ao teto do edifício doutrinário cometem o erro de engendrar uma teia de idéias que só interessa a eles próprios e se rompe à menor pressão do princípio da caridade.

Tanto uns como os outros, semelhantemente às formigas e aranhas, desprezam o bem em geral, produzindo apenas para eles mesmos. Os verdadeiros espíritas, como as abelhas, metabolizando a cultura da inteligência e a bondade do coração fabricam mel do amor esclarecido que partilham com os semelhantes. (Já escrevemos isso na revista Reformador)

Estes últimos espíritas devemos valorizar, e o único modo de fazê-lo é a dissertação sobre a moral espírita com lucidez Kardequiana.

Foi o que tentamos nesta brochura, cujo reduzido número de páginas é proposital, tendo em vista a conveniência de manter tanto quanto possível sua feição popular, inclusive tornando-a leve para ser vendida a preço barato, acessível aos pobres cada vez mais deslembrados dentro do movimento espírita brasileiro, no qual começa a aparecer o elitismo e já se cobra ingresso para o discurso doutrinário de oradores visitantes.

Nazareno Tourinho - Críticas e Reflexões em torno da Moral Espírita

quarta-feira, 17 de março de 2010

A JUSTIÇA NA ESPIRITUALIDADE

Segundo declara o Espírito André Luiz em Evolução em Dois Mundos, a justiça no Mundo Espiritual funciona com muito maior segurança que na Terra, uma vez que a própria consciência do indivíduo exerce grande influência no mecanismo da reencarnação. Além disso, Espíritos conhecedores dos diversos ramos do Direito, das Ciências Sociais, Psicologia etc integram tribunais, onde, dignos e imparciais, examinam as responsabilidades de cada um. E não só delinquentes se submetem a esse júri, mas, também, trabalhadores das Colônias Espirituais que se deixam arrastar por tendências inferiores e sentimentos inconfessáveis. Afirma ele que...

Há delinquentes tanto no plano terrestre quanto no plano espiritual, e, em razão disso, não apenas os homens recentemente desencarnados são entregues a julgamento específico, sempre que necessário, mas também as entidades desencarnadas que, no cumprimento de determinadas tarefas, se deixam, muitas vezes, arrastar por paixões e caprichos inconfessáveis. (Evolução em Dois Mundos, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira).

Estes constituem a escória espiritual a que se referiu Allan Kardec. O julgamento será mais ou menos sumário, segundo o grau evolutivo dos culpados; quanto maior o adiantamento moral do réu, mais complexa a análise da culpa.

Enfim de acordo com as informações dos Espíritos errantes, no Mundo Extrafísico existe uma espécie de sistema jurídico que rege as atividades das Colônias, em bases semelhantes ao instituído pelos homens, tendo, porém, por lema o Amor.

1 - Código Penal da Vida Futura

Allan Kardec, no capítulo VII, do livro O Céu e o Inferno, trata sobre o Código Penal da Vida Futura, composto de 33 artigos, baseados na Lei de Causa e Efeito, dos quais transcrevemos os seguintes:
Art. 8-Sendo infinita a justiça de Deus, o Bem e o Mal são rigorosamente considerados, não havendo uma só ação, um só pensamento mau que não tenha consequências fatais, como não há uma única ação meritória, um bom movimento da alma que se perca, mesmo para os mais perversos, por isso que constituem essas ações um começo de progresso.

Art. 10-O Espírito sofre, quer no mundo corporal, quer no espiritual, a consequência das próprias imperfeições. As misérias, as vicissitudes padecidas na vida corpórea, são oriundas das nossas imperfeições, são expiações de faltas cometidas na presente ou em precedentes existências.

Art. 12-Não há regra absoluta nem uniforme quanto à natureza e duração do castigo: a única lei geral é que, segundo o seu valor, toda falta terá punição, bem como recompensa todo ato meritório.

Art. 14-A duração do castigo depende da melhoria do Espírito culpado.
Nenhuma condenação por tempo determinado lhe é prescrita. O que Deus exige por termo de sofrimento é um melhoramento sério, efetivo, sincero, de volta ao Bem.
Desta maneira, o Espírito é sempre o árbitro do próprio destino, podendo prolongar os sofrimentos pela pertinácia no Mal ou suavizá-los e anulá-los pela prática do Bem.

Art. 16 - O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação.
Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito, destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação.

Nos 33 artigos, Allan Kardec resume os problemas mais frequentes que atingem os Espíritos por implicação da Lei de Causa e Efeito, resultantes dos atos livremente praticados. E ressaltada a situação desesperadora do suicida e a pena maior atribuída ao que induz alguém à prática do gesto tresloucado.

2 - Bens e Direito das Coisas no Mundo dos Espíritos.

Nas Colônias Espirituais, há bens de diversos tipos utilizados pelos Espíritos errantes: imóveis, móveis, consumíveis, públicos, de família etc. Assim é que vemos os Espíritos se referirem a obras de arte, partituras musicais, livros, roupas, metais, veículos, alimentos, edifícios públicos e residenciais, plantações e muitos outros classificados na economia terrena como bens consumíveis, duráveis e de produção ou de capital.

Os Espíritos errantes vivem em lares separados, construídos, muitas vezes, pelos parentes que lhes antecederam a desencarnação. A família espiritual trabalha em conjunto e conquista um lar. As residências das Colônias são bem semelhantes às da Terra. Pelo que se depreende das informações recebidas através das obras subsidiárias da Doutrina Espirita, os Espíritos, surpreendentemente, conservam o apego às coisas materiais e às comodidades terrenas, por longo tempo, após a desencarnação. Certos Espíritos que habitam numa Colônia do nível de Nosso Lar são considerados, pelo Espírito André Luiz, como tendo adquirido consciência da sua situação.

Por que, então, a necessidade de possuir, de ter, de ser proprietário de algo? A explicação não pode ser outra senão a existência, nesses Espíritos, ainda de um forte condicionamento às comodidades terrenas. O homem e a mulher que se dedicam às nobres tarefas do lar, após a desencarnação, associam-se no desempenho de atividades construtivas e de amparo aos filhos que, porventura, ainda permaneçam no corpo físico.

E com o trabalho que o Espírito adquire os seus bens. Não há, entretanto, propriedade particular exatamente como se entende na Terra. Aqui as leis concedem ao Homem a posse e uso dos bens de uma forma definitiva, embora, na realidade, esta seja, também, provisória, pois todos nós seremos compelidos, pela morte, a deixar as vantagens da esfera física. Mas, se no Mundo Espiritual não há necessidade de bens materiais, como dinheiro e objetos, o que pensar da preocupação com a temporalidade? Por que a utilização dos conceitos de horas, dias, anos, dia e noite etc, sendo estes restritos ao plano terrestre? A respeito do assunto, os Espíritos codificadores respondem a Allan Kardec o seguinte, na pergunta 240 de O Livro dos Espíritos:

P. Os Espíritos compreendem o tempo como nós?
R Não, e é por isso que não nos compreendeis sempre, quando se trata de fixar datas ou épocas. Os Espíritos vivem fora do tempo, tal como nós os compreendemos: o tempo para eles se anula, por assim dizer, e os séculos, tão longos para nós, não são a seus olhos senão instantes que se esvanecem na eternidades da mesma forma que as desigualdades do solo se apagam e desaparecem para aqueles que se elevam no espaço.

O Espírito Monsenhor Robert Hugh Benson, declara que... -Com a ausência de tempo terreno no mundo dos espíritos, nossas vidas são ordenadas por acontecimentos, isto é, aqueles que são parte de nossa vida. Não me refiro às ocorrências incidentais, mas às que na Terra são consideradas acontecimentos periódicos. (A Vida nos Mundos Invisíveis, de Anthony Borgia)

Vejamos o que diz a instrutora espiritual Laura ao Espírito André Luiz durante uma aula de aprendizado: - Tal como se dá na Terra, a propriedade aqui é relativa. Nossas aquisições são feitas à base de horas de trabalho. O bônus-hora, no fundo, é o nosso dinheiro. Quaisquer utilidades são adquiridas com esses cupons obtidos por nós mesmos, à custa de esforço e dedicação. Às construções em geral representam patrimônio comum, sob controle da Governadoria; cada família espiritual, porém, pode consquistar um lar (nunca mais que um ), apresentando trinta mil bônus-hora (. . .). ( Nosso Lar, de Francisco Cândido Xavier)

Esclarece ela que a moeda nas Colônias, se assim pode ser denominado, é o bônus-hora. Não se constitui em papel moeda como vulgarmente conhecemos, mas numa espécie de ficha individual que funciona como valor aquisitivo. Os que trabalham adquirem direitos justos: alimento, vestuário e abrigo.

Informações idênticas a respeito de aquisição de bens no Mundo Espiritual nos dá o Espírito Irmão Jacob, na obra Voltei, ao esclarecer que os edifícios do parque não representavam propriedade particular, mas, sim, patrimônio comum orientado pela administração central da Colônia. Que o Espírito é, apenas, o usufrutuário dos bens que adquire com seu próprio esforço, dos quais a retenção é provisória, visto que, pela Lei de Evolução, nenhum Espírito pode permanecer eternamente em determinada Colônia Espiritual. Ele só não se refere ao bônus-hora. Na verdade, a referência a tal moeda só é encontrada nas obras ditadas pelo Espírito André Luiz.

Embora não exista propriedade no sentido que entendemos na Terra, os lares adquiridos podem ser objeto de sucessão. Inversamente ao que se dá na desencarnação, em que o falecido lega aos herdeiros o seu espólio, na encarnação, que é a morte para a vida espiritual, o proprietário deixa seus bens para os familiares que ficam nas Colônias, exceto os créditos em bônus-hora que reverterão ao patrimônio comum, pois, segundo informam os Espíritos, são pessoais e intransferíveis.

Lúcia Loureiro

terça-feira, 16 de março de 2010

IMORTALIDADE: TRIUNFO DO ESPÍRITO

A imortalidade é de todos os tempos. A ameba, por exemplo, sendo um dos organismos unicelulares mais simples, pode ser considerada como imortal, porquanto, à medida que envelhece, graças ao fenômeno da mitose, dá lugar a duas outras, ricas de vida, e assim, sucessivamente. Jamais ocorre a morte do elemento inicial.
Assim sucede com a vida humana,do ponto de vista do ser espiritual, que enseja a cada um experienciar o que é sempre melhor para si mesmo.
O impositivo que se apresenta é o de viver o presente, em razão de o passado apresentar-se já realizado, enquanto o futuro se encontra ainda em construção.
Atingir o máximo das suas possibilidades no momento que passa, constitui o desafio que não pode ser ignorado.
Essa mecânica, porém, é produzida pelo amor, que deve orientar a inteligência na aplicação das suas conquistas.
Isso significa um esforço individual expressivo, que se torna seletivo em benefício do conjunto social.
À semelhança do que ocorre no organismo, em que nenhuma célula trabalha unicamente em favor de si mesma, porém do conjunto que deve sempre funcionar em harmonia, vão surgindo os padrões de comportamento que dão lugar às tendências universais em torno da vida, que se processa de acordo com o mecanismo da evolução. Cada parte que constitui o órgão está sempre preparada para transformar-se em favor de um elemento maior e mais expressivo.É uma verdadeira cadeia progressiva, infinita,até o momento em que se encerra o ciclo vital e a matéria se desagrega em face do fenômeno biológico da morte.
Todo esse processo tem lugar sob o controle do Espírito que modela a organização de que se serve através do seu invólucro semimaterial, e quando se dá a desarticulação das moléculas, eis que se libera e prossegue indestrutível no rumo da plenitude, quando se depura de todas as imperfeições resultantes do largo período da evolução.
Essa busca pode ser também denominada como a da iluminação, cuja conquista elimina o medo dos equívocos, da velhice, das doenças, da morte, porquanto enseja a consciência da imortalidade, dessa forma, do prosseguimento da vida em todas as suas maravilhosas nuanças que se apresentam em outras dimensões, em outros campos vibratórios.
Essa iluminação propicia o despertar do sonho, da ilusão em torno dos objetivos da existência, tornando o ser consciente de tudo que pode realizar por si mesmo e pela sociedade.
Por mais que postergue essa conscientização, momento chega em que o Espírito sobrepõe-se ao ego e rompe o limite do intelecto, conquistando a visão coletiva sobre o infinito.
É quando se autoanalisa, voltando-se para dentro e descobrindo os tesouros inabordáveis da imortalidade, buscando no coração as forças que lhe são necessárias para a entrega à autoiluminação.
Como bem assinalou Jesus: O Reino dos Céus está dentro de vós, portanto, do Espírito que se é e não do corpo pelo qual se manifesta.
Esse mecanismo é possível de ser ignorado, quando a pessoa resolve-se pela remoção das trevas que ocultam o conhecimento de si mesma, deixando-a confusa, a fim de que se estabeleça a pujança do amor franco e puro, gentil e corajoso que não conhece limites...
A imortalidade é, pois, a grande meta a ser atingida.
Cessasse a vida, quando se interrompesse o fenômeno biológico pela morte, e destituída de significado seria a existência humana, que surgiu em forma embrionária aproximadamente há dois bilhões de anos... Alcançando o clímax da inteligência, da consciência e das emoções superiores, se fosse diluída, retornando às energias primárias, não teria qualquer sentido ético-moral nem lógico ou racional.
Muitos, entre aqueles que assim pensam, que a vida se extingue com a morte, certamente rebelam-se contra os conceitos ultrapassados de algumas doutrinas religiosas em torno da Justiça Divina após a morte, com as execuções penais de natureza eterna e insensata.
Considerada, porém, como o oceano gerador da vida, a imortalidade precede ao estágio atual em que se movimenta o ser humano e sucede-o, num vir-a-ser progressista sempre melhor e mais grandioso.
Existe o mundo imaterial, causal, de onde procede o hálito da vida, que impregna a matéria orgânica e a impulsiona na sua fatalidade biológica, e aguarda o retorno desse princípio inteligente cada vez mais lúcido e rico de complexidades do conhecimento e do sentimento.
Desse modo, o sentido existencial é o de aprimoramento pessoal com o conseqüente enriquecimento defluente da sabedoria que conduz à paz.
Ninguém se aniquila pela morte.
A melhor visão em torno da imortalidade é contemplar-se um cadáver do qual afastou-se o agente vitalizador, o Espírito que o acionava.
Não morrendo jamais a vida, todo o empenho deve ser feito em seu favor, de modo que a cada instante se adquiram melhores recursos de iluminação, de compaixão, de beleza, de harmonia.
Desse modo, não morreram também aqueles que a desencarnação silenciou, velando-os com a paralisia dos órgãos a caminho da decomposição.
Eles prosseguem na caminhada ascensional e mantêm os vínculos sentimentais com aqueloutros que lhes eram afeiçoados ou não, deles recordando-se e desejando intercambiar, a fim de afirmar que continuam vivendo conforme eram.
Se fizeres silêncio íntimo ao recordar-te deles, em sintonia com o pensamento de amor, eles poderão comunicar-se contigo, trazer-te notícias de como e de onde se encontram, consolando-te e acalmando-te, ao tempo em que te prometem o reencontro ditoso, mais tarde, quando também soar o teu momento de retorno.
Ao invés da revolta inútil porque se foram, pensa que a distância aparente é apenas vibratória e conscientiza-te de que nada aniquila o amor, essa sublime herança do Pai Criador.
Utiliza-te das lembranças queridas e envia-lhes mensagens de esperança e de ternura, de gratidão e de afeto, de forma que retemperem o ânimo e trabalhem pela própria iluminação, vindo em teu auxílio, quando as circunstâncias assim o permitirem...
Não os lamentes porque desencarnaram, nem os aflijas com interrogações que ainda não te podem responder.
Acalma a ansiedade e continua amando-os, assim contribuindo para que permaneçam em paz e cresçam na direção de Deus sendo felizes.

* * *

A morte é a desveladora da vida em outras expressões.
Jesus retornou da sepultura vazia para manter o contato com os corações queridos, confirmando a grandeza da imortalidade a que se referira antes, demonstrando que o sentido existencial é o da aquisição dos tesouros do amor e da amizade, para a conquista da transcendência.
Ora pelos teus desencarnados, envolve-os em carinho e vive com dignidade em homenagem a eles, que te esperam além da cortina de cinza e sombra, quando chegar o teu momento de libertação.

Joanna de Ângelis
Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco,  na tarde de 19 de maio de 2008, Esch, Ducado de Luxemburgo. Em 01.02.2009.

segunda-feira, 15 de março de 2010

INFECÇÕES FLUÍDICAS

Muitos (desencarnados) acometem os adversários que ainda se entrosam no corpo terrestre, empolgando-lhes a imaginação com formas mentais monstruosas, operando perturbações que podemos classificar como “infecções fluídicas” e que determinam o colapso cerebral com arrasadora loucura.

E ainda muitos outros, imobilizados nas paixões egoísticas desse ou daquele teor, descansam em pesado monodeísmo, ao pé dos encarnados, de cuja presença não se sentem capazes de afastar-se.

Alguns, como os ectoparasitas temporários, procedem à semelhança dos mosquitos e dos ácaros, absorvendo as emanações vitais dos encarnados que com eles se harmonizam, aqui e ali; mas outros muitos, quais endoparasitas conscientes, após se inteirarem dos pontos vulneráveis de suas vítimas, segregam sobre elas determinados produtos, filiados ao quimismo do Espírito, e que podemos nomear como simpatinas e aglutininas mentais, produtos esses que, sub-repticiamente, lhes modificam a essência dos próprios pensamentos a verterem, contínuos, dos fulcros energéticos do tálamo, no diencéfalo.

Estabelecida essa operação de ajuste, que os desencarnados e encarnados, comprometidos em aviltamento mútuo, realizam em franco automatismo, à maneira dos animais em absoluto primitivismo nas linhas da Natureza, os verdugos comumente senhoreiam os neurônios do hipotálamo, acentuando a própria dominação sobre o feixe amielínico que o liga ao córtex frontal, controlando as estações sensíveis do centro coronário que aí se fixam para o governo das excitações, e produzem nas suas vítimas, quando contrariados em seus desígnios, inibições de funções viscerais diversas, mediante influência mecânica sobre o simpático e o parassimpático. Tais manobras, em processos intrincados de vampirismo, prestigiam o regime de medo ou de guerra nervosa nas criaturas de que se vingam, alterando-lhes a tela psíquica ou impondo prejuízos constantes aos tecidos somáticos.

“PARASITAS OVÓIDES” — Inúmeros infelizes, obstinados na idéia de fazerem justiça pelas próprias mãos ou confiados a vicioso apego, quando desafivelados do carro físico, envolvem sutilmente aqueles que se lhes fazem objeto da calculada atenção e, auto-hipnotizados por imagens de afetividade ou desforço, infinitamente repetidas por eles próprios, acabam em deplorável fixação monoideística, fora das noções de espaço e tempo, acusando, passo a passo, enormes transformações na morfologia do veículo espiritual, porqüanto, de órgãos psicossomáticos retraídos, por falta de função, assemelham-se a ovóides, vinculados às próprias vítimas que, de modo geral, lhes aceitam, mecanicamente, a influenciação, à face dos pensamentos de remorso ou arrependimento tardio, ódio voraz ou egoísmo exigente que alimentam no próprio cérebro, através de ondas mentais incessantes.

Nessas condições, o obsessor ou parasita espiritual pode ser comparado, de certo modo, à sacculina carcini, que, provida de órgãos perfeitamente diferenciados na fase de vida livre, enraiza-se, depois, nos tecidos do crustáceo hospedador, perdendo as características morfológicas primitivas, para converter-se em massa celular parasitária.

No tocante à criatura humana, o obsessor passa a viver no clima pessoal da vítima, em perfeita simbiose mórbida, absorvendo-lhe as forças psíquicas, situação essa que, em muitos casos, se prolonga para além da morte física do hospedeiro, conforme a natureza e a extensão dos compromissos morais entre credor e devedor.

PARASITISMO E REENCARNAÇÃO — Nas ocorrências dessa ordem, quando a decomposição da vestimenta carnal não basta para consumar o resgate preciso, vítima e verdugo se equiparam na mesma gama de sentimentos e pensamentos, caindo, além-túmulo, em dolorosos painéis infernais, até que a Misericórdia Divina, por seus agentes vigilantes, após estudo minucioso dos crimes cometidos, pesando atenuantes e agravantes, promove a reencarnação daquele Espírito que, em primeiro lugar, mereça tal recurso.

E, executado o projeto de retorno do beneficiário, a regressar do Plano Espiritual para o Plano Terrestre, sofre a mulher, indicada por seus débitos à gravidez respectiva, o assédio de forças obscuras que, em muitas ocasiões, se lhe implantam no vaso genésico por simbiontes que influenciam o feto em gestação, estabelecendo-se, desde essa hora inicial da nova existência, ligações fluídicas através dos tecidos do corpo em formação, pelas quais a entidade reencarnante, a partir da infância, continua enlaçada ao companheiro ou aos companheiros menos felizes, que integram com ela toda uma equipe de almas culpadas em reajuste.

Desenvolve-se-lhe, então, a meninice, cresce, reinstrui-se e retorna à juvenilidade das energias físicas, padecendo, porém, a influência constante dos assediantes, até que, freqüentemente por intermédio de uniões conjugais, em que a provação emoldura o amor, ou em circunstâncias difíceis do destino, lhes ofereça novo corpo na Terra, para que, como filhos de seu sangue e de seu coração, lhes devolva em moeda de renúncia os bens que lhes deve, desde o passado próximo ou remoto.

Em tais fatos, vamos anotar situações quase idênticas às que são provocadas pelos parasitas heteroxênicos, porqüanto, se os adversários do Espírito reencarnado são em maior número, atuam, muitos deles, à feição dos tripanossomas, tomando os filhos de suas vítimas e afins deles próprios, por hospedeiros intermediários das formas-pensamentos deploráveis que arremessam de si, alcançando em seguida, a mente dos pais ou hospedeiros definitivos, a inocular-lhes perigosos fluídos sutis, com que lhes infernizam as almas, muitas vezes até à ocasião da própria morte.

TERAPÊUTICA DO PARASITISMO DA ALMA — Importa, no entanto, observar que todos os sofrimentos e corrigendas a que nos referimos estão conjugados para as consciências encarnadas ou não, dentro da lei de ação e reação que a cada um confere hoje o equilíbrio ou o desequilíbrio, por suas obras de ontem, reconhecendo-se também que assim como existem medidas terapêuticas contra o parasitismo no mundo orgânico, qualquer criatura encontra, na aplicação viva do bem, eficiente remédio contra o parasitismo da alma.

Não bastará, porém, a palavra que ajude e a oração que ilumina.

O hospedeiro de influências inquietantes que, por suas aflições na existência carnal, pode avaliar da qualidade e extensão das próprias dívidas, precisará do próprio exemplo, no serviço do amor puro aos semelhantes, com educação e sublimação de si mesmo, porque só o exemplo é suficientemente forte para renovar e reajustar.

A ação do bem genuíno, com a quebra voluntária de nossos sentimentos inferiores, produz vigorosos fatores de transformação sobre aqueles que nos observam, notadamente naqueles que se nos agregam à existência, influenciando-nos a atmosfera espiritual, de vez que as nossas demonstrações de fraternidade inspiram nos outros pensamentos edificantes e amigos que, em circuitos sucessivos ou contínuas ondulações de energia renovados, modificam nos desafetos mais acirrados qualquer disposição hostil a nosso respeito.

Ninguém necessita, portanto, aguardar reencarnações futuras, entretecidas de dor e lágrimas, em ligações expiatórias, para diligenciar a paz com os inimigos trazidos do pretérito, porque, pelo devotamento ao próximo e pela humildade realmente praticada e sentida, é possível valorizar nossa frase e santificar nossa prece, atraindo simpatias valiosas, com intervenções providenciais, em nosso favor.

É que, em nos reparando transfigurados para o melhor, os nossos adversários igualmente se desarmam para o mal, compreendendo, por fim, que só o bem será, perante Deus, o nosso caminho de liberdade e vida. (André Luiz, Evolução em Dois Mundos, FCXavier, Waldo Vieira, Uberaba, 19/3/58 - do cap. "Vampirismo Espiritual")

domingo, 14 de março de 2010

A AJUDA DIVINA

Chovia torrencialmente. O rio transbordava, as águas invadiam o vilarejo.
Aquele crente, que morava sozinho em confortável vivenda multiplicou, orações, pedindo a assistência do Céu.
Em dado momento, ante o avanço da enchente, foi para o telhado, confiante de que Deus o salvaria.
As águas subindo…
Passou um barco recolhendo pessoas ilhadas.
– Não é preciso. Deus me salvará!
As águas subindo…
Passou uma lancha…
– Fiquem tranqüilos! Confio em Deus.
As águas subindo…
Passou um helicóptero…
– Sem problema! Deus me protegerá.
As águas subiram mais, derrubaram a casa e o homem morreu afogado…
Diante do Criador, na vida eterna, reclamou:
– Oh! Senhor! Confiei em ti e me falhaste!
– Engano seu, meu filho! Mandei um barco, uma lancha e um helicóptero para recolhê-lo!

***

Não estamos entregues à própria sorte, como sugere o pensamento materialista de Jean Paul Sartre (1905-1980).
O Senhor não esquece ninguém. A todos estende sua mão complacente, dando-nos condições para enfrentar nossas dificuldades e dissabores.
Há um problema: raramente identificamos a ação divina. Isso porque as respostas de Deus nem sempre correspondem às nossas expectativas.
Pedimos o que desejamos.
Deus nos dá o que precisamos.
Os temporais da existência simbolizam as esfregadas da Providência Divina, ensejando mudança de rumo.
Senão, vejamos:

1. A doença respiratória…
2. O lar em desajuste…
3. A dificuldade financeira…
4. A perda do emprego…
5. O acidente automobilístico…

São situações constrangedoras que nos perturbam.
Pedimos a ajuda divina.

Deus vem em nosso auxílio, mas é preciso que nos disponhamos a tomar o barco do futuro, deixando no passado velhas tendências.
Podemos considerar, na mesma seqüência, que:

1. O tabagismo afeta os pulmões.
2. A incompreensão conturba o relacionamento afetivo.
3. A indisciplina nos gastos faz rombos nas contas
4. A displicência profissional resulta em demissão.
5. A irresponsabilidade no trânsito favorece desastres.

A pouca disposição em encarar nossos erros e desacertos, como causa de nossas dificuldades e problemas, neutraliza a ação divina em nosso benefício.
As crises sugerem mudanças.
Se não mudamos com elas, sempre nos sentiremos abandonados por Deus, incapazes de identificar o socorro divino.

***

A propósito vale lembrar interessante texto, que me veio ter às mãos, sem indicação do autor:

Pedi a Deus para tirar os meus vícios.
Deus disse:
– Compete a ti superá-los.

Pedi a Deus para fazer completo meu filho deficiente.
Deus disse:
– Seu Espírito é completo. O corpo é temporário.

Pedi a Deus para me dar paciência.
Deus disse:
– Paciência não é dádiva. É aprendizado.

Pedi a Deus para me dar felicidade.
Deus disse:
– Eu dou bênçãos. Felicidade depende de ti.

Pedi a Deu para me livrar da dor.
Deus disse:
– Sofrer te afasta do mundo e te aproxima de Mim.

Pedi a Deus para fazer meu espírito crescer.
Deus disse:
– Deves crescer por si próprio. Farei a poda para que dês frutos.

Pedi a Deus todas as coisas que me fariam apreciar a vida.
Deus disse:
– Eu te darei Vida para que aprecies todas as coisas.

Pedi a Deus para me ajudar a amar os outros como Ele me ama.
Deus disse:
– Ahhh! Finalmente entendeste!

Richard Simonetti
Livro Abaixo a Depressão

sábado, 13 de março de 2010

UM INSTANTE

Querido irmão, querida irmã,
Por alguns minutos respire pausadamente, excluindo da mente toda e qualquer preocupação, e mentalize Jesus...
Retire só um pouco a atenção das dúvidas, dos temores, das aflições, das dores, das dificuldades e dos impedimentos, da falta de saúde, da falta de recursos, das incompreensões, do desamor e das hostilidades e, adoçando o coração, sinta a sua amorosa presença ao seu lado ou ao lado de quem desejas ver beneficiado.
Sentindo-O, nada peça pois Jesus sabe do que precisas... Apenas entregue-se à sua Divina proteção e ore:

"Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome!

Venha a nós o vosso reino e seja feita a vossa vontade,

assim na Terra como no céu.

O pão nosso de cada dia dai-nos hoje e perdoai as nossas dívidas

assim como perdoamos os nossos devedores,

e não nos deixeis cair em tentação mas livrai-nos do mal,

porque teus são o Reino, o Poder

e a Glória para sempre!"


Assim seja!



Que estes breves momentos possam ter contribuido para o restabelecimento da sua paz e harmonia interior!
Que Jesus esteja contigo, daqui para a frente, com sua doce proteção, para que possas solucionar todas as dificuldades que te afligem ou afligem aqueles que amas...
Se desejas permanecer conosco mais um pouco, fique em paz, mas se desejas sair agora, que esta paz te acompanhe em todos os momentos!...
Um fraterno e carinhoso abraço,

sexta-feira, 12 de março de 2010

O BEM AVENTURADO

"Na paisagem invadida de sombras, a multidão sofria e lutava por encontrar uma porta libertadora.
Na movimentação dos infelizes, surgiam conflitos e padecimentos, incompreensões e entraves que somente serviam para acentuar a penúria e o medo, as aflições e as feridas reinantes no caminho.
Alguns beneméritos aparecerem com o objetivo de solucionar o enigma da região.
Culto orientador intelectual elevou-se à grande tribuna, envolvida igualmente de trevas, e procurou instruir e consolar a compacta fileira de sofredores, conquistando o respeito geral; contudo, nem todos lhe compreenderam as palavras e áridas discussões se fizeram no vale da espessa neblina.
Veio um grande benfeitor e, compadecido, distribuiu vasta provisão de alimento e agasalho aos famintos e aos nus, merecendo o aplauso de muitos; entretanto, achava-se limitado às possibilidades individuais e não pode atender a todos, perseverando o império da dor no círculo popular.
Surgiu um médico e dispôs-se a curar os corpos doentes e amparou a comunidade, quanto lhe foi possível, recebendo expressivo reconhecimento público; mas não conseguiu satisfazer a exigência total do extenso domínio de sombras, mantendo-se o vale na antiga situação de expectativa e discórdia.
Apareceu um filósofo e aconselhou regras especiais de meditação, atraindo o carinho e a gratidão dos pesquisadores intelectualizados; no entanto, era incapaz de resolver todos os problemas e a paisagem prosseguiu dolorosa e escura.
Mas, surgiu um homem de boa vontade que, depois de recolher bênçãos e valores, no serviço aos semelhantes, acendeu uma luz no próprio coração.
Maravilhoso milagre surpreendeu o vale inteiro.
Nem mais contendas, nem mais reclamações.
Precipitou-se a multidão para a claridade daquele que soubera transformar-se em lâmpada viva e brilhante, descortinando a estrada libertadora.
Tal benfeitor correspondia à exigência de todos e solucionava o problema geral.
E, por bem-aventurado, avançou para a frente, com o poder de guiar e auxiliar, por haver improvisado em si mesmo o poder silencioso de amar e servir.
Não duvidemos, em nossas dificuldades, de aprender e ensinar, recebendo as luzes do Alto e distribuindo-as no grande vale da luta humana.
Todos os títulos de fraternidade e benemerência são veneráveis, mas, o coração que se une ao Cristo e se converte em luz para todos os companheiros da romagem terrestre é, sem contestação, o autor feliz da caridade maior."

ANDRÉ LUIZ
(Apostilas da Vida, 19, F. C. Xavier, IDE)

quinta-feira, 11 de março de 2010

PRIVILÉGIOS CRISTÃOS

Manter suprema fidelidade a Deus.
Olvidar os próprios desejos, atendendo aos Superiores Desígnios.
Humilhar-se para que a mão do Senhor seja exaltada.
Conquistar a si mesmo.
Renunciar com alegria, em benefício dos outros.
Retirar lucros eternos de perdas temporárias.
Trabalhar na construção do Reino Divino.
Esperar enquanto outros desesperam.
Penetrar o templo do silêncio, em meio do vozerio.
Guardar a fé, acima da tormenta de dúvidas
Calar a tempo, de modo a não ferir.
Falar com proveito.
Ouvir o Divino Amigo em plena solidão.
Servir sem recompensa.
Suportar com valor a própria cruz.
Sofrer, aprendendo e aproveitando.
Amar sem exigências.
Ajudar em segredo.
Semear com o Cristo, desapegando-nos dos resultados.
Encontrar irmãos em toda parte.
Cultivar o prazer de ser útil.
Discernir o justo valor das causas e das coisas.
Santificar o mal.
Amparar com sinceridade os que erram.
Perdoar quantas vezes for necessário.
Superar os obstáculos.
Conservar a jovialidade e a doçura.
Sustentar o bom ânimo.
Desprender-se dos enganos do mundo, antes que o mundo nos desengane.
Perseverar no bem até o fim.

ANDRÉ LUIZ
(Agenda Cristã, 3, FEB)

quarta-feira, 10 de março de 2010

A ALMA TAMBÉM

Casas de saúde espalham-se em todas as direções com o objetivo de sanar as moléstias do corpo e não faltam enfermos que lhes ocupem as dependências.
Entretanto, as doenças da alma, não menos complexas, escapam aos exames habituais de laboratório e, por isso, ficam em nós, requisitando a medicação, aplicável apenas por nós mesmos.
Estimamos a imunização na patologia do corpo.
Será ela menos importante nos achaques do espírito?
Surpreendemos determinada verruga e recorremos, de imediato, à cirurgia plástica, frustrando calamidades orgânicas de extensão imprevisível.
Reconhecendo uma tendência menos feliz em nós próprios é preciso ponderar igualmente que o capricho de hoje não extirpado será hábito vicioso amanhã e talvez criminalidade em futuro breve.
Esmeramo-nos por livrar-nos da neurastenia capaz de esgotar-nos as forças.
Tratemos também de nossa afeição temperamental para que a impulsividade não nos induza à ira fulminatória.
Tonificamos o coração, corrigindo a pressão arterial ou ampliando os recursos das coronárias a fim de melhorar o padrão de longevidade. Apuremos, de igual modo, o sentimento para que emoções desregradas não nos precipitem nos desvãos passionais em que se aniquilam tantas vidas preciosas.
Requintamo-nos, como é justo, em assistência dentária na proteção indispensável.
Empenhemo-nos de semelhante maneira, na triagem do verbo para que a nossa palavra não se faça azorrague de sombra.
Defendemos o aparelho ocular contra a catarata e o glaucoma. Purifiquemos igualmente o modo de ver. Preservamos o engenho auditivo contra a surdez.
No mesmo passo, eduquemos o ouvido para que aprendamos a escutar ajudando.
A Doutrina Espírita é instituto de redenção do ser para a vida triunfante. A morte não existe.
Somos criaturas eternas. Se o corpo, em verdade, não prescinde de remédio, a alma também.

André Luiz

quinta-feira, 4 de março de 2010

NUNCA DESANIMAR

"E Ele disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou, vai em paz."-Lucas, 8:48.

Nunca é tarde pira mudarmos o rumo de nossa vida e recomeçarmos.
Qualquer que seja a extensão do sofrimento ou das dificuldades, a solução chegará.
Nos dias sombrios que marcam nossa existência, experimentamos emoções de revolta. medo e insegurança, dando-nos a impressão de que o nosso problema não terá fim. É este o momento de movimentarmos a fé.
Mas, o que é fé'' A resposta pode ser encontrada no livro O CONSOLADOR, do sábio benfeitor Emmanuel, na questão 354: "Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar nunca energia constante de realização divina da personalidade. Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer: "eu creio", mas afirmar: "eu sei" com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento.”
Entendemos, então, que fé é a movimentação das forças internas, daquelas possibilidades que todos trazemos direcionando-as para o alvo pretendido. Quando o Cristo nos falou “vós sois deuses" afirmou o nosso potencial para alcançar um estado de felicidade.
A Doutrina Espírita, através da fé raciocinada, oferece-nos condições de compreender a razão dos sofrimentos. Embasados nos porquês e finalidades da vida, fortalecemo-nos. Através do entendimento, retiramos de nós mesmos (pela reflexão, vontade, esforço e confiança em Deus) os meios de transpor as dificuldades.
Razão e sentimento - diz Emmanuel - e isto significa analisar o problema, enfrentar a situação, buscar soluções que a razão aponta, usando o sentimento para amenizar os acontecimentos. A maior quota de resoluções está conosco, no entanto, a presença de um amigo, um confidente sincero e leal sempre nos ajuda a raciocinar melhor, e esta afetividade é fundamental.
A fé, corno podemos observar, é uma conquista alcançada através do exercício, do esforço empreendido ao depararmos corri situações difíceis. "A tua fé te salvou", leciona Jesus. Pensemos nisso, ouçamos o Mestre. A fé é operosa, dinâmica, basta-nos impulsiona-la.
Emmanuel, ao encerrar a questão 354, diz: "Traduzindo a certeza na assistência de Deus, a fé exprime a confiança que sabe enfrentar as lutas e problemas..." Fé é saber que o nosso amanhã será a vitória, que os problemas são desafios e que o nosso crescimento espiritual está em vence-los. Desanimar, nunca!

O Médium – Ano 66 – nº 596 – 07 e 08/97

quarta-feira, 3 de março de 2010

ENFERMIDADES: LIÇÕES VALIOSAS PARA OS QUE AS ADQUIREM

Ouvindo isso, seus discípulos, muito espantados, perguntaram: Quem pode então ser salvo? Jesus, fitando neles o olhar, disse: Impossível é isto para os homens, mas para Deus tudo é possível. (Mateus, 19:25-26.)

O diálogo destacado acima, entre Jesus e seus seguidores, também registrado por Marcos (10:26-27) e Lucas (18:26-27), enaltece a essência da misericórdia divina ao dizer que para Deus tudo é possível; confere-nos a certeza de que todos os recursos indispensáveis, para nossa edificação espiritual, serão oferecidos por Ele, facultando-nos condições para vencermos todos os óbices que precisamos superar em nossa marcha evolutiva na Terra. A passagem evangélica nos traz infinitas esperanças e convida-nos a meditar sobre o tema. As doenças físicas são contingência natural da maioria dos seres reencarnados em processo de aprendizado no orbe terreno. Decorreriam elas dos reflexos das mentes que se desajustam? Esses transtornos da mente seriam capazes de impor ao veículo orgânico efeitos doentios indefiníveis, que lhe propiciariam a derrocada ou a morte? Dr. Francisco de Menezes Dias da Cruz (1853-1937), distinto médico e denodado batalhador do Espiritismo, em estudos espirituais sobre o assunto, elucida:
Todos os nossos pensamentos definidos por vibrações, palavras ou atos, arrojam de nós raios específicos. Assim sendo, é indispensável curar de nossas próprias atitudes, na autodefesa e no amparo aos semelhantes, porquanto a cólera e a irritação, a leviandade e a maledicência, a crueldade e a calúnia, a irreflexão e a brutalidade, a tristeza e o desâni-mo, produzem elevada percentagem de agentes [...], de natureza destrutiva, em nós e em torno de nós [...], suscetíveis de fixar-nos, por tempo indeterminado, em deploráveis labirintos da desarmonia mental. Em muitas ocasiões, nossa conduta pode ser a nossa enfermidade, tanto quanto o nosso comportamento pode representar a nossa restauração e a nossa cura.
Igualmente, o Espírito Emmanuel, em análise sobre o problema, observa que “ninguém poderá dizer que toda enfermidade, a rigor, esteja vinculada aos processos de elaboração da vida mental”, mas garante “que os processos de elaboração da vida mental guardam positiva influenciação sobre todas as doenças”, e reconhece que os descontroles psíquicos geram “zonas mórbidas de natureza particular no cosmo orgânico, impondo às células a distonia pela qual se anulam quase todos os recursos de defesa, abrindo-se leira fértil à cultura de micróbios patogênicos nos órgãos menos habilitados à resistência”.
Donde se conclui que os pensamentos residem na base de todas as nossas ações. Os médicos, a partir dos avanços científicos obtidos, no decorrer dos séculos, associaram certas doenças, a exemplo do câncer, às causas psíquicas.
Ao nos depararmos com o surgimento da doença, somos tomados por sentimentos de incertezas e dúvidas, não querendo aceitar a difícil realidade que nos aguarda, sobretudo nos processos de tratamento indispensáveis para eliminar os seus efeitos e sintomas. Não temos suficiente serenidade para analisar a própria situação e, segundo as leis que nos regem, para vivenciar provas e sofrimentos apropriados às nossas necessidades de melhoria espiritual. O filósofo espírita León Denis (1846-1927), defensor ardoroso na luta em proveito da causa do Espiritismo, identifica na dor “uma lei de equilíbrio e educação”.
Diz ele:
[...] Sem dúvida, as falhas do passado recaem sobre nós com todo o seu peso e determinam as condições de nosso destino. O sofrimento não é, muitas vezes, mais do que a repercussão das violações da ordem eterna cometidas, mas sendo partilha de todos, deve ser considerado como necessidade de ordem geral, como agente de desenvolvimento, condições do progresso. Todos os seres têm de, por sua vez, passar por ele. Sua ação é benfazeja para quem sabe compreendê-lo, mas somente podem compreendê-lo aqueles que lhe sentiram os poderosos efeitos. [...]
As provas desenvolvem a inteligência e nos ensinam a exercitar a paciência e a resignação.Ao considerarmos as enfermidades como formas de retificação dos comportamentos desequilibrados, devemos, portanto, aceitar os sofrimentos sem nos lamentar e lutar para suplantar as dificuldades que surgem dos graves problemas de saúde, que não nos sejam possíveis evitar. Algumas vezes, podem ser provas buscadas pelo Espírito com o intuito de ativar o seu progresso espiritual, suportando, sem esmorecer, os reveses da vida material. Hermínio C. Miranda (2008), em seus estudos espíritas, centrado, sobretudo, na análise das curas promovidas pela homeopatia, desenvolve interessante tese sobre a importância da dor, tanto nos males físicos como nos espirituais, e considera que “as mais esclarecidas correntes da medicina moderna admitem hoje a origem psicossomática de inúmeras doenças”.
É pertinente ressaltar algumas de suas anotações sobre o assunto:
Assim como a doença orgânica resulta de abusos que geram desarmonias ou desafinamentos no sistema biológico, assim também as dissonâncias e desarmonias espirituais criam doenças mentais e emocionais gravíssimas resultantes de abusos de natureza ética. [...] No caso das mazelas espirituais, o “tratamento”, às vezes um tanto rude, mas sempre justo, que as leis divinas nos prescrevem, consiste em nos fazer experimentar dores, angústias, aflições e carências que impusemos ao semelhante. Somente assim estaremos em condições de avaliar com lucidez a extensão e profundidade do sofrimento que causamos ao nosso irmão, ou seja, sentindo-o na “própria pele”. [...]
O autor, contudo, admite que os mecanismos das leis espirituais não exigem o sofrimento a qualquer preço, tornando-se inclementes e inflexíveis. Ao contrário, a comiseração divina haverá de favorecer-nos em todas as ocasiões, concedendo-nos meios de sobrepujar infortúnios e angústias. A carne não prevalece sobre o Espírito, a quem cabe a responsabilidade moral de todos os atos. Os abusos são decorrentes das tendências nocivas que passamos a cultivar ao longo de nossas intermináveis reencarnações, transigindo com os vícios e excessos de toda ordem, em prejuízo do veículo físico. Não devemos, pois, maldizer as doenças do corpo; elas servem para sarar as nossas almas, de modo a não reincidirmos nos mesmos erros cometidos. Além disso, é possível buscar todos os recursos ao nosso alcance para o equilíbrio orgânico, sem prescindir dos médicos e demais equipes da área de saúde, submetendo-nos às orientações clínicas, cirúrgicas ou terapêuticas. O importante é não nos entregarmos ao desânimo, apegados, erroneamente, a um determinismo irremediável, não aceitando as soluções da medicina que nos proporcionariam alívio e bem-estar. Façamos fervorosas preces suplicando a assistência dos benfeitores espirituais para que se tornem conselheiros e mestres dos esculápios terrenos, permitindo-lhes as condições necessárias para bem interpretar as intuições que advenham do Plano Maior, estando aptos, conforme o conhecimento científico que conquistaram, para agirem com competência no tratamento das doenças que adquirimos e, dessa maneira, diminuir ou extinguir os padecimentos que ainda não conseguimos afastar.
É preciso desenvolver o nosso esforço, tendo como recurso de êxito, em benefício da cura, o exercício equilibrado do livre-arbítrio. Deus zela por nós; e tudo é possível para aquele que crê na sua infinita compaixão!

Clara Lila Gonzales de Araújo
Texto retirado do Reformador de Março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

O ELIXIR MILAGROSO

Mário Kleber, dedicado pediatra, fazia a última visita à creche espírita, onde prestava assistência médica a cento e cinqüenta crianças, antes de empreender longa viagem.
- Estão todos bem. Minha preocupação é o Johnny. Muito debilitado, não vem reagindo à medicação. Nas duas vezes em que o internamos, experimentou melhoras, mas não foram satisfatórias ...
- Também, pudera, - comenta Margarida, funcionária encarregada do berçário - nas condições de sua casa é um milagre que esteja vivo !....
- Esse milagre repete-se com milhões de crianças. No seu caso, entretanto, parece haver uma deficiência congênita. O pouco que conseguimos aqui, no sentido de fortalecê-lo, fica perdido quando retorna ao lar.
Johnny tinha um ano. Pesava como criança de cinco meses, extremamente magro, vitima de infecções renitentes e invencíveis desarranjos intestinais.
O pai, cuja iniciativa em direção do filho liimitara-se à escolha do nome inglês, que soava estranho num crioulinho subdesenvolvido, era alcoólatra impenitente, alérgico ao trabalho. Quem garantia o sustento era a esposa, se é que se pode sustentar uma família de cinco pessoas com salário mínimo. A salvação estava na creche, onde as três crianças passavam o dia, enquanto ela desempenhava suas funções de serviçal doméstica e o marido perambulava pelos bares.
Mário preparou o receituário para Johnny, orientou Margarida, deu o endereço de um colega que o substituiria em emergências e se despediu. Sentiu-se particularmente deprimido ao reter o garotinho em seus braços, imaginando que o Espírito que animava aquele corpinho débil cedo partiria, como ave deixando acanhada gaiola. No dia seguinte empreendeu a viagem.
Retornou após cinqüenta e cinco dias. Seu primeiro pensamento ao dirigir-se à creche foi o mesmo que o acompanhara. Como estaria o menino?
Procurou Margarida, abraçou-a e foi logo perguntando:
- E o Johnny?
- Ah! Doutor! Nem imagina!. ..
- Morreu?!
- Não ...
- Está muito mal?
- Venha ver ...
Levou-o ao cantinho destinado à recreação ...
Sem conter a surpresa, o médico viu o menino engatinhando, lépido ... Quase não o reconheceu. Engordara, estava corado, sorridente ...
- Um meninão, não acha? E como gosta de comer! ... Não há alimento que chegue! Desapareceram as infecções! O intestino está jóia! ....
- O que aconteceu? Deram-lhe algum remédio milagroso?
- Isso mesmo. Um elixir infalível!
- É caro?
- Não custou nada!
- Como se chama?
- Amorl
- Amor?
- Sim. Quando o senhor viajou, comentei o problema com Rea Sílvia, uma das voluntárias da creche e ela "matou a charada", explicando:
"Creio que falta ao Johnny um pouco mais de cuidado, de carinho, de dedicação, não apenas aqui na creche, mas, sobretudo no lar. Ele precisa de muita atenção, nas vinte e quatro horas do dia".
- E sabe, doutor, ela própria se prontificou a dar-lhe tudo isso. Pediu licença aos pais e levou o garoto para casa, onde cercado pelo seu carinho, bem como o do marido, igualmente devotado a serviços assistenciais, e dos filhos, que se deliciavam em ter um nenê, ele começou a desabrochar. Passada a fase crítica, refeito e forte, foi devolvido à família, permanecendo sob controle nosso e de Rea Sílvia, sempre presente. O resultado é esse que estamos vendo.
- Abençoado remédio - comentou feliz o pediatra. - Creio que devemos iniciar, com urgência, uma nova campanha. Precisamos de muitos doadores de Amor, a fim de que nossas crianças superem os traumas da miséria e cresçam fortes e saudáveis como almejamos!. ..
Nada enriquece mais a existência do que o Amor.
Com ele amenizamos dores alheias, curamos enfermos, confortamos aflitos, relevamos ofensas, superamos desentendimentos, promovemos reconciliações, distribuímos alegrias, amenizamos tristezas ...
Se raros se dispõem a semelhantes realizações é porque as criaturas humanas ainda não compreenderam que o Amor beneficia, sobretudo, aqueles que o exercitam, favorecendo seu ingresso em estágios mais altos de sensibilidade e emoção, habilitando-os à felicidade plena.

Richard Simonetti

segunda-feira, 1 de março de 2010

REENCARNAÇÃO: SIGNIFICADO E ACEITAÇÃO

"Naitre, mourir, renaitre encore et progresser sans cesse, telle est la loi".
Allan Kardec (1804-1869)

 
SIGNIFICADO E ACEITAÇÃO
Reencarnar significa, simplesmente, nascer de novo em um outro corpo em formação. Nas doutrinas do Oriente é mais usado o termo renascimento, em lugar do vocábulo reencarnação. Há outra palavra de raiz grega que significa reencarnação também: palingenesia: (palin = repetição. de novo: gignomai = gerar) ou seja novo nascimento.
Há outro termo que geralmente é confundido com a reencarnação. É a metempsicose. O significado desta palavra inclui o renascimento em outras espécies inferiores ou em outros reinos além do reino animal, como o mineral e o vegetal. Esta possibilidade é excluída, por não ter nenhum apoio em observação de caráter científico realizada até agora. A metempsicose, ao que parece, fazia parte de ensinamentos exotéricos transmitidos aos não iniciados. Seu escopo seria conter os impulsos criminosos das massas humanas incultas, empregando-se a "ameaça" de um renascimento doloroso na forma de um vegetal ou de um animal. sujeito a sofrimentos e humilhações. Equivale à condenação às penas eternas do inferno, prometida aos ímpios por algumas religiões do Ocidente.
A idéia da reencarnação é encontrada praticamente em quase todos os sistemas religiosos do mundo, mesmo entre as tribos selvagens mais afastadas umas das outras e em todos os continentes da Terra. Essa disseminação de uma crença tão uniforme é observada também entre os povos muito antigos. Este fato faz supor que a causa da crença na reencarnação deve ter-se originado de um mesmo acontecimento constatado localmente em diversas regiões e em épocas também diferentes. Ao que parece, a idéia do renascimento não resultou apenas da propagação de ensinamentos transmitidos de um para outro grupo humano. Ela deve ter-se originado da observação dos mesmos fatos surgidos em variadas épocas e locais. Isto não exclui a possibilidade de haver também sido ministrada como ensinamentos de uma religião ou de indivíduos iniciados em conhecimentos ocultistas avançados para aquelas épocas e, eventualmente, para a atualidade.
Quanto à antigüidade da crença na reencarnação, o Dr. Karl E . Müller diz o seguinte:
As tradições egipcias são provavelmente mais antigas.
Picone-Chiodo cita o livro de Fontane sobre o Egito, um texto pretensamente datado de 3.000 anos a. c.. Antes de nascer, a criança morreu e a morte não é o fim. A "ida é um evento que passa como o dia solar que nasce." (Müller. K.E., 1978, p,23),
Os "Ka-nomes" dos dois primeiros reis da XX Dinastia Egípcia têm significados claramente relacionados com a idéia da reencarnação: Amonemhat significa: Aquele que repete os nascimentos, Sensusert, significa: Aquele cujos nascimentos vive.
Na XIX Dinastia, o "Ka-nome" de Setekhy I significa: O repetidor de nascimentos, (Murray, 1984, p,174).
Todas as grandes religiões são reencarnacionistas. Por exemplo: o Hinduismo: o Jainismo: o Sikismo (fundado por Nanak, em Punjab. no Século XVI): o Budismo: o "Mazdeismo (uma facção, os Parsis, aceita individualmente a reencarnação!): o Maniqueismo (de onde derivam os Cátaros ou Albigeneses, do Século X ao Século XIV quando foram dizimados pela Inquisição): o Judaísmo [na Cabala, a reencarnação está claramente expressa no livro Zohar); o Cristianismo inicialmente reencarnacionista, (tendo abdicado a esta crença ao transformar-se em Catolicismo e Protestantismo): o Islamismo (Sura 2:28 e Sura 25:5-10-6): o Sufismo (é um ramo do Islamismo surgido um ano após a Hégira: o Sufismo ensina a reencarnação). (Lacerda, 1978),
Mencionamos essas breves informações, extraídas resumidamente da excelente obra de Nair de Lacerda, referida acima, apenas para dar uma idéia acerca das religiões às quais nos reportamos. Entretanto, reconhecemos que o simples fato da reencarnação ser objeto de crença das maiores e mais antigas religiões, com pouquíssimas exceções como o Catolicismo e o Protestantismo por exemplo, não constitui nenhuma evidência ponderável a favor da doutrina do renascimento.
Parece-nos também válido o argumento recíproco, isto é: o fato ele algumas poucas religiões não aceitarem a idéia da reencarnação também não tem valor algum como evidência contra a doutrina do renascimento, especialmente se a refutação basear-se apenas em dogmas e opiniões de autoridades, nesta questão, o que deve considerar-se válido é apenas a evidência dos fatos.

CATEGORIAS DAS EVIDÊNCIAS
Para maior facilidade de estudo e pesquisa, as evidências de apoio à idéia da reencarnação podem dividir-se em seis categorias principais a saber:
1) Recordações espontâneas de uma ou mais vidas anteriores, surgidas na infância.
Estas lembranças iniciam-se, mais comumente, no começo da fase elocutória, isto é, quando a criança passa a expressar-se verbalmente. Nesta ocasião o paciente costuma referir-se a fatos de uma vida anterior, fornecendo, em alguns casos, informações precisas sobre a personalidade prévia, o local onde viveu, o modo como morreu, o nome dos pais, etc, etc .. Esse período revelações dura em média seis a sete anos, a fase de maior intensidade costuma ocorrer entre os dois e quatro anos de idade. O declínio inicia-se aos cinco anos e as recordações podem desaparecer mais ou menos aos sete anos de idade.
Todavia, há variantes quanto à duração das recordações reencarnatórias. Há pessoas que conservam as lembranças íntegras ou parte delas, por toda a sua existência.É um dos casos de recordação em adultos, que faz parte do grupo seguinte.
Em alguns indivíduos, mesmo após haver-se extinguido a memória dos fatos da sua anterior encarnação, podem surgir, em algumas ocasiões, surtos de lembrança de alguns episódios que já haviam sido aparentemente apagados da memória. Quase sempre, estes lampejos mnemônicos ocorrem em virtude da associação de idéias ou da contemplação de ocorrências semelhantes às vividas anteriormente.
Parece que o esquecimento atinge apenas o nível da consciência do paciente, porque há outros tipos de lembranças que se manifestam sob a forma de comportamentos inconscientes. São as fobias, os maneirismos, as habilidades adquiridas na existência prévia, inclusive manifestações de xenoglossia, gostos alimentares e outros.

2) Recordações em adultos:
As recordações reencarnatórias em adultos podem ocorrer em diversas circunstâncias, conforme segue:
2.1) Recordações iniciadas na infância e que persistiram, em parte ou totalmente, durante a vida do paciente ( ver o item anterior).
2.2) Lembranças de episódios de vidas passadas reveladas sob forma de sonho. Pode ocorrer um sonho apenas, ou ter-se vários sonhos repetidos.
2.3) Visões em estado de vigília, reveladoras de cenas do passado.
2.4) Recordações espontâneas, sem motivo qualquer.
2.5) O "déjà vu", isto é, o reconhecimento de um lugar ou cena que nunca foram contemplados antes na presente existência.
2.6) Reconhecimento de uma pessoa com a qual nunca se teve relacionamento de espécie alguma nesta existência, nem direta nem indiretamente.
2.7) Recordação de eventos ocorridos em vida anterior, provocada por associação com fatos presenciados na vida atual.
2.8) Lembranças de episódios, vividos previamente, provocadas por doenças, estado febril, enfraquecimento excessivo, no momento de morrer, etc.
2.9) Memórias de vidas anteriores, despertada por ativação espontânea de faculdades paranormais.

3) Por informação:
3.1) Sonhos anunciadores: podem ser produzidos pela própria entidade que está reencarnando e que avisa aos parentes: podem ser de outra entidade que informa aos parentes quem está reencarnando.
3.2) Informações fornecidas por desencarnados, revelando quem foi a pessoa na vida anterior.
3.3) Informação fornecida por pessoas dotadas de faculdades paranormais especiais.
3.4) Informação do próprio indivíduo, antes de morrer, prometendo voltar como filho ou filha de determinada pessoa.

4) Por características inatas:
4.1) Genialidade.
4.2) Alguns sinais ou defeitos congênitos (marcas reencarnatórias de nascença).
4.3) Qualidades boas ou más, aptidões, etc. de nascença (sankhárâs).
5) Por investigação experimental, ou por outras causas eventuais.
5.1) Psicanálise muito profunda,
5.2) Casos de obsessão,
5.3) Hipnose ocasionando regressão de idade e daí a regressão a vidas passadas. Terapia de Vidas Passadas - TVP
5.4) Ação das drogas,
5.5) Experiências fora do corpo - EFC.
5.6) Choques traumáticos violentos.
5.7) Estados pré-agônicos,

6) Por experiências místicas:
6.1) Meditação.
6.2) Êxtase, "samadi","satori", etc.

Convém esclarecer que não é sempre que tais estados ou experiências se mostram capazes de revelar algo relativo a uma ou mais vidas pregressas. Porém, pode ocorrer que tais circunstâncias sejam propícias a tal revelação. Elas foram aqui alinhadas porque têm-se registrado casos em que algumas pessoas mediante semelhantes condições obtiveram informações acerca de suas vidas pregressas e que puderam ser comprovadas.
A rigor, deveríamos apresentar pelo menos um exemplo concreto de cada espécie das categorias atrás enumeradas, Todavia ultrapassaríamos os justos limites da paciência do caro internauta. Por isso, iremos mencionar apenas um caso, indicando depois as fontes bibliográficas onde o internauta mais interessado poderá encontrar úm número maior de relatos enquadráveis nessas categorias.
Vamos escolher um caso da primeira categoria, isto é, de crianças que se recordam de vidas passadas. Os casos desta espécie são muito numerosos. Apresentaremos um da coleção do maior investigador da reencarnação, o Dr. Ian Stevenson. Professor de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, nos EE.UU.

O CASO DE BISHEN CHAND KAPOOR
Bishen Chand, nasceu em 1921, na cidade de Bareilly, Uttar Pradesh, Índia. Seu pai era o Sr. B. Ram Ghulam Kapoor, um ferroviário, e sua mãe a Sra. Kunti Devi.
Desde a tenra idade de dez meses, logo que começou a pronunciar, ainda mal, algumas palavras, sua família ouvia-o dizer: pilivit ou pilibhit.
Pilibhit é o nome de uma grande cidade situada cerca de 50 Km a noroeste de Bareilly. Entretanto, a família de Bishen Chand não tinha nenhuma ligação com pessoas de Pilibhit e esse nome não representava nada de especial para seus parentes.
Mas à medida que o menino passou a expressar-se melhor, ele começou a revelar que tivera uma vida anterior em Pilibhit. Deu diversos detalhes bem precisos desta vida prévia, inclusive que seu nome era, então, Laxmi Narain, bem como se referia a um homem que considerava como seu "tio". chamado Har Narain. Disse mais que seu pai era um "zamindar" (latifundiário, coletor de impostos).
Quando Bishen Chand estava aproximadamente com quatro anos de idade, seu pai levou-o juntamente com seu irmão mais velho. Bipan Chand, a um passeio até Golda, uma outra cidade situada além de Pilibhit. Então ele pediu para descer do trem, dizendo que "ele morava ali". Seu pedido foi negado: por isso ele chorou durante todo o trajeto de volta até Bareilly.
Aproximadamente um ano e meio mais tarde B. Ram Ghulam o pai de Bishen Chand ocasionalmente relatou o caso de seu filho a um outro homem. Este por seu turno contou o fato ao advogado K. K. N. Sahay que, por coincidência, achava-se justamente naquela ocasião verão de 1926 investigando o caso de seu próprio filho, Jagdish Chandra.
K. K. Sahay interessou-se pelo caso de Bishen Chand também. Tendo ido visitar Bishen Chand para escrever sobre mais este episódio, ele persuadiu o pai do garoto a levá-lo para visitar Pilibhit e assim conferir as suas revelações acerca de uma vida anterior naquela cidade.
Em de agosto de 1926, Bishen Chand, seu irmão mais velho, o pai dos garotos e o Dr. Sahay foram a Pilibhit. Em Pilibhit, Bishen Chand reconheceu vários lugares e fez declarações adicionais a respeito de sua vida anterior. As declarações e reconhecimentos coincidiram precisamente com os fatos ocorridos em vida de um jovem chamado Laxmi Narain, que morrera em 1918, um pouco mais que dois anos antes do nascimento de Bishen Chand. Grande parte dos detalhes deste caso foram supridos pelo advogado K. K. N. Sahay e posteriormente verificados pelo Prof. Ian Stevenson pessoalmente.
Em sua análise do presente caso, Stevenson levantou 51 itens contento as declarações e reconhecimentos feitos pelo menino Bishen Chand, em sua quase totalidade plenamente confirmados, Entre os episódios marcantes mencionaremos, a título de exemplo, o encontro de Bishen Chand com a mãe de Laxmi Narain (a identificada personalidade anterior ):
Por ocasião do encontro entre a mãe de Laxmi e o garoto Bishen, apresentou-se um quadro de evidente afinidade entre ambos. Bishen Chand respondeu com impressionante precisão às perguntas formuadas pela genitora de Laxmi Narain, Por exemplo, detalhes como o nome correto do criado pessoal de Laxmi Narain, a descrição do seu tipo humano, inclusive a casta à qual o criado pertencia. Para finalizar, ele declarou que gostava mais da mãe de Laxmi Narain do que de sua própria genitora.
Outro fato notável foi o menino Bishen Chand ter indicado com precisão onde se encontrava um tesouro em moedas de ouro, que havia sido escondido pelo pai de Laxmi Narain antes de morrer. Ninguém da família conhecia o local onde o tesouro estava ocultado, a não ser o falecido Laxmi Narain. Com as informações de Bishen Chand foi possível encontrar o referido tesouro e assim recuperá-lo para a família, (Stevenson, I.. India Cases of the Reincarnation Type Volume I Ten Cases in Índia: Charlottesville: University Press of Virginia, 1975, pp,176-205).

A PESQUISA ATUAL DA REENCARNAÇÃO
Podem distinguir-se duas áreas distintas da pesquisa sobre a reencarnação:
1ª - Pesquisa direta das evidências: Neste tipo de investigação buscam levantar-se os casos de recordações reencarnatórias, sem visar outra finalidade a não ser o melhor conhecimento das leis que regem o fenômeno do novo nascimento. O método mais seguro e usado com bastante êxito consiste na pesquisa dos casos de lembranças de vidas anteriores manifestados em crianças, preferência não prejudica a investigação das categorias de evidência, desde que elas, à semelhança casos de memória reencarnatória em crianças, propiciem seguras comprovações dos episódios, lugares e pessoas envolvidas no histórico das lembranças reveladas paciente.

2ª - Investigação indireta das evidências, com vistas a outros objetivos:
Neste processo de obtenção dos detalhes de uma ou vidas passadas visa uma outra finalidade. A mais seria sua aplicação terapêutica no tratamento psicopatologias refratárias aos métodos convencionais.
De maneira geral, distinguem-se dois processos fundamentais para alcançar as informações acerca dos eventos ocorridos em vidas pregressas. Supõe-se naturalmente que tais acontecimentos, geralmente traumáticos, estariam ocasionando os sintomas psicossomáticos da atual existência. Então tenta-se descobri-los. Os dois métodos usados são:
a) A hipnose regressiva. ou "regressão cronológica" este processo faz-se a hipnose prévia do paciente seguida tenta-se levá-lo a regredir na idade, cronologicamente, até passar a uma vida anterior. Durante a regressão o terapeuta sonda cuidadosamente os fatos de cada idade, a fim ele descobrir quais os acontecimentos que poderiam ter implicações com os sintomas psicopatológicos do paciente. Isto é importante porque, às vezes, os distúrbios psíquicos podem ter-se originado na vida atual da pessoa. Mas a investigação de possíveis traumas em vidas anteriores pode resultar em êxito no tratamento das perturbações. Vejamos o segundo método.
b) A "regressão cronotápica", seguindo a pista dos sintomas:
Este processo é recomendado pela dupla, Dr. Morris Netherton e Dra. Nancy Shiffrin, que esteve em 1981, 1982 e 1986 em São Paulo, a convite do casal Eng. Prieto Peres e Dra. Maria Júlia P.M. Prieto Peres, introdutores da Terapia de Vidas Passadas - TVP - em nosso país e em outros da América Latina. Nota: A sigla TVP foi adaptada posteriormente para TRVP: - TRVPeres -pela Dra. Maria Júlia P.M. Prieto Peres fundadora do atual Instituto Nacional de Pesquisa e Terapia Regressiva Vivencial Peres).
Os freqüentes êxitos obtidos nesses tipos de terapia regressiva são outras tantas evidências de apoio à idéia da reencarnação. (Netherton & Shiffrin, 1978).
As terapias regressivas têm produzido um grande contingente de psicoterapeutas sinceramente convencidos da realidade da reencarnação. Entre os mais conhecidos colocamos a Dra. Edith Fiore: que afirma: "A vida que vivemos agora não é nossa primeira vida: todos já passamos pelo mundo." (Fiore, 1978). Outra notável psicóloga. Dra. Helen Wambach, colecionou mais de mil casos de recordações de vidas passadas. Tais fatos foram obtidos ao longo de muitos anos de clínica em que ela empregou largamente o método da regressão. Além de obter grande percentual de curas, ela pôde fazer interessantes estudos históricos, baseados nas informações de seus pacientes e em rigorosa análise estatística, [Wambach, 1981),
Outro autor desse gênero é o Dr. Arthur Guirdham que ocasionalmente em sua clínica psiquiátrica, descobriu que uma sua paciente tivera uma encarnação entre os Cátaros no Século XIII. Há em português duas obras desse médico, Os cátaros e a reencarnação, 1992, e Entre Dois Mundos, 1981, ambas editadas em São Paulo pela Ed. Pensamento.
Uma vez comprovada a realidade da reencarnação, o corolário desse fato será necessariamente a certeza da sobrevivência da individualidade após a morte do corpo físico. O número imenso de casos de reencarnação já registrados e investigados está mostrando claramente que os seres vivos inclusive o homem possuem, além do corpo físico, uma contraparte não física, mas real, imperecível e portadora de consciência, à qual têm sido dados nomes diversos ao longo da história. Verifica-se, a cada dia que passa, que a aceitação dessa realidade não está mais na dependência de fatos que a comprovem e sim tão-somente da disposição em aceitá-la.

Hernani G. Andrade