quinta-feira, 24 de março de 2011

MELINDRISMO

“Toda a casa dividida contra si mesma não subsistirá”. Jesus. (Mt., 12:25.)
Uma equipe de Espíritos capitaneada pelo Dr. Bezerra de Menezes foi convocada a prestar socorro de emergência em uma determinada Casa Espírita, não pelas condições oferecidas pelos trabalhadores da Casa, mas pelos méritos da criatura que ia receber o benefício. Tratava-se de uma senhora, portadora de um carcinoma em insidioso estágio de metástase, já desenganada pelos médicos, vez que falharam todos os recursos da medicina conhecida na Terra. A desencarnação fora prevista para dentro de no máximo 1 ou 2 meses, segundo os prognósticos baseados nos exames realizados nos sofisticadíssimos equipamentos de última geração. Fazia-se urgente, então, o auxílio da medicina espiritual da qual nós, os encarnados estamos longe de avaliar a dimensão e a potencialidade dos recursos...
Os integrantes da equipe à exceção do Dr. Bezerra de Menezes, já veterano das lides socorristas, não disfarçavam a surpresa ao se depararem com a indigência espiritual a que estava relegado aquele Centro Espírita. Notava-se claramente que ali abundavam as reuniões mediúnicas e faltavam as reuniões de estudo. Os trabalhadores eram extremamente personalistas e ciosos de suas respectivas “sapiências e autoridades”. Por um “dá cá esta palha” implantava-se a cizânia entre eles, dificultando a aproximação dos Espíritos do Senhor. A maledicência campeava solta, à vontade, sem peias; a vigilância há muito já havia batido em retirada...
Não sem despender muita energia para assegurar um mínimo de equilíbrio e higiene no ambiente, a tarefa foi concluída, por sinal com tão retumbante sucesso que até hoje mantém abertas de perplexidade as bocas dos facultativos que prognosticaram, sem apelação, a morte da paciente.
Na viagem de volta aos páramos celestes, um neófito integrante da equipe espiritual, um tanto reticente e tímido aproxima-se do bondoso Mentor e pergunta:
“Como é possível tanta dissidência e invigilância num agrupamento de pessoas que dizem estar reunidas em nome de Jesus? É válida tal “prática” de Espiritismo?
O “Médico dos Pobres”, com certa tristeza na entonação de voz, respondeu paternalmente:
“Filho, infelizmente, muitas Casas Espíritas não nos oferecem a mínima condição de trabalho em benefício dos sofredores da Terra. Mas Jesus, sempre atento, em Sua infinita misericórdia oferece-nos os recursos adicionais para vencermos a má-vontade dos encarnados, quando o beneficiário dispõe de méritos que justifiquem a interferência do Mundo Maior.
Naquela Casa Espírita que acabamos de deixar não existe, na verdade, a prática do Espiritismo, mas sim a prática do melindrismo, onde pululam os Espíritos malfazejos que estão todo o tempo insuflando a acrimônia entre os “soi-disants” trabalhadores do Cristo, contumazes na invigilância”.
Recolhendo-se em profundas reflexões o inexperiente neófito entregou-se a sentida oração em favor dos “Espíritas Imperfeitos” que enxameiam nas hostes espiritistas.
No Mundo Espiritual, em conversa com o Dr. Odilon Fernandes, Ramiro Gama obteve a seguinte explicação:
“(...) Existem Centros Espíritas que não se preocupam com reuniões de estudo, apesar de promoverem reuniões mediúnicas a semana inteira... Os diversos grupos de mediunidade, inclusive, chegam a disputar entre si – médiuns contra médiuns, dirigentes contra dirigentes e, pasmem, Espíritos contra Espíritos!...
E quando as desavenças existem entre os membros de um mesmo grupo mediúnico? Aí é que a coisa se transforma num “prato cheio” onde os obsessores se locupletam! A incompatibilidade entre os integrantes de uma mesma equipe de serviço mediúnico, acaba por atrair Espíritos que não comungam as mesmas idéias. Assim como em uma casa espírita ocorrem lamentáveis divisões, com grupos de tarefeiros se isolando uns dos outros, os Espíritos, que nada mais são do que homens fora do corpo, também mutuamente se rebelam, sustentando entre si intermináveis polêmicas doutrinárias... Evidentemente que tais coisas ocorrem devido à falta de assimilação dos ensinamentos de Jesus agravada pela falta de estudo doutrinário. Os médiuns ficam tão preocupados em doutrinar os Espíritos, que não se preocupam com a própria evangelização... Aliás, nessas casas às quais nos referimos há mais mediunismo que mediunidade. Em suas múltiplas reuniões, a mistificação e o animismo campeiam, livres, induzindo à fascinação a maioria dos seus componentes. Um templo Espírita bem orientado preocupa-se, primeiro, em estruturar-se doutrinariamente; apenas quando os seus integrantes revelem, da mediunidade, o mínimo de conhecimento necessário é que se deve cogitar da formação de um grupo consagrado às atividades mediúnicas propriamente ditas.
As maiores perturbações que pude conhecer assolando uma Casa Espírita começaram justamente através da invigilância do que denominamos reunião de desobsessão... Uma reunião mediúnica seja ela qual for, pode, quando não bem orientada, ser uma porta escancarada para o desequilíbrio do grupo onde medrarão infrenes as disputas, os ciúmes, inveja, personalismo, etc... Se uma atividade mediúnica qualquer estiver perturbando o bom andamento das demais atividades do Centro, é melhor que ela seja extinta e que, em seu lugar, se crie uma reunião de estudos sistematizados da Doutrina ou... nada. E que ninguém fique de consciência pesada, se semelhante providência tiver de ser tomada...
Temos que ser apologistas da mediunidade com responsabilidade. Os Espíritos irresponsáveis, que enxameiam pelos caminhos da Terra, sentem-se extremamente à vontade nos Centros onde as reuniões de mediunidade prevaleçam sobre as reuniões de estudo; já os Espíritos esclarecidos freqüentam com maior assiduidade os grupos onde haja uma predominância do estudo que se alie à prática, ou seja, do conhecimento teórico que se vincule à vivência do bem no cotidiano”.
Jesus foi muito claro ao ensinar: (Mt., 5:38 a 42.)
“(...) Não resistais ao mal que vos queiram fazer; se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra; se alguém quiser pleitear contra vós, para vos tomar a túnica, também lhe entregueis o manto; se alguém vos obrigar a caminhar mil passos com ele, caminheis mais dois mil”.
Desenvolvendo este ensinamento de Jesus, o Mestre Lionês aduz:
“(...) Dizendo que apresentemos a outra face àquele que nos haja batido numa, disse Jesus sob outra forma, que não se deve pagar o mal com o mal; que o homem deve aceitar com humildade tudo o que seja de molde a lhe abater o orgulho; que maior glória lhe advém de ser ofendido do que de ofender, de suportar pacientemente uma injustiça do que de praticar alguma; que mais vale ser enganado do que enganador, arruinado do que arruinar os outros. É, ao mesmo tempo, a condenação do duelo, que não passa de uma manifestação de orgulho. Somente a fé na Vida futura e na justiça de Deus, que jamais deixa impune o mal, pode dar ao homem forças para suportar com paciência os golpes que lhe sejam desferidos nos interesses e no amor-próprio. Daí vem o repetirmos incessantemente: Lançai para diante o olhar; quanto mais vos elevardes pelo pensamento, acima da vida material, tanto menos vos magoarão as coisas da Terra”.
Ao convidar-nos a “lançar para diante o olhar”, Kardec nos faz reportar à belíssima página de Emmanuel, intitulada:
A V A N C E M O S !...
Na estrada cristã, somos defrontados sempre por grande número de companheiros que se aquietaram à sombra da improdutividade, declarando-se acidentados por desastres espirituais: É o trabalhador que se viu dilacerado pela incompreensão de um amigo; é um missionário que se imobilizou à face da calúnia; é alguém que lastima a deserção de um consócio da boa luta; é o operário que clama indefinidamente contra a fuga da companheira que lhe não percebeu a dedicação afetiva; é o idealista que espera uma fortuna material para dar início às realizações que lhe competem; é a mulher que se enrola no cipoal da queixa contra os familiares incompreensivos; é o colaborador que se escandaliza com os defeitos do próximo, congelando as possibilidades de servir; é alguém que deplora um erro cometido, menosprezando as bênçãos do tempo em remorso destrutivo...
O passado, porém, se guarda a virtude das experiências, nem sempre é o melhor condutor da Vida para o futuro. É imprescindível exumar o coração de todos os envoltórios entorpecentes que, por vezes, nos amortalham a Alma.
Paulo de Tarso, que conhecera terríveis aspectos do combate humano, na intimidade do próprio coração, e que subiu às culminâncias do apostolado com o Cristo, nos oferece roteiro seguro ao aprimoramento escrevendo fraternal carta à comunidade de Filipos: “(...) Irmãos, quanto a mim, não julgo que haja alcançado a perfeição, mas uma coisa faço, e é que esquecendo-me das coisas que atrás ficam, avanço para as que se encontram diante de mim.
Esqueçamos todas as expressões inferiores do dia de ontem e avancemos para os dias iluminados que nos esperam.”
Centralizemos nossas energias em Jesus e caminhemos para diante.
Ninguém progride sem renovar-se”.

quarta-feira, 9 de março de 2011

A MAGNITUDE DA FÉ EM NOSSAS VIDAS.

Quando Ele veio ao encontro do povo, um homem se lhe aproximou e, lançando-se de joelhos aos seus pés, disse:
Senhor tem piedade de meu filho, que é lunático e sofre muito; pois cai muitas vezes no fogo e, muitas vezes, na água. Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar.
Jesus respondeu, dizendo: Ó raça incrédula e depravada, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui este menino.
E, tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu do menino, que no mesmo instante ficou são.
Os discípulos, então, vieram ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: Por que não pudemos nós outros expulsar esse demônio?
Respondeu-lhes Jesus: Por causa da vossa incredulidade. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daí para ali e ela se transportaria e nada vos seria impossível. (Mateus,17:14-20.)
Muito significativa essa passagem de Jesus.
A parábola da figueira que secou é outra demonstração deixada por Jesus para refletirmos seriamente sobre a fé, encontrada em Lucas (13:6-9). Nela, passamos a ver o homem na figueira que foi plantada, mas que não frutificou. Assim é o religioso que se diz cristão, mas em verdade, não mostra seus “frutos”.
Todos os homens, deliberadamente inúteis por não terem posto em ação os recursos que traziam consigo, serão tratados como a figueira que secou.
Pedro, ao não conseguir andar sobre as águas, mereceu de Jesus uma advertência quanto à sua falta de fé, em Lucas (8:25). Quantos de nós não nos amedrontaríamos como o fez Pedro, e também afundaríamos!?
Tomé, em João (20:24), não acreditou no reaparecimento de Jesus após a sua crucificação. Tornou-se, por isso mesmo, até hoje, um símbolo da falta de fé. Essa passagem é sempre lembrada por todos quantos desejam enfatizar a ausência da fé na criatura.
Jesus, em várias de suas lições, querendo destacar a significativa importância da fé, mostrou, com sua exemplificação, que será necessário ao homem acreditar nas próprias forças, o que o tornará capaz de executar certos feitos materiais. Quem duvida é um pessimista e se vê impossibilitado de crescimento moral. Se não acreditarmos que somos capazes de amar até os inimigos, de que adianta afirmar que acreditamos em Jesus? Estabeleceria, por acaso, Jesus um objetivo educativo para nós impossível de ser alcançado?
Como ficaria sua condição de Mestre dos mestres?
Tiago, em sua Carta (2:14), foi extraordinário quando se referiu à associação que deve existir entre a fé e as ações da criatura, ao afirmar que “[...] nenhum proveito existe, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras. Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?”.
Uma realidade fica patente: da fé vacilante resulta a incerteza, a dúvida; já a fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos que fazem se vençam os obstáculos, nas grandes como nas pequenas tarefas.
Quem acredita no tratamento a que está submetido – dizem os entendidos – está com meio caminho andado para curar-se. Todavia, quem não acredita...
Inquestionavelmente, são a fé e o amor os dois fundamentais instrumentos de trabalho do espírita.
“A fé é a garantia do que se espera a prova das realidades invisíveis”, testificou Paulo, em Carta aos Hebreus (11:1). E ele sabia, perfeitamente, do que falava, pois sem essa virtude, teria fracassado em sua missão de ser o maior divulgador do Cristianismo nascente.
A força e o poder da fé se transmitem à prece, enunciada com emoção e sinceridade. A prece é a manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus.
A fé sincera e verdadeira é sempre calma, facultando a paciência que sabe esperar.
A confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais, que não consegue fazer quem duvida de si.
Aqui, porém, unicamente no sentido moral se devem entender tais palavras. As montanhas que a fé, exaltada por Jesus, desloca, são as dificuldades, as resistências, a má vontade; em suma, tudo com que se depara da parte dos homens, ainda quando se trate das melhores coisas.
Como se adquire a fé inabalável?
Através do conhecimento que se obtém com o estudo dos postulados da Doutrina Espírita, que não arregimenta, em suas fileiras, crentes devotos, mas homens de fé raciocinada.
Seja, portanto, inabalável a nossa fé, alicerçada nos postulados fundamentais do Espiritismo:
Deus, Espírito, imortalidade da alma, reencarnação, mediunidade, pluralidade dos mundos habitados, lei de ação e reação, lei da evolução, prática da caridade, vivência do Evangelho de Jesus, e outros.
A “preceterapia” é hoje testada por estudiosos do assunto, renomados homens de ciência. Servindo-se de um número de pacientes portadores da mesma enfermidade, chegaram à conclusão de que em dois grupos, um com 192 enfermos e outro com 214, o número maior dos que apresentaram resultados positivos, após tratamento, foram justamente os que nele acreditavam, e, consequentemente na cura. O mais importante de tudo: igual tratamento foi dispensado a todos.
Relevante é “[...] não confundir a prece com a presunção. A verdadeira fé se conjuga à humildade [...].” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX – que serviu de base para este artigo –, item 4.) Aquele que a tem deposita mais confiança em Deus do que em si mesmo, porque sabe que nada lhe é possível sem a ação de Deus.
Com a fé pulsante em seu interior, o homem movimenta seu magnetismo atuando sobre o fluido, o agente universal, modificando-lhe as qualidades e lhe dando uma impulsão irresistível. É sempre a fé dirigida para o bem que podem operar os chamados, equivocadamente, “milagres”.
A fé pode ser raciocinada ou cega. A espírita é raciocinada. A fé cega, levada ao excesso, conduz ao fanatismo, ao “homem-bomba”.
A fé cega imposta é sinal de confissão de impotência para demonstrar que se está de posse da verdade. A fé não se prescreve nem se impõe.
A fé não procura ninguém, é ao homem que compete buscá-la, encontrá-la. Quem a procurar sinceramente não deixará de encontrá-la. Ensina Allan Kardec:
A resistência do incrédulo, devemos convir, muitas vezes provém menos dele do que da maneira por que lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender.
A fé cega já não é deste século [...]. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 7.) A criatura deve crer, porque tem certeza, apoiando-se nos fatos e na lógica. Somente tem certeza porque compreendeu.
“Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade”, é o que encontramos no livro acima citado.
Sob o título “A fé: mãe da esperança e da caridade”, o Espírito protetor José afirma:
Para ser proveitosa, a fé tem de ser ativa; não deve entorpecer-se. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus cumpre-lhe velar atentamente pelo desenvolvimento dos filhos que gerou.
A fé sincera é empolgante e contagiosa; comunica-se aos que não na tinham, ou, mesmo, não desejariam tê-la. Encontra palavras persuasivas que vão à alma [...]. (Op. cit., item 11).
Preguemos pelo exemplo de nossa fé.
Não admitamos a fé sem comprovação: fé cega é filha da cegueira.
Amemos a Deus, mas sabendo por que o amamos; acreditemos em suas promessas, mas sabendo por que acreditamos; sigamos os seus conselhos, mas compenetrados do fim que nos é apontado e dos meios que nos são trazidos para atingi-lo.
Precisamos colocar a vontade a serviço dessa força que todos trazemos – a fé, que é ainda tão pouco utilizada.
A fé é humana e divina.
Se todos nos achássemos persuadidos da força que em nós trazemos, e se quiséssemos pôr a vontade a serviço dessa força, seríamos capazes de realizar o que hoje é considerado prodígios mas que, no entanto, não passa de um natural desenvolvimento das faculdades humanas.
A certeza na obtenção de algo é resultado da vontade de querer e a certeza de que esta vontade pode obter satisfação.
É a fé que conduz a Deus. Deve ser, portanto, ativa para ser proveitosa.
Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade. Assim, preconizar a fé cega sobre um ponto de crença é confessar-se impotente para demonstrar que está com a razão.
Pondera o Codificador:
[...] A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, denota fraqueza e dúvida de si mesmo. (Op. cit., cap. XIX, item 3.)
A fé, saibamos em definitivo, não se impõe nem se prescreve.
Ela é adquirida e ninguém há que esteja impedido de possuí-la, mesmo entre os mais refratários.
Hoje ou amanhã, nesta ou noutra encarnação, todos a possuirão.

Reformador Fev.08

terça-feira, 8 de março de 2011

APRENDENDO COM A DOR

Amigo(a), a vida nos fornece matérias como recurso didático no rumo da sabedoria e da paz. Um destes recursos, ainda não compreendido por nós, é a DOR...
Se perdermos um ente querido nos arrasamos de saudade; rompendo-se uma relação afetiva, cultivamos a "fossa"; se tivermos perdas financeiras, abraçamos o desânimo; se alguém nos ofende ou lesa, regamos a mágoa; e na maioria das situações que somos visitados pela irmã dor, preferimos a postura do(a) coitadinho(a), nos afundando na baixa da auto-estima, escolhendo infelizmente o desespero ou até o suicídio.
Faz-se mister mudar nossa visão.
A dor é matéria importante na escola da vida, juntamente com outras: alegria, paz, amizade, estudo, convivência, observação, exemplos alheios, etc.
Isso não quer dizer sermos insensíveis ou frios, mas reforçar nosso ânimo, mantendo-nos firmes, extraindo da dor o melhor aprendizado.
Mesmo que dolorosa, toda experiência é lição e não queda.
Ânimo!
Avante!

quarta-feira, 2 de março de 2011

LEI DE DESTRUIÇÃO

Desde os tempos remotos, há bilhões de anos, quando os primeiros habitantes do orbe ainda eram animálculos unicelulares, abrigados no seio das águas tépidas dos mares, a saga evolutiva dos seres vivos sempre foi marcada pela constante luta pela sobrevivência, em que duelam dois instintos: o da conservação e o da destruição. Para sustentar a vida, as criaturas precisam de energia, que encontram nos alimentos. Nessa faina, impulsionadas pelo instinto, entre devoram-se mutuamente.
É quando se opera o ciclo de transferência de energia e de nutrientes, que segue numa espiral infinita. Em uma das pontas dessa cadeia estamos nós, que também nos alimentamos dos vegetais e das vísceras dos animais, “nossos irmãos inferiores”. 1
Não bastasse isso, os hóspedes da casa planetária têm, ainda, que enfrentar os flagelos naturais que ameaçam a vida e outros valores, causando grande sofrimento. Essa constatação, impactante a princípio, já nos dá uma ideia da faixa evolutiva em que ainda nos situamos, apesar da idade estimada do Planeta em 4,6 bilhões de anos. 2
Todavia, os mentores celestes, por meio do Espírito André Luiz, informam que o homem lida com a razão há apenas 40 mil anos, aproximadamente. Assim, cálculos elementares nos levam a concluir que estamos ainda nas primeiras lições da cartilha da vida. Não é sem razão que o comportamento social da criatura humana, blindado com o verniz da civilização, ainda apresenta os atavismos de competição e beligerância:
[...] com o mesmo furioso ímpeto com que o homem de Neandertal aniquilava o companheiro, a golpes de sílex, o homem da atualidade, classificada de gloriosa era das grandes potências, extermina o próprio irmão a tiros de fuzil. 3
Por isso, a convivência em sociedade, muitas vezes marcada pela opressão e pela violência de todos os tipos contra o semelhante, é interpretada por algumas pessoas com fundamento no célebre aforismo, cunhado pelo filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), de que “o homem é o lobo do homem”.
Que razões teria a Sabedoria Divina para estabelecer entre os seres vivos, como regra da natureza, a luta pela sobrevivência, a destruição recíproca e a destruição pelos flagelos naturais? Estariam esses princípios em consonância com a bondade e a justiça do Criador? O estudo das Leis Morais reveladas em O Livro dos Espíritos abre uma ampla visão filosófica e científica, baseada na unidade da criação, na imortalidade, na reencarnação e no progresso dos seres, que permite um entendimento melhor dos propósitos superiores da Inteligência Suprema, em que “as aquisições de cada indivíduo resultam da lei do esforço próprio no caminho ilimitado da Criação”4 (Grifo nosso):
[...] Só o conhecimento do princípio espiritual, considerado em sua verdadeira essência, e o da grande lei de unidade, que constitui a harmonia da criação, pode dar ao homem a chave desse mistério e mostrar-lhe a sabedoria providencial e a harmonia, exatamente onde apenas vê uma anomalia e uma contradição. 5
O homem começa a perceber que também integra os ecossistemas, tanto que já propugna pela substituição do modelo de desenvolvimento atual, ecologicamente predatório,
socialmente perverso e politicamente injusto, por outro sustentável, que tem por divisa progredir sem destruir. Mas será que é possível progredir sem destruir? Em caso afirmativo, onde estariam os limites éticos da destruição? Destruição, no sentido comum, significa extinção, aniquilamento. Sob o ponto de vista espírita, contudo, a Lei de Destruição é transformação, metamorfose, tendo por fim a renovação e a melhoria dos seres vivos.
A destruição tem dupla finalidade: manutenção do equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e utilização dos despojos do envoltório exterior que sofre a destruição: [...] É esse equilíbrio dinâmico baseado em sofisticadas engrenagens que regem a vida e a morte que assegura a perenidade dos ecossistemas e dos seres vivos que neles existem. 6
A parte essencial do ser pensante (elemento inteligente) é distinta do corpo físico e não se destrói com a desintegração deste. Logo, a verdadeira vida, seja do animal, seja do homem, não está no organismo físico. Está no princípio inteligente, que preexiste e sobrevive ao corpo material, que se consome nesse trabalho, ao contrário do Espírito, que sai daquele cada vez mais forte, mais lúcido e mais apto. Enfim, a vida e a morte, dentro do planejamento divino, se apresentam como faces da mesma moeda:
[...] a lei de destruição é, por assim dizer, o complemento do processo evolutivo, visto ser preciso morrer para renascer e passar por milhares de metamorfoses, animando formas corporais gradativamente mais aperfeiçoadas, e é desse modo que, paralelamente, os seres vão passando por estados de consciência cada vez mais lúcidos, até atingir, na espécie humana, o reinado da razão. 7
O instinto de destruição coexiste com o de conservação, a título de contrapeso, de equilíbrio, para que a primeira não se dê antes do tempo, visto que toda destruição antecipada constitui obstáculo ao desenvolvimento da inteligência, motivo pelo qual Deus fez que cada ser experimentasse a necessidade de viver e de se reproduzir.
Há dois tipos de destruição: a destruição natural e a destruição abusiva. A destruição natural opera-se com o objetivo de manter o equilíbrio dos ecossistemas, como, por exemplo, na morte natural dos corpos pela velhice, nos incêndios naturais das matas que dizimam pragas, na erupção de vulcões, nos terremotos, nas cheias dos rios, que regulam os ciclos de renovação da vida.
Os flagelos naturais que ceifam a vida de milhares de pessoas não constituem meros acidentes da Natureza, uma vez que o globo não está sob a direção de forças cegas. Ninguém sofre sem uma razão justa. Tais fenômenos representam fator de elevação moral, com vistas à felicidade dos indivíduos. Além de favorecerem o desenvolvimento da inteligência ante os desafios, auxiliam o desabrochar dos sentimentos, tais como paciência, resignação, solidariedade e amor ao próximo. Isto é, [...] as comoções do globo são instrumentos de provações coletivas, ríspidas e penosas. Nesses cataclismos, a multidão resgata igualmente os seus crimes de outrora e cada elemento integrante da mesma quita-se do pretérito na pauta dos débitos individuais. 8
Já a destruição abusiva, que exprime faces diferentes da violência, é aquela provocada de forma predatória, com fins egoísticos, a pretexto de prover o sustento alimentar ou para satisfazer paixões e necessidades supérfluas, a exemplo do consumismo desenfreado, das caçadas de animais, das touradas. Sem embargo da destruição abusiva, o homem também ofende gravemente a lei divina quando assassina, quando pratica o suicídio e o aborto ilícito, quando provoca guerras etc. Os animais, por terem no instinto um guia seguro, somente destroem para satisfação de suas próprias necessidades, mas o homem, dotado de livre-arbítrio, nem sempre utiliza sua liberdade com sabedoria, sujeitando-se ao princípio de causa e efeito.
As leis divinas são perfeitas! A necessidade de destruição tende a desaparecer, à medida que o homem (Espírito encarnado), pela evolução intelectual e moral, sobrepuja a matéria. À proporção que adquire senso moral, vai desenvolvendo a sensibilidade e tomando aversão à violência. É quando passa a ver no seu semelhante não mais o “lobo”, mas o companheiro necessitado de amparo e de solidariedade. Entretanto, ainda que se despoje dos sentimentos belicosos, o homem, até que desenvolva plenamente o Espírito, sempre estará sujeito aos desafios da luta humana, cuja superação depende do trabalho, do esforço, da experiência e do conhecimento:
[...] Mas, nessa ocasião, a luta, de sangrenta e brutal que era se torna puramente intelectual.
O homem luta contra as dificuldades, não mais contra os seus semelhantes. 9
Há, da parte das instituições, grande preocupação com o desequilíbrio ambiental, com o crescimento demográfico e as desigualdades sociais, com a miséria, a criminalidade,
a corrupção. As medidas tópicas, de ordem econômica, tecnológica, muitas delas com a utilização da força bruta, não alcançam as verdadeiras causas do problema, que estão na ausência de educação moral do Espírito, educação essa que deve iniciar desde a infância como forma preventiva.
É possível colher os benefícios de uma vida sóbria, sem necessidade de agir com violência ou de destruir o próximo: “A vida é muito menos uma luta competitiva pela sobrevivência do que um triunfo da cooperação e da criatividade”. 10 Que o homem não se iluda: sem dominar a si mesmo, ele jamais dominará a Natureza.

Christiano Torchi
Reformador Março/2011

Referências:

1 XAVIER, Francisco C. Emmanuel. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 17, it. Os animais – nossos parentes próximos, p. 122.
2 Disponível em: .Acesso em 28/11/ 2010.
3 XAVIER, Francisco C. Libertação. Pelo Espírito André Luiz. 31. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 1, p. 18.
4 Idem. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp.Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 86.
5 KARDEC, Allan. A gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 52. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 3, it. 20.
6 TRIGUEIRO, André. Espiritismo e ecologia. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. Lei de destruição.
7 CALLIGARIS, Rodolfo. As leis morais. 15. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. A lei da destruição. Apud ROCHA, Cecília (Organizadora). Estudo sistematizado da doutrina espírita. Programa fundamental. Tomo 2. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Módulo 13, rot. 1, p. 99.
8 XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 88.

terça-feira, 1 de março de 2011

CARNAVAL

Chegou a hora de um novo carnaval, mas este que vai começar agora não será como os outros. Desta vez, a festa da carne já não será tão caracterizada pelo disfarce das fantasias, com as quais as potências malignas sempre se esmeraram em camuflar e colorir os seus mais temíveis propósitos. As máscaras não são mais tão necessárias, nem mesmo desejáveis. Agora a nudez é a norma, com toda a sua agressiva desfaçatez. Não apenas a nudez de corpos frenéticos, a nudez da carne soberana e sem freios, mas sobretudo a nudez dos pensamentos que se descobrem, acintosamente, sem qualquer pudor, na ostensiva clareza das pretensões mais abjetas.

Neste fim de tempos, com a permissão divina, para a necessária triagem, que vai finalmente separar o joio do trigo, o mal dispensa as velhas armaduras e não teme mostrar-se na completa arrogância da sua fria crueza.

O crime não escolhe mais nem hora, nem meios, nem ambientes, nem vitimas.

A festa que se prenuncia é de carne, mas de carne sangrenta, sofrida e humilhada, de carne em processo de franca decomposição, ainda antes do processo da morte física.

A violência já armou o seu cenário no grande palco do mundo e a função não tardará a começar, Nos bastidores da realidade, já começou, e dentro em pouco a cortina das conveniências será rasgada, para que o drama vingue, infrene, em toda a sua arrasadora plenitude.

A subida dos infernos é como o levantar-se do lodo dos abismos, que tolda todas as águas, antes de cristalina aparência. Não se poderia, no entanto, purificar verdadeiramente os mananciais, sem que o lodo do fundo fosse antes trazido à superfície, para ser então coado.

Os espíritos prevenidos, que tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, agirão como aquelas criaturas prudentes a que os Evangelhos se referem, ao invés de deixar-se arrastar pela correnteza das aluviões sem freio e sem rumo.

Depois das orgias e dos excessos, das violências e dos enganosos triunfos da força humana, virão as lágrimas redentoras e as penas merecidas, mas a noite se escoará, com todas as suas amarguras, nas claridades sublimes e definitivas da Nova Era Cristã.

É bem de ver que, para os discípulos leais a Jesus, as horas que se aproximem, tão ansiosamente aguardadas pelos gozadores e pelos velhacos, não serão de festa, mas de vigília, de jejum e de oração, de testemunhos de renúncia e de coragem.

Isso será, porém, altamente compensador, porque é vindo o momento anunciado em que os habitantes dos "vales" devem fugir para os "montes".

Em face da turbulência que se avizinha, nós vos almejamos muita paz ao coração. E enquanto os tambores, os clarins, as balas e os impropérios estiverem poluindo o ar da Terra, que haja no íntimo de nossas almas, a ecoar como música celeste, o som excelso das promessas de amor de Nosso pai.

Áureo(Espírito)

CIDADE MARAVILHOSA

A segunda capital do Brasil, Rio de Janeiro, é cantada e conhecida como a cidade maravilhosa. Aquela cheia de encantos mil.
E, verdadeiramente o é. Chegar àquela cidade e contemplar, à distância, o Cristo Redentor no alto do morro, é comovente.
E depois, se sucedem as praias, a natureza em total exuberância, a entrada da Baía de Guanabara, o mar beijando a orla...
Um verdadeiro encanto para quem tem olhos de ver e não se detém somente nas dificuldades que aquela metrópole, à semelhança de outras tantas, padece.
Talvez, por isso, aquele jovem de uma localidade do interior do Estado tenha se surpreendido, ao receber uma nota em que sua amiga se referia à cidade em que ele reside como maravilhosa.
Maravilhosa em quê?, redarguiu.
A cidade onde moro não é nenhuma metrópole, não tem nenhuma atração especial e o máximo que temos em beleza é a praça central, com alguns canteiros e bancos para desfrutar do sol.
A resposta que recebeu o deixou emocionado.
Amigo, para mim, o local onde moram os meus amigos, será sempre maravilhoso. Isso porque eu sei que, chegando ali, encontrarei as flores da amizade em ricos ramalhetes para me receber.
Sei que, passeando pelas ruas, poderei sentir o perfume dessa virtude que alimenta as nossas vidas exalando de cada coração.
Sei que, mesmo em dias de chuva e frio, encontrarei o calor dos seus abraços e o sol dos seus sorrisos.
Por isso, acredite, a sua cidade é maravilhosa. Ali residem você e outros tantos amigos, cujas fotos trago muito bem guardadas, no álbum do coração.
Quando viajo pelo mundo, quando chego às cidades onde ninguém me conhece e a ninguém conheço, tenho o cuidado de fechar os olhos e folhear esse precioso álbum.
As faces de cada um dos que residem nessa cidade passam pela minha memória e acalentam a minha soledade.
Sei então que não estou só. Os amigos distantes vibram por mim, me indagam de notícias, me enviam seu carinho em torpedos diários, em e.mails que chegam a horas perdidas da madrugada.
Existem sim, no mundo, localidades de espetacular beleza, que enchem os olhos com suas alamedas bem desenhadas, flores em abundância, jardins e praças esculturais.
Cidades que ofertam belezas naturais, com rios de águas cantantes, pontes de invejável arquitetura.
Cidades antigas que conservam o romantismo das ruelas estreitas, entre o casario de uma ou outra época. Cidades culturais, cidades modernas, de linhas arrojadas, edifícios que desafiam as alturas, monumentos extraordinários que honram a criatividade humana, sempre insuperável em suas manifestações.
Sim, já visitei muitas cidades e fotografei um número imenso de logradouros, museus, bibliotecas, pontes, riachos e concertos de cores da natureza.
Já fotografei obras de incalculável valor, que atestam como o homem é verdadeiramente esse ser que deixa seus traços de imortalidade nas expressões da arquitetura, da engenharia, da pintura, da escultura. Tantas e diversificadas concretizações da sua grandiosidade de filho de Deus.
Mas, de todas, a mais maravilhosa cidade das que já visitei, conheci, admirei é, sim, essa cidade onde estão os meus amigos.
Essa cidade onde estão os ramalhetes perfumados que me envolvem a alma em afagos, carinho e atenção.

Redação do Momento Espírita.
Em 01.03.2011.

domingo, 9 de janeiro de 2011

OS CRITÉRIOS DO ESPÍRITO ERASTO

Allan Kardec, no livro "Viagem Espírita m 1862" faz algumas advertências que convém não desprezarmos:

I- Os espíritas NÃO CONSTITUEM nem uma SOCIEDADE SECRETA, nem uma AFILIAÇÃO. Eles NÃO DEVEM, POIS, TER UM SINAL SECRETO para mútua identificação. Eles NADA ENSINAM e NADA PRATICAM que não possa ser conhecido por TODA A GENTE e não têm por conseqüência nada a ocultar.

II- Os espíritas falam aos demais sem temor algum "em alto e bom tom". Não temem esconder suas convicções, são seguros e corajosos de afirmar sua opinião.

III- Se o Espiritismo tivesse emergido das classes menos esclarecidas, sem nenhuma dúvida a ele estariam enredadas muitas superstições: ele, entretanto, nasceu em meios esclarecidos e só depois de se ter aí depurado e elaborado foi que penetrou, nos dias que correm, nas camadas menos cultas da sociedade, onde chegou desembaraçado, pela experiência e observação, de todas as implicações espúrias. O que poderia realmente SE TORNAR PERIGOSO PARA O VULGO, seria o CHARLATANISMO. Assim sendo, nunca será demais COMBATER, DE MODO CONSTANTE E CUIDADOSO, A EXPLORAÇÃO, FONTE INEVITÁVEL DE ABUSOS, e isso por TODOS OS MEIOS LÍCITOS ao nosso alcance.

IV- A LUZ PENETRA sempre na oficina de trabalho, mesmo SOB A CHOUPANA, à medida que O SOL DA INTELIGÊNCIA se ergue no horizonte e dardeja seus raios mais intensos. As idéias espíritas seguem esse movimento. Elas estão no ar e não é dado a ninguém contê-las. O ÚNICO NECESSÁRIO É DIRIGIR-LHE O CURSO.

V- O PONTO CAPITAL DO ESPIRITISMO É O LADO MORAL. Eis o que é preciso, - mesmo À CUSTA DE TODO E QUALQUER ESFORÇO, - fazer COMPREENSÍVEL, e, note-se, que é assim que ele é visto, mesmo nas classes menos esclarecidas. Por esse motivo o seu efeito moralizador já é manifesto.

VI- O Espiritismo tem inimigos, como toda e qualquer idéia nova os tem. Uma idéia que se estabelecesse sem oposições, , seria um fato que poderíamos ter como miraculoso. E ainda há mais: quando mais falsa e absurda, menos encontrará adversários, enquanto que os terá em número tanto maior quanto mais ela FOR VERDADEIRA, JUSTA e ÚTIL. Esta é uma conseqüência natural do estado atual da Humanidade.

VII- Toda IDÉIA NOVA, vem necessariamente, suplantar uma IDÉIA VELHA. Se ela é falsa, ridícula ou impraticável, ninguém lhe dá importância, pois que, instintivamente, compreende-se que não tem vitalidade. Deixam-na morrer de morte natural. Se é justa e fecunda, ela atemoriza aqueles que, a qualquer título, por orgulho ou interesse material, estiverem interessados em manter a idéia antiga. Estes a combaterão e com tanto mais ardor quanto melhor perceberem o perigo que representam aos seus interesses.

No meio espírita ainda ocorrem entrechoques de idéias, pois grande parte de seus adeptos conservam em seus espíritos os ranços de doutrinas conservadoras e dogmáticas. Ainda vivemos num entrechoque de idéias onde se põem em confronto acirrado NOVAS e VELHAS, CERTAS e ERRADAS, BOAS e MÁS, num conflito que um dia o genial Leonard Da Vinci simbolizou perfeitamente ao dizer: "Dentro de cada homem existe um Deus e um Demônio em luta acirrada pela supremacia da RAZÃO". São os antagonismos duais que se estabelecem pondo-se em confronto o positivo e o negativo, a tese e a antítese. Quando isto vai terminar? Quando o homem encontrar o ponto de equilíbrio entre o que é e o que não é, quando adotar um critério seguro para verificação da verdade.

VII- Há algo de mais pernicioso ao Espiritismo do que os ataques apaixonados dos seus adversários. É O QUE OS PSEUDO ADEPTOS PUBLICAM EM SEU NOME. Certas publicações são simplesmente lamentáveis, uma vez que oferecem da doutrina espírita uma IDÉIA FALSA e a EXPÕEM ao RIDÍCULO.

IX- Mas para sopesar o efeito dessas DISSIDÊNCIAS, basta observar o quanto passa. Em que SE APÓIAM ELAS? Em opiniões individuais que podem reunir algumas pessoas, pois NÃO HÁ IDÉIAS, POR MAIS ABSURDA que seja, que não encontre participantes.

X- O erro leva consigo, quase sempre, o seu remédio. E o seu reino, por outro lado, nunca é eterno. Cedo ou tarde, enceguecido por uns poucos sucessos efêmeros, faz-se vítima de uma espécie de vertigem e curva-se ante as aberrações que precipitam sua queda.

XI- Esses erros provêm quase sempre de Espíritos levianos, sistemáticos ou pseudo sábios, que se comprazem vendo editadas suas fantasias e utopias e isso por homens que conseguiram enleiar a ponto de fazê-los aceitar, de olhos fechados, tudo quanto lhes debitam, oferecendo alguns poucos grãos de boa qualidade e meio ao joio.

XII- Mas publicá-las pura e simplesmente, apresentá-las como EXPRESSÃO DA VERDADE e garantir a AUTENTICIDADE DAS ASSINATURA, que o BOM SENSO NÃO PODE ADMITIR, nisso está o inconveniente!

XIII- NO INTERESSE DA DOUTRINA, convém, pois, fazer uma ESCOLHA MUITO SEVERA, em semelhantes casos e pôr de lado, com cuidado, tudo quanto pode, por uma causa qualquer, produzir uma ruim impressão. É assim que o médium, conformando-se a esta regra, poderá apresentar uma compilação instrutiva, capaz de atrair as atenções e ser lida com interesse; mas é também assim que, publicando tudo quanto recebe, sem método e sem discernimento, será capaz de apresentar muitos volumes detestáveis, cujo inconveniente menor será o de não serem lidos.

XIV- É PRECISO QUE SE SAIBA que o ESPIRITISMO SÉRIO se faz patrono, com alegria e apressuramento, de toda obra realizada com critério, qualquer que seja o PAÍS DE ONDE PROVÉM, mas que, igualmente, repudia todas as PUBLICAÇÕES EXCÊNTRICAS. Todos os espíritas que de coração, vigiam para que a DOUTRINA NÃO SEJA COMPROMETIDA, DEVEM, POIS, SEM HESITAÇÃO, DENUNCIÁ-LAS, tanto mais porque, se algumas delas são PRODUTOS DA BOA FÉ, outras constituem TRABALHO DOS PRÓPRIOS INIMIGOS DO ESPIRITISMO, que visam desacreditá-lo e poder motivar acusações contra ele. Eis porque, repito, É NECESSÁRIO QUE SAIBAMOS DISTINGUIR AQUILO QUE A DOUTRINA ESPÍRITA ACEITA DAQUILO QUE ELA REPUDIA.

O pensamento de Erasto - Espírito arguto e sábio, a respeito desse milenar conflito, é claro e inequívoco: " Tive que vos falar assim, porque era necessário vos premunir contra um perigo, que era meu dever assinalar." "Não temais desmascarar os embusteiros.".

Eis em síntese as recomendações fundamentais que nortearam os rumos da CODIFICAÇÃO ESPÍRITA e que há muito foram incompreensivelmente deixadas de lado:

1- "Tende por regra que os fenômenos espíritas não servem para espetáculos e divertimento dos curiosos."

2- "... lembrai-vos de que, se é absurdo repelir sistematicamente todos os fenômenos de Além Túmulo, também não é prudente aceitá-los de olhos fechados (...) nunca será demasiado repetir: não aceiteis nada cegamente. Que cada fato seja submetido a um exame rigoroso, minucioso, aprofundado, severo." (O Livro dos Médiuns)

3-"Os maus médiuns, que abusam ou empregam mal as suas qualidades, sofrerão triste conseqüência, como já aconteceu com alguns. Eles aprenderão à própria custa o que devem pagar ao reverterem EM PROVEITO DE SUAS PAIXÕES TERRENAS um dom que Deus lhes concedeu para seu progresso moral." (O Livro dos Médiuns).

4- "... raramente os Espíritos superiores se comunicam por seus condutores, quando podem dispor de bons médiuns. Os médiuns levianos, pouco sérios, chamam Espíritos da mesma natureza. Suas comunicações se caracterizam pela banalidade, pela frivolidade, por palavras truncadas (...). Certamente podem dizer, e dizem às vezes, boas coisas, mas é precisamente nesse caso que é precisamente nesse caso que é preciso submetê-las a um exame severo e escrupuloso" (O Livro dos Médiuns).

5- "Na dúvida, abstém-te, diz um sábio provérbio antigo. NÃO ADMITAIS, POIS, O QUE NÃO FOR PARA VÓS DE EVIDÊNCIA NEGÁVEL. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a sempre pelo crivo da razão e da lógica. O que o bom-senso e a razão reprovam, rejeitai corajosamente. MAIS VALE REJEITAR DEZ VERDADES DO QUE ADMITIR UMA ÚNICA MENTIRA, UMA ÚNICA TEORIA FALSA. ( O Livro dos Médiuns - parte II, cap. XX-30).

6- "O médium é o individuo que serve de traço de união aos Espíritos, a fim de que estes possam comunicar-se com os homens, Espíritos encarnados. Por conseguinte, sem médium nada de comunicações tangíveis, mentais, escritas, físicas, nem de qualquer outra espécie." (O Livro dos Médiuns).

7- "... cuidado, porque entre os chamados para o Espiritismo, muitos se desviaram da senda! Atentai, pois, no vosso caminho e buscai a verdade." (O Livro dos Médiuns - cap. XX-04).

8-"Não se confia o comando de um exército senão a um general hábil e capaz de o dirigir (...). Ficai certos de que Deus só confia missões importantes aos que são capazes de as cumprir, porque as grandes missões são pesados fardos, que esmagariam os carregadores demasiados fracos." (O Evangelho segundo o Espiritismo - cap. XXI-9).

9- "Desconfiai dos FALSOS PROFETAS. Esta recomendação é útil em todos os tempos, mas sobretudo nos momentos de transição, em que, como neste, se elabora uma transformação da Humanidade. Porque, nesses momentos, uma multidão de AMBICIOSOS e FARSANTES se arvoram em REFORMADORES e MESSIAS. É contra esses impostores que se deve estar em guarda e o DEVER DE TODO HOMEM HONESTO É DESMASCARÁ-LOS (...). Já se viram desses impostores apresentarem-se como apóstolos do Cristo (...) e para vergonha da Humanidade, ENCONTRAM-SE PESSOAS BASTANTE CRÉDULAS para aceitarem as suas IMPOSTURAS.

10- O Espiritismo vem revelar outra categoria de falsos profetas, bem mais perigosa que não se encontra entre os homens, mas entre os desencarnados. É O DOS ESPÍRITOS ENGANADORES, HIPÓCRITAS, ORGULHOSOS e PSEUDO-SÁBIOS que (...) se disfarçam com NOMES VENERÁVEIS, para procurar, através da MÁSCARA QUE USAM, tornar as suas idéias, freqüentemente as mais BIZARRAS e ABSURDAS." (O Evangelho segundo o Espiritismo).

sábado, 8 de janeiro de 2011

DETALHES DA INGRATIDÃO


Conta-se que em Londres vivia um funcionário da limpeza pública chamado Mollygruber.
Idoso, era estimado por todos pelos valores morais que cultivava.
Uma manhã, quando recolhia o lixo do parque onde trabalhava, viu que um menino se debatia desesperadamente nas águas do lago. Logo percebeu que o garoto estava se afogando.
Pessoas se aglomeravam, assistindo curiosos, barulhentos, sem nada fazer em auxílio à criança.
O velho trabalhador, embora com suas dores reumáticas, se atirou na água gelada. Com dificuldade, trouxe o menino são e salvo, de volta às margens do lago.
Dada sua saúde precária, caiu desmaiado ali mesmo. A ambulância foi chamada e ele foi levado ao hospital.
Seu feito logo ganhou as páginas dos jornais.
Enquanto isso, a mãe do menino que fora salvo, chegou ao local e começou a examinar o filho, totalmente transtornada.
Em dado momento, olhou para a cabeça do menino e notou a falta do boné que ela dera de presente a ele, naquele dia.
Começou a gritar e a reclamar, dizendo que o velho roubara o bonezinho do seu filho.
E exigia que trouxessem de volta o boné. Como ninguém lhe atendesse o desejo, por totalmente descabido, ela foi até o hospital.
Nem se dera conta de que a vida de seu filho, o bem mais precioso, fora preservada. Que, graças a Deus, ele estava bem porque fora retirado da água, antes de ficar enregelado.
Não. O que ela queria era o bonezinho do garoto.
Chegando ao hospital, exigiu ver o velho que realizara o furto.
Tanto gritou e fez escândalo, que o médico de plantão, indignado, lhe disse:
Se a senhora não deixar o nosso herói descansar e se recuperar em paz, eu chamo a polícia para prendê-la.
Com o choque, a mulher se calou e foi para casa.
No dia seguinte, o idoso trabalhador morreu. Os moradores da região, aonde ele vinha servindo com retidão, há anos, inundaram o parque de flores e de letreiros com mensagens de gratidão.
Era a sincera homenagem a quem doou a própria vida para salvar uma criança desconhecida.

Por vezes, esquecemos-nos de ser gratos a dádivas que nos são ofertadas.
Em vez de lembrarmos-nos das alegrias que nos chegam, dos amigos que nos brindam com sua presença, lembramos somente da maldade com que fomos alcançados em algum momento.
Assim, um amigo nos oferece seu carinho e atenção por anos. Certo dia, em que ele não está bem, e nos dirige uma palavra infeliz, de imediato o descartamos de nossa convivência.
E, dali por diante, a todos os que encontrarmos, diremos da nossa mágoa, da agressão que recebemos da má educação do ex-amigo.
Contudo, nos dias de felicidade e bem querer, não ficamos alardeando tudo o que aquela pessoa nos ofereceu.
Esquecemos de que passou a noite conosco, no hospital, quando nos acidentamos e nossos familiares estavam distantes.
Olvidamos que nos estendeu a carteira farta, nos dias das nossas necessidades, nunca pedindo pagamento dos dispêndios que teve conosco.
Não recordamos dos dias de alegria das férias compartilhadas, dos passeios realizados, dos momentos em que nos alimentou a alma com a sua alegria e disposição.
Pensamos somente no ato infeliz de um dia, de um instante.
Pensemos um pouco se, ante as bênçãos que nos chegam, não estamos agindo como aquela equivocada mãe.

Redação do Momento Espírita com base em antiga história de Lobsang Rampa.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A VISÃO ESPÍRITA DO DIABETE

Os pacientes portadores do diabete melito tipo 1 desenvolvem esta doença na infância e na adolescência, como consequência de um ataque do sistema imunológico às células beta de seu pâncreas.
A doença tem início abrupto, levando o paciente, na maioria dos casos, à internação hospitalar em estado de coma. Após a hospitalização, o paciente e sua família se defrontam com uma série de condutas que incluem dieta, exercícios físicos, aplicações de insulina, exames laboratoriais, teste de urina e sangue, visitas constantes ao médico, entre outras.
O paciente passa por diversas fases de entendimento e aceitação da doença, mas, após alguns anos, a maioria deles abandona as condutas preconizadas, só retornando a elas quando começam a aparecer as complicações: retinopatia, neuropatia, nefropatia, etc.. O estímulo para esses pacientes cumprirem as condutas propostas vem geralmente da pressão exercida pela família e pelo endocrinologista, isto é, a conduta lhe é imposta sem sua concordância.
Como são espíritos muito inteligentes e sensíveis, mas extremamente indisciplinados, a anuência a essas condutas deveria ocorrer como consequência de seu entendimento do porquê da doença e do porquê da dor.

OBJETIVOS: Temos tentado esclarecer o paciente, através de exposições sobre programação reencarnatória, que ele aceitou e/ou solicitou a possibilidade do diabete como aprendizado necessário para seu espírito, levando-o à compreensão de que a causa do diabete está nas dificuldades encontradas pelo espírito bem antes da lesão pancreática.
Como o despertar que o esclarecimento lhe traz, abre-se em sua mente um campo novo de cogitações sobre a vida espiritual, sobre a imortalidade, levando-o a uma visão mais ampla da vida e desaparecendo a visão puramente organicista. O enfoque do diabete sai do pâncreas e vai para o espírito. Na medida em que seu entendimento se amplia e se aprofunda, o paciente se livra das pressões que lhe foram impostas e assume uma postura mais lúcida, mais equilibrada em relação a si mesmo. E isso se traduz através de uma aderência maior ao tratamento. Quantificamos essa aderência pela dosagem períodica da hemoglobina glicosilada, método hoje aceito mundialmente como o melhor para avaliar o controle do diabete.

MATERIAL E MÉTODOS: Convidamos, por ordem de chegada à clínica, dez pacientes jovens que não apresentassem complicações diabéticas secundárias, para participarem das exposições sobre a programação reencarnatória. Poderiam se fazer acompanhar dos pais. Perguntamos inicialmente a cada um onde estava dois anos antes de "entrar na barriga" de sua mãe. Como já comentamos, eles são jovens muito inteligentes, acostumados a dar respostas imediatamente. Nenhum deles soube responder, exceto um que é espírita.
Insistimos com as perguntas: E há três anos? Quatro anos? Cinco anos antes de você entrar na barriga de sua mãe? Quem era você? Onde você estava? É extramamente curioso constatar que eles nunca tinham sequer cogitado sobre essa época de sua existência. Para eles também, a experiência é excitante. Mais tarde, eles comentam: "Eu nunca tinha pensado nisso. Como pode?
Gerada essa expectativa, passamos a discorrer sobre o Instituto da Reencarnação (Missionários da Luz). Informamos sobre o mundo espiritual, as cidades espirituais, a moradia dos espíritos, a verdadeira pátria espiritual. Entre outras coisas, esclarecemos que ali eles estavam adultos, mais maduros, emancipados, podendo ver as últimas reencarnações e cogitar o planejamento das próximas.
Observando as últimas vivências, notaram que tinham falhado pela própria indisciplina, a qual continua sendo o traço marcante negativo de suas personalidades. Também reconheciam a extrema dificuldade em trabalhar as perdas. A indisciplina os tinha levado a falhar na conquista dos reais objetivos de uma reencarnação e o espírito, com toda sua bagagem, sente-se culpado pelo tempo perdido e pede o diabete como aprendizado, para que possa se disciplinar. Nada mais disciplinador do que o DIABETE MELITO: horário para levantar e para deitar, exercícios diários, alimentação na hora certa com as calorias certas, testes de urina, testes de sangue, aplicações de insulina várias vezes ao dia, consultas médicas. Tudo pelo resto da vida. E foi você quem pediu !

OS TRÊS PROJETOS: No Projeto Biofísico, em conformidade com a genética dos futuros pais, são mostrados os mínimos detalhes físicos, como altura, cor da pele, cor dos olhos, beleza, fealdade e compleição física de seu futuro corpo, em diferentes planilhas para cada um de seus sistemas: neurológico, sistema músculo-esquelético, sistema endócrino etc... Após o mergulho no útero materno e o nascimento, os pais procuram dar continuidade a esse projeto, através de alimentação sadia, vitaminas, medicamentos, vacinas, esportes, etc...

"SOMENTE ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO O ESPÍRITO CONSEGUE DESPERTAR PARA SUA CONDIÇÃO DE ESPÍRITO MILENAR COM RESPONSABILIDADES SOBRE SEUS ATOS PASSADOS, ABANDONANDO DOGMAS E VELHOS CONCEITOS E ENTENDENDO QUE ELE É O CONSTRUTOR DE SEU FUTURO".

Pelo Projeto Social, em sua programação reencarnatória também ficou sabendo sobre a família que teria, o acesso à cultura, a escolaridade, a possibilidade de cursar universidade, a profissão, as tarefas na sociedade, etc.. A continuidade desse projeto geralmente é assegurada pela família, que se empenha em lhe fornecer recursos para sua educação, instrução e formação profissional, mas quase sempre sob a ótica materialista, acatando as tendências mercantilistas sem analisar as aptidões e necessidades do espírito.
O Projeto Espiritual é o mais importante dos projetos, o motivo principal da reencarnação, a oportunidade de crescimento espiritual. Por que estamos reencarnados? Para quê? Quais são os objetivos de uma reencarnação? Crescemos fortes e sadios? Atingimos posições de destaque na sociedade? Só isso? Não. O objetivo maior é o crescimento espiritual. Desenvolvermos os projetos do espírito que estão abandonados há séculos. Crescermos em conhecimento e capacidade afetiva, vencendo as carências e defeitos do espírito. Por exemplo, sua indisciplina.
Se você se disciplinar, você vence o diabete, do contrário,o diabete vence você. A disciplina nascida de um entendimento profundo sobre suas dificuldades espirituais dará início ao processo de cura do espírito, a verdadeira cura. Nesse instante, passamos a comentar a lição evangélica da obediência e resignação.

RESULTADOS: Como já comentamos, os diabéticos tipo 1 são jovens muito inteligentes e sensíveis. Todos entendem e aceitam a proposta com muita naturalidade, ao contrário de seus acompanhantes, que geralmente não entendem. Do grupo inicial de dez pacientes, três não puderam assistir às exposições por mudanças nos seus horários de trabalho e estudo. Quatro jovens desse grupo solicitaram livros espíritas para se aprofundarem no assunto.
A hemoglobina glicosilada, que foi escolhida por nós como principal método de avaliação da aderência ao tratamento, mostrou sensível melhora na maioria dos pacientes e piorou em um outro. O tempo de acompanhamento do grupo foi extremamente curto, entretanto, permitiu conclusões definitivas. Com a continuidade do trabalho, é possível fazermos uma avaliação mais segura e abrangente. As exposições não tiveram a intenção de "converter" os pacientes em espíritas, mas sim informá-los sobre a vida espiritual, dando-lhes condições de buscar um novo paradigma de vida.

Somente através da educação o espírito consegue despertar para sua condição de espírito milenar com responsabilidades sobre seus atos passados, abandonando dogmas e velhos conceitos e entendendo que ele é o contrutor de seu futuro. Desmistificando o nascimento e a morte como início e o fim, que as dificuldades do corpo físico, servem como uma aprendizado para seu espírito, propiciadoras de crescimento e libertação.

Associação Médicos Espírittas

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

RELAÇÕES HOMOAFETIVAS


Este artigo propõe-se a esboçar, sob a ótica espírita, alguns pontos básicos da intrigante questão, pertinente à Lei de Reprodução: a homossexualidade, ou homoafetividade, como se tem convencionado chamá-la no meio jurídico.1 Não há a vã pretensão de esgotar o assunto nem de dar respostas prontas a todas as perguntas. O objetivo é despertar a reflexão e estimular o leitor a buscá-las por si mesmo.

Este tema ainda é um tabu em todo o mundo, porquanto a homossexualidade, embora seja tão antiga quanto o homem e exista inclusive no reino animal, é vista como um comportamento social contrário à natureza, talvez por ser algo fora dos padrões do que é considerado “normal”. Mas será que é isso mesmo? A pessoa, invariavelmente, é homossexual porque o deseja? Porque assim o escolheu? A homossexualidade, desde o final do século XX, deixou de ser considerada doença por organismos internacionais e pelo Conselho Federal de Psicologia, no Brasil.2 De acordo com a legislação brasileira, o casamento – vínculo conjugal entre duas pessoas – só é possível entre homem e mulher. Entretanto, aumenta cada vez mais o número de pessoas do mesmo sexo que sustentam vida em comum e que ficam à margem da proteção legal. Em vista disso, o Poder Judiciário tem sido constantemente instado a resolver conflitos desse jaez, tais como os relativos a pedidos de adoção de crianças, questões sucessórias, alimentares, previdenciárias, entre outras.

À míngua de norma explícita que autorize tais uniões, os intérpretes buscam respaldo na Constituição Federal, por analogia à união estável entre homem e mulher e à família monoparental, que foram equiparadas, pelo constituinte, a entidades familiares. Tomam por base princípios constitucionais muito caros às democracias, entre eles o da dignidade da pessoa humana, o da liberdade e o da igualdade, para concluir que é possível a união estável entre pessoas de sexo idêntico, com todas as consequências jurídicas próprias dos institutos referidos.3 O que há, ainda, é muita ignorância e preconceito no tocante à homossexualidade, cujas causas reais são praticamente desconhecidas dos especialistas encarnados.

Em virtude da visão fragmentária e reducionista que as ciências acadêmicas nutrem a respeito do ser humano, considerando como ente finito, e que, sob essa ótica, desapareceria para sempre da realidade após a morte física, muitos fenômenos psicológicos, sociais e biológicos, entre eles a homossexualidade, têm sido precariamente estudados e interpretados pelos estudiosos encarnados. A seu turno, a Doutrina Espírita oferece subsídios valiosos para auxiliar a compreensão de tais incógnitas, uma vez que analisa o ser humano sob o prisma holístico.4 Isto é, investiga as causas do enigma, pois não se detém apenas no exame dos fatores físicos e psicológicos inerentes ao ser humano.

O seu estudo, por si só, constitui uma excelente terapêutica, visto que auxilia a libertação de muitos conflitos e encaminha as pessoas para a tomada de atitudes mais coerentes e seguras diante da vida. Os benfeitores do Alto, nas questões 200 e 201 de O Livro dos Espíritos (Ed. FEB), deixam claro que os Espíritos não têm sexo, como o entendemos, e que podem encarnar ora como homem, ora como mulher. E complementam – “há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos”.

Portanto, as preferências sentimentais de pessoas por outras do mesmo gênero nem sempre implicam a existência de conúbio carnal ou o desvirtuamento e o abuso das faculdades genésicas, abuso esse que também ocorre, expressivamente, entre os indivíduos heterossexuais. Qualquer pessoa, independentemente de sua orientação sexual, jamais logrará realização, se se entregar aos excessos no campo da sexualidade. Nesses casos, o indivíduo sujeita-se a adquirir hábitos nocivos e a viciar-se nas aberrações da luxúria, essas, sim, contrárias às leis naturais, as quais convidarão o Espírito imortal a corrigi-las nas futuras encarnações.

– Por que sou assim? – frequentemente perguntam crianças e jovens de ambos os sexos, atormentados com a descoberta de suas tendências homossexuais, sem que tenham, conscientemente, escolhido esse caminho. Já os pais de homossexuais, alguns deles chocados com a orientação sexual de seus filhos, geralmente têm como primeira reação buscar uma explicação racional para a origem da homossexualidade. De acordo com o ensino dos Espíritos superiores, o sexo reside na mente, expressa-se no corpo espiritual (perispírito)5 e, consequentemente, no corpo físico: [...] o instinto sexual não é apenas agente de reprodução entre as formas superiores, mas, acima de tudo, é o reconstituinte das forças espirituais, pelo qual as criaturas encarnadas ou desencarnadas se alimentam mutuamente na permuta de raios psíquico-magnéticos, que lhes são necessários ao progresso. [...] ninguém escarnecerá dele, desarmonizando-lhe as forças, sem escarnecer e desarmonizar a si mesmo.6

Kardec também enfrentou esse assunto na Revista Espírita, onde esclareceu que as “anomalias aparentes” do caráter de certas pessoas se devem aos atavismos que o ser reencarnado traz de outras vidas. 7 Entretanto, essas características que as pessoas apresentam não as transformam, automaticamente, num homossexual. Outros Espíritos, com a finalidade de expiarem erros do passado ou exercerem tarefas de auxílio e/ou aprendizado, renascem em corpos incompatíveis com o seu psiquismo, pelo que, não raro, enfrentam severas rejeições de seus próprios familiares e são marginalizados pela sociedade, circunstâncias em que podem ser induzidos ao desvirtuamento e à viciação de suas sublimes faculdades reprodutoras.

O Espírito Emmanuel explica que muito dos enigmas da sexualidade se deve ao desconhecimento de nossa origem espiritual e biológica, está radicada nos seres inferiores da criação, de cujos instintos ainda não nos libertamos totalmente, bem assim ao desconhecimento da reencarnação e dos reflexos das experiências pretéritas.8 Não nascemos prontos, e nosso processo evolutivo prossegue sem detença, ainda muito distante da almejada perfeição. Por isso, é apropriada a comparação simbólica do ser humano personalizado na figura do Centauro, monstro da mitologia, cujo corpo da cintura para cima se apresenta como homem e a outra metade como animal. Esmagadora maioria dos pais não tem condições psicológicas nem experiência para tratar de um assunto dessa envergadura, quando ele surge no seio familiar.

Além disso, os pais nem sempre encontram uma orientação psicológica segura para enfrentar a situação, em virtude da diretriz materialista de muitos especialistas, como já visto. Há casos de homossexuais que, devido ao desconhecimento espiritual de si mesmo e muitas vezes da própria orientação sexual, associado à cobrança sociocultural, experimentam momentos de intensos sofrimentos psíquicos, em virtude de suas emoções estarem nesse instante em processo de desequilíbrio. Dessa maneira, tornam-se solitários, com muitas dificuldades de relacionamento. É quando, diante das pressões sociais, principalmente da família, percebem-se em conflito oriundo da própria sexualidade, oportunidade em que podem vivenciar um quadro de ambivalência ou ambiguidade afetiva de ordem existencial, encapsulando-se em seus dramas. Nessas condições perturbadoras, é possível que desenvolvam ideações suicidas, com predomínio de tentativas de autocídio.

Para as famílias de homossexuais e para esses próprios, recomenda-se, entre outros, o livro de autoria da educadora e professora paulistana Edith Modesto.9 Trata-se de obra utilíssima, uma vez que traz a experiência pessoal de uma mãe que arrostou o desafio de trabalhar seus sentimentos e os de seus familiares ante o desabrochamento da homossexualidade em um de seus sete filhos.10

As teorias humanas reducionistas, que visualizam a criatura apenas como a expressão da matéria, têm que ser revistas urgentemente, para que semeemos um futuro melhor para a Humanidade, em consonância com as leis naturais ou divinas. A exclusão social é produto do egoísmo,que deve ser superada com os recursos modernos à disposição da sociedade.Falo não só da modernidade da revolução tecnológica proporcionada pelo conhecimento humano, em seus múltiplos aspectos, mas, sobretudo, do legado dos ensinos cristãos de amor ao próximo, que jamais será ultrapassado, pois está acima dos critérios transitórios do mundo.

Reformador Dez.2010

Referências:
1-Informação acessada em 26/9/2010, no site http://www.mbdias.com.br/hartigos.%20aspx?77,14.
2-Resolução CFP no 1/99.
3-Arts. 1o, caput, III; 5o, caput, I; e 226, §§ 3o e 4o, todos da Constituição Federal Brasileira.
4-Pela teoria holística, a criatura humana é considerada um todo indivisível e não pode ser explicada pelos seus distintos componentes, separadamente (físico, psicológico, moral, espiritual).
5-Perispírito é o envoltório semimaterial do Espírito, que tem como uma das funções básicas servir de intermediário entre este e o corpo físico.
6-XAVIER, Francisco C. Evolução em dois mundos. Pelo Espírito André Luiz. 25. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 18, itens Alimento espiritual, p. 183; e Enfermidades do instinto sexual, p. 185.
7-KARDEC, Allan. As mulheres têm alma? In: Revista espírita: jornal de estudos psicológicos, ano 9, p. 17, jan. 1866. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009.
8-XAVIER, Francisco C. Vida e sexo. Pelo Espírito Emmanuel. 26. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 21.
9-Mãe sempre sabe? Mitos e verdades sobre pais e seus filhos homossexuais. Editora Record. A obra toda.

domingo, 2 de janeiro de 2011

OPORTUNIDADE E TEMPO – ANO NOVO

Todos querem iniciar mais um ano com esperanças renovadas. É um momento de alegria e confraternização.

As rogativas, em geral, são para que se tenha muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender.

Mas será que se tivermos tudo isso teremos a garantia de um ano novo cheio de felicidade?

Se Deus nos dá saúde, o que normalmente ocorre é que tratamos de acabar com ela em nome das festas. Sejam com os excessos na alimentação, bebidas alcoólicas, tabaco, ou outras drogas não menos prejudiciais à saúde.

Não nos damos conta de que a nossa saúde depende de nós.

Dessa forma, se quisermos um bom ano, teremos que fazer a nossa parte.

Se pararmos para analisar o que significa a passagem do ano, perceberemos que nada se modifica externamente.

Tudo continua sendo como na véspera. Os doentes continuam doentes, os que estão no cárcere permanecem encarcerados, os infelizes continuam os mesmos, os criminosos seguem arquitetando seus crimes, e assim por diante.

Nós, e somente nós podemos construir um ano melhor, já que um feliz ano novo não se deseja, se constrói.

Poderemos almejar por um ano bom se desde agora começarmos um investimento sólido, já que no ano que se encerra tivemos os resultados dos investimentos do ano imediatamente anterior e assim sucessivamente.

Poderemos construir um ano bom a partir da nossa reforma moral, repensando os nossos valores, corrigindo os nossos passos, dando uma nova direção à nossa estrada particular.

Se começarmos por modificar nossos comportamentos equivocados, certamente teremos um ano mais feliz.

Se pensarmos um pouco mais nas pessoas que convivem conosco, se abrirmos os olhos para ver quanta dor nos rodeia, se colocarmos nossas mãos no trabalho de construção de um mundo melhor, conquistaremos, um dia, a felicidade que tanto almejamos.

Só há um caminho para se chegar à felicidade. E esse caminho foi mostrado por quem realmente tem autoridade, por já tê-lo trilhado. Esse alguém nós conhecemos como Jesus de Nazaré, o Cristo.

No ensinamento "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo" está a chave da felicidade verdadeira.

Jesus nos coloca como ponto de referência. Por isso recomenda que amemos o próximo como a nós mesmos nos amamos.

Quem se ama preserva a saúde. Quem se ama não bombardeia o seu corpo com elementos nocivos, nem o espírito com a ira, a inveja, o ciúme etc.

Quem ama a Deus acima de todas as coisas, respeita sua criação e suas leis. Respeita seus semelhantes porque sabe que todos foram criados por ele e que ele a todos nos ama.

Enfim, quem quer um ano novo repleto de felicidades, não tem outra saída senão construí-lo.

Importa que saibamos que o novo período de tempo que se inicia, como tantos outros que já passaram, será repleto de oportunidades. Aproveitá-las bem ou mal, depende exclusivamente de cada um de nós.

***

O rio das oportunidades passa com suas águas sem que retornem nas mesmas circunstâncias ou situação.

Assim, o dia hoje logo passará e o chamaremos ontem, como o amanhã será em breve hoje, que se tornará ontem igualmente.

E, sem que nos dermos conta, estaremos logo chamando este ano que se inicia de ano passado e assim sucessivamente.

Que todos possam aproveitar muito bem o tesouro dos minutos na construção do amanhã feliz que desejamos, pois a eternidade é feita de segundos.•.

Autor: Equipe da Redação do Momento Espírita, com base no livro Repositório de sabedoria, verbetes: oportunidade e tempo.