sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O BOM COMBATE

Tem todos os seres humanos, na vida de relação, problemas a equacionar, no bom combate em busca do aperfeiçoamento espiritual, que chegará mais cedo ou mais tarde, em função do maior ou menor esforço.
A condição expiatória e provacional de nosso orbe — di-lo a boa doutrina — impõe lutas que renovam e conduzem à felicidade, pelas vias do progresso.
Na questão 998, de «O Livro dos Espíritos», as sublimes entidades asseveram, categóricas, que «a expiação se cumpre durante a existência corporal, mediante as provas a que o Espírito se acha submetido e, na vida espiritual, pelos sofrimentos morais, inerentes ao estado de inferioridade do Espírito».
No quadro das realidades contingentes, no plano físico, o resgate e a reparação, a lágrima e o suor, entrelaçam-se na tessitura do Destino. Deus, porém, Pai Amoroso e Justo, concede-nos os recursos da reabilitação plena.
Assim sendo, que se multipliquem lutas e problemas, desde que problemas e lutas consubstanciem o ideal do bem e da verdade.
Surjam trabalho e experimentações, mesmo dolorosas e complexas, visando ao amadurecimento espiritual, de maneira que possamos seguir para a frente e para o Alto, de viseira erguida, procurando, no dever bem cumprido, na lucidez consciencial e no saneamento do território mental, adequada equação para os problemas do quotidiano.
André Luiz, em sua notável simplicidade, adverte que somente solucionaremos nossos problemas «se não fugirmos a eles».
A luta por um lugar ao Sol da Imortalidade começou nos primórdios da evolução. A mônada divina, excursionando na sombria noite dos milênios de milênios, pelos caminhos da Natureza, realiza titânico esfôrço na indefectível marcha em direção do progresso.
No tempo e no espaço, chegou o livre arbítrio. E com êle, a conscientização da marcha.
O advento da responsabilidade, como decorrência da livre escolha, pelo discernimento, abre, simultâneamente, os pórticos da Luz Gloriosa, ou as casamatas dos equívocos, que se podem corporificar na invigilância.
Débitos reaparecem, por herança das vidas que se foram. Mas, a consciência pura na tranqüilidade, e tranqüila na pureza, cresce para Deus, na abençoada oportunidade das realidades palingenésicas.
Nas primeiras letras ou no trato com a filosofia e a ciência, a equação dos problemas constitui indispensável condição para que o aluno obtenha os lauréis da diplomação glorificadora.
No campo do Espírito, singulares problemas desafiam-nos a coragem e o bom senso, criando-nos perspectivas para a vitória, se o Evangelho do Mestre fôr o ponto de referência de nosso comportamento, em harmonia com o facho de luz com que o Espiritismo nos clareia a estrada.
Na enfermidade — a dieta e o repouso, o medicamento e a disciplina substancializam valores positivos para o reajuste do cosmo orgânico.
Nas dores morais a esperança e a fortaleza moral, a paciência e o denôdo são terapêutica salutar.
Nos conflitos emocionais, de curta ou longa duração, desarticulando, nas almas descuidadas, as resistências internas — a prudência e a sobriedade, o equilíbrio e a reflexão asseguram à alma inquieta a fé que se esvaecera nas leiras da intemperança.
Dramas e tragédias, insucessos e enganos encontram na luz da oração e na bênção do trabalho valiosos antídotos.
Amargura e tédio, desânimo e pessimismo, são anomalias psicológicas, de caráter transitório, que a fidelidade aos princípios espírita-cristãos afasta para bem longe, restaurando a alegria e a. paz.
Abraçando, pois, na Boa Nova do Reino e na Doutrina dos Espíritos seus eternos preceitos de renovação e luz, construiremos, no solo terrestre, o edifício da felicidade planetária, convertendo a vida em formoso jardim que nos propicie não só o inebriante aroma das flores, mas, também, tranqüila alamêda que nos conduza aos Planos da Imortalidade Gloriosa.

Martins Peralva
Reformador – Junho de 1971

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postar um comentário