quinta-feira, 30 de abril de 2009

ADVENTO DO ESPÍRITO DA VERDADE


EM HOMENAGEM AOS 145 ANOS DE LANÇAMENTO DO “EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” OCORRIDO EM 30 DE ABRIL DE 1864 EM PARIS.


ESPÍRITO DE VERDADE
Paris, 1860

Venho, como outrora, entre os filhos desgarrados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, deve lembrar os incrédulos que acima deles reina a verdade imutável: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinar as plantas e que levanta as ondas. Eu revelei a doutrina divina; e, como um segador, liguei em feixes o bem esparso pela humanidade, e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis!”
Mas os homens ingratos se desviaram da estrada larga e reta que conduz ao Reino de meu Pai, perdendo-se nas ásperas veredas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana. Ele quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, ou seja, mortos segundo a carne, porque a morte não existe, sejais socorridos, e que não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a voz dos que se foram, faça-se ouvir para vos gritar: Crede e orai! Porque a morte é a ressurreição, e a vida é a prova escolhida, durante a qual vossas virtudes cultivadas devem crescer e desenvolver-se como o cedro.
Homens fracos, que vos limitais às trevas de vossa inteligência, não afasteis a tocha que a clemência divina vos coloca nas mãos, para iluminar vossa rota e vos reconduzir, crianças perdidas, ao regaço de vosso Pai.
Estou demasiado tocado de compaixão pelas vossas misérias, por vossa imensa fraqueza, para não estender a mão em socorro aos infelizes extraviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai, meditai todas as coisas que vos são reveladas; não misturem o joio ao bom grão, as utopias com as verdades.
Espíritas; amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; os erros que nele se enraizaram são de origem humana; e eis que, de além túmulo, que acreditáveis vazios, vozes vos clamam: Irmãos! Nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal; sede os vencedores da impiedade!

*
ESPÍRITO DE VERDADE
Paris, 1861

Venho ensinar e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem sua resignação ao nível de suas provas; que chorem, porque a dor no Jardim das Oliveiras, mas que esperem, porque os anjos consoladores virão enxugar as suas lágrimas.

Trabalhadores, traçai o vosso sulco. Recomeçai no dia seguinte a rude jornada da véspera. O trabalho de vossas mãos fornece o pão terreno aos vossos corpos, mas vossas almas não estão esquecidas: eu, o divino jardineiro, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, quando a trama escapar de vossas mãos, e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis surgir e germinar em vós a minha preciosa semente. Nada se perde no Reino de nosso Pai. Vossos suores e vossas misérias formam um tesouro, que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas, e onde o mais desnudo entre vós será talvez o mais resplandecente.
Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são os meus bem-amados. Instrui-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos ensina o objetivo sublime da prova humana. Como o vento varre a poeira, que o sopro dos Espíritos dissipe a vossa inveja dos ricos do mundo, que são freqüentemente os mais miseráveis, porque suas provas são mais perigosas que as vossas. Estou convosco, e meu apóstolo vos ensina. Bebei na fonte viva do amor, e preparai-vos, cativos da vida, para vos lançardes um dia, livres e alegres, no seio daquele que vos criou fracos para vos tornar perfeitos, e deseja que modeleis vós mesmos a vossa dócil argila, para serdes os artífices da vossa imortalidade.

*
ESPÍRITO DE VERDADE
Bordeaux, 1861

Eu sou o grande médico das almas, e venho trazer-vos o remédio que vos deve curar. Os débeis, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos, e venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, todos vós que sofreis e que estais carregados, e sereis aliviados e consolados. Não procureis alhures a força e a consolação, porque o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige aos vossos corações um apelo supremo através do Espiritismo: escutai-o. Que a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade, sejam extirpados de vossas almas doloridas. São esses os monstros que sugam o mais puro do vosso sangue, e vos produzem chagas quase sempre mortais. Que no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis sua divina lei. Amai e orai. Sede dócil aos Espíritos do Senhor. Invocai-o do fundo do coração. Então, Ele vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e vos dizer estas boas palavras: “Eis-me aqui; venho a vós, porque me chamastes!

*
ESPÍRITO DE VERDADE
Havre, 1863

Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que a suplicam. Seu poder cobre a Terra, e por toda parte, ao lado de cada lágrima, põe o bálsamo que consola. O devotamento e a abnegação são uma prece contínua e encerram profundo ensinamento: a sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender estas verdades, em vez de reclamar contra as dores, os sofrimentos mortais, que são aqui na Terra o vosso quinhão. Tomai, pois, por divisa, essas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõe. O sentimento do dever cumprido vos dará a tranqüilidade de espírito e a resignação. O coração bate melhor, a alma se acalma, e o corpo já não sente desfalecimentos, porque o corpo sofre tanto mais, quanto mais profundamente abalado estiver o espírito.

domingo, 26 de abril de 2009

A PRECE


Allan Kardec
A prece é uma invocação: por ela nos pomos em relação mental com o ser a que nos dirigimos. Ela pode ter por objeto um pedido, um agradecimento ou um louvor. Podemos orar por nós mesmos ou pelos outros, pelos vivos ou pelos mortos. As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução dos seus desígnios; as que são dirigidas aos Bons Espíritos vão também para Deus. Quando oramos para outros' seres, e não fiara Deus, aqueles nos servem apenas de intermediários, de intercessores, porque nada pode ser feito sem a vontade de Deus.
O Espiritismo nos faz compreender a ação da prece, ao explicar a forma de transmissão do pensamento, seja quando o ser a quem oramos atende ao nosso apelo, seja quando o nosso pensamento eleva-se a ele. (...)
Quando, pois, o pensamento se dirige para algum ser, na terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um a outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som. A energia da corrente está na razão direta da energia do pensamento e da vontade.
As condições da prece foram claramente definidas por Jesus. Quando orardes, diz ele, não vos coloqueis em evidência, mas orai em secreto. Não finjais orar demasiado, porque não será pelas muitas palavras que sereis atendidos, mas pela sinceridade delas
Antes de orar, se tiverdes qualquer coisa contra alguém, perdoai-a, porque a prece não poderia ser agradável a Deus, se não partisse de um coração purificado de todo sentimento contrário à caridade.
(...) Examinai os vossos defeitos, e não as vossas qualidades, e se vos comparardes aos outros, procurai o que existe de mau em vós.
Há pessoas que contestam a eficácia da prece, entendendo que, por conhecer Deus as vossas necessidades, é desnecessário expô-las a Ele. Acrescentam ainda que, tudo se encadeando no universo através de leis eternas, nossos votos não podem modificar os desígnios de Deus.
Há leis naturais e imutáveis, sem dúvida, que Deus não pode anular, segundo os caprichos de cada um.
Mas, daí a acreditar que todas as circunstâncias da vida estejam submetidas à fatalidade, a distância é grande. Se assim fosse, o homem seria apenas um instrumento passivo, sem livre-arbítrio e sem iniciativa. (...) Deus não lhe deu o entendimento e a inteligência para que não os utilizasse, a vontade para não querer, a atividade para cair na inação. O homem sendo livre de agir, num ou noutro sentido, seus atos têm, para ele mesmo e para os outros, conseqüências subordinadas às suas decisões. Em virtude da sua iniciativa, há, portanto, acontecimentos que escapam, forçosamente, à fatalidade, que nem por isso destroem a harmonia das leis universais, da mesma maneira que o avanço ou o atraso dos ponteiros de um relógio não destrói a lei do movimento, que regula o mecanismo do aparelho. Deus pode, pois, atender a certos pedidos sem derrogar a imutabilidade das leis que regem o conjunto, dependendo sempre o atendimento da Sua vontade.
Seria ilógico concluir-se, desta máxima: "Aquilo que pedirdes pela prece vos será dado", que basta pedir para obter. É injusto acusar a Providência se ela não atender a todos os pedidos que lhe fazem, porque ela sabe melhor do que nós o que nos convém. Assim procede o pai prudente, que recusa ao filho o que lhe seria prejudicial. O homem, geralmente, só vê o presente; mas, se o sofrimento é útil para
a sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa o doente sofrer a operação que deve curá-lo.
O que Deus lhe concederá, se pedir com confiança, é a coragem, a paciência e a resignação. E o que ainda lhe concederá, são os meios de se livrar das dificuldades, com a ajuda das idéias que lhe serão sugeridas pelos Bons Espíritos, de maneira que lhe restará o mérito da ação. (...)
Pela prece, o homem atrai o concurso dos Bons Espíritos, que o vem sustentar nas suas boas resoluções e inspirar-lhe bons pensamentos.
(Extraído do Capítulo XXVII de "O Evangelho segundo o Espiritismo", respectivamente itens 9, 10, 4, 6, 7, 11) Revista Informação - Abril 1977

sábado, 25 de abril de 2009

UMA GOTA DE ÁGUA


Você já parou, alguma vez, para observar uma gota d`água? Sim, uma pequena gota d`água se equilibrando na ponta de um frágil raminho...
Com graciosidade a gotícula desafia a lei da gravidade, se balançando nas bordas das folhas ou nas pétalas de uma flor.
São gotas minúsculas, que enfeitam a natureza nas manhãs orvalhadas ou permanecem como pequenos diamantes líquidos, depois que a chuva se vai. É por isso que um bom observador dirá que a vida seria diferente se não existissem gotas de água para orvalhar a relva e amenizar a secura do solo.
Madre Tereza de Calcutá foi uma dessas almas sensíveis.
Um dia, um jornalista que a entrevistava disse-lhe que, embora admirasse o seu trabalho junto aos pobres e enfermos, considerava que o que ela fazia, diante da imensa necessidade, era como uma gota d`água no oceano.
E aquela pequena sábia-mulher, lhe respondeu: “sim, meu filho, mas sem essa gota d`água o oceano seria menor.”
Sem dúvida uma resposta simples e extremamente profunda.
Pois sem os pequenos gestos que significam muito, a vida não seria tão bela...
Um aperto de mão, em meio à correria do dia-a-dia...
Um minuto de atenção a alguém que precisa de ouvidos atentos, para que não caia nas malhas do desespero...
Uma palavra de esperança a alguém que está à beira do abismo.
Um sorriso gentil a quem perdeu o sentido da vida.
Uma pequena gentileza diante de quem está preso nas armadilhas da ira.
O silêncio, frente à ignorância disfarçada de ciência...
A tolerância com quem perdeu o equilíbrio. Um olhar de ternura para quem pena na amargura. Pode-se dizer que tudo isso são apenas gotas d`água que se perdem no imenso oceano, mas são essas pequenas gotas que fazem a diferença para quem as recebe.
Sem as atitudes, aparentemente insignificantes, que dentro da nossa pequenez conseguimos realizar, a humanidade seria triste e a vida perderia o sentido.
Um abraço afetuoso, nos momentos em que a dor nos visita a alma...
Um olhar compassivo, quando nos extraviamos do caminho reto...
Um incentivo sincero de alguém que deseja nos ver feliz, quando pensamos que o fracasso seria inevitável...
Todas essas são atitudes que embelezam a vida.
E, se um dia alguém lhe disser que esses pequenos gestos são como gotas d`água no oceano, responda, como madre Tereza de Calcutá, que sem essa gota o oceano de amor seria menor. E tenha certeza disso, pois as coisas grandiosas são compostas de minúsculas partículas.
.................
Sem a sua quota de honestidade, o oceano da nobreza seria menor. Sem as gotas de sua sinceridade, o mar das virtudes seria menor.
Sem o seu contributo de caridade, o universo do amor fraternal seria consideravelmente menor. E jamais acredite naqueles que desconhecem a importância de um pequeno tijolo na construção de um edifício.
Lembre-se da minúscula gota d`água, que delicadamente se equilibra na ponta do raminho, só para tornar a natureza mais bela e mais romântica, à espera de alguém que a possa contemplar. E, por fim, jamais esqueça que são essas mesmas pequenas e frágeis gotas d`água que, com insistência e perseverança conseguem esculpir a mais sólida rocha.
Autor:Equipe de Redação do Momento Espírita.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

DESUNIÃO E DIVERGÊNCIA

NO DIA 24 DE ABRIL DE 1984 DESENCARNAVA NO RIO DE JANEIRO. DEOLINDO AMORIM, JORNALISTA E ESCRITOR DE IDEALIZOU OS CONGRESSOS DOS JORNALISTAS E ESCRITORES ESPÍRITAS, A ABRAJEE E O INSTITUTO DE CULTURA ESPÍRITA DO BRASIL.
Nem sempre divergência significa desunião. Se é verdade que as divergências ou discordâncias algumas vezes já comprometeram a união entre pessoas e grupos, não se deve dar a este fato a extensão de uma regra geral, pois é apenas um episódio discrepante. Onde há duas pessoas frente a frente sempre há o que ou em que discordar. Seria impossível a existência de um grupo humano, por menor que fosse, sem um pensamento discordante, sem uma opinião contrária a qualquer coisa. Entre dois amigos, como entre dois irmãos muito afins pode haver divergência frontal ou inconciliável em matéria política, religiosa, social etc., sem que haja qualquer “arranhão” na amizade. Discutem, discordam, assumem posições opostas, mas continuam unidos.
Justamente por isso e pelo que observo na vida cotidiana, não creio que seja necessário abafar as divergências ou evitar qualquer discussão, ainda que em termos altos, simplesmente para preservar a união de um grupo ou de uma coletividade inteira. Seria o caso, em última hipótese, de acabar de vez com o diálogo e adotar logo um tipo de vida conventual. O diálogo é uma necessidade, pois é dialogando que trocamos idéias e permutamos opiniões e experiências. Uma comunidade que não admite o diálogo está condenada, por si mesma, a ficar parada no tempo. Cada qual naturalmente deve preparar-se ou educar-se espiritualmente para discutir ou divergir sem prevenções ou ressenti­mentos. O fato de não concordarmos com a opinião de um companheiro neste ou naquele sentido ou de não adotarmos a linha de pensamento de uma instituição deve ser encarado com naturalidade, mas não deve servir de motivo (jamais!) para que mudemos a maneira de tratar ou viremos as costas a alguém. Seria o caso de perguntar: e onde está o Evangelho, que se prega a todo momento?... Como falar em Evangelho, que é humildade e amor, e fugir a um abraço sincero ou negar um aperto de mão por causa de uma divergência ou de um ponto de vista?
Então, não é a divergência aqui ou ali que porventura “cava o abismo da desunião”, é a incompreensão, o personalismo, o radicalismo do elemento humano em qualquer campo do pensa­mento. Já ouvi dizer mais de uma vez que os espíritas são desunidos por causa das divergências internas. Sinceramente, não acompanho este ponto de vista. Acho que não há propriamente desunião, mas apenas desencontro de idéias, fora dos pontos cardeais da Doutrina. Somos uma comunidade composta de gente emancipada e, por isso mesmo, o campo está sempre aberto ao estudo e à crítica. Certos observadores gostariam, por exemplo, que o Movimento Espírita fosse um “bloco maciço sem nenhuma nota fora do conjunto. É uma pretensão utópica, pois não há um movimento religioso, político ou lá o que seja sem alguma voz discordante, aqui ou ali.
Tomava-se como referência, até bem pouco tempo, a “unidade monolítica” da Igreja Católica. Unidade relativa, diga-se de passagem. E o que se vê hoje? O fracionamento cada vez mais acentuado. Os grupos conservadores, porque se batem pela manutenção da Igreja tradicional, estão enfrentado os grupos renovadores, partidários de modificações estruturais; grupos que querem a Igreja fora da política estão em conflito com os grupos que querem justamente uma Igreja participante no campo político. Há, portanto, demanda de alto a baixo, com pro­gramas de reforma na teologia, como na administração e na disciplina eclesiástica. Logo, a Igreja não oferece hoje a unidade doutrinária que nos apontam às vezes, como modelo. E o Protestantismo, que é outro grande movimento religioso, não se divide em denominações e seitas, com características diferentes entre si? Batistas, presbiterianos, adventistas, congregacionistas etc. Não desejo criticar procedi­mentos religiosos, pois todos os cultos são respeitáveis, mas estou anotando fatos.
Voltemo-nos para mais longe, fora da faixa ocidental, e lá está o Budismo, também um movi­mento expressivo. Não cabe, aqui, discutir se o Budismo é ou não religião. Seja como for, ocupa um espaço considerável, mas também se ramificou. Existe, hoje, pelo menos mais de uma escola budista. O Positivismo, que viera da França, teve muita força no Brasil, mas não se manteve íntegro, pois o grande bloco se desmembrou entre científicos e religiosos no século passado. Sobrevive, hoje, uma religião sem Deus, sem cogitação acerca da vida futura, mas um culto ritualizado, com sacerdócio.
Muitos discípulos de Augusto Comte não queriam, de forma alguma, que o Positivismo se transformasse em religião e, por isso, eram chamados de científicos, ao passo que muitos outros absorveram logo o Positivismo como Religião da Humanidade. E realmente implantaram um culto religioso no Apostolado Positivista. Logo, também o Positivismo não conseguiu sustentar um padrão uniforme.
O fenômeno que se observa no meio espírita é muito diferente.
Sempre houve divergências, mas não se quebrou a unidade doutrinária, que é fundamental. O Espiritismo continua a ser um só, inconfundível, não se dividiu em diversos espiritismos. Há, entre nós, opiniões discordantes em determinados aspectos, porém, os princípios são os mesmos, não se alteraram. Não formamos sei­tas nem correntes à parte, apesar das divergências. Então, não há motivo para que estejamos vendo desunião onde há simples­mente desacordo de idéias.
Deolindo Amorim
Fonte: Reformador – junho, 1989

quinta-feira, 23 de abril de 2009

PAIS DIFÍCEIS


Tema: Pais humanos em divergência conosco

Nem sempre surgem como sendo personalidade adequadas aos nossos desejos aqueles que a vida nos oferece por pais na estância física.
Seriam eles maus ou diferentes, porque não nos entendam, de pronto, os ideais? Numa interrogativa dessa natureza, toda vez que estivermos na posição de filhos, é possível devamos formular semelhante questão ao inverso.
Habitualmente, julgamos nossos pais humanos,. Quando a razão começa a amadurecer no galho florido de nossos primeiros sonhos da mocidade.
Sobretudo, pretendemos medir-lhes as supostas deficiências, depois de passados mais de vinte ou trinta anos sobre os dias semi-conscientes de nossa infância. Se não concordam com as nossas opiniões, freqüentemente apontamo-los por espíritos passadistas ou intolerantes.
Nessa conceituação apressada, porém, esquecemo-nos de que eles carregam na alma as cicatrizes profundas dos golpes que receberam no caminho da experiência, quantas vezes por nossa causa, e, por isso mesmo, nem sempre lhes será possível colocar os ouvidos ao nível em que se nos situa a palavra.
Fácil considerá-los desorientados, quando não estejam de acordo com os preceitos que aceitamos como sendo os mais justos; entretanto, a distância enorme de tempo que existe entre a hora de nossa análise e a hora do berço não nos permite saber quantos problemas e quanto fel amargaram, até que adotassem padrões individuais de conduta, diversos daqueles consagrados para a vida na Terra.
Muito simples categorizá-los à conta de intransigentes, quando nos reprovam os pontos de vista; contudo, raramente estamos nas condições precisas para avaliar as crises que suportaram, a fim de que tentações e desequilíbrios não arrasassem o lar que nos serve de apoio e ninho.
Se te encontras à frente de pais magoados ou sofredores, recorda um homem generoso que largou as conveniências da própria liberdade, para colocar uma família nos ombros, e lembra-te de certa mulher, jovem e bela, que olvidou a si mesma e renunciou à própria vida, padecendo na carne e na alma, para que pudesses viver!...
Considera que eles se reuniram, obedecendo os desígnios de Deus, a fim de que viesses ao mundo, e se não puderam ser felizes como esperavam ou se as provações da existência os tornaram assim, quando estiveres a ponto de censurá-los, pensa na alegria e no amor com que eles dois rogaram a Deus te abençoasse, quando nasceste, e, em silêncio, pede também a Deus que os abençoe.

Livro: Encontro marcado - Emmanuel – Chico Xavier

terça-feira, 21 de abril de 2009

PORQUE SOU ESPÍRITA

No outro dia, alguém me fez esta pergunta. Como o nosso jornal tem ampla penetração, até mesmo no meio não-espírita, vale a pena dar, também através dele, a resposta.
É verdade que, desde criança, o pai e a mãe nos puseram, sob os olhos, os livros do Consolador, levando-me, com a mana, a todas as reuniões a que comparecessem, nos Centros Espíritas de Nova Iguaçu (Estado do Rio). Todavia, rapazola, passeia a estudar a Terceira Revelação, estudo este que, até hoje, adulto, prossigo fazendo, pois, em matéria de Espiritismo, também, é válida a frase que diz ser a vida breve e a arte longa. Muito tenho a aprender, na Doutrina dos Espíritos.
Foi este estudo que me vem rasgando, desde então, os mais amplos horizontes, para dilatação da minha acanhada visão espiritual.
Antes de tudo, a Doutrina me mostrou a existência soberana de um Deus que é, realmente, Pai amoroso e bom, Infinito em todas as suas perfeições, Criador de tudo... E não um padrasto, com as mesmas virtudes e paixões humanas, criando um céu eterno, para uns e um inferno, também eterno, para outros!...
Depois, esclareceu-me quanto ao ser, cada um de nós, não este corpo de carne e osso (no meu caso, menos de carne que de osso). Mas um Espírito imortal que evolui para a perfeição, através das múltiplas encarnações, na Terra, ou nos diferentes mundos habitados do Universo sem lindes!...
Ensinou-me, ainda, a existência de leis físicas, para o plano material, tanto como leis morais, regendo os destinos dos Espíritos. Fez-me ver que, assim sendo, tudo tem a sua razão de ser. Que cada um de nós é responsável pelos seus atos. Que cada criatura recebe aquilo que dá. Colhe o que semeia. Será feliz, se for boa. Infeliz, se for má. Mas, que um dia, aquele que é mau, porque é ignorante, se esclarece e, passando a ser menos mau - passa a ser menos infeliz!...
E mais, o Espiritismo me elucidou a questão da mediunidade. Passando a conhecer, mais de perto, os trabalhos mediúnicos, sob orientação kardequiana e, portanto, trabalhos mediúnicos voltados para a Caridade - entrevi a possibilidade de os encarnados entrarem e contato com os desencarnados, a fim de que ambos lucrassem com a troca de experiência.
Tirante isto, a mediunidade que me forneceu elementos para compreender melhor certas situações de criaturas sob influência perniciosa de obsessores, tanto como me tranqüilizou, mostrando como o plano espiritual nos pode proteger, se, para tanto, fizermos jus.
Por fim, o Espiritismo apontou-me Jesus.!
Sim, eu poderia vir a conhecê-lo, através de outras religiões. E tê-lo-ia como meu Salvador. Poderia conhecê-lo, até mesmo através de correntes filosóficas, referências literárias, temas artísticos ou dos testemunhos da História. E vê-lo-ia, como um visionário! Ou um mártir, nas mãos de homens impiedosos! Ou, então, um revolucionário sacrificado pelos que se viram ameaçados por suas idéias!
Mas, com o Espiritismo, eu o vejo, como sendo o maior Espírito, jamais, baixado à Terra, com a sublime missão de arrancar o homem do escuro pântano das paixões, onde se atola, para os resplendores do céu interior. E, isto, mediante o estudo da Verdade e a prática do Amor. Daí, os seus ensinos e os seus exemplos.
Bastava-me, apenas, isto, se, apenas, isto me oferecesse a Doutrina querida, codificada por Kardec!

“Unificação” - jun/jul-70 - São Paulo-SP
Tribuna Espírita - Maio/Junho de 2000

segunda-feira, 20 de abril de 2009

PRIMEIRAS IMPRESSÕES ALÉM DA MORTE


Cornélio Pires
Caso triste aconteceu
Com o amigo Adão Caprera:
Desencarnado na rua,
Continua na paquera

Pedro Silva
Assunto sem ilusões,
Às vezes cômico e forte;
As primeiras impressões
Da pessoa, além da morte

Aderaldo Ferreira de Araujo
Quando a morte vem buscar
Alguém que segue a Jesus
Traz a alegria de um cego
Que vê novamente a luz.

Fidelis Alves
Na morte, ao grande calvário
Da doença, em que se atola,
Quem parte lembra o canário
Quando livre da gaiola.

Jovino Guedes
A morte é a grande saída
De quem sofre atado à prova...
A gente abandona a vida,
Mas encontra vida nova.

Lulú Parola
O recém-desencarnado
Nutre a paixão que o assanha;
A raposa muda a pele
Mas nunca muda de manha.

Silveira Carvalho
A oração é sempre um guia
Que nos guarda e nos abranda,
No entanto, o que se fazia,
Na morte é a força que manda.

Meimei
Morte que chega na hora
Em que deve aparecer
Tem a beleza da aurora
No encanto do amanhecer.

Marcelo Gama
Pessoa que deixa o mundo,
Vivendo em longa aversão,
Na morte é matriculada
No campo da obsessão.

Auta de Souza
Morte é esperança, semente,
Revisão, soma, promessa,
Um berçário diferente
Em que a vida recomeça...

(De “Tão Fácil”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos

sábado, 18 de abril de 2009

18 DE ABRIL - DIA NACIONAL DO ESPIRITISMO

Ave, 18 de Abril!

Foi no dia 18 de abril de 1857, na cidade de Paris, capital da França, que veio a lume "O Livro dos Espíritos", a obra basilar do Espiritismo, ditada pelo mundo invisível e compilada, separada, classificada e codificada pelo ínclito professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que, propositadamente, adotou o pseudônimo de Allan Kardec, nome que tivera em recuada existência pretérita, a fim de que a obra pudesse ser comprada, se fosse o caso, pelo seu conteúdo e não por quem a assinava, já que era ele muitíssimo conhecido e reconhecido, como professor e como autor de diversos livros, vários dos quais adotados pela Universidade de Paris, notadamente os que versavam sobre educação.
Teve considerável peso também, na adoção do pseudônimo, o fato de que o livro foi ditado pelos Espíritos Superiores, daí o título "O Livro dos Espíritos", não sendo obra dele, professor Rivail, portanto, não obstante tenha nela lançado inúmeros comentários e observações pessoais.
Nota-se, assim, desde logo, por esses detalhes, a conduta reta e ilibada do professor Rivail, o codificador do Espiritismo, que foi discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi, famoso educador e fundador do Internato de Yverdon, na Suíça, e, posteriormente, seu substituto predileto, tendo sido considerado pelo célebre astrônomo francês Camille Flammarion "o bom senso encarnado", que, acrescente-se, sempre procurou agir com seriedade e sem rejeições apriorísticas, características do verdadeiro cientista.
Constituía traço característico de sua personalidade, por igual, a preservação da ética, sempre, em suas múltiplas e variadas expressões.
De 1855 a 1869, quando desencarnou em 31 de março, o eminente e ilustrado professor Rivail consagrou sua existência ao Espiritismo.
Em seu túmulo, no Cemitério Père Lachaise, em Paris, uma inscrição sintetiza a concepção evolucionista da Doutrina Espírita: nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei!
Por outro lado, decorridos 152 anos, não se pode deixar de reconhecer que os ensinos contidos em "O Livro dos Espíritos", em sua essência, permanecem absolutamente aplicáveis aos dias atuais, o que, por si, recomenda a leitura, a releitura e, sobretudo, a reflexão, em torno de tão preciosa obra, que contém os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade.
Verdadeira síntese do conhecimento humano, é um tesouro colocado em nossas mãos, que merece, por isso mesmo, repetimos adredemente, ser lido e refletido de capa a capa, palavra por palavra.
Com efeito, para dizer o mínimo, convém salientar que o Espiritismo nada impõe a seus profitentes, e muito menos a terceiros.
Ao contrário, procura orientar sempre, pela palavra escrita ou falada, que somos dotados de livre-arbítrio, da faculdade de decidir livremente sobre quaisquer assuntos, esclarecendo ao mesmo tempo que, exatamente por isso, somos responsáveis pelas decisões que tomemos, sejam quais forem e nos mais variados campos, e naturalmente responsáveis pelas suas conseqüências.
Por outra parte, enfatiza lições seculares, procurando demonstrar com exemplos e com fatos que "a semeadura é livre, mas a colheita obrigatória" e que "a cada um será concedido de acordo com as suas obras".
Consola, ao salientar que ninguém será condenado irremediavelmente pelos erros, males e equívocos cometidos, porquanto até mesmo em outra reencarnação, que detalha e aprofunda, poderá repará-los, parcial ou totalmente, até quitá-los integralmente, contando com todas as oportunidades de que necessite para tal, uma vez que Deus, sendo o Pai Celestial de todos nós, a nenhum de seus filhos abandona ou desampara.
Consola, igualmente, ao demonstrar cabalmente que as Leis Naturais são perfeitas e por isso mesmo imutáveis, advindo daí a certeza de que a Justiça Divina, que nelas se baseia, é absolutamente imparcial, não havendo seres privilegiados na Criação ou privilégio de qualquer espécie a quem quer que seja, prevalecendo a convicção de que Deus não pune, não castiga e não premia a ninguém, sendo, assim, soberanamente bom e justo, Ele que é a inteligência suprema do Universo, causa primária de todas as coisas!
Por fim, nestas rapidíssimas observações, o Espiritismo ensina que o amor é a lei maior da vida, consubstanciada por Cristo na sentença que constitui o seu ensino máximo "amar ao próximo como a si mesmo", vale dizer, aconselhando que façamos ao próximo aquilo que gostaríamos que ele nos fizesse, porque quem assim procede estará, por esse mesmo motivo, "amando a Deus sobre todas as coisas".
Aliás, esta sentença de Jesus de Nazaré, o Cristo, modelo e guia da Humanidade, nosso mestre e amigo de todas as horas, também ensina e deixa muito claro que para que amemos ao próximo é absolutamente indispensável que nos amemos, de modo que é necessário, no mínimo, que tenhamos elevada auto-estima.
Agindo com amor e praticando o Bem, ensina-nos a veneranda Doutrina Espírita, ingressaremos na estrada que nos conduzirá à perfeição relativa e à felicidade suprema, destino final dos seres humanos, sendo certo que, assim, sem dúvida, seremos muito mais felizes, desde agora, aqui mesmo na Terra!
"Com efeito, para dizer o mínimo, convém salientar que o Espiritismo nada impõe a seus profitentes, e muito menos a terceiros."

sexta-feira, 17 de abril de 2009

EM HOMENAGEM A SÓROR JUANA INÉS DE LA CRUZ PENÚLTIMA ENCARNAÇÃO DE JOANNA DE ÂNGELIS


SOROR JUANA INÉS DE LA CRUZ
No século XVII ela reaparece no cenário do mundo, para mais uma vida dedicada ao Bem. Renasce em 1651 na pequenina San Miguel Nepantla, a uns oitenta quilômetros da cidade do México, com o nome de JUANA DE ASBAJE Y RAMIREZ DE SANTILLANA, filha de pai basco e mãe indígena.
Após 3 anos de idade, fascinada pelas letras, ao ver sua irmã aprender a ler e escrever, engana a professora e diz-lhe que sua mãe mandara pedir-lhe que a alfabetizasse. A mestra, acostumada com a precocidade da criança, que já respondia ás perguntas que a irmã ignorava, passa a ensinar-lhe as primeiras letras. Começou a fazer versos aos 5 anos.
Aos 6 anos, Juana dominava perfeitamente o idioma pátrio, além de possuir habilidades para costura e outros afazeres comuns às mulheres da época. Soube que existia no México uma Universidade e empolgou-se com a idéia de no futuro, poder aprender mais e mais entre os doutores. Em conversa com o pai, confidenciou suas perspectivas para o futuro. Dom Manuel, como um bom espanhol, riu-se e disse gracejando:
-"Só se você se vestir de homem, porque lá só os rapazes ricos podem estudar." Juana ficou surpresa com a novidade, e logo correu à sua mãe solicitando insistentemente que a vestisse de homem desde já, pois não queria, em hipótese alguma, ficar fora da Universidade.
Na Capital, aos 12 anos, Juana aprendeu latim em 20 aulas, e português, sozinha. Além disso, falava nahuatl, uma língua indígena. O Marquês de Mancera, querendo criar uma corte brilhante, na tradição européia, convidou a menina-prodígio de 13 anos para dama de companhia de sua mulher.
Na Corte encantou a todos com sua beleza, inteligência e graciosidade, tornando-se conhecida e admirada pelas suas poesias, seus ensaios e peças bem-humoradas. Um dia, o Vice-rei resolveu testar os conhecimentos da vivaz menina e reuniu 40 especialistas da Universidade do México para interrogá-la sobre os mais diversos assuntos. A platéia assistiu, pasmada, àquela jovem de 15 anos responder, durante horas, ao bombardeio das perguntas dos professores. E tanto a platéia como os próprios especialistas aplaudiram-na, ao final, ficando satisfeito o Vice-rei. Mas, a sua sede de saber era mais forte que a ilusão de prosseguir brilhando na Corte.
A fim de se dedicar mais aos seus estudos e penetrar com profundidade no seu mundo interior, numa busca incessante de união com o divino, ansiosa por compreender Deus através de sua criação, resolveu ingressar no Convento das Carmelitas Descalças, aos 16 anos de idade. Desacostumada com a rigidez ascética, adoeceu e retornou à Corte. Seguindo orientação de seu confessor, foi para a ordem de São Jerônimo da Conceição, que tem menos obrigações religiosas, podendo dedicar-se às letras e à ciência.
Tomou o nome de SÓROR JUANA INÉS DE LA CRUZ. Na sua confortável cela, cercada por inúmeros livros, globos terrestres, instrumentos musicais e científicos, Juana estudava, escrevia seus poemas, ensaios, dramas, peças religiosas, cantos de Natal e música sacra. Era freqüentemente visitada por intelectuais europeus e do Novo Mundo, intercambiando conhecimentos e experiências.
A linda monja era conhecida e admirada por todos, sendo os seus escritos popularizados não só entre os religiosos, como também entre os estudantes e mestres das Universidades de vários lugares. Era conhecida como a "Monja da Biblioteca". Se imortalizou também por defender o direito da mulher de ser inteligente, capaz de lecionar e pregar livremente.
Em 1695 houve uma epidemia de peste na região. Juana socorreu durante o dia e a noite as suas irmãs reliogiosas que, juntamente com a maioria da população, estavam enfermas. Foram morrendo, aos poucos, uma a uma das suas assistidas e quando não restava mais religiosas, ela, abatida e doente, tombou vencida, em 17.04.1695, aos 44 anos de idade.

IMORTALIDADE

No justo momento em que a técnica atinge as culminâncias, e o homem sofre aflições sem termo, somos convidados a recordar Jesus-Cristo exclamando: “Eu vendi o mundo!”
A ciência vaticinou, para o século corrente, a morte das doutrinas espiritualistas, tendo em vista a marcha natural do progresso intelectivo.
E em verdade, até à metade do século passado, a filosofia espiritualista não passava de um amontoado de informação místicas e de arranjos dogmáticos incapazes de competir com os sistemas filosóficos vigentes, resistindo aos descobrimentos da ciência investigadora.
Coube a Allan Kardec a inapreciável tarefa de demonstrar, pela pesquisa experimental, a realidade do fenômeno da imortalidade da alma. E, graças a isso, o Codificador da Doutrina Espírita se destaca entre os vates do pensamento universal, pelo gigantesco empreendimento de positivar, consoante os dados oficiais da indagação, a continuação da vida além da morte.
A tarefa era, a princípio, sob todos os aspectos intratável, considerando-se a posição da ciência ante os rudimentos da nascente Psicologia.
De um lado, o cientificismo pontificava arbitrário, e o empirismo, no outro extremo, ditava leis falseadas sobre a verdade.
Kardec, porém, embrenhou-se no matagal das informações.
Não foi somente um coligidor dos informes dos Espíritos. Foi, antes de tudo, um admirável garimpeiro da verdade, separando da ganga o ouro rebrilhante, na mensagem eterna.
De 1854 a 1869, pesquisou, selecionou, reparou, fez acréscimos, sopesou e apresentou uma doutrina que pudesse enfrentar o materialismo, justamente no momento em que Engels e Marx iriam desdobrar os conceitos hegelianos, favorecendo os aspectos dialético e histórico, já que o materialismo mecanicista não podia resolver o problema fundamental da imortalidade por lhe faltarem os elementos basilares para destruir a realidade da alma.
Com Hegel, o pensamento passou a ser uma função do cérebro, cuja atividade era pensar, controlando as manifestações nervosas da vida.
Allan Kardec se distinguiu pela tarefa de demonstrar que o pensamento não é apenas uma função do cérebro, sendo este a conseqüência de um pensamento anterior que nele atua através de um outro cérebro mais sutil, comando geral e força dinâmica mantenedora do equilíbrio: o psicossoma.
E acolitado por figuras da enfibratura de Crookes, Zölner, do caráter de Lombroso e de Lodge que vieram a público, posteriormente, apresentar o resultado das suas pesquisas, Kardec demonstrou, à saciedade, o sentido incontroverso da imortalidade da alma, em experiências que se tornaram notáveis, realizadas mais tarde, com o curso de médiuns do quilate de Florence Cook, Eusápia, Daniel Home...
A tarefa se avultava por estarem em jogo os sistemas do monismo e do dualismo.
Allan Kardec demonstrou também que o homem não é constituído apenas de duas peças: o corpo e alma. Mas é formado por uma tríade de elementos: o espírito, perispírito e matéria, sendo o perispírito encarregado de funções específicas na engrenagem harmoniosa da vida hominal.
E quando o materialismo ateu, no seu aspecto dialético, veio a campo combater a Doutrina Espírita, o Espiritismo, como escola filosófica, na sua feição dialética, apresentava “O Livro dos Espíritos” como protesto nobre ao abuso e à arbitrariedade das informações hegelianas, às doutrinas nele inspiradas, bem como às velhas fisolofias espiritualistas sem fundamentação científica.
E a previsão da ciência, que aguardava para o século presente a morte das doutrinas espiritualistas, faliu, porque o século XX, com os seus valiosos descobrimentos e tirocínios, não pode retificar um único conceito da doutrina postulada pelo gigante lionês que, na atualidade, se faz o maior antídoto aos grandes males que afligem a Humanidade.
Como o materialismo é um veneno letal, o Espiritismo é o seu anticorpo, preparado para diminuir ou dirimir os efeitos terríveis dos ódios organizados secularmente e agora disseminados pelo ateísmo existencialista.
Enquanto o homem avança pelas trilhas do prazer, outros homensaparecem como exegetas do trabalho e apóstolos da caridade, formando a mentalidade para o Terceiro Milênio que colocará bem alto o estandarte da luz cristã refletida na mensagem nobre da Doutrina Espírita.
E embora se previsse o soçobro das religiões no século XX, Allan Kardec, semelhante a Copérnico, que veio por cobro às fantasias a respeito do sistema solar, por também termos às superstições a respeito da imortalidade da alma, arracando-a do sobrenatural e do dogma, retificando a sua feição mística, graças à documentação experimental de que a bibliografia espírita é farta, enriquecendo a ciência espiritualista para competir e esclarecer a ciência atual, ajudando-a na busca da verdade.
Ante as dores que se acumulam inevitáveis para os próximos tempos, sem nos desejarmos transformar em Parcas a tecerem a túnica mortuária da Civilização, o Espiritismo é a grande esperança, porque afirma não ser a morte mais do que uma grande transição para o despertamento na verdadeira vida: a Vida Imortal.
Pontifiquemos, desse modo, com Nosso Senhor Jesus-Cristo, o herói da sepultura vazia, atendendo o programa da solidariedade universal, transferindo o sangue novo da fé para os corações esfacelados pelo medo e acendendo em toda a parte a lâmpada da convicção imortalista. Sigamos a trilha da verdade, cumprindo o nosso dever para, vitoriosos, atingirmos o porto da nossa gloriosa Imortalidade.
Vianna de Carvalho
(Página recebida pelo médium Divaldo P. Franco, na sessão da noite de 15-1-1962, em Salvador, Bahia).Reformador - Brasil Espírita - Abril de 1971

quinta-feira, 16 de abril de 2009

SUBSÍDIOS PARA UM MUNDO NOVO

De valor incomensurável é a literatura espírita posta em circulação pelo Departamento Editorial da Federação Espírita Brasileira. Obras de valor científico e literário, a maioria das quais levando à compreensão das criaturas humanas uma doutrina superior, que valoriza as almas e fecunda as mentes.
Temos o hábito de fazer periódicas incursões ao mundo dos livros editados há alguns anos, para renovarmos a sensação de. beleza moral que promana dessas obras magníficas, a maior parte delas de procedência mediúnica, outras, porém, de autoria de espíritas esclarecidos e bastante familiarizados com a Doutrina codificada por Allan Kardec.
Não há nada mais confortador do que essa espécie de "volta a Meca". Tornamos a visitar "Os Quatro Evangelhos", "Renúncia", "No Invisível", "Missionários da Luz", "Libertação", "O Espírito Consolador", "O Evangelho segundo o Espiritismo", "O Livro dos Médiuns", "O Livro dos Espíritos" e assim por diante. Sempre que se torna a ler um livro espírita muita coisa nova, ressurge e se aprende. São fontes de ensinamentos prodigiosos, essas obras.
Há dias, abrimos "Crônicas Espíritas" de Fred. Figner. Apreciamos, não apenas a serenidade da linguagem usada por esse eminente vulto do Espiritismo brasileiro, mas também a sua argumentação de irresistível lógica, esmagando e ao mesmo tempo esclarecendo, ensinando e educando um certo padre Dubois, que, à maneira dos Boa-venturas de todos os tempos, pretendeu confundir os espíritas com sofismas e silogismos de legitima feitura jesuítica. Eis um livro que merece as atenções daqueles que ainda não o conhecem.
Há nele muita, coisa interessante e instrutiva. No capítulo em que fala do dogma católico da "Transubstanciação", Figner ensinou ao padre Florêncio Dubois que esse dogma foi "produzido" (eis o termo adequado) pelo concílio de Trento (1545-1563), por determinação do papa Paulo III. E, para evidenciar o perfil desse pontífice que o convocou, cita um trecho da página 7, volume 4, da "História dos Papas", de Maurice Lachatre, que é de estarrecer. Vai, em seguida, ao "dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria", detém-se no dogma da "Divindade de Jesus", trata da “Divindade da Igreja”.
Católica", enfim, reduz tudo às suas reduzidas e insignificantes proporções.
E' bom reler bons livros. E' bom também conhecer o que de novo vem surgindo no Espiritismo nacional. Temos, por exemplo, "Devassando o Invisível", da médium Yvonne A . Pereira, que já nos deu "Memórias de um Suicida", "Nas voragens do pecado" e "Nas telas do Infinito". E' valioso "Estudo sobre fenômenos e fatos transcendentes devassados pela mediunidade, sob a orientação dos Espíritos-Guias da médium". Vejam só o título de alguns dos capítulos: "Como se trajam os Espíritos", "Frederico Chopin na Espiritualidade", "Mistificadores - Obsessões", "Sutilezas da Mediunidade", "As virtudes do Consolador", "Os grandes segredos do Além".
Quase ao mesmo tempo apareceu um novo livro da dupla magnífica de médiuns - "Francisco Cândido Xavier - Waldo Vieira", nomes já mundialmente consagrados. A obra foi ditada por André Luiz, cujos trabalhos anteriores dispensam adjetivos, tão importantes e mesmo revolucionários foram na literatura espírita. Desta vez ele nos deu "Sexo e Destino". Tema difícil, perigoso, mas de palpitante atualidade, num mundo que parece obcecado pelo sexo, a tal ponto que a concupiscência se amplia, causando estragos incomensuráveis.
A obra em si é de enorme valor. Bastaria o nome de André Luiz para recomendá-la. Acresce, porém, outro pormenor valioso: Emmanuel, Espírito cintilante por sua grande elevação moral e desmedida cultura, ditou, à guisa de prefácio, o "Prece no Limiar", que assim começa: "Pai de Infinita Bondade! Este é um livro que permitiste ao nosso André Luiz traçar, em lances palpitantes da existência, alguns conceitos da Espiritualidade Superior, em torno de sexo e destino - fotografia verbal de nossas realidades amargas que entremeaste de esperanças eternas."
Vale a pena conhecê-la por inteiro. O assunto é grave e interessa a homens e mulheres, sendo altamente recomendável à juventude, logicamente mais sujeita aos percalços da vida sexual.
São obras, estas duas últimas, que se nivelam a outras de igual profundidade moral, que já contribuem, há muitos anos, para a orientação superior da criatura humana. Nenhuma felicidade coletiva será possível sem que primeiramente se alcance a reforma e o aperfeiçoamento de cada indivíduo. As obras espíritas têm também essa missão.
São subsídios de imenso valor para a construção de um mundo novo e melhor.
Reformador – Março de 1964.

terça-feira, 14 de abril de 2009

VIDA E AMOR



A cena desenrolou-se há quase cinco anos.
O apelo vinha de longe. O cansaço da velha amiga se lhe desenhava no rosto. E o rosto dela se nos refletia no espelho da mente.
Era D.Maria Eugênia da Cunha, que eu conhecera menina e moça em meus últimos tempos no Rio. Lembrava-nos a afeição, rogava socorro espiritual.A jovem de outra época era agora uma viúva,pobre, residindo por favor com o filho único, recém-casado.
O chamamento lhe fluía do ser, em nossa direção: “Meu amigo, em nome de Jesus, se é possível, auxilie-me... Não agüento mais!”.
Utilizando os recursos do desencarnado, quando pode ganhar distância e tempo,fomos vê-la e encontramo-la, arrasada se angústia, ante as invectivas da nora. Maria Cristina, a boneca que lhe desposara Júlio, o filho que ela preparara com tanto mimo para a vida, não considerava nem mesmo a tempestade lá fora, e ordenava.
-E a senhora saia daqui hoje...
-Mas hoje? Com esta noite? –arrazoava a sogra, em pranto.
-Estou farta, se eu fosse velha moraria no asilo.
-Preciso ver meu filho...
-Isso é que não. Quem manda nesta casa sou eu...
-Sou mãe.
-Seja o que for, saia daqui. A senhora tem irmão no Leblon, tem sobrinhos em Madureira...
Pode escolher.
-Maria Cristina!...
-Não dramatize.
-Afinal, você me expulsa deste modo?! Que fiz eu?
-Não vou com a sua cara.
-Minha filha ,pelo amor de Deus, não me atire assim porta fora...
-Arranque-se daqui ou não respondo pelo que possa acontecer.
-Júlio!...Quero ver Júlio!...
-A senhora não mais envenenará meu marido com as suas conversas...
-Ah! Meu Deus!...
-Não se escore em Deus para mudar de assunto.Saia agora!
-Preciso arranjar minhas coisas, minha roupa...
-Nada disso...Amanhã ,a senhora telefona, que eu mando seus cacarecos...
-Não posso sair assim---
-Vamos ver quem pode mais...
Colocando algum dinheiro nas mãos da sogra, sacudiu-a com violência e, em seguida, puxou-a até a porta e gritou:
-Vá de táxi, vá de ônibus, vá como quiser, mas desapareça!
Inútil qualquer tentame de socorro. A moça, transtornada, não assimilava qualquer apelo de misericórdia.
Num momento, D.Maria Eugênia se viu empurrada para a rua.A pobre cambaleou, arrastou-se, e, mais alguns minutos de chuva e lágrimas nos olhos, o desastre... Projetada ao longe por pesado veículo, veio à fratura mortal.
No dia seguinte, identificada pelo filho numa casa de pronto-socorro, largou-se do corpo, ao anoitecer.
Abateu-se o infortúnio sobre o casal
Júlio e Maria Cristina passaram a condição de doentes da alma.Por mais que a mulher engenhasse a escapatória, asseverando que a sogra teimara em sair em visita à irmã, debaixo do aguaceiro,o esposo desconfiava.Desconfiava e sofria.
D.Maria Eugênia, porém, na espiritualidade,compadeceu-se dos filhos e, conquanto enriquecida de proteção e carinho, não se sentia tranqüila ao sabê-los em desentendimento e dificuldade. Repetia preces, mobilizou relações e , depois de quatro anos, venceu o problema, tornando, de novo ,à Terra...

Hoje, fui ver a velha amiga renascida no Rio. Renasceu de Júlio e Maria Cristina, lembrando uma flor de luz no mesmo tronco familiar.Os pais felizes, agindo intuitivamente, deram-lhe o mesmo nome: Maria Eugênia.O jovem genitor beijava-a enternecido e a ex-nora, transfigurada em mãezinha abnegada, guardava-a sobre o próprio seio, com a ternura de quem carrega um tesouro.
Meditava nos prodígios da reencarnação,à frente do trio, quando o irmão Felisberto, que me acompanhava, falou, entre alegria e emoção:
Veja, meu amigo! Não adianta brigar, condenar, ofender,perseguir...A lei de Deus é o amor e o amor vencerá sempre.
Irmão X
Do livro Cura - Autores Diversos - Psicografia de Francisco Cândido Xavier

domingo, 12 de abril de 2009

EM HOMENAGEM AOS 82 ANOS DO DESENCARNE DO MESTRE LÉON DENIS


Léon Denis
Por Deolindo Amorim

Nascido em Foug a 1º de janeiro de 1846, Léon Denis desencarnou em Paris, no dia 12 de abril de 1927, com oitenta e um anos, portanto. Vamos comemorar este ano o 50º aniversário do desenlace do grande escritor espírita, cuja obra, a todas as luzes, é um patrimônio, um monumento de espiritualidade. Os espíritas, em todas as latitudes, têm uma dívida de gratidão para com ele. Não se trata simplesmente de uma figura histórica nos registros do calendário.
Não. Para aos que o conhecem ou nele beberam ensinamentos, Léon Denis é um guia que continua ensinando, orientando educando e consolando pelos seus livros e pelos exemplos de sua vida. Por isso mesmo o cinqüentenário de sua desencarnação deve ter, com todo o cabimento, a significação de um acontecimento espírita.
Mais de uma geração de espíritas, notadamente no Brasil, formou sua base de cultura doutrinária em grande parte nos livros de Léon Denis, como nos de Gabriel Delanne, outro notável discípulo de Allan Kardec. Conhecemos velhos companheiros - conferencistas, jornalistas, doutrinadores e oradores espíritas - que tiveram esse começo e muito fizeram pela divulgação da Doutrina. Léon Denis fez muitos discípulos entre nós, mas entre os elementos da chamada “velha guarda”, pois não é tão conhecido no seio da atual geração, cujo ingresso na seara espírita se deve a outras motivações. Mas a obra de Léon Denis - é bom frisar - não é uma relíquia, dessas que ficam no santuário da devoção como peças intocáveis, porque falam apenas do passado. Muito pelo contrário, as idéias de Léon Denis estão muito vivas, pois não se apagaram com o tempo. São idéias que ainda podem servir de orientação em qualquer dos ângulos de compreensão do Espiritismo, o que equivale dizer tanto na parte experimental, como na inquirição filosófica e nas suas conseqüências morais.
Há quem admire Léon Denis apenas como escritor, e é uma faceta que bem o distingue, mas também há quem veja nele simplesmente o moralista, tanto quanto não falte quem se impressione ainda mais com o seu pensamento filosófico. Enfim, a obra de Denis é uma síntese em que se encontram e combinam muito bem vários aspectos. O escritor que ele é, e dos mais límpidos, se entrelaça com o homem de alta especulação filosófica e, ao mesmo tempo, com o inconfundível defensor dos valores morais. Homem de pensamento e homem de sentimento: a sede de saber e o amor ao próximo, eis as linhas mestras de sua personalidade.
Por isso mesmo, e porque nos parece, em determinados pontos, tão atual nos dias de hoje como o fora em seu tempo, a comemoração do cinqüentenário de sua passagem para o outro plano da vida deveria ser assinalada não apenas com os discursos e as conferências que certamente, ou necessariamente, figurarão nos programas, mas de outro modo, ainda mais relevante: a organização de estudos especiais de sua obra, através de cursos. Muita gente, em nosso meio, conhece Léon Denis apenas por citações, mas ainda não tomou conhecimento de sua verdadeira linha de pensamento. Poucos, na realidade, poderiam falar, por exemplo, sobre as preocupações sociais de Léon Denis. No entanto foi um de seus temas constantes.
Francês de nascimento e de educação, homem da classe média, Léon Denis viu e sentiu o drama da França logo em seguida à I Guerra Mundial. Justamente por ter participado desse drama social, nele envolvido pela força das circunstâncias, Léon Denis pensou muito nos destinos da França e da Humanidade, não apenas em termos político-econômicos, seara dos estadistas, mas em termos de recuperação moral, que muito têm que ver com a Doutrina Espírita. Vemos em Léon Denis, agora, não mais o escritor brilhante, mas o pensador, o lúcido e grave humanista preocupado com a dor geral, ao contemplar as ruínas da guerra. Realmente, como a história bem o demonstra, a recuperação material depende da capacidade dos administradores e do fator tempo, mas a reconstrução moral é muito trabalhosa e penosa, pois a violência e o sofrimento levam os homens, em grande parte, à desorientação e à neurose, enfraquecidos espiritualmente, sem qualquer resídio de crença nos valores espirituais. É uma fenda sensível e perigosa, que se abre no organismo social, depois de uma guerra ou de uma calamidade, permitindo a decadência moral em larga escala. Muitos homens de crença se desorientam, não resistem às repercurssões morais e emocionais dos conflitos sangrentos mas nem todos, felizmente, se deixam naufragar na desordem. Léon Denis viu e viveu os sofrimentos de seu povo, sentiu as aflições da humanidade, mas não se desviou de sua filosofia de vida. Na pujança das energias e da palavra, como no crepúsculo da existência física, já na velhice que descambava para o fim do ciclo terreno, foi sempre o mesmo homem convicto. Vale a pena transcrever as seguintes palavras de seu “Testamento moral”, na obra de Gaston Luce, que o chama, com inteira propriedade, o apóstolo do Espiritismo:
Consagrai esta existência ao serviço de uma grande causa, o Espiritismo ou Espiritualismo Moderno, que será certamente a Religião do futuro...
Nesta hora, minha alma entra em recolhimento e se liberta antecipadamente das ligações terrestres; vê e compreende a finalidade da vida.
Bela e profunda filosofia - o Espiritismo - que abre a visão do futuro até mesmo no ocaso da vida terrena, quando muita gente pensa que tudo é sombra e tudo se apaga! Assim, filosofando com sabedoria, Léon Denis fechou o ciclo de sua experiência terrena em 1927.

N.R. - Este artigo foi originalmente e publicado na revista O Médium (1/77)
Jornal Espírita-Abril de 1977

sábado, 11 de abril de 2009

EM HOMENAGEM AOS 109 ANOS DO DESENCARNE DE ADOLFO BEZERRA DE MENEZES CAVALCANTI


MENSAGEM

Bezerra de Menezes

Filhos, o Senhor nos abençoe.
Reunidos à luz da prece, agradecemos ao Senhor as alegrias recebidas e suplicamos novo amparo, a fim de que se nos refaçam as energias para o dever a cumprir.
*
Estamos reunidos – repetimos – e cada um de nós se caracteriza por mensageiro de problemas determinados perante o Senhor. Entretanto, ser-nos-á útil, decerto, comparar-nos a problemas diversos para Ele mesmo, o Eterno Amigo, que nos tutelou, perante a Divina Bondade, considerando-nos os destinos perante a Imortalidade.
*
E, nessa condição, ouçamos a voz da nossa própria Doutrina, através da mensagem de amor que ela irradia, com o fim de entendermos o amor como sendo a chave de solução para todos os enigmas que nos desafiam a alma nas trilhas da evolução.
*
E é nesse amor a se expressar, como sendo a caridade em ação, que surpreendemos o grande Caminho.
*
Toda vez, filhos, em que se nos apresente a necessidade alheia, eis aí para nós a oportunidade e a lição, a luz e a benção.
*
Semelhante necessidade se pluraliza de modos múltiplos.É a injúria que nos visita a pedir-nos compreensão e bondade; é a sombra da incompreensão a exigir-nos entendimento e fraternidade; é a dor a solicitar-nos e lenimento; é a lágrima a reclamar-nos consolo e esperança; é a penúria a esperar de nós braços socorredores que lhe atenue os padecimentos.
*
Reconheçamos, dessa forma, na condição de companheiros do Cristo, que anseia agir por nossas mãos e ver com os nossos olhos, abençoar com a nossa voz e amparar com o nosso discernimento na construção do Reino do Amor e Luz a que fomos trazidos, não só para teorizar e aguardar, mas também para renovar e fazer, elevar e construir.
*
Tudo, pois, queridos filhos, que pudermos realizar, se condensa na conjugação ativa do verbo servir.
*
E servindo, encontraremos a solução para todas as nossas lutas e a resposta para todas as nossas indagações.
Edifiquemos o bem e o bem se nos levantará na existência em abrigo capaz de nos resguardar contra todos as vicissitudes da vida.
*
Comecemos, assim, de nossos próprios lares e de nossas próprias instituições, em cujas tarefas somos solicitados aos mais difíceis testemunho do Evangelho vivo e ativo, em cujo clima, por fim, conseguiremos o Conhecimento Melhor para a conquista da Vida Maior.
*
Se não é possível, desse modo, algo vos dizer, tomamos a liberdade de repetir-vos:
- Filhos, amemo-nos como o Senhor nos amou e todos os nossos problemas serão resolvidos para que a felicidade nos tome finalmente à sua própria conta, investindo-nos na posse da Vida Eterna.
Conosco seja a paz do Senhor, hoje e sempre.


Psicografia Chico Xavier – Espíritos Diversos – Livro Servidores no Além

sexta-feira, 10 de abril de 2009

VISÃO ESPÍRITA DA PÁSCOA


O Espiritismo não celebra a Páscoa, mas respeita as manifestaç ões de religiosidade das diversas igrejas cristãs, e também não proíbe que seus adeptos manifestem sua religiosidade.
Páscoa, ou Passagem, simboliza a libertação do povo hebreu da escravidão sofrida durante séculos no Egito, mas no Cristianismo comemora a ressurreição do Cristo, que se deu na Páscoa judaica do ano 33 da nossa era, e celebra a continuidade da vida.
O Espiritismo, embora sendo uma Doutrina Cristã, entende de forma diferente alguns dos ensinamentos das Igrejas Cristãs. Na questão da ressurreição, para nós, espíritas, Jesus apareceu à Maria de Magdala e aos discípulos, com seu corpo espiritual, que chamamos de perispírito. Entendemos que não houve uma ressurreição corporal, física. Jesus de Nazaré não prec isou derrogar as leis naturais do nosso mundo para firmar o seu conceito de missionário. A sua doutrina de amor e perdão é muito maior que qualquer milagre, até mesmo a ressurreição.
Isto não invalida a Festa da Páscoa se a encararmos no seu simbolismo. A Páscoa Judaica pode ser interpretada como a nossa libertaç ão da ignorância, das mazelas humanas, para o conhecimento, o comportamento ético-moral. A travessia do Mar Vermelho representa as dificuldades para a transformação. A Páscoa Cristã,
representa a vitória da vida sobre a morte, do sacrifício pela verdade e pelo amor. Jesus de Nazaré demonstrou que se pode executar homens, mas não se consegue matar as grandes idéias renovadoras, os grandes exemplos de amor ao próximo e de valorização da vida.
Como a Páscoa Cristã representa a vitória da vida sobre a morte, queremos deixar firmado o conceito que aprendemos no Espiritismo, que a vida só pode ser definida pelo amor, e o amor pela vida. Foi por isso que Jesus de Nazaré afirmou que veio ao mundo para que tivéssemos vida em abundância, isto é, plena de amor.
Amílcar Del Chiaro Filho