domingo, 1 de maio de 2011

O LUGAR SECRETO

Nos Salmos do Antigo Testamento e nos Evangelhos há referências expressas ao “lugar secreto”, sede de nossa consciência, o nosso ser íntimo.
Nele originam-se os pensamentos, as resoluções interiores, mesmo quando derivadas de sugestões de outros seres. O Espírito nele reina soberano, no exercício de seu livre-arbítrio.
“A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos.”
“Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina.” (“O Livro dos Espíritos”, Questões 835 e 843.)
Nenhuma causa assenta-se de fora para dentro. O interior é que produz o exterior.
Acontece freqüentemente, no curso da vida, a sujeição de nossos pensamentos a hábitos adquiridos, estereotipando idéias que se tornam fixas, invariáveis, mas sempre com nossa concordância. Se os hábitos-pensamentos ajustam-se à Lei Divina, tanto melhor para o ser. Mas se violam a Lei, responderemos pelas conseqüências.
Isto justifica a necessidade de vigilância permanente, de esclarecimento constante do Espírito, para que a prática da vida, desdobrando-se nas ações mais variadas, resulte de pensamentos retos.
Se bem atentarmos nos ensinamentos de Jesus, que para muitos parecem extremamente complexos e fora da realidade da vida, se nos aplicarmos às verdades trazidas pelo Consolador aos tempos modernos, rememorando aqueles ensinos, depararemos com uma certeza muito clara e evidente: a mensagem do Cristo, revivida na Doutrina dos Espíritos, é de natureza transcendente, porque provém do Alto, mas é de índole prática por excelência, porque indica a cada indivíduo o “caminho e a verdade” para que seu procedimento o conduza à própria felicidade, à “salvação”, ao progresso contínuo, tal o seu destino.
Ë óbvio reconhecer, pois, a extrema importância da orientação que dada um imprime ao seu íntimo. Pensar retamente, de conformidade com a Lei, resultará em que, agora ou depois, tudo estará bem no mundo exterior.
O papel das religiões e filosofias pode ser resumido, em todos os tempos, em ajudar e esclarecer o homem, para que pense corretamente, aproximando-o das realidades e da verdade. Não sendo elas detentoras da verdade absoluta, representam parcelas de conhecimento que estão em consonância com o patamar evolutivo das raças e povos.
A vinda do Cristo, o Guia e Governador espiritual do nosso mundo, complementa e retifica as religiões e filosofias, suprindo suas carências e desvios, como torna patente a Terceira Revelação.
Entretanto, podemos observar que a Humanidade, na sua maior parcela, tem invertido os termos da realidade. Desde os tempos primitivos da vida do homem neste Planeta, prevalece a ilusão de que os atos exteriores, de fácil observação pelo fascínio que exercem sobre os sentidos físicos, podem ocupar o lugar do pensamento e do sentimento.
Por isso, na política e nas regras das sociedades humanas tem prevalecido a idéia de que as leis e instituições da Terra resolvem todos os problemas do homem, mesmo que permaneça ele mau, ignorante e despreparado.
Sucedem-se então as tentativas de criarem-se instituições perfeitas e leis justas para atenderem às mais diferentes necessidades humanas. Acontece que as desilusões também se sucedem, eis que não podem surgir instituições e leis justas e perfeitas criadas e sustentadas por mentes desajustadas da Lei maior, nem cumpridas boas normas por indivíduos despreparados.
Toda a gama de regimes políticos e sistemas sociais, desde os reinados e principados absolutos até os sistemas atuais de democracias representativas e socialistas, passando por todas as experiências escravocratas, feudais, ditatoriais e quantas que se conhecem, incidem no mesmo erro, o da ilusão de que as ações exteriores podem substituir o pensamento correto. Entretanto, o pensamento reto só pode ser gerado pelas mentes reeducadas no bem.
No domínio das religiões ocorre fato semelhante, com o predomínio do culto exterior nas massas dos seguidores, com prejuízo do culto interior, além dos desvios de princípios essenciais, pelas falsas interpretações e pela imposição de dogmas impróprios. É o que se observa nas grandes religiões tradicionais e nas seitas atuais que proliferam por toda parte.
As instituições humanas só se aproximarão da perfeição quando resultarem, na sua criação e no seu funcionamento, de consciências retas e de sentimentos puros. Por isso será necessário, antes, forjarem-se os caracteres morais. Todo um programa de reeducação integral está à espera do interesse dos homens.
Enquanto predominar nas massas o egoísmo coletivo, como somatório do egoísmo individual, enquanto for lugar comum a inveja, a ganância e a corrupção em detrimento do amor e da justiça concebidos interiormente, para que se manifestem na compreensão exterior, enquanto prevalecer a indiferença entre os indivíduos, sufocando a solidariedade, estaremos diante de sinais inequívocos de que os homens continuam iludidos pelas exterioridades, sem atentarem para a necessidade de estancar em seu nascedouro, no íntimo dos seres, as causas dos males evidentes.
Todas as mazelas humanas que se manifestam sob as múltiplas formas do egoísmo e do orgulho só serão detidas quando substituídos esses sentimentos negativos pelas formas positivas do amor e da justiça interiores. E uma questão de educação do Espírito para que atente no seu próprio destino: o progresso intelectual e moral.
No campo social, a felicidade coletiva é a soma do esforço individual no bem. O melhor para todos depende da reeducação dos pensamentos e dos sentimentos de cada um.
Nossa função não é a de criar o bem, já que ele existe de toda a eternidade. Nosso papel é o de aceitá-lo interiormente e de exercitá-lo em pensamentos e ações. A mensagem do Cristo e o ensino dos Espíritos Superiores preconizam exatamente nossa harmonização com o determinismo do bem.
Felizes os que aprendem as retas veredas da alma, assenhoreiam-se de seus pensamentos e os ajustam aos ensinamentos do Mestre Divino, no seu sentido espiritual transcendente.
A busca do bem e da verdade assemelha-se ao trabalho de garimpagem. Para encontrá-los em meio à ganga torna-se imprescindível não só o esforço inteligente, mas também a simplicidade de coração, para só assimilar o correto e o justo perante a Lei Divina.
A paz interior baseia-se na estabilidade do coração, quando há firmeza na busca do bem.
Ouvimos muitas vezes de companheiros espíritas que o conhecimento da Doutrina e o esforço na prática de seus princípios morais foi fator decisivo na modificação de suas vidas. Nada mais lógico e natural.
Quando conhecemos a verdade e aceitamos determinados princípios que conduzem à realidade de nosso ser, a experiência acrescida nos leva à criação de novas condições interiores, com reflexos em todo o ambiente que nos é próprio.
Pensamentos retos produzem modificações na maneira incorreta de agir. Se passamos a preocupar-nos com os postulados da consoladora Doutrina Espírita, esforçando-nos em ceder algo em favor dos outros, somos despertados pelo amor fraterno, sentindo a necessidade do próximo, a angústia do vizinho, o sofrimento das pessoas. Atraímos condições especiais em nosso meio, adotamos nova tábua de valores, entre os quais os bens materiais já não ocupam os primeiros lugares.
Esforçamo-nos, enfim, pelo nascimento interior de um reino que nos pertence e que podemos governar com a consciência permanentemente em busca da paz.
É natural que não somente nós percebamos as transformações íntimas, mas também os que nos rodeiam. Os familiares e amigos, parentes e companheiros de jornada percebem a mudança, embora quase sempre atribuindo-a às circunstâncias externas.
O homem permanecerá escravo do erro e da ignorância, sofrendo-lhes as conseqüências enquanto não se libertar pelo conhecimento de si mesmo e das leis da vida.
Para a libertação da Humanidade, Jesus, seu Guia e Salvador, afirmou:  “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”
Sua pregação revelou grande parte da Verdade, mostrando-nos Deus na figura de Pai e Criador e ensinando aos homens como viver e como morrer. Em nova etapa do conhecimento da Verdade, os Espíritos do Senhor desvendaram os segredos da morte, na vida que se desdobra infindável, sob outras formas e dimensões.
O “lugar secreto” é o reino interno da nossa mentalidade. Todos os nossos pensamentos são aí criados. Os pensamentos induzidos por outrem são perfilhados ou rejeitados. Somente o próprio Espírito tem o domínio de sua consciência. O livre-arbítrio é um dos dons com que o Criador dotou o Espírito imortal.
Criado ou adotado certo pensamento, produz ele conseqüências inevitáveis. Assim, se não desejamos determinados efeitos, o meio normal de evitá-los é abstermo-nos da geratriz, que se encontra dentro de nós.
Por aí podemos perceber a extensão e a importância da vigilância interior, coadjuvada pela oração, a forma de evitar e repelir os pensamentos indesejáveis.
Igualmente podemos entender melhor o sentido do pecado por pensamentos que muitos rejeitam por entenderem que não tem existência real. O erro está em considerar irreal o que é imaterial.
Não se podem separar emoções e sentimentos dos pensamentos correspondentes.
O amor, a bondade, a alegria sã, a doçura, a piedade e todos os sentimentos elevados induzem pensamentos positivos que com eles se confundem. Produzem o otimismo, a confiança, a certeza, a fé. Já quando alimentamos sentimentos de ódio, raiva, rancor, inveja, despeito, nossos pensamentos geram mal-estar em nós e nos outros, produzindo danos à saúde do corpo e do Espírito.
A força do pensamento, bem dirigida, permite ao Espírito a aproximação com o Criador.
É lei da vida que, pela forma como pensamos, falamos, agimos e escolhemos nossas companhias espirituais.
Qualquer que seja a conduta adotada, invariavelmente ela voltará para nós, cedo ou tarde.
O bem ou o mal que desejamos e que dedicamos aos outros, recebê-los-emos de volta, aqui ou alhures.
Fonte: Reformador – junho, 1989.

terça-feira, 12 de abril de 2011

CRIMINOSOS NUMA ANÁLISE ESPÍRITA

“Deveis amar os desgraçados, os criminosos, como criaturas que são de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos se se arrependerem” “É tanto vosso próximo {o criminoso}, como o melhor dos homens” (Evangelho Segundo o Espiritismo - XI,14.)

Num tempo em que são apresentadas como novidades as doutrinas sociais da inclusão isto é: inserir aqueles, que são excluídos, ou se auto excluíram por motivos vários, importa refletir à luz da Filosofia Espírita, sobre uma larga faixa daqueles, porque caídos nas malhas do crime, continuam detestados e, quiçá, para a populaça intolerante, melhor seria retirar esses criminosos para sempre do seio da sociedade.
O Espiritismo enquanto bênção dos céus, é a doutrina da modernidade por excelência, ao eleger como seu postulado principal a caridade, deixando o bem expresso no Evangelho Segundo o Espiritismo Capitulo XI na comunicação de Paulo- Paris 1860 que “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO, propõe assim, a revolução do amor nos corações, para, que ninguém fique de fora da esperança e do amor do Pai, em que Jesus Cristo resumiu toda a sua doutrina, perpetuando no espaço e no tempo esse canto de beleza traduzido no:” Vinde a mim vós que sofreis eu vos aliviarei” ou “justiça quero e não violência” a fim de que, os caídos na desgraça não sejam aniquilados, mas conduzidos ao amor e ao perdão e, mesmo no extremo das suas dores, recebam sempre nova oportunidade de educação.

Léon Denis afirma que:
Todas as almas são perfectíveis e susceptíveis de educação; devem percorrer os mesmos caminhos e chegar da vida inferior à plenitude do conhecimento, da sabedoria e da virtude. Não são todas igualmente adiantadas, mas todas hão-de subir, cedo ou tarde, as árduas encostas que levam às radiosas eminências banhadas da eterna luz”.

Acreditando sempre na educação, não duvidemos nós os espíritas do pensamento de Léon Dennis e perseveremos sempre na busca de maiores conhecimentos que, nos permitirão agir no seio da sociedade como colaboradores das almas, que desta ou daquela forma nos foram confiadas, ou conosco se cruzaram nesta reencarnação, tendo para com toda a compreensão. Quando as Ciências da Educação e o legislador penal estudarem com profundidade os postulados espíritas, serão confrontados com uma realidade que ignoram, o Espiritismo prevê toda uma política educacional e social, essencialmente preventiva.
São estas palavras de Allan Kardec, nos comentários pessoais, a respeito da “Lei do Trabalho”, questão nº 685 do L.E: Considerando-se o aluvião de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de espantar as consequências desastrosas que daí decorrem? Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada (a educação) o homem terá no mundo hábitos de ordem e previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos penosamente os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Esse o ponto de partida, o elemento real do bem estar, o penhor da segurança de todos”.
A Filosofia Espírita, nunca leva a uma visão fatalista, prevê sempre a regeneração do espírito pela reforma moral, pela educação, pelo trabalho, pelo aperfeiçoamento das condições sociais. Daí, que em momento algum os Espíritos apresentaram a violência ou a força como solução para alguma coisa, mas sempre a educação, como fica bem expresso na questão 761. L.E: A lei de conservação dá ao homem o direito de preservar a sua própria vida; não aplica ele esse direito, quando elimina da sociedade um membro perigoso?
- Há outros meios de se preservar o perigo, sem matar. É necessário, aliás, abrir e não fechar ao criminoso a porta do arrependimento. O Espiritismo como corpo doutrinário organizado, propõe em todas as situações soluções modernas e avançadas, ainda não superadas pelas modernas Ciências Criminais, Ciências Sociais e Educacionais, oferecendo a todos os estudiosos sérios, um campo vasto de reflexão, para toda a problemática, que hoje convida à visão holística, ou no dizer do professor José Herculano Pires “cosmovisão”.
Se, os que não estudam o Espiritismo, sabem o, que ele não é nunca é demais dizer o que ele é para isso ninguém melhor que o Codificador Allan Kardec-(55) O que é o Espiritismo.
O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; compreende todas as consequências morais, que dimanam dessas relações. Porque despida a roupagem carnal, o Eu individual não se extingue, e o espírito leva consigo toda a responsabilidade individual, fruto das suas ações nefastas, pela reencarnação, através das vidas sucessivas, volve ao palco educacional, como único meio de aperfeiçoamento espiritual, reencontrando-se com aqueles a quem prejudicou para reparação dos seus males.
“Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e as suas consequências. O Arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação” (O Céu e o Inferno, 1ª parte, cap. VII, item 16º).
Então, se com a morte do delinquente, o espírito imortal prossegue, o ódio acompanha o odiado e também não se extingue o sentimento de vingança para o futuro: qualquer extinção da vida do delinquente não passará apenas de uma perda de tempo e, de uma violência gratuita do estado para criar mais um revoltado na escola futura. Porque o fuzilamento, a cadeira eléctrica, a injeção letal ou, outras formas de eliminação legal, por mais modernas e poderosas, serão incapazes de destruir o espírito imortal, nunca apagarão, com esses métodos os ódios, as vinganças ou as perversidades.
“Para o criminoso, a presença incessante das vítimas e das circunstâncias do crime é um suplício cruel”. (O Céu e o Inferno, 1ª parte, cap.VII, item 24). Aqueles, que eivados de uma visão materialista da vida e que em pleno século XXI, invocam como solução política de paz pública o saneamento dos criminosos, pela pena de morte ou outras formas de violência, apresentam uma solução negativa à Luz do Espiritismo.
As vinganças de ordem espiritual, que se abatem sobre as famílias, os povos ou as nações, tomando a forma de obsessões individuais ou coletivas, são o resultado das violências legais ou ilegais que, não souberam abrir a porta do amor e da regeneração pela educação do delinquente, que um dia também será anjo. A sociedade tem efetivamente de saber defender-se e preservar-se porque essa é uma condição de progresso individual e coletivo dos Espíritos: “O homem tem que progredir. Isolado não lhe é possível” {LE- Q. 768}“ Quis Deus que por essa forma {os laços sociais e de família} os homens aprendessem a amar-se como irmãos” (LE- Q. 774). Vide ainda {LE-Q.766,767,768}.
A Codificação explica como a organização social se deve defender dos criminosos. –“A Sociedade tem as suas exigências. São-lhe necessárias leis especiais” (LE-Q 794);_ “se {as imperfeições de uma pessoa} podem acarretar prejuízos a terceiros , deve-se atender, de preferência, ao interesse do maior número” (Evangelho Segundo o Espiritismo Capitulo - X, 21)- “Uma sociedade depravada certamente precisa de leis mais severas {…}” (LE –Q 796)- “A vida social outorga direitos e impõe deveres recíprocos” (LE- Q- 877);” Confiante na impunidade, o homem retardaria o seu avanço e, consequentemente, a sua felicidade futura” (EE-V,5).
-“ Com o atrativo de recompensas e temor de castigos, procura-se estimular o homem para o bem e desviá-lo do mal” (LE- Q 1009§ 9). “O castigo só tem por fim a reabilitação, a redenção” (LE- Q1009§ 7); -” as penas por temporárias, constituem concomitantemente castigos e remédios auxiliares à cura do mal” (CI-1º VII, 30)” Toda a imperfeição, assim como toda a falta que dela promana, traz consigo o próprio castigo, nas consequências naturais e inevitáveis “(CI 1ª, VII, 33, 2ª.)
A proposta penal da Filosofia Espírita, não esgota a sua ação na defesa social, não tem por fim último salvaguardar a coletividade, mas organizar-se esta de tal forma para fins superiores, que corrijam as imperfeições, que conduzem ao crime, tratando o delinquente e não o segregando ou eliminando-o, mas cuidando dessas almas doentes. - “Infelizmente essas leis {penais} mais se destinam a punir o mal, do que a lhe secar a fonte” (LE-Q. 796) e em jeito de conclusão e sentença deixa-nos o Mestre de Lyon, discípulo de Pestalozzi. “Só a educação poderá reformar os homens que, então, não precisarão de leis tão rigorosas (LE Q.796”.)
O Espiritismo não nos esclarece somente sobre o transcendente, oferece-nos noções claras a respeito de Deus, a Inteligência Suprema e sobre o Cristo Consolador. Dá-nos a conhecer muitas das leis divinas que já podemos compreender, a evolução contínua, as vidas sucessivas em mundos matérias como o nosso, a lei de causa e efeito, a eternidade do Espírito, leis de esperança que mostram ao ser humano as suas imensas possibilidades de crescimento, na proporção justa do seu esforço, do uso correto da sua inteligência e vontade e da liberdade que goza. Ensina-nos com clarividência que o homem, espírito encarnado neste mundo atrasado, vem ao longo dos milénios, cumprindo o seu fado, aprendendo as coisas rudimentares da vida, mas sempre se aperfeiçoando através das reencarnações, não ficando ninguém, excluído das soberanas leis do amor.
E porque somos ainda imperfeitos e precisamos da caridade dos luzeiros espirituais que nos guiam e nos e convidam permanentemente ao perdão, a sermos mais fraternos e solidários uns com os outros, mesmo sabendo das nossas seculares imperfeições, ou porque sabem que somos doentes e para isso precisamos do lar, adequado à nossa condição evolutiva, da escola ou do hospital mais capazes, jamais nós, espíritas, nos permitamos ser descaridosos para com os nossos semelhantes, nomeadamente, os caídos no vício da criminalidade porque, mesmo com esses podemos aprender onde já não estamos, nunca esquecendo o principio fundamental da doutrina espírita. “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO” permite Deus que entre vós se achem grandes criminosos, para que vos sirvam de ensinamentos.” (EE-XI, 14,§5.
Que nos Centros Espíritas, escolas fundamentais do Movimento Espírita, contribuamos pela nossa ação ativa a divulgar e exercitar esses e outros saberes, que chegaram até nós pela caridade do Amor infinito de Deus, ampliados pelo Espírito da Verdade, para melhor entendimento de Jesus, através das obras de Kardec, porque este sentimento religioso novo, ou Religião Natural do Amor, contribuirá ao maior respeito por todos os semelhantes, contribuindo para a verdadeira paz social.

José Esteves Teiga
Federação Espírita de Portugal


Referências bibliográficas:
- Ney Lobo,
- Léon Denis,
- Allan Kardec,
- Céu e Inferno.
- Deolindo Amorim,
- Livro dos Espíritos;
- O Que é o Espiritismo;
- Espiritismo e Criminologia;
- Os Criminosos na visão Espírita;
- Filosofia Espírita da Educação-3.
- Evangelho Segundo O Espiritismo;
- O Porquê do Ser, do Destino e da Dor.
- 2 8 - R e v i s t a d e E s p i r i t i s m o
- 2 9 - Re v i s t a d e E s p i r i t i s m o 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A VISÃO ESPÍRITA DO PECADO

Um dos conceitos mais arraigados na nossa cultura cristã é a ideia do pecado. Desde a mais tenra idade nos ensinam que somos todos pecadores, que tudo de errado que fazemos é pecado e que por isto devemos ser punidos, ou como é mais comum dizermos, castigados. Fazendo-se uma análise, à luz da razão, desta relação entre pecado e castigo, vamos verificar que este é um processo que apenas gera medo e temor, levando-nos a conter nossos atos, não pela educação, mas pela ameaça do respectivo castigo. Mas será esta a maneira adequada de levar as pessoas à obediência do Evangelho? Será este o meio adequado de implantar o amor entre os homens? Antes de nos concentrarmos na busca de uma alternativa, seria interessante que fôssemos procurar a origem desta visão punitiva.
Quando Moisés retirou seu povo do Egito, os Hebreus estavam completamente influenciados pela cultura egípcia, a ideia de um Deus único era estranha e não havia qualquer disciplina entre eles, era um povo rebelde e acostumado à prática do roubo, do adultério e da adoração a vários deuses. Era ainda um povo primitivo, incapaz de espontaneamente modificar sua conduta. Não existia outra maneira de levá-los a abandonar os velhos hábitos a não ser a adoção da imagem de um Deus punitivo, um Deus que se irava e que castigava implacavelmente aqueles que não obedecessem a “sua Lei”, era o tempo do “olho por olho, dente por dente”.
Quando Jesus veio a terra, seu discurso falava de um Deus tão amoroso que ele o chamava de Pai, sua mensagem não era mais o antigo conceito do Deus vingativo, mas do Deus que perdoava e que nos queria vivendo como irmãos, perdoando e oferecendo a outra face.
Com o advento da Idade Média, a Igreja resgatou o conceito mosaico do pecado, e a ideia de que os pecadores precisavam ser castigados como forma de remir suas faltas, além disso, foi fortalecida a ideia da ação do demônio na vida dos homens e de que se não “pagássemos” pelas nossas faltas estaríamos irremediavelmente condenados ao fogo do inferno. Essa concepção foi transmitida através das gerações e chegou até os nossos dias, onde continuamos temendo os castigos de Deus.
O Espiritismo, através de uma visão amadurecida, observa sob uma nova ótica a questão do pecado, lançando a luz do entendimento sobre o assunto e trazendo conforto e esperança aos homens, que doravante apagam a noção de pecadores e passam a assumir o papel de seres em evolução, ainda imperfeitos é verdade, mas rumando inexoravelmente para uma condição superior onde não mais cometerão os erros atuais. Alguns podem julgar esta posição absurda, mas então vamos parar um minuto e perguntar a nós mesmos: Quantos de nós, que somos humanos, ao invés de darmos nova oportunidade a nossos filhos, quando estes fazem algo que julgamos errado, os expulsamos de casa e os condenamos a viver eternamente com sua culpa? Então por que Deus que é o infinito amor agiria de uma forma pior do que a nossa? Afinal não foi Jesus quem disse: “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 7:11).
Apaguemos de nossas mentes a ideia da culpa. Na Doutrina Espírita nós não somos culpados; somos responsáveis pelos nossos atos e devemos responder pelas nossas ações, não através do famigerado castigo, mas através de mecanismos que nos levam à conscientização de nossas atitudes equivocadas e da reparação dos mesmos, pois o equívoco faz parte do processo de aprendizado e como seres em evolução precisamos vivenciar as mais diversas experiências para alcançar o progresso espiritual, e nessa jornada de luz é natural que nos enganemos, mas, é imprescindível que nos esforcemos para crescer. O objetivo da lei divina não é punir, mas, educar, fazendo com que cada indivíduo evite repetir seus erros pela compreensão de que sua atitude passada foi inadequada e que é necessária uma mudança de conduta.
As fases deste processo de mudança são: o Arrependimento, momento em que reconhecemos a nossa falha de conduta, a Expiação, que é quando vamos refletir sobre o que fizemos e finalmente a Reparação, que é o ápice deste processo, pois é quando alteramos nossos passos ou corrigimos o ato falho. Observem a lógica desta proposta, nela todos saem enriquecidos; nós, pelo amadurecimento, e o outro (a quem porventura prejudicamos), por ser valorizado ao consertarmos os nossos enganos.
A vida é uma dádiva de Deus, que no-la concedeu, para que alcancemos a felicidade, e não para vivermos com medo, vamos todos então trabalhar para alcançarmos a comunhão com Ele, certos de que: “Todo homem podendo corrigir as suas imperfeições pela sua própria vontade, pode poupar-se os males que delas decorrem e assegurar a sua felicidade futura” (o Céu e o Inferno, Cap VII).


Fontes:
O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
O Céu e o Inferno – Allan Kardec
O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
O Perdão e o Auto perdão – Divaldo Franco
Roteiro I do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
A Bíblia Sagrada

sábado, 9 de abril de 2011

PRESERVAR

Preservar o patrimônio espírita é fundamental.
Do ponto de vista doutrinário, não há que se fazerem concessões, devendo sua base permanecer apoiada nas obras de Kardec, no seu tríplice aspecto.
Com relação à casa espírita, há que se resguardar a essência da Doutrina, nas atividades desenvolvidas, sejam elas administrativas ou assistenciais, doutrinárias ou de divulgação, eventos e outras mais.
O patrimônio espírita representa uma conquista milenar para a Espiritualidade Maior: obedece ao planejamento do projeto de Jesus para o progresso espiritual e moral da humanidade terrestre.
Nesse contexto, a interação entre os dois planos da vida existe, como sempre existiu.
Importante que prevaleça a boa sintonia para que, no plano físico, o trabalho que se realize seja em harmonia com os elevados propósitos do Plano Superior.
A Lei de Progresso é uma realidade, e o patrimônio espírita precisa estar a seu serviço. Os trabalhadores espíritas, também.
O trabalhador espírita, muitas vezes, será conclamado a abrir mão de seus interesses pessoais em prol do ideal maior; da sua vanglória, para que a integridade da tarefa não seja prejudicada; do exercício da humildade, para que sua programação reencarnatória não seja comprometida.
Nesse sentido, é grande o desafio, pois, além de nossas imperfeições seculares, existem as pressões exercidas pelos adversários do bem que buscam potencializá-las, tanto no processo mente a mente, como nos envolvimentos fluídicos de baixa frequência vibratória, que podem nos tomar de assalto, se estivermos invigilantes.
Representam provas que, sendo superadas, representarão avanço na caminhada evolutiva de cada um.
A Lei de Progresso não retrocede.
O patrimônio espírita, doutrinário e material, bem como os talentos individuais e coletivos da comunidade espírita, precisam conservar-se fiéis ao projeto de Jesus, para cumprir a sua parte, no concerto das realizações presentes e futuras.
Conhecimentos já adquiridos precisam ser ampliados, pelo estudo permanente.
Esforço, no trabalho edificante, necessita empenho para prosseguir, sejam quais forem as dificuldades que se apresentarem, no mundo de transição em que o nosso ora se encontra.
Reencarnados que estamos, cumpre-nos defender, proteger, resguardar o patrimônio espírita para que, sobre o que já foi alcançado, ergam-se benefícios maiores.
Estamos tendo a oportunidade de dar a nossa pequenina participação de trabalho, na grande obra da transição planetária para melhor. Possamos fazer bom uso dela, para que nossas consciências se harmonizem com o estágio de regeneração do orbe, aprimorando-nos na direção do bem.
As cidades espirituais de luz trabalham, ininterruptamente, pelo progresso da humanidade. As casas espíritas são postos de trabalho delas, no plano físico, com vistas ao exercício do amor ao próximo, da prática da caridade, tanto material como espiritual e moral. Representam seus braços, pontos de apoio na materialidade.
Cada um de nós representa uma peça nessa engrenagem.
Possamos corresponder à expectativa que em nós depositam os benfeitores espirituais.
O potencial, que existe no âmago de cada um, desenvolve-se com estudo e trabalho.
Preservando nosso íntimo do mal, e buscando cultivar todo o bem possível, façamos nossa parte, para garantir a integridade e a perenidade do patrimônio espírita.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

OS ANIMAIS SÃO NOSSOS IRMÃOS

O planeta Terra, tal como hoje o conhecemos, é indiscutivelmente diferente daquele que nos seus primórdios era apenas uma massa de gases em alta temperatura, provavelmente ejetada do Sol.
Então, a vida ainda não existia aqui.
Deus, na Sua onisciência, estava criando mais uma escola.
Milhões de anos somando-se a outros milhões, chegando aos bilhões, eis que os Espíritos responsáveis pela evolução do novo mundo, magnetizando o protoplasma, fizeram surgir células e bactérias, dando-lhes vida própria, iniciando o ciclo da Vida, nos primeiros seres vivos planetários - os unicelulares.
Já eram individualizados, mas não se reproduziam sem custosos movimentos, uns buscando os outros. Dotados do instinto da preservação das espécies, eis que, da junção dos semelhantes, surgiram algas e cogumelos.
E com as algas, surgiu o sexo na face do planeta!
Num espaço colossal do Tempo, das algas aos grãos, dos grãos às flores, chegamos ao reino vegetal, como hoje ainda o conhecemos.
Não de um salto, mas em cadeia sucessiva, harmônica e permanente de transformações.
Assim também aconteceu com os animais irracionais: partindo do protoplasma originou-se o reino animal. Do longínquo e humilde protozoário aos mamíferos, toda uma extensa escala foi percorrida e incontáveis degraus da escada evolutiva foram galgados.
Quando falamos dos mamíferos, que são a ordem mais elevada do reino animal, não podemos negar ao nosso coração o direito de amá-los.
São nossos irmãos! Inferiores, é verdade, mas colocados no mundo com duplo objetivo: ajudar o progresso do homem e evoluir.
Se não existissem elefantes, camelos e principalmente cavalos, provavelmente a Humanidade ainda estaria no paleolítico, que se perpetuaria.
A força animal, muito maior que a humana, largamente utilizada na agricultura e nas construções de toda espécie, em todos os lugares e desde todos os tempos, removendo obstáculos, conduzindo pedras enormes, árvores, arados e fardos, possibilitou ao homem sair da caverna e hoje utilizar seu computador; ou, ver sua televisão, receber amigos e saborear deliciosas e finas iguarias, tudo isso a muitos e muitos metros do chão, em luxuosos apartamentos de cobertura...
Da canoa aos transatlânticos, do carro de boi ao avião supersônico, das peles curtidas aos confortáveis tecidos, tudo, tudo, se deve ao esforço humilde, subserviente, desinteressado e inigualável dos animais!
Se na agricultura, transportes e construções foram substituídos por possantes tratores e por fantásticos veículos pesados, não se poderá jamais olvidar a colaboração dos animais: ademais, indeclinável citar que, para viver, não necessitam dos homens, pois que a Mãe Natureza lhes é gentil e pródiga.
Gentil, ao fornecer-lhes alimento suficiente, jamais faltando.
Pródiga, ao equipá-los com o instinto, avalista de sua sobrevivência e da continuidade das espécies.
Meus irmãos:
O homem, convivendo com os animais, tem uma colossal influência sobre seu comportamento. Ao prodigalizar-lhes respeito, amparo e amor, desanuvia nos seus cérebros selvagens as tendências inatas de sobrevivência, regidas pela “lei das selvas”, segundo a qual vence sempre o mais forte.
Geração após geração os animais que convivem com o homem vêm se transformando, em lenta porém inexorável evolução, já não sendo raro vermos feras receber afagos humanos e retribuí-los.
Todos os animais, por natureza, são selvagens.
Talvez, o maior auxiliar do homem, dentre todos, tenha sido o primeiro a ser domesticado: o cavalo. Com ele, desbravaram-se regiões desconhecidas, vencendo distâncias.
Após o cavalo, na escala de ajuda aos homens, temos o generoso casal boi/vaca, com funções distintas, que na vida e na morte só faz atender ao homem. Se o cavalo vai perdendo espaço, os bovinos aumentam sua utilidade, sendo hoje indispensáveis à sobrevivência alimentar humana. Até quando? Só Deus sabe...
A seguir, temos os elefantes: tão grandes quanto sensíveis, prestaram-se em demorados séculos a transportar pesadas cargas (toras e pedras). Ainda hoje há regiões no planeta que sem eles sucumbiriam.
Os caprinos: mansos e acomodados, forneceram abrigo contra o frio, além de alimento com seu leite e sua carne.
Trazidos para o lar e tratados como elementos da família, estão os cães e os gatos. A moderna Psicologia recomenda tê-los em casa, pois são fonte inesgotável de carinho e aplanadores de tensões da vida moderna.
Falemos, antes, dos pássaros engaiolados: é crueldade privar seres que poderiam transitar pela vastidão dos céus, reduzindo sua locomoção a poucos centímetros de espaço cercado de arames...
Irmãos: libertai os pássaros!
Quanto aos cães, passaram a trocar amizade com seus donos quando também encontraram reciprocidade: recebendo proteção, alimento e carinho nos lares, retribuem com amizade desinteressada e constituem-se em sentinelas permanentemente atentas; garantem a segurança da família e do patrimônio. Não são poucos os registros de atos de incomparável heroísmo e desprendimento de cães a homens.
Quanto aos gatos, ah! os gatos! Observados pelos egípcios, milênios atrás, foram trazidos para dentro dos ambientes domésticos, por serem inimigos naturais dos ratos. Mas, seria só isso que os mantêm até hoje nos lares? Certamente que não. Sua natural independência irrita algumas pessoas, porém assim foram criados por Deus que os dotou de predicados invejáveis: agilidade, provável percepção astral e delicadíssimos contornos, que os tornam tão graciosos. Dentro de casa, são sentinela muito mais competente que os cães, pois que pressentem movimentos externos, absolutamente inaudíveis ou perceptíveis àqueles. Descendendo da linhagem dos felinos, trazem, na verdade, traços de agressividade e selvageria. Mas, quem lhes trata e dedica carinho, recebe deles demonstrações inequívocas de gratidão e amizade.
Companheiros em Jesus:
Outros animais, entre monos, felinos e ursos, aceitam o convívio com o homem, na pessoa de domadores e tratadores, sem agredi-los, no triste cativeiro dos circos ou nos não menos tristes zoológicos.
Nos animais predomina o instinto e existem lampejos de inteligência; por esses lampejos é que absorvem a influência dos seus donos ou dos seus tratadores, passando a carrear, na própria estrutura psíquica, além de condicionamentos, possibilidades de atos mais ou menos inteligentes.
Vemos assim que o homem tem plenas condições de atenuar o instinto selvagem do animal, apaziguando-o com proteção, respeito e carinho. Assim procedendo, colabora com a evolução das espécies, o que faz parte primordial da Vida e dos planos de Deus.
No mundo espiritual, após a morte física, as almas dos animais se juntam, por simbiose - por similaridade física e psíquica.
Espíritos da Natureza, especialmente designados pelos Planos Superiores, cuidam dessas almas, providenciando seu retorno à vida terrena, ou então, separando os que mais se destacam, por nobreza de ações. Esses últimos, quais criancinhas matriculadas em escolas maternais, recebem de destacados especialistas celestes, os primeiros raios de raciocínio. Daí, não será demais afirmarmos que à frente, nas esquinas do tempo, esses rudimentares alunos, ao reencarnar, estarão com as primitivas formas orgânicas humanas...
Porque, embora seja superior à nossa capacidade em palmilhar os desígnios divinos, não nos padece dúvida, conquanto intuitivamente, que os homens de hoje, foram exatamente os animais de ontem...
Indo além em nossas humildes elocubrações, pedindo perdão ao Criador pela nossa talvez descabida porém sincera ousadia em tentar decifrar tão elevados mistérios, podemos imaginar que considerando a multiplicidade de mundos no Universos, nessa primeira etapa hominal serão alocados em um deles, consentâneo com seu nível evolutivo.
E mais perdão ainda precisamos, pois não podemos ocultar que pensamos ter o nosso planeta superado essa fase - a idade da pedra -, tendo já evoluído, ele próprio, como aliás, tudo o mais no Universo, que é obra de Deus!
Que a humildade de Jesus seja para nós supremo ideal a ser conquistado e que as luzes do Mestre desde já iluminem um pouco mais nossos Espíritos.”
(Espírito de Van Der Goehen - Médium: Eurípedes Kühl. - O Quartel e o Templo)

quinta-feira, 24 de março de 2011

MELINDRISMO

“Toda a casa dividida contra si mesma não subsistirá”. Jesus. (Mt., 12:25.)
Uma equipe de Espíritos capitaneada pelo Dr. Bezerra de Menezes foi convocada a prestar socorro de emergência em uma determinada Casa Espírita, não pelas condições oferecidas pelos trabalhadores da Casa, mas pelos méritos da criatura que ia receber o benefício. Tratava-se de uma senhora, portadora de um carcinoma em insidioso estágio de metástase, já desenganada pelos médicos, vez que falharam todos os recursos da medicina conhecida na Terra. A desencarnação fora prevista para dentro de no máximo 1 ou 2 meses, segundo os prognósticos baseados nos exames realizados nos sofisticadíssimos equipamentos de última geração. Fazia-se urgente, então, o auxílio da medicina espiritual da qual nós, os encarnados estamos longe de avaliar a dimensão e a potencialidade dos recursos...
Os integrantes da equipe à exceção do Dr. Bezerra de Menezes, já veterano das lides socorristas, não disfarçavam a surpresa ao se depararem com a indigência espiritual a que estava relegado aquele Centro Espírita. Notava-se claramente que ali abundavam as reuniões mediúnicas e faltavam as reuniões de estudo. Os trabalhadores eram extremamente personalistas e ciosos de suas respectivas “sapiências e autoridades”. Por um “dá cá esta palha” implantava-se a cizânia entre eles, dificultando a aproximação dos Espíritos do Senhor. A maledicência campeava solta, à vontade, sem peias; a vigilância há muito já havia batido em retirada...
Não sem despender muita energia para assegurar um mínimo de equilíbrio e higiene no ambiente, a tarefa foi concluída, por sinal com tão retumbante sucesso que até hoje mantém abertas de perplexidade as bocas dos facultativos que prognosticaram, sem apelação, a morte da paciente.
Na viagem de volta aos páramos celestes, um neófito integrante da equipe espiritual, um tanto reticente e tímido aproxima-se do bondoso Mentor e pergunta:
“Como é possível tanta dissidência e invigilância num agrupamento de pessoas que dizem estar reunidas em nome de Jesus? É válida tal “prática” de Espiritismo?
O “Médico dos Pobres”, com certa tristeza na entonação de voz, respondeu paternalmente:
“Filho, infelizmente, muitas Casas Espíritas não nos oferecem a mínima condição de trabalho em benefício dos sofredores da Terra. Mas Jesus, sempre atento, em Sua infinita misericórdia oferece-nos os recursos adicionais para vencermos a má-vontade dos encarnados, quando o beneficiário dispõe de méritos que justifiquem a interferência do Mundo Maior.
Naquela Casa Espírita que acabamos de deixar não existe, na verdade, a prática do Espiritismo, mas sim a prática do melindrismo, onde pululam os Espíritos malfazejos que estão todo o tempo insuflando a acrimônia entre os “soi-disants” trabalhadores do Cristo, contumazes na invigilância”.
Recolhendo-se em profundas reflexões o inexperiente neófito entregou-se a sentida oração em favor dos “Espíritas Imperfeitos” que enxameiam nas hostes espiritistas.
No Mundo Espiritual, em conversa com o Dr. Odilon Fernandes, Ramiro Gama obteve a seguinte explicação:
“(...) Existem Centros Espíritas que não se preocupam com reuniões de estudo, apesar de promoverem reuniões mediúnicas a semana inteira... Os diversos grupos de mediunidade, inclusive, chegam a disputar entre si – médiuns contra médiuns, dirigentes contra dirigentes e, pasmem, Espíritos contra Espíritos!...
E quando as desavenças existem entre os membros de um mesmo grupo mediúnico? Aí é que a coisa se transforma num “prato cheio” onde os obsessores se locupletam! A incompatibilidade entre os integrantes de uma mesma equipe de serviço mediúnico, acaba por atrair Espíritos que não comungam as mesmas idéias. Assim como em uma casa espírita ocorrem lamentáveis divisões, com grupos de tarefeiros se isolando uns dos outros, os Espíritos, que nada mais são do que homens fora do corpo, também mutuamente se rebelam, sustentando entre si intermináveis polêmicas doutrinárias... Evidentemente que tais coisas ocorrem devido à falta de assimilação dos ensinamentos de Jesus agravada pela falta de estudo doutrinário. Os médiuns ficam tão preocupados em doutrinar os Espíritos, que não se preocupam com a própria evangelização... Aliás, nessas casas às quais nos referimos há mais mediunismo que mediunidade. Em suas múltiplas reuniões, a mistificação e o animismo campeiam, livres, induzindo à fascinação a maioria dos seus componentes. Um templo Espírita bem orientado preocupa-se, primeiro, em estruturar-se doutrinariamente; apenas quando os seus integrantes revelem, da mediunidade, o mínimo de conhecimento necessário é que se deve cogitar da formação de um grupo consagrado às atividades mediúnicas propriamente ditas.
As maiores perturbações que pude conhecer assolando uma Casa Espírita começaram justamente através da invigilância do que denominamos reunião de desobsessão... Uma reunião mediúnica seja ela qual for, pode, quando não bem orientada, ser uma porta escancarada para o desequilíbrio do grupo onde medrarão infrenes as disputas, os ciúmes, inveja, personalismo, etc... Se uma atividade mediúnica qualquer estiver perturbando o bom andamento das demais atividades do Centro, é melhor que ela seja extinta e que, em seu lugar, se crie uma reunião de estudos sistematizados da Doutrina ou... nada. E que ninguém fique de consciência pesada, se semelhante providência tiver de ser tomada...
Temos que ser apologistas da mediunidade com responsabilidade. Os Espíritos irresponsáveis, que enxameiam pelos caminhos da Terra, sentem-se extremamente à vontade nos Centros onde as reuniões de mediunidade prevaleçam sobre as reuniões de estudo; já os Espíritos esclarecidos freqüentam com maior assiduidade os grupos onde haja uma predominância do estudo que se alie à prática, ou seja, do conhecimento teórico que se vincule à vivência do bem no cotidiano”.
Jesus foi muito claro ao ensinar: (Mt., 5:38 a 42.)
“(...) Não resistais ao mal que vos queiram fazer; se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra; se alguém quiser pleitear contra vós, para vos tomar a túnica, também lhe entregueis o manto; se alguém vos obrigar a caminhar mil passos com ele, caminheis mais dois mil”.
Desenvolvendo este ensinamento de Jesus, o Mestre Lionês aduz:
“(...) Dizendo que apresentemos a outra face àquele que nos haja batido numa, disse Jesus sob outra forma, que não se deve pagar o mal com o mal; que o homem deve aceitar com humildade tudo o que seja de molde a lhe abater o orgulho; que maior glória lhe advém de ser ofendido do que de ofender, de suportar pacientemente uma injustiça do que de praticar alguma; que mais vale ser enganado do que enganador, arruinado do que arruinar os outros. É, ao mesmo tempo, a condenação do duelo, que não passa de uma manifestação de orgulho. Somente a fé na Vida futura e na justiça de Deus, que jamais deixa impune o mal, pode dar ao homem forças para suportar com paciência os golpes que lhe sejam desferidos nos interesses e no amor-próprio. Daí vem o repetirmos incessantemente: Lançai para diante o olhar; quanto mais vos elevardes pelo pensamento, acima da vida material, tanto menos vos magoarão as coisas da Terra”.
Ao convidar-nos a “lançar para diante o olhar”, Kardec nos faz reportar à belíssima página de Emmanuel, intitulada:
A V A N C E M O S !...
Na estrada cristã, somos defrontados sempre por grande número de companheiros que se aquietaram à sombra da improdutividade, declarando-se acidentados por desastres espirituais: É o trabalhador que se viu dilacerado pela incompreensão de um amigo; é um missionário que se imobilizou à face da calúnia; é alguém que lastima a deserção de um consócio da boa luta; é o operário que clama indefinidamente contra a fuga da companheira que lhe não percebeu a dedicação afetiva; é o idealista que espera uma fortuna material para dar início às realizações que lhe competem; é a mulher que se enrola no cipoal da queixa contra os familiares incompreensivos; é o colaborador que se escandaliza com os defeitos do próximo, congelando as possibilidades de servir; é alguém que deplora um erro cometido, menosprezando as bênçãos do tempo em remorso destrutivo...
O passado, porém, se guarda a virtude das experiências, nem sempre é o melhor condutor da Vida para o futuro. É imprescindível exumar o coração de todos os envoltórios entorpecentes que, por vezes, nos amortalham a Alma.
Paulo de Tarso, que conhecera terríveis aspectos do combate humano, na intimidade do próprio coração, e que subiu às culminâncias do apostolado com o Cristo, nos oferece roteiro seguro ao aprimoramento escrevendo fraternal carta à comunidade de Filipos: “(...) Irmãos, quanto a mim, não julgo que haja alcançado a perfeição, mas uma coisa faço, e é que esquecendo-me das coisas que atrás ficam, avanço para as que se encontram diante de mim.
Esqueçamos todas as expressões inferiores do dia de ontem e avancemos para os dias iluminados que nos esperam.”
Centralizemos nossas energias em Jesus e caminhemos para diante.
Ninguém progride sem renovar-se”.

quarta-feira, 9 de março de 2011

A MAGNITUDE DA FÉ EM NOSSAS VIDAS.

Quando Ele veio ao encontro do povo, um homem se lhe aproximou e, lançando-se de joelhos aos seus pés, disse:
Senhor tem piedade de meu filho, que é lunático e sofre muito; pois cai muitas vezes no fogo e, muitas vezes, na água. Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar.
Jesus respondeu, dizendo: Ó raça incrédula e depravada, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui este menino.
E, tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu do menino, que no mesmo instante ficou são.
Os discípulos, então, vieram ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: Por que não pudemos nós outros expulsar esse demônio?
Respondeu-lhes Jesus: Por causa da vossa incredulidade. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daí para ali e ela se transportaria e nada vos seria impossível. (Mateus,17:14-20.)
Muito significativa essa passagem de Jesus.
A parábola da figueira que secou é outra demonstração deixada por Jesus para refletirmos seriamente sobre a fé, encontrada em Lucas (13:6-9). Nela, passamos a ver o homem na figueira que foi plantada, mas que não frutificou. Assim é o religioso que se diz cristão, mas em verdade, não mostra seus “frutos”.
Todos os homens, deliberadamente inúteis por não terem posto em ação os recursos que traziam consigo, serão tratados como a figueira que secou.
Pedro, ao não conseguir andar sobre as águas, mereceu de Jesus uma advertência quanto à sua falta de fé, em Lucas (8:25). Quantos de nós não nos amedrontaríamos como o fez Pedro, e também afundaríamos!?
Tomé, em João (20:24), não acreditou no reaparecimento de Jesus após a sua crucificação. Tornou-se, por isso mesmo, até hoje, um símbolo da falta de fé. Essa passagem é sempre lembrada por todos quantos desejam enfatizar a ausência da fé na criatura.
Jesus, em várias de suas lições, querendo destacar a significativa importância da fé, mostrou, com sua exemplificação, que será necessário ao homem acreditar nas próprias forças, o que o tornará capaz de executar certos feitos materiais. Quem duvida é um pessimista e se vê impossibilitado de crescimento moral. Se não acreditarmos que somos capazes de amar até os inimigos, de que adianta afirmar que acreditamos em Jesus? Estabeleceria, por acaso, Jesus um objetivo educativo para nós impossível de ser alcançado?
Como ficaria sua condição de Mestre dos mestres?
Tiago, em sua Carta (2:14), foi extraordinário quando se referiu à associação que deve existir entre a fé e as ações da criatura, ao afirmar que “[...] nenhum proveito existe, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras. Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?”.
Uma realidade fica patente: da fé vacilante resulta a incerteza, a dúvida; já a fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos que fazem se vençam os obstáculos, nas grandes como nas pequenas tarefas.
Quem acredita no tratamento a que está submetido – dizem os entendidos – está com meio caminho andado para curar-se. Todavia, quem não acredita...
Inquestionavelmente, são a fé e o amor os dois fundamentais instrumentos de trabalho do espírita.
“A fé é a garantia do que se espera a prova das realidades invisíveis”, testificou Paulo, em Carta aos Hebreus (11:1). E ele sabia, perfeitamente, do que falava, pois sem essa virtude, teria fracassado em sua missão de ser o maior divulgador do Cristianismo nascente.
A força e o poder da fé se transmitem à prece, enunciada com emoção e sinceridade. A prece é a manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus.
A fé sincera e verdadeira é sempre calma, facultando a paciência que sabe esperar.
A confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais, que não consegue fazer quem duvida de si.
Aqui, porém, unicamente no sentido moral se devem entender tais palavras. As montanhas que a fé, exaltada por Jesus, desloca, são as dificuldades, as resistências, a má vontade; em suma, tudo com que se depara da parte dos homens, ainda quando se trate das melhores coisas.
Como se adquire a fé inabalável?
Através do conhecimento que se obtém com o estudo dos postulados da Doutrina Espírita, que não arregimenta, em suas fileiras, crentes devotos, mas homens de fé raciocinada.
Seja, portanto, inabalável a nossa fé, alicerçada nos postulados fundamentais do Espiritismo:
Deus, Espírito, imortalidade da alma, reencarnação, mediunidade, pluralidade dos mundos habitados, lei de ação e reação, lei da evolução, prática da caridade, vivência do Evangelho de Jesus, e outros.
A “preceterapia” é hoje testada por estudiosos do assunto, renomados homens de ciência. Servindo-se de um número de pacientes portadores da mesma enfermidade, chegaram à conclusão de que em dois grupos, um com 192 enfermos e outro com 214, o número maior dos que apresentaram resultados positivos, após tratamento, foram justamente os que nele acreditavam, e, consequentemente na cura. O mais importante de tudo: igual tratamento foi dispensado a todos.
Relevante é “[...] não confundir a prece com a presunção. A verdadeira fé se conjuga à humildade [...].” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX – que serviu de base para este artigo –, item 4.) Aquele que a tem deposita mais confiança em Deus do que em si mesmo, porque sabe que nada lhe é possível sem a ação de Deus.
Com a fé pulsante em seu interior, o homem movimenta seu magnetismo atuando sobre o fluido, o agente universal, modificando-lhe as qualidades e lhe dando uma impulsão irresistível. É sempre a fé dirigida para o bem que podem operar os chamados, equivocadamente, “milagres”.
A fé pode ser raciocinada ou cega. A espírita é raciocinada. A fé cega, levada ao excesso, conduz ao fanatismo, ao “homem-bomba”.
A fé cega imposta é sinal de confissão de impotência para demonstrar que se está de posse da verdade. A fé não se prescreve nem se impõe.
A fé não procura ninguém, é ao homem que compete buscá-la, encontrá-la. Quem a procurar sinceramente não deixará de encontrá-la. Ensina Allan Kardec:
A resistência do incrédulo, devemos convir, muitas vezes provém menos dele do que da maneira por que lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender.
A fé cega já não é deste século [...]. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 7.) A criatura deve crer, porque tem certeza, apoiando-se nos fatos e na lógica. Somente tem certeza porque compreendeu.
“Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade”, é o que encontramos no livro acima citado.
Sob o título “A fé: mãe da esperança e da caridade”, o Espírito protetor José afirma:
Para ser proveitosa, a fé tem de ser ativa; não deve entorpecer-se. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus cumpre-lhe velar atentamente pelo desenvolvimento dos filhos que gerou.
A fé sincera é empolgante e contagiosa; comunica-se aos que não na tinham, ou, mesmo, não desejariam tê-la. Encontra palavras persuasivas que vão à alma [...]. (Op. cit., item 11).
Preguemos pelo exemplo de nossa fé.
Não admitamos a fé sem comprovação: fé cega é filha da cegueira.
Amemos a Deus, mas sabendo por que o amamos; acreditemos em suas promessas, mas sabendo por que acreditamos; sigamos os seus conselhos, mas compenetrados do fim que nos é apontado e dos meios que nos são trazidos para atingi-lo.
Precisamos colocar a vontade a serviço dessa força que todos trazemos – a fé, que é ainda tão pouco utilizada.
A fé é humana e divina.
Se todos nos achássemos persuadidos da força que em nós trazemos, e se quiséssemos pôr a vontade a serviço dessa força, seríamos capazes de realizar o que hoje é considerado prodígios mas que, no entanto, não passa de um natural desenvolvimento das faculdades humanas.
A certeza na obtenção de algo é resultado da vontade de querer e a certeza de que esta vontade pode obter satisfação.
É a fé que conduz a Deus. Deve ser, portanto, ativa para ser proveitosa.
Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade. Assim, preconizar a fé cega sobre um ponto de crença é confessar-se impotente para demonstrar que está com a razão.
Pondera o Codificador:
[...] A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, denota fraqueza e dúvida de si mesmo. (Op. cit., cap. XIX, item 3.)
A fé, saibamos em definitivo, não se impõe nem se prescreve.
Ela é adquirida e ninguém há que esteja impedido de possuí-la, mesmo entre os mais refratários.
Hoje ou amanhã, nesta ou noutra encarnação, todos a possuirão.

Reformador Fev.08

terça-feira, 8 de março de 2011

APRENDENDO COM A DOR

Amigo(a), a vida nos fornece matérias como recurso didático no rumo da sabedoria e da paz. Um destes recursos, ainda não compreendido por nós, é a DOR...
Se perdermos um ente querido nos arrasamos de saudade; rompendo-se uma relação afetiva, cultivamos a "fossa"; se tivermos perdas financeiras, abraçamos o desânimo; se alguém nos ofende ou lesa, regamos a mágoa; e na maioria das situações que somos visitados pela irmã dor, preferimos a postura do(a) coitadinho(a), nos afundando na baixa da auto-estima, escolhendo infelizmente o desespero ou até o suicídio.
Faz-se mister mudar nossa visão.
A dor é matéria importante na escola da vida, juntamente com outras: alegria, paz, amizade, estudo, convivência, observação, exemplos alheios, etc.
Isso não quer dizer sermos insensíveis ou frios, mas reforçar nosso ânimo, mantendo-nos firmes, extraindo da dor o melhor aprendizado.
Mesmo que dolorosa, toda experiência é lição e não queda.
Ânimo!
Avante!